domingo, 8 de novembro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I (Crônica de uma violência anunciada).
Creio que existe uma relação biunívoca, naturalmente imperfeita, entre a bola de futebol e os ônibus, em Curitiba. Explica-se: Cada vez que há jogo entre o Coritiba e o Atlético, o maior clássico do futebol paranaense, vários ônibus são depredados. Sem dúvida, os “hooligans” ingleses e alemães já fizeram escola...

Constatação II(Do meu Paraná que, lamentavelmente, não vai voltar ainda pra primeirona).
Vir a ser um finalista,
É coisa de se almejar.
Mas, não é de paranista
A qualquer preço ganhar...

Constatação III (De publicidade “emprestada” de uma companhia aérea).
Viagra permite trabalhar “non stop” para agradar você.

Constatação IV
Os resfriados e gripes estão de intensidade tais, que eu não sei se sai ranho também pelos olhos, ou lágrimas também pelo nariz...(Perdão, leitores).

Constatação V(De uma declaração de amor).
Leva vida de cachorro quem passa a vida sem cachorro. Tenho dito!

Constatação VI
Depois do grata, greta, grita, grota, gruta, que Rumorejando havia sugerido para o ensino do a, e, i, o, u, nas escolas de alfabetização, uma leitora, nos enviou a sua colaboração: barra, berra, birra, borra, burra. Obrigado.

Constatação VII
“Energúmeno”, o Ministro afirmou,
Se referindo a quem achou
Que a medida tomada
Tinha fins eleitoreiros. Que nada!...

Constatação VIII
E já que falamos no assunto, não se deve confundir ministério com monastério, muito embora o mistério como alguns ministros conduzem o seu ministério – já que ninguém, nunca, fica sabendo o que eles estão fazendo – é cercado de um eterno segredo digno daqueles monastérios onde se costuma fazer votos de silêncio e coisas afins...

Constatação IX(Teoria da relatividade p/ principiantes).
É muito melhor ser jovem e não precisar de remédios do que ser aposentado e gozar de descontos de até 20% na compra em farmácias.

Constatação X
Andam dizendo que o viagra, cialis, levitra, etc. provocam, dentre outros efeitos colaterais, o desarranjo intestinal. Mui respeitosamente, eu espero que, pelo menos, seja antes ou depois de. Jamais durante...

Constatação XI
Em terra de f. da p., quem não for, não terá vez...

Constatação XII
Correu risco de levar
Um tiro de trabuco:
Corte seco não quis dar
No renhido jogo de truco.

Constatação XIII
Não se deve confundir brigar com obrigar, muito embora, quando a mulher quer nos obrigar a fazer uma coisa que a gente não tem a mínima vontade, na verdade, a gente acaba fazendo, mas sem antes deixar de brigar...

Constatação XIV
Rico joga polo, golfe, tênis; pobre, no bicho.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I (Via pseudo-haicai).
Correntes frias X quentes
Igual a chuvas inundantes
Frequentes ?

Dúvida II
O fabricante de solvente é que estava insolvente ?

Dúvida III (Via pseudo-haicai).
Repercutiu com estrondo
A manchete:
CURITIBA, NOVA MACONDO ?

Dúvida IV
Foi o coronel que disse para a sua mulher que só vivia lhe pedindo dinheiro: “Querida, me desculpe, mas eu não sou o seu coronel”?

Dúvida V (Via pseudo-haicai).
No palco da vida,
Afinal, aonde fica
A saída ?

Dúvida VI
Está na hora de acabar com os concursos de miss. Mas, se isto não for possível, está na hora de acabar com o preconceito de que, para participar, as concorrentes têm que ter mais de 1,75m de altura, caso contrário, como é que fica com a representante dos pigmeus ?

Dúvida VII (E já que falamos em Coritiba x Atlético, via pseudo-haicai).
A contenda,
Não era
Pra “punhos de renda”.

Dúvida VIII
“Quanto pior, melhor” não deve ser somente algo eminentemente político/ideológico. Não será, também, a máxima adotada por algumas das nossas emissoras de televisão ?

Dúvida IX
Para o boêmio, o noctívago, para aquele que troca a noite pelo dia, o alvorecer, o amanhecer, é uma espécie de ocaso, de crepúsculo ?

Dúvida X (Via pseudo-haicai).
A semiótica*,
Pro obcecado,
Visão erótica ?
*Semiótica = Ciência que estuda os signos e sinais e/ou sistema de sinais.

Dúvida XI
Pra ter boa cabeça é preciso ter boa “poupança” pra poder ficar o dia inteiro sentado, estudando?

Dúvida XII
Uma erva-mate que passou no barbaquá*, é uma erva barbaquada ?
*Barbaquá = carijo = “Armação de varas, onde se colocam os ramos de erva-mate para crestá-los** ao calor do fogo”.
**Crestar = “Secar, tostar, queimar de leve”.

Dúvida XIII (Via pseudo-haicai).
“Te esconjuro”,
Foi o que disse o padre
Pro dedo-duro ?

Dúvida XIV (Via pseudo-haicai).
É só que tem o Poder
Que pode ter
Querer ?

Dúvida XV
Ele se entregou,
O alcagüete,
Quando enviou,
Pra viúva, o ramalhete ?


Juca

domingo, 1 de novembro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I (Teoria da relatividade para principiantes).
É muito melhor que os teus exames clínicos dêem que você está bem mal e você esteja bem, do que teus exames clínicos dêem bem e você esteja bem mal.

Constatação II
Dispersou o rebanho
Até as fiéis de antanho.
Invés de ajuda espiritual
De se ocupar dos crentes,
Da alma dos viventes,
Da cúria, do missal,
- Eta padre ruim ! -
Só queria tratar as mocinhas,
Dizendo: “coitadinhas”,
Fazendo nelas massagens de do-in...

Constatação III
Tem gente que perde o amigo, mas não perde a piada e tem gente que perde o amigo, mas não perde a contumaz grosseria...

Constatação IV
Quem fala mal dos outros é uma pessoa complexada; quem só fala mal dos outros é uma pessoa com falta de programa.

Constatação V
Se você disser, em Curitiba, que “hoje vai chover”, você terá uma probabilidade muito elevada de não errar.

Constatação VI
Durante as “lewinskadas”, o então presidente da maior potência do planeta, Bill clinton, deve ter se sentido no céu. Mas, segundo os entendidos em pecados capitais, ele, dessa maneira perdeu o passaporte para entrar no dito cujo...

