sábado, 29 de novembro de 2008

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
A meia-luz
A coisa fica sem-sal.
Aí, não me seduz,
Passo a enxergar
Muito mal.
E além do aspecto
Físico, necessito
Do psíquico
Como vive a recomendar
Máster & Johnson,
Nada a ver com Bob Masterson,
Porque não sou circunspecto
Diante de um mulheraço,
Não me pega o embaraço
E sem vê-la como nasceu
Tendo a ficar
Um neuropsíquico,
Contrito,
Super aflito
Só pensando,
Matutando
Um antológico himeneu.

Constatação II
Deu na mídia: “Rainha Elizabeth II perdeu quase US$ 40 milhões com crise financeira”. Afora ser sintomático, taí uma notícia de transcendental importância para o futuro dos especuladores e da Humanidade também.

Constatação III (Dramas do cotidiano).
Lá pelos meados da década de 50, este assim chamado escriba morava no Alto São Francisco, não longe de uma espécie de pensão que era gerida pela D. Lota, de saudosa memória. Lá, viviam quatro colegas de turma, da faculdade, todos vindo do interior do Paraná, a saber: Pedro Bepler de Souza, Nelson Leal, Antenor Barnabé Neto e o José Haraldo Carneiro Lobo. Volta e meia eu passava por lá para conversar com os colegas e amigos. Certa vez convidei os quatro para irmos a segunda sessão de cinema, das 10 horas. Apenas o Haraldo aceitou e lá fomos ao cine Palácio. Já na fila começou a discussão quem pagava as entradas e eu alegava que eu deveria pagar, pois o convite havia partido da minha parte. O Haraldo contestava que uma coisa não tinha nada a ver com outra e depois de apartes, argumentação, retórica, etc., eu consegui convencer o Haraldo que eu pagaria. Chegando diante da bilheteria, puxei da carteira e não havia dinheiro nem suficiente para pagar uma entrada. O Haraldo é que acabou pagando.
Moral da dramática história: “Nada mais é difícil de suportar do que uma dívida moral, exceto uma dívida monetária. Mas uma combinação das duas é letal” (Ephraim Kishon, escritor israelense).

Constatação IV
A fusão dos bancos Itaú e Unibanco, ou de outros bancos, ou de outras empresas transforma a nova empresa fundida de modo tal que, fatalmente, os funcionários se sentem ameaçados de serem chamados pelo Departamento de Recursos (Des)Humanos, pois temem de ficarem fudid, digo fundidos.

Constatação V
Uma mixórdia
Foi seu discurso,
Com a língua enrolada,
Pra mulher
Quando chegou no doce lar
De madrugada,
Já quase de manhã.
Estive, até agora,
No clube Concórdia,
Esquecendo que era sócio
Do Thalia
E do Clube Curitibano.
“Vá embora”,
Ela bramia,
Num desabafo.
“Pensa que sou uma qualquer?”
Ledo engano!
Você só vive no ócio.
Você tá com bafo.
Diga o percurso
Que você fez pra aqui chegar”.
Ele ficou mais enrolado
Do que novelo de lã,
Que o gato costuma brincar
Quando a vovó se punha a tricotar.
Coitada!
Coitado!
Coitado?

Constatação VI
Costumeiramente,
Político só promete,
Ou só pro-mente
Descumprimentamente?

Constatação VII (De razões e proporções matemáticas).
O Bush, com sua administração desastrada, ajudou a eleger o Obama; O PSDB, ao trazer à tona aquela dinheirama toda, encontrada na casa do ex da Roseana Sarney, que estava em primeiro lugar nas pesquisas de opinião, ajudou a eleger o Lula. Daí pode-se inferir que o Bush está para o Obama, assim como o PSDB está para o Lula. Logo o presidente eleito da maior potência da Terra é igual ao Bush dividido pelo PSDB e multiplicado pelo Lula. Elementar, minha gente.

Constação VIII
E já que falamos no assunto, as recentes eleições para prefeito em nosso país mostraram, lamentavelmente, que, em certas regiões, ainda impera o coronelismo. Pena!

Constatação IX
Também deu na mídia: “Título mais perto do São Paulo”, diz matemático. Data vênia, como diria nossos juristas, mas Rumorejando acha que o matemático esqueceu que futebol, como dizem os grandes entendidos, os filósofos brasileiros, poderá ou poderia vir a ser uma caixinha de surpresas.

