terça-feira, 28 de outubro de 2008

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Deu na mídia: “A fazenda Neverland, na Califórnia, que pertence a Michael Jackson, poderá ser embargada e levada a leilão em 19 de março caso o pop star não pague uma dívida de 25 milhões de dólares”. Taí uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade, exceto para quem tem interesse em comprá-la, o que, absolutamente, não é o caso deste assim chamado escriba que vive em Curitiba. Só por isso...

Constatação II
Especula
O obcecado,
Pra que não a perca
Se ela
Ficaria fula,
Se desconfiasse
Quando a cerca,
Ele pulasse
Naquela
De apaixonado
De quem só pensasse
Naquilo,
Na base do “fi-lo
Porque qui-lo”.
Que destemperado!

Constatação III (De uma dúvida crucial).
Foram os candidatos a cargos eletivos que, depois de eleitos, deram ensejo à expressão “fica o dito pelo não dito”? Quem souber, por favor, cartas, etc.

Constatação IV
Conseguiu
Um financiamento
Pra fazer um investimento
Num motel,
Em uma cidade
Onde só se via
Mais de um convento
E muita moradia
De piedosa irmandade,
Além de claustro, abadia,
Cenóbio, clausura, freiria
Onde se aprendia
Obter o paraíso no céu*.
Faliu...
*Não ficou claro se o prometido paraíso no céu era através do que normalmente acontece num motel ou do que era apregoado na região. Quem souber, por favor, etc.

Constatação V (De dramas conjugais).
Ela tinha que admoestar o maridão
Mais de mil vezes até a exaustão*.
*Também não ficou claro se a exaustão era dele, ou dela, ou dos dois. Quem souber, por favor, etc.

Constatação VI
Ela muito educada,
Assaz refinada,
Quando, por um lapso,
Numa festa chique de salão
Proferiu um palavrão,
Envergonhada,
Ruborizada, falou:
-“Não foi um relapso.
Foi um acesso obsoleto
Da minha impiedosa tosse
Que sempre me acosse
E que a gente expectora
Pondo pra fora
Um baita quatrocentão”.
A emenda soou,
Naquele ambiente
De fina gente,
Pior do que o soneto.
Coitada!

Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).
Pra quem não é boêmio e sofre de insônia, a noite é eterna; pra quem é noctívago, a noite é uma criança que cresce e se esvai rapidamente.

Constatação VIII
Dissimula
O fantasma,
Contratado
Por um órgão
Governamental.
Aí, resolve aparecer
Na sessão
E pasma
Sem saber
O que fazer
Parece uma mula,
Um marsupial,
Um atoleimado,
O safado.
Coitado!
Coitado?

Constatação IX
O Museu de Cera é um clone sem o sopro da vida?

Constatação X
Não sei o que deu nela.
Se foi teimosia,
Birra,
Aleivosia
Casmurrice,
Renitência.
Caturrice
Obstinação
Ou implicância.
O fato
Que ela
Disse um peremptório não.
“Nem hoje, nem nunca,
Me trazer nessa espelunca”.
Fez-me sentir um gaiato
Quando gentilmente
A convidei
Pra irmos a um motel
Tão-somente.
Aliás, conforme alusão
Insistente dela.
Será que o estopim
Foi porque eu não comandei
Um veuve clicquot
Da safra trinta-e-dois
No jantar
A vela
Aí, depois,
Ela armou um complô
Contra o coitado de mim?

Constatação XI
Os engenheiros civis, além de se dedicarem às obras, quando escrevem prosa e/ou poesia passam a recorrer, também, a outra engenharia. À das palavras...

Constatação XII (“Poeminha”para ser declamado pelo cara – não necessariamente de pau – que pretenda pedir a sua amada em casamento, preferencialmente não na frente dos pais dela).
Meu coração
É como titânio,
Como tório
E urânio
Altamente
Radioativo
Tão-somente.
Vamos evitar
Uma explosão
Acalmar
Esse vulcão
E preparar
Nosso casório
Que eu, muito ativo,
Já adquiri o colchão.