Constatação VII (De conselhos úteis, via pseudo-haicai).
A fim de que não se modifique
O relacionamento com a tua mulher,
Fora, não prevarique.

Constatação VIII ( De Curitiba de antigamente, via pseudo-haicai).
Se assistia, de camarote,
O Espingarda* tocar
Com o arco no serrote.
*Espingarda, era o nome de um dos componentes do Circo Irmãos Queirolo que se apresentavam, dentre outros, como acrobatas; havia o palhaço Chic-Chic, etc. e que encantaram várias gerações em Curitiba. O Espingarda tocava alguns instrumentos musicais. E também sacava melodia, utilizando um arco de violino num serrote. Bons tempos !

Constatação IX (Ah, esse nosso vernáculo).
A Clara passou a noite em claro. Enquanto batia as claras, teve uma conversa comigo. Claro, às claras.

Constatação X (Ah, esse nosso vernáculo. [De novo ?]).
Aquele tira lê a tira da história em quadrinhos e depois tira suas conclusões: “O herói não atira e se retira ?! Mentira!”

Constatação XI
E como dizia para si mesmo aquele cara que vivia falando sozinho: “Mais respeito, hein ! Você sabe com quem está falando?

Constatação XII (De elucubrações filosóficas-digestivas de transcendental importância para o futuro da Humanidade).
Os gases estomacais e intestinais são o resultado das transformações químicas que ocorrem no processo digestivo. Trata-se, portanto, de um fenômeno químico. Dependendo do tipo de alimento e do tipo de organismo é maior ou menor a formação desses gases; se o cidadão faz um regime, deixando de comer os tais alimentos que aumentam a formação de gases, haverá, consequentemente, uma diminuição dos ditos. Aí, trata-se de um fenômeno físico, já que cessada a causa, cessa o efeito. Elementar, minha gente.

Constatação XIII
Eufemisma o velho granjeiro:
“Viagra é uma espécie de ração
Daquele que é o herdeiro
Da galinha
E do rei do terreiro”.

Constatação XIV (Elementar, meu caro Watson...)
Convenhamos: A globalização é uma coisa maravilhosa. Apenas, depende em qual dos lados a gente se encontra – cá* ou lá**.
*Cá = capacidade de poder consumir.
** Lá = Lamentavelmente, sem capacidade de poder consumir.

Constatação XV
Não é só porque me tentaram passar o golpe do bilhete premiado que eu sou, ou tenho cara de jacu, jeca, juca, ou equivalente. Aliás, esses vigaristas, sem dúvida, me subestimaram, o que me deixou ofendido também por isso.

Constatação XVI (Ah, esse nosso vernáculo).
-“O filho dileto da Da. Tila, o Telê, aquele que vive mastigando talo, ficou entalado na tela de tule. Deve tá lelé ! Que tolo ! Que toleirão !”

Constatação XVII
É muito provável que dentro de uma caixa preta exista sucessão de outras caixas pretas.

Constatação XVIII
E como exclamava a redatora daquela repartição pública, nas discussões com o marido: -“Mui respeitosamente considero você um refinado patife. Nestes termos, vou para a casa de mamãe”.

Constatação XIX (Ah, esse nosso vernáculo).
O relacionamento idílico, do casal abúlico, que começou na basílica, inicialmente tão simpático, quase que teve um final fatídico.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I
As vezes, eu me pergunto: Será que Rumorejando é uma tentativa de ligar o vernáculo à matemática ? Ou o revés ?

Dúvida II
Será que o outono e o inverno vieram passar a primavera em Curitiba ?

Dúvida VII
(Via pseudohaicai).
Carnificina
Se trata
Com penicilina ?

Dúvida III
Será que algum dia o assim chamado animal racional, o bicho homem, eliminará dos seus execráveis hábitos: touradas, farra do boi, briga de galo, o “esporte” da caça e outras barbaridades do gênero ?

Dúvida IV
Calca a broca, o dentista,
Achando que a gente
É masoquista ?

Dúvida V
“Coritético” é o nome que eventualmente deveria se chamar o time resultante de uma inimaginável fusão entre o Coritiba e o Atlético ?

Dúvida VI
Por que será que, com exceção do programa da Rádio Educativa, “Venas Abiertas”, levado ao ar aos domingos, às 10 horas da manhã, não se toca música latino-americana em nossas rádios, mormente, levando-se em conta que existe uma tentativa de integração entre os vários países, da qual o Mercosul é o exemplo mais flagrante? E me refiro a música folclórica, totalmente desconhecida para nós. Aliás, os tangos, milongas, chacareras, triunfo, zambas do Uruguai e Argentina são muito agradáveis de se escutar. Basta ouvir o mencionado programa da Educativa para conferir.

Dúvida XII
Será que alguém conhece uma rima para a palavra livro?


Juca

sábado, 24 de outubro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Rico é aristocrático; pobre, é metido.

Constatação II
Rico é pragmático; pobre, é lunático.

Constatação III
Vai começar o debate,
No horário político,
Terrível e execrável,
Eivado de duvidança
E desesperança.
Prepare-se para ouvir disparate
E argumento nada analítico.
Bem melhor ouvir criança
Incluso na linguagem tatibitate.

Constatação IV
Rica tem o rei na barriga; pobre, todo ano, um filho.

Constatação V
Depois da vitória de Rubinho Barichello, em Monza, o piloto brasileiro, por quem a gente torce e sofre, afirmou e reafirmou que o momento é manter o pé no chão. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que é importante manter o pé no acelerador. A propósito das poucas vitórias de Rubinho, vale lembrar que Arquimedes proferiu: “Dai-me uma alavanca e um ponto de apoio que eu moverei o mundo”. Pelo jeito, Rubinho poderia dizer: Dai-me um bom carro na Fórmula 1 que eu poderei ser o campeão do mundo...

Constatação VI (De um estulto perfil).
Era um borra-tintas,
Um exímio sarrafaçal*,
Metido a dar fintas.
Um insigne boçal.
*Sarrafaçal = “1. indivíduo inútil, preguiçoso”.
2. “profissional inapto” (Houaiss).

Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).
É muito melhor o nosso time fazer um gol com a mão e o juiz validar, ainda que a gente fique morrendo de vergonha, do que o nosso time sofrer um pênalti e o juiz não marcar.

Constatação VIII
Não se pode confundir barulho com baralho, muito embora no jogo de truco que é jogado com baralho e que onde este assim chamado escriba não encontra adversário, quem faz muito barulho, às vezes, ganha o jogo...