Constatação X
Quando o obcecado leu na mídia que uma pesquisa revelou que o curitibano é o que faz menos sexo no país, cuspiu para o lado, estufou o peito qual um galo quando se põe a cantar e disse: “Se tivessem me perguntado e a outros como eu nós teríamos ultrapassado a média nacional e os mineiros que foram os que melhor se classificaram”.

Juca

sábado, 22 de novembro de 2008

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO GURU MILLÔR)

Numa determinada província chinesa vivia uma família, constituída pelo pai Pas Khu Nyak, a mãe, Yach Neh e o filho Shly Mah Zel. O casal vivia se digladiando porque ambos se achavam o dono da verdade, mais sabidos que o dicionário, doutores sabe-tudo e coisas desse jaez. O patriarca, repetindo o que havia lido na Internet, dizia: “Vou vender a Enciclopédia Britânica, o Dicionário, o Livro de Mao, já que minha mulher conhece e sabe tudo. Inclusive, o que se passa na casa dos parentes e vizinhos. Por sua vez, a mulher fazia troça do marido, dizendo que ele era o professor do professor de D’us. O filho assistia a tudo isso e ficava agastado porque ele se dava conta da sucessão de erros e grosserias que os pais cometiam e que eles, naturalmente, achavam que não. Alguns pouquíssimos exemplos do que os dois cometiam:

-Tocavam o equipamento de som a todo volume;

-Assistiam à televisão também aos domingos;

-Não sabiam jogar truco e tinham raiva de quem sabia;

-Elogiavam o governo;

-Sentavam à mesa sem lavar as mãos;

-Não tinham escova de dentes;

-Compravam, desmesuradamente, no cartão de crédito e a prestação, sem levar em conta os juros das financeiras;

-Faziam visitas sem avisar aos visitados que iriam chegar;

-Levavam álbum de 380 fotografias para mostrar aos visitados da última viagem turística que haviam feito;

-Contavam piadas, uma após a outra, durante horas seguidas;

-Bocejavam ruidosamente e/ou sem tapar a boca com a mão;

Shly Mah Zel, ao contrário dos seus pais, tinha um comportamento ilibado. Além disso, era, sem alarde, um excelente aluno, o que na China não é novidade, porquanto é um povo que também se destaca nos estudos e nas pesquisas, mas isso é outra história que, agora, absolutamente, não vem ao caso.

Shly Mah Zel tinha uma namorada e queria convidá-la para vir a sua casa, a fim de conhecer seus pais e vice-versa. No entanto, protelava com medo que eles iniciassem as intermináveis discussões inócuas, como era de seu malfadado costume. Além, é claro, do mau comportamento do casal.

Um dia, quando não havia mais jeito de protelar o convite, diante da insistência de seus pais, lá foi Shly Mah Zel, mais nervoso do que noiva de antigamente em noite de núpcias, com a sua namorada, cujo nome era Tze Bul Keh, para um jantar em sua casa. A mãe procurou, na sua – dela – ótica, se esmerar não aceitando sugestões já que a ela “ninguém precisava ensinar o que quer que fosse”.

Primeiro foi servido um prato de carne; depois a mãe serviu um prato de peixe. Para o prato de carne foi servido um vinho branco e para o peixe um vinho tinto doce. Todos, em copos de plástico, tirados da cristaleira onde estavam colocados os copos de cristal que Shly Mah Zel não entendeu porque não foram usados. A salada já veio temperada, ao invés de que cada um pudesse temperar a seu gosto, com vinagre, o que foi terrível, pois Tze Bul Keh tinha alergia a tal condimento.

Após um ruidoso arroto de Pas Khu Nyak, foi servida a sobremesa que se constituía de uma salada de frutas onde nadavam pedaços de cebola e as colherinhas de plástico tinham gosto de alho.

É claro que o jantar não terminou sem que o casal não iniciasse uma discussão acerba e azeda que culminou com os dois se retirando do ambiente e voltando para continuar a polêmica em altos brados o que deixou o filho assaz nervoso.

Passou-se algum tempo e os jovens casaram e, evidentemente, Shly Mah Zel e Tze Bul Keh se comportavam totalmente ao revés dos pais do jovem. Pelo que consta, bastante felizes e não se sabe se para sempre porque, como diz o poeta e escritor uruguaio Mário Benedetti, numa de suas antológicas poesias, “Hay tanto siempre que no llega nunca”, mas isso já é uma outra história.