Constatação XIII
O sósia, quando as partes não são vizinhas, é um clone por instâncias ou caprichos da mãe natureza?

Constatação XIV
Os cães ladram e as caravanas de ladrões nunca terminam de passar...

Constatação XV (De uma conversa meditabunda e gemebunda).
- “No Karaokê, quando ele esqueceu a letra, ele ficou com cara de quê?”
-“Ficou com cara de bun, digo, do sentador”.
-“Ah bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer...”

Juca

domingo, 19 de outubro de 2008

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
“A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa”. (Jô Soares). É que rico tem mérito; pobre, tem culpa (Juca). Elementar, caro leitor, digo Watson (Sir Arthur Conan Doyle).

Constatação II
Não se pode confundir perrengue, que quer dizer pusilanimidade, teimoso, birrento com merengue, muito embora quem come este, o estômago pode ficar aquele, mormente teimando em se sentir enfadado, glicêmico, enjoado e coisas desse jaez.

Constatação III
Não se pode confundir aludindo com iludindo, principalmente com a explicação de políticos, governantes e outros menos votados e/ou nomeados.

Constatação IV (De uma dúvida não necessariamente crucial).
Deu na mídia: “Segundo pesquisa realizada na Grã Bretanha, “um em cada quatro ingleses não lavam a mão depois que vão aos pés”. É a isso que se chama meter as mãos pelos pés?

Constatação V (Dúvida não crucial via pseudo-haicai).
Bach, em ritmo de rock pauleira
Só pode descambar
Em grossa asneira ?

Constatação VI (Dúvida crucial, monárquica, via pseudo-haicai).
Entrou um plebeu
Na corte. Claro?
O rei nem bola deu.

Constatação VII (De um aproveitamento melhor do tempo).
Refiz um trato desfeito com ela:
Eu não assisto até meia-noite o futebol
Ela não fica até as 10 na novela.
Sem dúvida um trato de escol!

Constatação VIII (Quadrinha para ser recitada na Bolsa de Valores e/ou num motel).
A crise me pegou em cheio
Meu desempenho esmoreceu
Nas iniciativas eu titubeio
Lá se foi meu apogeu.

Constatação IX
A violência chegou a tal forma
Que é de se perguntar:
Será que virou norma
Ou nunca isso vai parar?

Constatação X
Valha-me seja lá quem for:
O Paraná na terceirona
Seria muito sofrimento e dor
Minha mente ficaria doidona
Só de pensar me dá frio e calor.

Constatação XI
Deu na mídia: “Uso excessivo de celular pode causar urticária dizem especialistas”. Data vênia, como dizem nossos juristas, mas Rumorejando acha que escutar o horário político pode dar também.

Constatação XII (Opinião não necessariamente abalizada. Porém, já que todo o mundo é técnico...)
A gente não está nada contente com o desempenho da seleção brasileira. E não dá para ser diferente. Mas os hermanos, nossos eternos rivais, também não estão. Os uruguaios, idem. Por outro lado (qual lado?), os paraguaios estão contentes com o desempenho do seu time que tá bem na frente com o primeiro lugar nessa fase eliminatória. Pediu demissão o técnico dos hermanos e pedem a cabeça do Dunga. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que não é uma questão de técnicos. É que o time paraguaio não está jogando com salto alto... Elementar.

Constatação XIII
Mesmo que alguns eleitores não votaram no atual prefeito de Curitiba, ainda assim ficaram contentes com o índice percentual de sua vitória que não ensejou um segundo turno...

Constatação XIV (Problemas da Terceira Idade).
Ela faltou comigo com o devido respeito:
Disse que eu estou ficando um velho caduco
Que eu não dou mais no coro no nosso leito
E que eu não sei mais descartar num truco.

Constatação XV (Dúvida crucial via pseudo-haicai).
A moça siliconada
Tá com tudo
Ou tava com nada?

Constatação XVI (Quadrinha apelativa com os sufixos de verbos ar e ir).
Se o meu Corinthians voltar
E o meu Paraná não cair
O futebol só terá a ganhar
E minha alegria irá advir.