Constatação IX
O detetive
Particular
Contratado
Pra seguir
E flagrar
Um marido,
Acostumado
A desmando,
A trair,
Levou
Azar:
Desligado,
Ficou
Caído,
Ferido
Quando
Escorregou
Num declive
E tropeçou
Num aclive.
Coitado!

Constatação X
O posudo,
Em baixa, estava.
E se achava
Sortudo
E que tava
Com tudo.

Constatação XI (De um pseudo-soneto).

Apresentou uma lista pra ele
Ele ia ter que dormir no paiol
E que ela não era seu lençol
E que não tinha pena dele.

Ele ficou muito triste e azedo,
Dormir naquela espécie de macega
Ali, seria difícil um esfrega-esfrega,
E viu que era sério, não era brinquedo.

Foi consultar uma benzedeira
Dizendo que teria de ficar no estaleiro
E desfilou sua choradeira,

Como era época de nevoeiro
Poderia pegar um resfriado
Tal jamais acontecera com algum seu antepassado.

Constatação XII
Foi a tartaruga
Mesmo afrouxando o passo,
Que chegou ao destino
Com o sol a pino,
Na casa do namorado
Cansada,
Cheia de ruga,
Um bagaço?
Coitada!
Coitado!

Constatação XIII
Quando meu celular me chama, eu já sei quando é a minha sogra que está chamando. O celular não tilinta, nem vibra. Ele vocifera, esbraveja, impreca, rosna.

Constatação XIV
Pela intenção do Brasil de comprar aviões de combate na França, sem levar em conta as ofertas da Suécia e dos Estados Unidos, o nosso país contaria, dentre outros, com o apoio daquele país para o Brasil fazer parte do Conselho de Segurança da ONU. Este negócio do Brasil ser membro do Conselho de Segurança me deixa numa dúvida crucial que me faz relembrar com o seguinte fato, já contado na coluna: Em 1970, este assim chamado escriba estava estagiando na França, mercê de uma bolsa de estudos, oferecida pelo governo francês. Aproveitando as curtas férias nas festas de fim de ano, resolvi conhecer Londres. Chegando a este país, me dirigi às informações turísticas, em busca de um hotel barato. À atendente, com cara de enfastiada, perguntei: “Do you speak french?” O francês era minha língua estrangeira mais fácil para me fazer compreender e entender. E ela, me olhando de alto a baixo, com desprezo: “What for?” (Para quê?)

Constatação XV
Com relação à constatação anterior, talvez a gente esteja por fora. Quando o presidente Lula disse, no dia 7 de setembro, que o Brasil vai comprar os aviões da França ele, apenas, tão-somente, queria impressionar a mulher do presidente Sarkozy, madame Carla Bruni, que pelos seus dotes merece os encômios respeitosos de todos.

Constatação XVI
Rico é agradável; pobre, censurável.


Juca

sábado, 17 de outubro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Tem gente que encobre
De já ter sido nobre
Quando descobre
Que não é mais rico, é pobre.

Constatação II
Enquanto ela rebolava
Num sensual saracoteio,
Por causa de comentários libidinosos
Que se referiam aos seus dotes apetitosos,
O marido, vexado, incomodado,
Se meteu num sururu
Onde muita rasteira,
Muita bordoada rolava,
Por baixo, por cima e pelo meio,
Além de golpes de capoeira,
Que doía mais que rabo-de-tatu.
Coitado!

Constatação III
Dentre os muitos e-mail’s recebidos após a publicação de “O terror que matura”, no dia 11 de outubro, transcrevo do meu amigo e colega Abelardo Perseke Junior:
“Juca:


Deixe o futebol, esta loucura,
Que torna em vinagre a água mais pura
Que endeusa vagabundos de feroz feiúra,
E viva a poesia, que esta sim, em ti perdura,
Pois este teu poema, de alvear secura,
Foi para mim, serena criatura,
Motivo de prazer, que dura
A Eternidade que tanto procura...

Abelardo, e, parabéns ( e pêsames pelo Paranito)”.

Constatação IV
E já que falamos no assunto, como disseram os poucos neurônios sobreviventes deste locutor que vos fala, digo digita: “O terror que matura, com as 166 rimas em ura, contadas pelo Amigo Sérgio Antunes de Freitas, no seu site www.reforme.com.br/kitnet, pra nós, pobres neurônios, foi uma radical e sofrida aventura. Hurra! Hurra! Quer dizer, Ufa! Ufa!”

Constatação V
Foi a massa de ar quente
Que disse pra frente fria,
Demonstrando alegria:
“Vamos criar uma chuvinha
Grossa ou fininha
Ou se você quiser um furacão
Com relâmpago e trovão”?

Constatação VI
Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que a garota que faz a publicidade, na televisão, como funcionária da Caixa Econômica Federal, na cidade de Califórnia, no meu estado, o Paraná, merece um prêmio pelo seu desempenho. Parabéns!!! Rumorejando, sem ter bola de cristal, prevê um futuro brilhante como atriz pra “Mari” ou “Marilyn”.

Constatação VII
Foi uma picuinha,
Uma questiúncula
Ou uma boutade
A pergunta pro rei
Da magra rainha:
Perdoai-me, Vossa Majestade,
Segundo eu sei,
Não deveis
Esquecer
Que os reis
Não devem cometer
Nunca um pecado,
Mormente o da gula.
Coitado!

Constatação VIII (Ah, esse nosso vernáculo).
Os noivos para cortarem o bolo do casamento, cortaram um doce.

Constatação IX (De conselhos úteis).
Não deve ter uma namorada
Quem sofre de ronco na barriga,
Pois pode assustar a coitada
E o bem-bom redundar em briga.

Constatação X
Ríspido, ele foi considerado,
Apenas por falar mal da sogra
Ao considerá-la não mais que uma ogra.
Ele só havia dito a verdade. Coitado!

Constatação XI
Não tem algum sentido
Discutir com a sua Maria
E depois ficar deprimido
Afinal não se briga com a chefia...

Constatação XII (Ainda sobre o gol vergonhoso do meu Paraná).
Considerou a derrota do seu time um baita revés.
E pior, o gol validado tinha sido com a mão.
Comentou: “Talvez eu não tenha razão,
Isso que se chama meter as mãos pelos pés”.

Constatação XIII (Dúvida crucial, com rima não apelativa e passível de mal-entendido).
O rechonchudo
E a rotunda
Rolaram e fizeram de tudo,
Merecendo uma tunda?