Moral I: Na casa que não falta pão alguns gritam e acham que têm razão.

Moral II: Pelos erros dos outros, o homem sensato corrige os seus. (Oswaldo Cruz).

Moral III: Quem não sai aos seus, degenera (no bom sentido).

Juca

sábado, 15 de novembro de 2008

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I (Emprestando o termo “pila” dos gaúchos).
O dolar oscila,
Sobe e desce.
Mesmo assim,
É tudo igual
E não é um pranto:
O meu real
Desaparece,
Como por encanto,
Ele vive no fim
Sem sobrar um pila,
Sem um tostão furado.
Coitado!
De mim...

Constatação II
Quem nunca leu, pelo menos os livros, Jorge, um brasileiro, de Oswaldo França Júnior e O coronel e o lobisomem, de José Cândido de Carvalho não entende nada de nada. Tenho, sem patriotada, dito.

Constatação III
Exemplo de Exercício de Poder é quando uma pessoa física ou jurídica te adverte, te chama a atenção, várias vezes, que a reunião terá que ser im-pre-te-ri-vel-men-te numa determinada hora e te atende com uma hora de atraso. Outros exemplos são: “Eu quero porque quero é tá acabado”, de pais para com os filhos e da mulher para com o marido e, dificilmente, deste para com aquela...

Constatação IV
Posto
Que a gente
Tem que pagar imposto,
Tributo,
Imposto como obrigação,
Tão somente
E não vê atitude
Pra uma solução
Pra Saúde
E a Educação
A gente fica put, digo resoluto
A tomar
Uma posição
De não votar
Na próxima eleição.

Constatação V
Carcomido pelo ciúme
De ver a vizinha
Com mais um carro,
Todo incrementado,
Ficou que era só azedume
Pôs-se a falar
Abobrinha,
E, para piorar:
A sogra vá tirar
Um sarro:
Que ele só tinha uma bicicleta
E que de tanto pedalar
Poderia se tornar
Um baita atleta.
Coitado!

Constatação VI
Não se pode confundir simbiose, que o dicionário Houaiss dá como “interação entre duas espécies que vivem juntas” com sinistrose, que o mesmo dicionário define como “tendência a alardear a iminência de colapsos e perigos terríveis, individuais ou sociais, a vaticinar desastres, ruínas, grandes perdas materiais, catástrofes em empreendimentos, planos econômicos, projetos políticos”, muito embora se as duas espécies que vivem juntas serem humanas tipo genro ou nora com sogra, fatalmente, deverá descambar para a realização efetiva da sinistrose. A recíproca até pode ser verdadeira. Basta ver o que está ocorrendo no mundo com a derrocada da especulação financeira que nada tem a ver com o trabalho produtivo que efetivamente gera riqueza.

Constatação VII
Deu na mídia: “A revista 'Forbes' aponta Elvis como artista morto mais rico de 2008”. Taí uma notícia de transcendental importância para as pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza e, também, para o futuro da Humanidade...

Constatação VIII
Aguarde breve: O “pibe”, como é chamado carinhosamente Maradona pelos hermanos, sendo desmistificado como a maioria dos técnicos em todo o mundo. As exceções como o Felipão e outros são apenas, e não mais que apenas, exceções. Tenho profeticamente dito.

Constatação IX
Lugar-comum é a casa da gente? E quem não tem casa como é que fica? Sem-teto- comum?

Constatação X
A violência que grassa em nosso país gerou a ampliação do termo ‘liquidação’ que anteriormente só se referia às vendas para renovação dos estoques das lojas?

Constatação XI
Semiótica quer dizer que o sujeito só vê as coisas pela metade?

Constatação XII
Para quem acredita em inferno, purgatório e paraíso, acompanhar um enterro de uma pessoa é levá-lo para a sua penúltima morada?

Constatação XIII (Quadrinha para ser recitada no dia das eleições).
Sou um democrata
Meu voto é obrigatório
Meu candidato é psicopata
E vive num consultório.

Constatação XIV (Saudosismo).
Já no fim do jogo entre o Gama e o Paraná, nos descontos, a bola bate na trave do Paraná e, na seqüência, um corner e um pênalti a favor do Paraná que é convertido em gol e o Paraná vence por 2 a 1. Os gols do Paraná foram feitos por zagueiros. No meio da euforia e do “ufa!” dos paranistas, ouviu-se um comentário com ar tristonho e nostálgico de um torcedor: “Já não se fazem atacantes como Izaldo, Casnock e Afinho, do meu velho Ferroviário”.