Constatação XVII
Vendi minhas ações
Comprei euro
Aí minhas decepções
Fiquei esquizoneuro.

Constatação XVIII
Rico reaparece; pobre, assoma.

Constatação XIX
Rico é impetuoso; pobre, impiedoso.

Constatação XX
Rico é audacioso; pobre tem topete.

Constatação XXI (De uma dúvida crucial).
Fiquei assaz preocupado e aflito
Quando o juiz não apitou o pênalti
Será que ele engoliu o apito?


Juca

domingo, 12 de outubro de 2008

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Rico é jovial; pobre é insosso.



Constatação II (Dúvida crucial)
Os homens que se negam a parar pra perguntar, na estrada, a direção exata do seu destino – conforme sugestão, pedido, imploração insistência da cara-metade –, naturalmente, que se perdem. Neste trágico caso, eles estão na contramão da história ou da geografia? Quem souber a resposta, por favor, cartas através do blog (
http://rimasprimas.blogspot.com). Obrigado.


Constatação III
Rico é resoluto; pobre, hesitante.



Constatação IV
Deu na mídia: “Cientistas descobrem 700 novas espécies da fauna na Antártida”. Sem data vênia, já dá pra ter certeza o que vai acontecer com elas...



Constatação V
Não se pode confundir borocoxô com broxo (u), muito embora, em condições normais de pressão e temperatura o cara que broxo (u) fica borocoxô. A recíproca não é necessariamente verdadeira. Afinal, existem “n” motivos outros para o cara ficar borocoxô, como por exemplo, quando leva um fora da gata, o seu time do coração perde ou é rebaixado para a segunda divisão, se dá conta que no país só ocorre pizzarias sem fim e outras “cositas” desses jaezes.



Constatação VI
Rico se atormenta por não ser mais rico; pobre, atormenta.



Constatação VII
E não se pode confundir restituído com destituído, até porque, até hoje, não se ouviu dizer que um governante foi destituído por não ter restituído os execráveis “empréstimos compulsórios” que acabam se transformando em imposto compulsório. A recíproca para esses casos não é necessariamente verdadeira. Basta ver o que ocorre com os técnicos de futebol que são destituídos sem que possam restituir a vitória dos times que vinham atuando. Dos presidentes dos clubes de futebol que não entendem nada do riscado, nem falar.



Constatação VIII
Antonio Carlos Gomes, César Guerra-Peixe, Alberto Nepomuceno, Heitor Villa-Lobos, Bento Mossurunga, os irmãos Norton e Henrique Morozowicz. Taí um time de musicistas brasileiros da pesada. Tenho humildemente dito!



Constatação IX (A base de chavões)
Rico não tem limite para gastar; pobre dá o passo maior do que a perna.



Constatação X (Teoria da Relatividade para principiantes)
É muito melhor entrar em férias do que entrar pelo cano, muito embora ocorram casos em que, nas férias, se possa entrar pelo cano como, por exemplo, pegar tempo ruim, muita gente no lugar escolhido, ter que levar a sogra e assim por diante. A recíproca é verdadeira. Você pode entrar pelo cano sem estar em férias, na malfadada eventualidade de não receber uma merecida promoção do teu chefe que optou em dá-la ao sobrinho, aquele vagabundo que nada faz a não ser perturbar o ambiente de trabalho.



Constatação XI
Rico mora em mansão; pobre, em covil*.
*Covil = “habitação rude, miserável; choça, casebre” (Houaiss).



Constatação XII
Rico se reúne em turma; pobre, em bando



Constatação XIII (Quadrinha inequivocamente didática).
Só jogar canastra,
Acolá no motel
O fogo não alastra
E que feio papel.



Constatação XIV (Quadrinha da curtição total)
Passar um blefe, um facão,
No científico jogo de truco,
Dá montanhas de satisfação
E deixa o outro meio maluco.



Constatação XV (Quadrinha reivindicatória)
Se no próximo carnaval
Eu não desfilar como destaque
Ficarei irremediavelmente tão mal
Que terei um baita ataque.