Constatação XIV
Quando um médico começa a ficar enfermo (Rico fica enfermo; pobre, doente), ele perde a credibilidade dos seus pacientes ou estes consideram a máxima de que “casa de ferreiro, espeto de pau”.

Constatação XV
Rico é ilibado; pobre, censurável.

Constatação XVI (De um pseudo-soneto).

O condenável caçador de dotes
Que vivia até com puídas calças
Recebeu,do pai da noiva, potes
De uma bolada de notas falsas.

A atitude fez nele um ressentimento,
Mas como a noiva era muito querida
Pesou o custo/benefício do casamento
E pensou: “Vamos enfrentar a nova vida”.

Aí, acabou engolindo o fel do veneno.
Sempre acaba existindo uma boa mulher,
Atrás de um homem grande ou pequeno.

Rejeitou do sogro uma oferta de emprego
Que disse que trabalhar se faria mister.
“Afinal, tenho que preservar o meu sossego”.

Constatação XVII
Quem é bitolado só vislumbra uma única solução, ou nenhuma, diante de um problema, mesmo que neste haja inúmeras variáveis.

Constatação XVIII
Diz a sabedoria popular que “quem não chora, não mama”. Já no caso de político, chorando ou não, mama...

Juca

domingo, 11 de outubro de 2009

O terror que matura

I
Oriunda de respeitável progenitura:
A mãe, professora de corte e costura;
O pai, escriturário na magistratura,
Era, ela, uma formosura,
Uma pintura,
Digna de figurar numa gravura,
Ou numa xilogravura,
Daquelas com moldura,
Trabalhada em artística ranhura.
Mediana estatura,
Cabelos pretos, sem tintura,
Dentes, perfeitos, uma alvura;
Sorriso, sem amargura,
Franco, aberto, uma quentura;
A mirada, uma brandura,
Muito límpida, muito pura,
De olhos de jabuticaba, uma pretura;
E um poço de ternura!
Ah! E a cintura!
Parecia duma tanajura...
Educação, nem falar. Que finura!
Dada a não pouca leitura,
De sutil e elevada literatura,
E um dedilhar, sem partitura,
Além de se dedicar à feitura
De origami, de dobradura.
E, no jardim, à floricultura,
Onde, às vezes, ouvia o canto da saracura.

II
Ele, era só feiúra,
Como uma caricatura.
Duma lividez, duma transparente brancura
Num monte de ossatura
Como se filho fosse de alguém de média estatura,
Mas de não muita largura.
E do Cavaleiro da Triste Figura
Àquele que, até com moinhos, mostrou bravura
Não tendo como vestidura
A respectiva armadura.
Além disso, morando numa lonjura.
E, mais, um escrachado caradura
De péssima postura,
Ou melhor, somente impostura:
Noites a fio, jogava, com fundura,
Em busca de fácil fartura;
À mão, um copo daquela bebida de lúpulo, de levedura
E um eterno cigarro, alterando, dos lábios, a comissura.
Receitas, infalíveis, de fazer estrago em qualquer criatura.
Tal proceder, sem dúvida, merecia ampla censura.
Não confundir com àquela do tempo da ditadura,
Quando até se usou a indefectível tortura,
Nos governos da chamada linha dura,
Bem antes do que se convencionou chamar Abertura.
O salário, parco, da Prefeitura,
Dum trabalho que exercia com sinecura,
Na base de quem não se apura,
Obviamente, redundava numa apertura.
As dívidas, não poucas, proveniente de mordedura,
Mesmo que firmadas numa caprichada escritura,
Fatalmente seguiam o destino da pendura
Que postergava, com ensaboadura,
Para uma época futura
E que, da memória, apagava com uma varredura.
De inteligência, não era nenhuma cavalgadura,
Daquelas que só falta a ferradura.
Era capaz de se pôr a falar, com desenvoltura,
Sobre, do quadrado, a curvatura
Ou, da circunferência, a quadratura.
E, se porventura,
Cometia alguma outra loucura
De imitar, de alguém, a assinatura,
Perfeita e sem rasura,
Em cheque, promissória ou fatura,
Fruto de condenável urdidura,
Resultava, se descoberto, nessa amargura
De ter que conseguir um alvará de soltura,
Alegando, ao delegado, tratar-se duma travessura
E no seu ilibado currículo, uma simples arranhadura;
Que não tinha intenção de viver numa cela escura
E que, afinal, toda a sua vida, agira com extrema lisura.

III
Essa atitude devassa, que o estado físico tritura
E o bolso, a conta corrente do banco, perfura,
Para ele, era adrenalina total, uma aventura,
Que foi obrigado de encerrar, uma fissura,
Quando sua saúde se deteriorou e sofreu uma ruptura.
Logo, ele, que nunca tivera um resfriado, ou uma rasgadura
E, muito menos, alguma forma de rendidura,
Parecendo, tudo, praga, maldição ou esconjura,
De nada adiantando os santos invocados em benzedura.
É que numa amorosa tertúlia, sobreveio uma velhice prematura
Àquela que deixa, um, e a parceira, em desventura,
E provoca na alma e no ego profunda machucadura.
Pouco antes, já vinha sentindo, no estômago, uma queimadura,
Somado a um mal-estar, a uma teimosa tontura,
Que o deixava, por um momento, com a vista obscura
E com a possibilidade de cair e sofrer uma fratura.
O médico, amigo desde a infância, adepto da natura,
Pespegou-lhe um susto, numa sincera e repreensiva secura:
"Não se trata de querer que você viva numa clausura.
No entanto, se dessa vida desregrada não abjura;
Se continuar nessa farra, para você uma gostosura;
Não se livrar do vício, dessa imbecil escravatura,
O teu amanhã nem eu nem ninguém te assegura,
Pois você, bem sabe, está cavando a própria sepultura.
Entretanto, preste atenção, você facilmente se cura:
Primeiro, tem que parar de comer fritura
Que absorve rios de gordura;
Não fumar, nem beber, dormir cedo, nada de diabrura;
Tem que consumir muita verdura,
Muita fibra e fruta não ácida, madura;
Nada de doce tipo quindim ou rapadura,
Se não vai ter - já, já - de usar dentadura".
Os amigos acharam tudo aquilo uma frescura,
E que a prescrição parecia mais uma absurda propositura,
Ponderando que uma vida, assim, nem santo atura.
De início, o reproche, ele classificou de grossura,
Mas, apavorado, ou como dizem os italianos, numa "paúra",
Resolveu mudar de vida, para uma mais segura.
Indubitavelmente, foi um tento de bela feitura:
Má alimentação, vícios e toda essa nomenclatura
Foi mudada com força de vontade de quem tem envergadura;
Passou a estudar e ler livros de grossa brochura
E a escutar música clássica e popular de fina tessitura,
Já que havia desenvolvido o bom gosto, por aquela altura;
Optou em fazer uma faculdade, uma Licenciatura,
Visando o almejado canudo, numa cerimônia de formatura.
Chegou até a pensar em Engenharia ou Arquitetura,
Sem descartar Agronomia, dado a discorrer sobre agricultura.
Melhorou o visual, que a gente, a si mesmo, augura:
Cabelo e barba aparados, dois banhos diários, total limpadura;
Entrou numa academia de ginástica para fazer musculatura
Com a intenção de ganhar peso, conforme, por aí, se assegura
E ficar com o tórax como os lutadores na era da gladiatura;
Passou a freqüentar ambientes de pessoas de boa catadura,
Onde o gosto apurado, aliado à boa educação, sempre fulgura;
A usar ternos com tecidos de excelente textura
E gravata, com grife, em camisa de abotoadura;
Pagou os credores, que não desgrudavam como atadura,
E, mais adiante, comprou, do ano, uma possante viatura,
Bem espaçosa, "nada de apertos, nada de miniatura".
Também, numa pechincha, um apartamento, não de cobertura,
Mas tendo sacada com churrasqueira, para grelhados e assadura.
E suíte com hidromassagem, portaria e tetra-chave na fechadura,
Em imóvel localizado num terreno ajardinado, numa planura.
O pagamento: uma entrada, mais 20 anos, com juros da Lei da Usura,
Aproveitando um desconto graças a famosa Lei da Oferta e da Procura,
Àquela, que político promete revogar ao defender sua candidatura.
Decorou, tudo, com móveis em cedro, com caprichada entalhadura
E tapetes, feitos à mão, de razoável espessura.

