sábado, 13 de setembro de 2008

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES


Constatação I (Reminiscências de maus tempos I...).
Em 1975, em plena ditadura militar, a Fundação Cultural de Curitiba expôs mostra de cerâmicas e de fotografias da arquitetura russa. A inauguração contou com a presença do Adido Cultural da Embaixada da Rússia. Todos os presentes, ao cumprimentá-lo, eram fotografados por um cidadão com cara de poucos amigos... Um dos presentes, ao ver espocar um flash atrás do outro, comentou: -“Será que não vai dar complicação a gente ser fotografado em companhia de um russo, de um comunista?” -“Não se preocupe, alguém respondeu, o risco é de apenas 50%. A gente não sabe para quem o fotógrafo trabalha”...


Constatação II (Reminiscências de maus tempos II...)
No coquetel que se seguiu à exposição russa, relatada na constatação anterior, foi servida aos presentes uma vodca “da legítima”, daquelas que davam calor até no dedão do pé. Enquanto aproveitando a rara oportunidade, se degustava aquela escassa bebida (a globalização ainda não estava em vigência...), passou um garçom com uma bandeja de refrigerantes, contendo, inclusive, pasmem: a acqua nera del imperialismo ianque, Coca Cola!!!. O fato suscitou o comentário do mesmo cidadão que havia dito que a gente não sabia para quem o fotógrafo trabalhava e, com ar de condena, meneando a cabeça: “Bah! Já não se fazem mais russos como antigamente...”

Constatação III (Reminiscências de maus tempos III...)
Um radioamador, tão logo obteve autorização do Ministério das Comunicações para começar a operar, não saía da frente do seu equipamento de transrecepção. Passava todo o tempo, inclusive nos intervalos do almoço e a noite em longos papos. A maioria, furados. A comida era engolida rapidamente para não perder algum eventual contato. Um dia, entusiasmado, mostrou à sua mulher uma fotografia , que um colega de um país distante havia mandado, onde o sujeito aparecia diante do seu – dele – sofisticado equipamento de rádio. A mulher, que andava aborrecida com a indiferença do marido, não se conteve: -“Agora, você, em retribuição, vai mandar uma tua em que você aparece só de calção?...

Constatação IV (Reminiscências de não tão maus tempos).
Um professor de Cálculo Integral e Diferencial da Universidade Federal do Paraná, já falecido, anteriormente havia lecionado matemática no Colégio Estadual do Paraná. Tanto nesta época, como posteriormente, foi professor do seu filho. Certa vez, numa aula do 2° grau, pai e filho se tramaram numa discussão a respeito de uma questão matemática. O professor, diante do impasse, se propôs a dirimir a dúvida na próxima aula. No dia aprazado, a turma do aluno aguarda no corredor a vinda do professor. Outras turmas também haviam se aproximado, face a repercussão, curiosas pelo desfecho. Eis que o professor desponta no corredor com o livro de chamada debaixo do braço. À medida que se aproxima o rumorejo da turma diminui até o silêncio total. O professor acerca-se do filho e, diante de todos, aplica em cada bochecha dois sonoros beijos. Os que estavam mais próximos juram ter escutado: -“Não é que o filho da mãe tinha razão...”

Constatação V
Senador
Deputado
Governador
Prefeito
Vereador
Não têm mérito
Eles têm pretérito
Imperfeito
E, em princípio,
Particípio
Passado,
Ultrapassado.
Já, o presidente,
De pouca atividade
E pouco ativo,
Tem subjuntividade*
É presente
Do subjuntivo.
Coitado!
*Subjuntividade = “característica do que é subjuntivo; dependência, subordinação”. (Houaiss).

Constatação VI
Rico é fogoso; pobre, é tarado.

Constatação VII (Passível de mal-entendido).
A magnitude, dentre outras, numa performance é diretamente proporcional a amplitude da abertura das pernas. Me refiro, ou melhor, refiro-me a uma bailarina. E, claro, é inversamente proporcional à falta de talento.

Constatação VIII (Dúvida crucial).
Será que não existe alguém do staff do governo, familiar ou amigo com coragem suficiente para dizer, respeitosamente, é claro, ou assoprar no ouvido do presidente da República que esse cartão corporativo – respaldado com o tal do sigilo bancário – é uma excrescência? Quem souber que existe alguém, além da imprensa e da oposição, por favor, cartas à redação. Obrigado.

Juca

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