Constatação XVI (De uma dúvida crucial)
E já que estamos falando no assunto, o haicai, que os japoneses inventaram, é uma quadrinha de pé quebrado?


Juca

sábado, 4 de outubro de 2008

Fábula Confabulada (Indigna do Millôr).

Havia uma vez nas cercanias de Shaoshan, não longe de Changsha e de Chonqing, entre Guiyang e Chengdu por um caminho que vai em direção ao rio Yang-Tsé, contornando Leshan um chinês de nome Shway Neh Ray. O sonho dele era visitar um país, do outro lado do mundo, chamado Brasil.

A passagem custava muito caro o que fazia com que ele protelasse a cada novo ano a realização do seu sonho. Quando começou a abertura da economia chinesa, Shway Neh Ray iniciou uma criação de porcos, usando métodos desenvolvidos por técnicos chineses, inclusive com tratamentos dos ditos com acupuntura e ervas.

A mulher de Shway, Shte Keh Wen, colaborava no orçamento familiar, dedicando-se a costuras, principalmente na reforma, ampliação e redução de vestidos em função de necessidade e/ou do grau das vaidades de cada freguesa.

O negócio começou a prosperar e a realização do sonho começou a se aproximar da factibilidade, como Shte Keh Wen gostava de se expressar, usando palavras mais ou menos sofisticadas. Aí, ela, que passara todo o tempo economizando tostão por tostão, quer dizer li por li sugeriu que ambos passassem por Paris, a fim de ela também realizar o seu – dela – sonho.

A criação de porcos ficaria a cargo do filho do casal, Peh Tcha Tek, que já tinha idade pra dar conta de tais tipos de tarefas. E assim foi. Em Paris, visitaram o que os turistas costumam visitar: Museus, Monumentos, Jardins, como o de Luxemburgo, Torre Eifel, Notre Dame, Palais Royal, Sacre Coeur e passearam de barco pelo rio Sena; comeram queijos e tomaram vinhos. Enfim, procuraram ver o máximo e o que o dinheiro permitia. Finalmente embarcaram para o Brasil.


Outro grande sonho. Shway Neh Ray havia comprado, ainda na China, entrada para assistirem o desfile de carnaval no Rio de Janeiro e chegaram bem no dia do desfile das escolas de samba. E, claro, outras visitas turísticas. A companhia de turismo, lançando mão de seguranças, cuidava deles e de outros turistas de outros países. O casal não entendia exatamente por quais razões, o que ninguém se preocupou em explicar a presença dos tais seguranças, por achar arriscado criar medo e atrapalhar a vinda de outros turistas, estragando o seu negócio. Mas isto já é outra história que, nesse momento absolutamente não vem ao caso.

Quando retornaram para sua casa ameaçaram amigos, parentes e vizinhos para verem as fotos que haviam tirado nos dois países que, coitados, educadamente, acederam ao convite.

Cada um do casal anfitrião dissertou suas impressões com relação aos países visitados. Ele alegou, entre outras considerações, que não havia gostado de Paris porque havia muito cachorro e gato, fazendo o que faziam nas calçadas e que aquilo não era exatamente o que ele gostaria de ver; Por outro lado (qual lado?), ela não havia gostado do Brasil porque parecia que todas as mulheres só se preocupavam em chamar a atenção para seus respectivos peitos e bundas. E que não era aquilo que ela queria ver.

As opiniões dos convivas se dividiram o que redundou numa polêmica que se arrastou pela madrugada adentro, mas isso também já é outra história, o que, analogamente à anterior, obviamente, não vem para o caso no presente momento. Quem ficou interessadíssimo no Brasil foi Peh Tcha Tek, o filho adolescente do casal.


Moral I: O pior cego é aquele que não vê o que não quer e só quer ver o que quer.


Moral II: Quando se discorre sobre um assunto há que se despertar o interesse nas pessoas, seja ele qual for.


Moral III: Peito e bunda feminina não são só de interesse de determinado país, chamado Brasil. É de interesse geral.

Juca