IV
Nessa história, em condições normais de pressão e temperatura,
Deveria haver, com a jovem do início, alguma relação ou ligadura.
Mas, não. Ela só foi aqui lembrada por sua beleza, sua candura.
Seu sorriso, seu olhar, sua sensibilidade, sua doçura.
Bem! Cada um seguiu o seu destino, sem se cruzar, sem mistura,
Embora, o mesmo juiz de paz ter efetuado a legal lavratura.
E que passaram, em épocas distintas, a lua-de-mel em Cascadura,
Onde, anos após, retornariam para passar alguns dias em vilegiatura.
Ele, redimido, havia encontrado uma companheira, uma lhanura,
Gentilíssima, amável, cortês, sem um pingo de desmesura.
E ela, um companheiro, muito sério, trabalhador, uma polidura,
Um estudioso aplicado, um autodidata em matéria de cultura.
Obviamente, de todos as partes envolvidas, de amor eterno, muita jura,
Que, nesses casos, quase sempre, ao pé de ouvido se murmura
E, com ardor, se realizam num colóquio de extrema fervura.
Hoje, vivem felizes, com filhos, produto duma fértil semeadura
Numa paixão que, mesmo com a crise econômica, ainda perdura

Juca

domingo, 4 de outubro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Ficou
Arrebatado
De alegria
Parecia
Estar
Num mar
De rosas.
Havia
Acertado
Numa milhar
E passou
A ganhar
A atenção
Das formosas
Atendentes
Do balcão
Que antes sequer
Nele notavam
Nem mostravam
Os dentes.
Vá alguém
Procurar
Entender,
Compreender
O desdém
De uma mulher.

Constatação II [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (I)]
No céu cinzento,
Kafkiano,
O curitibano,
Sentiu-se bolorento,
Fossético,
Patético,
Amuado,
Torvado,
Perturbado.
Coitado!

Constatação III [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (II)].
Um sol atrevido,
Que já havia desaparecido
Despontou
Entre nuvens carregadas
De imagens
Como desenhadas.
Soprou um vento,
Naquele momento
Trazendo
Frescas aragens
Tal deixou
Ele, um quatrolho*,
De humor horrendo,
Com o sobrolho,
Antes carregado,
Desanuviado.
Descoitado!
* De sobrancelhas brancas (Houaiss).

Constatação IV [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (III)].
Ela fez uma desfeita.
Não compareceu
Ao encontro marcado,
O que levantou nele,
Um apaixonado romeu,
Uma incômoda suspeita
De que estava sendo corneado.
Tinha ficado
Debaixo de um aguaceiro
E logo quando ele
Ia pedir a ela algum dinheiro.
Coitado!

Constatação V
Uma imagem vale mil palavras. Se for das sogras vale mil palavras, relacionadas com medo, susto e sobressaltos.

Constatação VI (De uma dúvida crucial).
O Michael Jordan viria a ser o Pelé do basquete e/ou o Pelé ante viria a ser o Michael Jordan do futebol?

Constatação VII (“Poesia” meio forçada).
Foi o clarinete
Que disse pro fagote
Que o oboé
Ao andar de trotinete*
Escorregou ao dar ré
E deu um trompaço na trompa,
Que até pareceu abraço de tamanduá,
Quando retornava de lá,
Das bodas de fígaro, com pompa,
Mas sem circunstância
Já que não houvera dote
E se fora um casamento
De muita retumbância.
Aí,
Num certo momento,
O noivo descuidado,
Talvez ofuscado
Pelo sol,
Meio fora de si
Tropeçou num fa...mi...gerado
Penetra que não tinha sido convidado,
Já que os convivas só
Era gente de escol
E se machucou de dar dó.
Coitado!
*Trotinete = patinete (Houaiss).

Constatação VIII
Rico alcança uma idade avançada; pobre, fica um caco.

Constatação IX
Rico cria mitos; pobre, é macaca de auditório.

Constatação X
Chamou o idoso, seu tetraneto, de fedelho.
E passou a lhe dar um sermão, além de conselho.
Era sua tataravó que sempre armava uma querela
Quando ele disse que ia pela nona vez se casar com uma donzela.

Constatação XI
Rico é impetuoso; pobre, vagaroso.

Constatação XII (Via pseudo-haicai).
Seu verso-de-seis-pés*
Ninguém se dispôs a ler
De lés-a-lés**.
*Sextilha (Aurelião).
**De um lado a outro (Aurelião)

Constatação XIII
Rico fica indignado; pobre p. da vida.

Constatação XIV
O jogador paranaense Alex, que foi revelado na equipe de base do Coritiba merecia estar no livro Guiness de recordes por ter sido o único jogador que fez dois gols olímpicos numa mesma partida. O goleiro que levou tais gols também...