Juca

sábado, 8 de novembro de 2008

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I (Conto mobiliário, curto, pseudo-infantil).
Ela comeu com sofreguidão uva de mesa no colo do namorado, este sentado numa cadeira. Aí ela terminou de comer na cama e eles, depois da comilança, viveram felizes para sempre...

Constatação II
Não se pode confundir pulha com pilha, muito embora quem é pulha sempre pilha os cofres públicos, privados e outros menos cotados. A recíproca não é necessariamente verdadeira, até porque os eleitores brasileiros ficam uma pilha de nervos em ver o número de pulhas que vicejam por aí...

Constatação III
E como poetava o convencido, nosso velho conhecido:
“Ser cobiçado
Ser desejado
Pelas mulheres,
Aqui em Curitiba
Ou seja, lá onde for,
Não precisou ser
Meu desiderato.
Portanto,
Por favor,
De pitibiriba,
Neres.
Pelo menos,
Por enquanto...
Sempre foi de somenos
Importância tal.
Eu nunca fiquei
Estupefato
Com esse ato
Cortejador,
Também
Não prestei
Muita atenção
E deixei,
Simplesmente,
A elas, mais de cem,
A decisão,
A postura opcional
E tudo acontecer
De modo natural,
Essencialmente
Como sempre normal
Tão-somente”.

Constatação IV
Rico tem impressora a laser; pobre, papel carbono; quando muda o salário mínimo, mimeógrafo a álcool.

Constatação V
Uma das obviedades e vade-mécum de quem quer tirar proveito em tudo: “O negócio é sempre ser amigo do rei que esteja, naquele momento, reinando”.

Constatação VI
Pra quem está pensando em investir pra tocar seu próprio negócio Rumorejando, face os tempos novos, sugere os seguintes ramos com o mercado em franca expansão: coletes a prova de bala, alarmes para carros e casas, grades de proteção, cerca elétrica, firmas de segurança de outras firmas de segurança e assim por diante. De nada!

Constatação VII
Não se pode confundir carreata com careta, até porque, dependendo quais eleitores estiverem participando da carreata e a gente for do outro candidato a gente não vai deixar de fazer uma careta, caramunha, carantonha, esgar, momice, trejeito. Tudo de desprezo. A recíproca não é verdadeira, porque pode ser uma carreata que mereça da nossa parte um simples muxoxo.

Constatação VIII
Rico é empírico; pobre, nunca leu um livro na vida.

Constatação IX
Deu na mídia: “Homem preso no Egito por propor troca de esposas na internet
A polícia ordenou a detenção durante quatro dias do funcionário, acusado de apologia da libertinagem”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas pelo jeito a polícia egipcia ainda não ouviu falar em swing...

Constatação X (Teoria da Relatividada para principiantes corinthianos).
É muito melhor estar entre os quatro primeiros na segundona do que entre os quatrro últimos na primeirona.

Constatação XI (Teoria da relatividade para principiantes paranistas).
É muito melhor estar entre os quatro primeiros da terceirona (Valha-me, meu time), do que entre os quatro últimos da segundona.

Constatação XII (De uma dúvida crucial).
Será que a linha do Equador, com esse aquecimento global, ficou desalinhada? Quem souber a resposta, por favor, enviar correspondência para o e-mail desse assim chamado escriba ou através do blog
http://rimasprimas.blogspot.com

Constatação XIII
O que se vê,
Hoje em dia,
Na TV
Homem chorando
Não tá escrito por aí
Tampouco no gibi.
Antes não se via.
Estão desmistificando,
O dito do Martinho
Que homem não chora
Quando a mulher
Vai embora.
Ninguém quer ficar sozinho
Nem um minuto sequer.

Constatação XIV (De conselhos úteis).
Se você é vegetariano, ou adepto da comida macrobiótica, não faça proselitismo disso, pois todo proselitista é um chato. Quando não, um cricri. De nada!

Constatação XV
Tá na hora de eliminar a reversão à esquerda, em Curitiba. E para não haver excesso de velocidade nas ruas de sentido único, lombada e lambada de multa aos mais apressados. E já que estamos falando de assuntos de nossa cidade, quem deveria controlar os decibéis, já que parece que ninguém controla.? Quem souber a resposta, etc., etc.


