sábado, 5 de julho de 2008


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES


Constatação I
Rico é bem-intencionado; pobre, é faccioso.

Constatação II
Rico pondera; pobre, é leviano.

Constatação III
Fui defender minha liderança
Dentro do meu doce lar
Como após a tempestade
Sobrevém a bonança
A também doce cara-metade
Mandou, sem mais delongas,
Xingando-me de xongas*
Eu, incontinente, pirar**.
*Xongas = “coisa nenhuma, nada” (Houaiss).
** Pirar = “Retirar-se discretamente, cair fora, dar o pira” (Houaiss).

Constatação IV
Em certos países, os assaltantes matam como se fosse a coisa mais corriqueira do mundo. Pelo jeito, pra quem não se importa com o fato, também...

Constatação V
Deu na mídia: “IBGE: mortalidade infantil caiu 64% de 1980 a 2006”. Rumorejando: Imortalidade de deputados e senadores não caiu. Sempre foi de 0%. Salvo rarísssimas (assim mesmo, com três esses para enfatizar o fato...) exceções, alguém se lembra de algum deputado e/ou senador que mereça os encômios da nação?

Constatação VI (“Poesia” do cotidiano).
Ponderou com a patroa
Que a comida não tava boa.
“Vai comer no boteco da esquina
Lá o ‘Jesus me chama’
É iguaria fina,
Recheada com salmonela,
Cozida numa suja panela.
Aí, você cai de cama
E, mais depois, finado,
Nunca mais reclama
Do meu suculento
Cardápio de ensopado
Preparado com esmero
Em fogo lento
E sem exagero
Do meu preferido tempero”.
Coitado!

Constatação VII
Rico faz acordo; pobre, conluio*.
*Conluio = “Cumplicidade para prejudicar terceiro(s); colusão, trama; ajuste maléfico” (Houaiss).

Constatação VIII
Não se pode confundir desperto com esperto até porque tem que ser esperto para adormecer, quer dizer não desperto quando se ouvem discurso de político e/ou as empulhações em época do horário gratuito. E, que fique bem claro, de todos os partidos, sem exceção. A recíproca é como é e tá acabado. Tenho democraticamente dito.

Constatação IX
A pedido do meu dentista
Fiz uma panorâmica,
Um baita de um raio-x.
Eu não sou alarmista
Mas a chapa revelada
De vermelho tava manchada
E me deixou assaz infeliz:
Mostrou dois dentes de cerâmica,
Pontiagudos, assim como, também,
Os que lembram Frankenstein.

Constatação X
“Só um segundo”,
Ela falou
Ao telefone.
Ele esperou
Sem estar insone
Mas, com a demora
E o adiantado
Da hora
Caiu num sono profundo
Quando acordou
Só escutou
Ti... ti... ti...
Aí, incomodado
Pôs-se a pensar
Num raio, não o do círculo,
Nem o da circunferência,
Mas o “que a parta”,
Já que ela está de mim farta.
E se pôs a cantar,
Da vida, fulo,
Sem muita paciência,
O bolero “Sem ti”.
E se sentindo no abandono
Também um pobre dum mono,
Perdeu totalmente o sono.
“Vou pôr os pingos no i”,
Pensou todo amuado.
Coitado!

Constatação XI (Subsídios para uma nova versão de uma velha marchinha de carnaval).
Passou pela minha moleira,
No fim duma segunda-feira
Qual um vento numa veneta*,
Que o pirata da perna de pau
Absolutamente não é perneta
Tampouco, tem cara de mau.
*Veneta = “impulso repentino”.

Constatação XII
Não se pode confundir balela com baleia, principalmente quando alguém conta que montou numa baleia e com o guarda-chuva aberto saiu velejando por mares nunca antes navegados. Não acreditem porque é uma balela. Afinal, não tem guarda-chuva que resista ao vento, sem virar no avesso, provocado por uma baleia singrando o oceano na velocidade que ela normalmente costuma...

Constatação XIII
Deu na mídia: “Um em cada quatro casais no Japão não faz sexo, diz pesquisa”. Taí mais uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade. Salvo no lamentável caso de se generalizar pelo mundo afora, virando epidemia, endemia, pandemia, coisas assim desse jaez...

Constatação XIV
Amor, teu nome é ternura;
Desamor, teu nome é agrura.
Benquerença, teu nome é doçura.
Desavença, teu nome é broxura

Constatação XV (Coitado!).
Ela sempre cerzia
As meias do marido.
O dedão, um dia,
Também ficou cerzido.

Constatação XVI (Dúvida crucial, via pseudo-haicai).
Dela, a terrível vendeta
Foi exagerar na dose
Da pimenta malagueta?

Constatação XVII (De diálogos um tanto burocráticos e um tanto rimados).
-“Quero que você me apronte
O teu atestado de residência”.
-“A senhora tenha paciência,
Ainda to morando debaixo da ponte”.

Juca

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