Constatação XV
E já que falamos em futebol, vale lembrar e/ou assinalar que o meu time, o Paraná, não tem necessidade de estar mudando frequentemente de técnico. O Paraná precisa, apenas, mudar a Diretoria, os jogadores da defesa, do meio de campo e do ataque. Elementar...

Constatação XVI (“Poesia” quase trágica).

Traição em dobro

Saiu correndo pela rua em trajes de Adão,
Mostrando, entre outros, seu tralalá.
O guarda lhe deu voz de prisão:
“Vosmecê vai tê que me “acompanhá”

O Delegado perguntou a razão
De ele estar andando desnudo.
Ele não quis dar explicação
Daí, ficou todo o tempo mudo.

“Você vai ficar no xilindró
Até que eu telefone pra sua consorte”.
Apavorado, ele falou: “Por favor, tenha dó.
Não faça isso. Se não, será minha morte”.

“Não entendo porque tanto temor
Que mal que ela poderá te fazer?”
“É que eu estava com outro amor
Aí, o marido chegou e eu tive que correr”.

Constatação XVII
Rico sofre de oclofobia*; pobre, almeja a oclocracia**.
*Oclofobia = “medo mórbido da multidão, da plebe” (Houaiss).
**Oclocracia = “exercício do poder ou do governo pela multidão, pela plebe” (Houaiss).

Constatação XVIII
Quem anda no fio da navalha
Não pode nem deve ter uma escorregadela
Porque lhe pode sair caro essa falha
Pois poderá machucar a bun, digo, a costela.

Juca

domingo, 27 de setembro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Deu na mídia: “Pesquisa em São Paulo: Quanto maior a renda e o grau de escolaridade, menor a confiança da população na Justiça brasileira”. Inversamente proporcional, portanto. Dúvida não necessariamente crucial: Precisava fazer a pesquisa ou tava na cara o resultado?

Constatação II
Ela tem problema de osteoporose. O médico recomendou muito sol por causa da vitamina D. Ele, muito branco, tem problemas de pele. O médico proibiu ele tomar sol. Um amigo do casal comentou: “Casal estranho. Eles vão sempre à praia. Ela pra tomar sol; ele pra tomar sombra”.

Constatação III
No dia 26-08-1998 o jornal O Estado do Paraná publicou: “Cidade do Vaticano – A iconografia cristã sobre o Paraíso está sendo contestada pelo especialista em hebraico Louiz Ginzberg, que argumenta que o fruto proibido teria sido um figo, em lugar da maça[...]. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que a notícia efetivamente não foi nem é transcendental para o futuro da Humanidade. O que foi transcendental foi o fato de terem descoberto o sexo, depois de terem comido a fruta seja ela qual seja, caso contrário a Humanidade teria terminado apenas com eles. Naturalmente, se outras providências não fossem tomadas...

Constatação IV
Rico, quando abre um comércio de livros usados, dá o nome de Literatura Reciclada; pobre, de sebo.

Constatação V
O ex-técnico da seleção argentina Alfio Basile afirmou que tem medo de Kaká. Será que o hermano Alfio acha que o Kaká é bicho-papão?

Constatação VI
Deu na mídia: “STJ proíbe plano de saúde de limitar quimioterapia”. Com relação a alguma intenção dos planos de saúde querendo limitar o período que um cidadão deve viver nada foi cogitado. Ainda. Medicina, como comércio, só pode dar nisso. E viva os planos de saúde e também “nóis”.

Constatação VII
A falta de pudor
Só pode trazer
Um baita dissabor
E, eventualmente
Prazer,
Tão-somente.

Constatação VIII
Depois que ao time da Ponte Preta empatou com o Paraná, o técnico Pintado, da Ponte Preta foi dispensado. Comentário de um amigo também paranista sofredor, como este locutor que vos fala, digo digita: “Pelo jeito a diretoria da Ponte Preta considerou um acinte não ganhar do Paraná e apenas empatar. Será que se o Paraná ganhasse o Pintado seria crucificado?”

Constatação IX

Recua para o goleiro
O excepcional zagueiro
Que chuta a bola em seguida,
Aliviando a tensão da torcida.

A bola cai nos pés de um companheiro
Que a carrega pra frente altaneiro
Recebe o combate do adversário
Claro, durante o seu itinerário.

Com um drible meia-lua
Tenta alcançar o seu ataque
Um deles chuta e a bola vai pra rua

Garotos que ali estavam sem entrada
Pra ver de fora algum lance de destaque
Pegaram a bola e iniciaram uma pelada.

Dentro do campo o jogo tava tão ruinzinho
Que as duas torcidas saíram de fininho.
E foram assistir os garotos. Quanto craque!

Constatação X
E já que falamos no assunto, quantas partida ruins você assiste, prezado leitor, até ver um que tenha valido a pena? Cartas pelo correio eletrônico. Obrigado.

Constatação XI (De um epitáfio).
Aqui jaz um valente
Que, ironia do destino,
Morreu de tanto conservante.

Constatação XII (Mais um pseudo-soneto).

Gozava de excelente saúde
Quando não tinha muito para comer
Hoje está lá, estirado num ataúde,
Embora neca de intenção de morrer.

Levou-o uma doença moderna
Obesidade, novos tempos, vejam só,
Que está se tornando hodierna,
Coitado! Vai voltar a ser o velho pó.

A viúva, enxuta, viva e alegre,
De olho em alguém com quem se integre
Enxuga uma lágrima nada sincera

O vizinho lá está todo compungido,
O mal (ou bem) intencionado, o fingido,
Abraçando a mulher, quem me dera!

Constatação XIII
Com estes tempos da gripe A, a mídia tem apregoado: “Você não deve tomar remédio sem a recomendação do médico”. Data vênia, como diriam nossos juristas, com todo o respeito, mas Rumorejando acha que, em muitos casos, pelos efeitos colaterais e pelo inócuo resultado, você não deve tomar remédio mesmo com a recomendação ou não do médico.

Constatação XIV
Rico, discreto, olha de esguelha; pobre, pro chão.

Juca

domingo, 20 de setembro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Em 15 de março de 1998, este assim chamado escriba publicou no jornal O Estado do Paraná, na coluna Rumorejando a seguinte constatação: “O palavrão bem aplicado, igualmente ao jogo de truco, é anti-estressante”. Estava publicando aquilo que efetivamente sente. Eis que os cientistas revelaram agora que o palavrão ajuda a aliviar a dor. Quanto ao truco nada foi revelado. Ainda.