Juca

domingo, 2 de novembro de 2008


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Quando o obcecado, por razões óbvias, sentiu que estava sendo obrigado a se aposentar, evidentemente contra a sua vontade, pensou: “Torna-se mister que eu divulgue meu elevado know-how”. Aí resolveu usar o seu espírito – na opinião dele – altamente altruísta, criando uma escola, para a qual deu o título de Centro de Formação de Amantes. Rumorejando ainda não conseguiu saber se houve muitas matrículas. No entanto, em algumas que ocorreram, os alunos comentaram que adoraram as aulas práticas.

Constatação II
Deu na mídia: “Paraná precisa construir pelo menos mais 15 presídios. Apesar de o número de vagas nas penitenciárias paranaenses ter dobrado nos últimos seis anos, o excedente de presos no estado ainda ultrapassa 14 mil”. Data vênia, como diria nossos juristas, mas Rumorejando acha que o moto perpétuo está inventado: Quando terminarem os 15 novos presídios estiverem prontos, outros tantos serão necessários. E assim por saecula seculorum, até o fim dos tempos...

Constatação III
Não se pode confundir alegria com alergia, até porque o exemplo clássico é o aparecimento repentino da tua sogra, mostrando alegria por sua – dela – vinda, na tua casa e você começa ficar com manchas por todo o teu corpo, por causa da alergia.

Constatação IV
Na homilia
Dom Praxedes,
O padre bonachão,
Instou
A família
A não cometer pecado.
Quando terminou
Teve a impressão
De ter falado
Pras paredes.
Coitado!

Constatação V
A candidata,
Insensata,
Qual um polícia,
Com malícia,
Com irônico jeito
E de modo arbitrário,
Questionou,
A masculinidade
Do adversário.
O eleitor não perdoou
A sua iniqüidade
E ela se ferrou.
Bem feito!

Constatação VI
Na vida,
Talvez bisonha,
Se perde, se ganha.
No futebol,
Chova ou faça sol
Meu time,
Cá da terra
Por mais que se anime
Qualquer partida
Só se ferra.

Constatação VII
Após a lua-de-mel
Persiste
A sensação
Que não existe
Em um lugar qualquer
Algo assim bom
Como uma mulher,
Ou... um plantel.

Constatação VIII
Ela nunca quis
Acompanhá-lo ao motel
Por mais que ele insistisse
Pedisse,
Implorasse,
Chorasse,
Abrindo um berreiro.
Um dia, ela topou
Com pressa, ele se deitou
Na cama com dossel
Enquanto ela foi ao banheiro.
Rapidamente, ele quis
Tomar um cialis,
Cujo efeito apregoado
Era de pouco tempo.
Na pressa, o comprimido
Da sua mão escapou
E caiu no tapete, pois o chão
Não era lambris.
Por mais que procurasse
Não mais o encontrou.
Aí, deprimido,
No desespero ficou
Resolveu achar
Um passatempo.
Pegou, do bolso, um baralho
Que de tão velho tava embolorado
E quando ela despontou,
Toda vaporosa,
Toda charmosa,
Perguntou,
Com os nervos em frangalho:
Qual jogo você sabe jogar?
Coitado!

Constatação IX
O carvoeiro,
Com o rosto todo encarvoado,
Chegou em casa
Ficou branco de tão assustado.
E pelos seus olhos passou um nevoeiro:
A filha no colo do namorado,
Quase nua
E ele com as mãos no seu busto,
Com cara de que estivesse no limbo.
Os dois vendo um filme da Nasa
No qual, fumando um cachimbo,
Naquele instante,
O astronauta estava sentado,
Num pedaço da lua
Que estava na minguante.
Que susto! *
Coitado!
*Não ficou claro se o carvoeiro levou um susto com medo que o astronauta caísse da lua na minguante ou se foi por causa das condições que encontrou a filha, ou pelos dois fatos.

Constatação X
Tentei resolver
Uma equação
Não deu por matemática
Nem por informática.
Aí recorri à gramática,
Mas não deu no particípio
E cheguei à conclusão
Que não havia solução.
A equação insolúvel,
Irresolúvel,
Por princípio,
Se referia
A uma gata,
Ingrata
Que eu a havia
Lançado
Na mídia
E, depois que venceu,
Com perfídia,
Qual um político,
Me esqueceu.
O fato apocalíptico
De ela girar em torno
Do seu próprio umbigo
Me deixou morno,
Prostrado.
Achei, de tudo, o fim
Coitado!
De mim...

Juca