Constatação II
No ano de 2001, os líderes do G-8 (Os sete países mais ricos do mundo + a Rússia), em comunicado conjunto no final de encontro em Genova, afirmaram que iriam incentivar “o aumento da cooperação e solidariedade com os países em desenvolvimento, baseados em principio de responsabilidade mútua, para combate à pobreza e promoção de desenvolvimento sustentável”. Recentemente foi encerrada a reunião do G8 + Rússia e, novamente, o blablablá* e o nhenhenhém** foram a tônica da reunião. E viva “nóis”.
*Blablablá = “1. conversa oca, sem conteúdo; conversa fiada; 2. exposição longa ou série de afirmações, por vezes de cunho mentiroso, de que se lança mão para mascarar o vazio do pensamento, para enganar alguém ou iludir sua vigilância”. (Houaiss).
**Nhenhenhém = “Repetição fastidiosa”. (Houaiss)

Constatação III
Rico compila; pobre, copia.

Constatação IV (De um pseudo-soneto, intitulado: Coitado de mim!).

Durante o feriadão
Fui até a praia
Que decepção
Neca de rabo-de-saia.

Só marmanjo,
Andando de cá pra lá,
Ali não havia anjo
Tava mais pra boitatá.

Dei meia-volta
E voltei pra cidade
Cheio de revolta.

Era praia de nudista
Não havia vontade,
De ver triste vista.

Constatação V
Em 16 de março de 2003 Rumorejando publicou na coluna o seguinte:
“Qualquer que tenha sido o tempo do seu mandato, um ex-senador e seus dependentes terão direito, até o fim da vida, a atendimento médico”. O ex também terá direito a R$10 mil por ano para tratamento dentário. Dúvida crucial: Será que esse pessoal todo não fica com nem um pingo de vergonha de gozar dessas benesses à custa do dinheiro público?” Agora tal excrescência, juntamente com outros fatos, está sendo novamente denunciada pela mídia. Tem gente apostando que, como sempre, vai tudo acabar em pizza. Pena!

Constatação VI
“Data vênia”, como diz um grande amigo advogado, mas “quem quiser conhecer e entender a eternidade basta ter um processo para ser julgado”.

Constatação VII (De diálogos mercantis).
Freguesa: “Este aipim cozinha fácil?”
Feirante: “Em dez minutos ele está tão bem cozido que vai derreter na sua boca”.
Freguesa: “A semana passada o senhor me disse a mesma coisa e depois de cozinhar duas horas, o aipim que o senhor me vendeu estava mal cozido e só a panela foi que derreteu”.

Constatação VIII
Deu na mídia: 'Dor da discriminação ainda é sentida na América', falou o presidente Barak Obama na centésima convenção da Associação Nacional para o Progresso dos Negros (NAACP, na sigla em inglês). Aqui no Brasil também. Lamentavelmente. Data vênia, como dizem nossos juristas, mas Rumorejando acha que todo racista é um filho daquilo. Tenho dito!

Constatação IX
Cada vez que os argentinos ganham do Brasil recebo de um conhecido argentino uma gozação. De nada adianta eu jamais agir que a recíproca seja verdadeira quando o Brasil ou um time brasileiro ganha da Argentina ou de um time deles. Agora com a vitória dos Estudiantes sobre o Cruzeiro foi a mesma coisa. Me deu vontade de tomar um chá-argentino. Não um chimarrão, como a erva-mate, dentro de seus inúmeros nomes é conhecida (chá-mate, chá-do-Paraguai, chá-do-Brasil, chá-dos-jesuítas, chá-das-missões, congonha, congonha-das-missões, congonheira, erva, mate-legítimo, mate-verdadeiro e tantos outros), mas um chá de picadinho de um argentino mesmo...

Constatação X
Segundo o dicionário Houaiss churchilliano é “que lembra o estilo de Sir Winston Churchill de governar, especialmente seu modo de se comunicar com o povo, autoritário e humano ao mesmo tempo”. Nas ditaduras, fica mais difícil da maneira autoritária e humana ao mesmo tempo. Aí, o lado humano vai pras cucuias. Fica só o autoritário principalmente para se manter no cargo por muitos e muitos anos...

Juca

domingo, 13 de setembro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Não se pode confundir Maradona com maratona, até porque vai ser uma maratona, Maradona armar um time para enfrentar o Brasil e os demais para se classificar para o mundial.

Constatação II
A execrável censura contra o Estadão lembra a fábula de Esopo (Phaedrus) O lobo e o cordeiro, ou o indefectível “O senhor sabe com quem está falando” e coisas desse jaez. Pena!

Constatação III
“Na gafieira,
Segue o baile calmamente”,
Diz a canção.
No Senado,
Por todo o lado,
Só se ouviu, recentemente,
Uma profusão de besteira
Entremeada de palavrão.

Constatação IV (De velhos tempos quando a gente costumava abotoar o cabelo atrás e deixar um topete como o Elvis Presley e mais tarde como um presidente da República do nosso país).
O barco descia
Na corredeira
Do rio Iguaçu.
Dava tanto solavanco
Que a gente se sacudia
No banco
E tanto molhava
A cabeleira,
Da água que espirrava,
Que até não adiantaria
O uso de “glostora” e xampu.

Constatação V
Deu na mídia: “Casa Branca prevê déficit de US$ 9,05 trilhões em 10 anos”. Este assim chamado escriba que trabalhou boa parte da sua vida – que nem por isso deixará de ser eternamente curta – no Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. – Badep, antiga Codepar, acostumado a ouvir falar de repasses, investimentos e financiamentos de expressivas cifras, confessa que não sabe contar até lá. Mas que é um baita* número, isso lá deve ser.
*Usamos a expressão “baita” porque somos educados como é sobejamente reconhecido por nossos prezados leitores.

Constatação VI (Pseudo-soneto da série Ah, o amor...)

Lábios nem sempre carnudos
Também são feitos para beijar
Os casais, nessa hora, ficam mudos
Efetivamente não vale a pena falar.

Beijo na bochecha ou selinho
É tênue e rápido demais
Dá impressão de não haver carinho
Entre os desvelados casais.

Beijo que é recomendável
E premonição de algo notável
É o que tira a respiração.

Se for de língua melhor ainda
Nessa benfazeja hora infinda
Que não enseja anúncio de solidão...

Constatação VII
Não se pode confundir sanefa, que o dicionário Houaiss, entre outros, dá como “larga tira de tecido que se coloca na parte superior da cortina ou reposteiro, nas vergas das janelas etc., geralmente rematada com franja ou galão” com safena, a veia que se usa para substituir por alguma outra que esteja entupida, para se fazer uma ponte, “by-pass”, etc. Até porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como já foi propalado por aí.

Constatação VIII
E também não se pode confundir loquacidade com louca cidade, até porque a loquacidade dos prefeitos, visando melhorar o tráfego nunca é posto em marcha e transitar ou atravessar as ruas fica difícil, pois se tem a impressão que se vive numa louca cidade.

Constatação IX
E ainda não se pode confundir libertinagem, que o dicionário Houaiss dá como “licenciosidade de costume, conduta de pessoa que se entrega imoderadamente a prazeres sexuais; a prática do libertino” com libidinagem, que o mesmo dicionário, dentre outros, define como “qualidade, condição ou comportamento próprio do que ou de quem é voluptuoso, lascivo, sensual”, até porque o referido dicionário ainda define libertinagem, no sentido figurado, como “insubmissão, indisciplina”. Elementar, crianças!

Constatação X
Disse o obcecado para o amigo, mostrando uma foto da playboy duma “poupança” de uma gatona: -“preferência multinacional”. Respondeu o amigo: -“Por que multinacional se a turma define como nacional?” –“Porque eu sempre procuro ser original. E, além disso, depois da globalização, ainda existe empresa nacional no nosso país?”

Constatação XI
“Desprazerosa
A tua companhia”,
Disse a sogra pro genro
Nada amorosa.
Numa cantilena
Sem melodia,
Fazendo cena.
”Você não é tenro
Com a tua mulher
Trata, a pobre,
Como uma qualquer.
Não trata como o finado
Me tratava
Como se eu fosse nobre.
O tempo todo ele me paparicava.
Você não dá a ela atenção.
Só fica vendo televisão,
Ou fica no computador.
E as tuas juras de amor?
Seu vento virado*.
Coitado!
*Vento-virado = “prisão de ventre, constipação” (Houaiss).

Constatação XII
Rico, quando fala, usa estrangeirismo; pobre, caipirismo.

Juca

domingo, 6 de setembro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Rico ganha abastança*; pobre, perde a esperança.
*Abastança = substantivo feminino
1 provimento satisfatório ou suficiente
2 excesso de provimentos e haveres; abundância, riqueza.
3 vida segura, confortável, sem privações ou problemas de subsistência (Houaiss).

Constatação II
Um otimista sempre vai achar que o Paraná volta para a Primeirona do Brasileirão; o pessimista, que ele cai para a Terceirona; o realista que ele deverá continuar na Segundona. Esta, parece ser a mais provável. Triste sina...

Constatação III
Não se pode confundir provisão com profissão, muito embora muitos políticos fazem de seus cargos uma profissão, recorrendo a alguma provisão de numerário, não necessariamente honesta, independentemente de seus estratosféricos salários.

Constatação IV
Não se pode confundir colunável (Quem aparece nas colunas sociais [e/ou policiais]) com colimável (passível de se ter em vista; pretenso), até porque nem sempre é possível obter o objeto, pessoa ou coisa que se deseja por meios lícitos ou não com o fito de passar a ser colunável. A recíproca é como é e tá acabado. Tenho democraticamente dito!

Constatação V
Parcos pode ser substantivo ou adjetivo; porcos, também. Mas nem por isso deve-se confundir uns com os outros.

Constatação VI
“Eu achei o pedido da ministra incabível”, disse a ex-secretária da Receita Federal Dilma Vieira se referindo a Ministra Dilma Roussef. Taí mais uma expressão sendo inaugurada em depoimento. E a sua utilização, embora soe estranha, está correta. Igualmente como foi a de um outro ministro que usou o “imexível”. A utilização de ambas é infrequente (epa...).

Constatação VII
Esse pessoal do PT que votou a favor do Sarney agora tenta justificar o voto (“Obedeci ordens porque sou homem do partido”), para estar bem com todos. Os nazistas também, segundo eles, obedeciam a ordens. Tá na hora desse pessoal do PT se dar conta de quem bate o córner não consegue também cabecear. A falta de caráter virou pandemia...

Constatação VIII
Disse a mulher na praia para o marido: “Pare de olhar para essas meninas todas”.
Disse o marido: “Não sou eu que estou olhando pra elas. São elas que estão olhando pra mim. Como você já deve ter se dado conta, no meu caso específico, charme não se compra em farmácia”.
Contestou a mulher: “Mas xarope tem de todas as marcas”.

Constatação IX
Uma livraria cá de Curitiba colocou junto a sua placa indicativa uma máxima, atribuindo sua autoria ao grande escritor gaúcho Mário Quintana: “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas; os livros mudam as pessoas”. A autoria da frase é contestada. Segundo os entendidos ela foi proferida pelo romano do século II a.C. Caio Graco. Rumorejando gostaria de receber informações dos seus leitores a respeito. Obrigado.

Constatação X
Travado
Pelo zagueiro,
De gol com gana e sede,
O artilheiro
Chutou-o e também a bola.
Esta, quicou
Como se tivesse cola
E ficou
Ali ao lado.
O coitado do zagueiro,
Ao ser chutado,
Voou
Raspando o travessão.
Acabou
Estatelado
Na rede
Onde se emaranhou
Na maior contusão.
Coitado!

Constatação XI
Nada de ladainha!
A credibilidade
Da Situação
E da Oposição
Tá um caco.
Na realidade,
Eles sempre foram farinha
Do mesmo saco.

Constatação XII
Se o Homem foi criado à semelhança de Deus, como se propaga por aí, a Sua imagem como é que fica?

Constatação XIII
Rico dispõe de tudo; pobre, eventualmente do entrudo.

Constatação XIV
Deu na mídia: “Presidente da Inguchétia retorna dois meses após atentado”. E Rumorejando que achava que seus conhecimentos de gografia estavam em dia. Inguchétia?

Constatação XV
E como dizia o obcecado para a solteirona convicta, parodiando o antigo partido União Democrática Nacional - UDN (“O preço da liberdade é a eterna vigilância”): “O preço da ignorância é a eterna vigilância. E o preço da vigilância é a eterna ignorância”.

Constatação XVI
E já que falamos no assunto da incompreendia liberdade, o livro Poemas para a Liberdade, do escritor Manoel Andrade, catarinense radicado em Curitiba, publicado em vários países da América do Sul, saiu em português, pela editora Escrituras de São Paulo, numa edição bilíngue. Leitura obrigatória , como diriam os críticos.

Juca