domingo, 2 de novembro de 2008


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Quando o obcecado, por razões óbvias, sentiu que estava sendo obrigado a se aposentar, evidentemente contra a sua vontade, pensou: “Torna-se mister que eu divulgue meu elevado know-how”. Aí resolveu usar o seu espírito – na opinião dele – altamente altruísta, criando uma escola, para a qual deu o título de Centro de Formação de Amantes. Rumorejando ainda não conseguiu saber se houve muitas matrículas. No entanto, em algumas que ocorreram, os alunos comentaram que adoraram as aulas práticas.

Constatação II
Deu na mídia: “Paraná precisa construir pelo menos mais 15 presídios. Apesar de o número de vagas nas penitenciárias paranaenses ter dobrado nos últimos seis anos, o excedente de presos no estado ainda ultrapassa 14 mil”. Data vênia, como diria nossos juristas, mas Rumorejando acha que o moto perpétuo está inventado: Quando terminarem os 15 novos presídios estiverem prontos, outros tantos serão necessários. E assim por saecula seculorum, até o fim dos tempos...

Constatação III
Não se pode confundir alegria com alergia, até porque o exemplo clássico é o aparecimento repentino da tua sogra, mostrando alegria por sua – dela – vinda, na tua casa e você começa ficar com manchas por todo o teu corpo, por causa da alergia.

Constatação IV
Na homilia
Dom Praxedes,
O padre bonachão,
Instou
A família
A não cometer pecado.
Quando terminou
Teve a impressão
De ter falado
Pras paredes.
Coitado!

Constatação V
A candidata,
Insensata,
Qual um polícia,
Com malícia,
Com irônico jeito
E de modo arbitrário,
Questionou,
A masculinidade
Do adversário.
O eleitor não perdoou
A sua iniqüidade
E ela se ferrou.
Bem feito!

Constatação VI
Na vida,
Talvez bisonha,
Se perde, se ganha.
No futebol,
Chova ou faça sol
Meu time,
Cá da terra
Por mais que se anime
Qualquer partida
Só se ferra.

Constatação VII
Após a lua-de-mel
Persiste
A sensação
Que não existe
Em um lugar qualquer
Algo assim bom
Como uma mulher,
Ou... um plantel.

Constatação VIII
Ela nunca quis
Acompanhá-lo ao motel
Por mais que ele insistisse
Pedisse,
Implorasse,
Chorasse,
Abrindo um berreiro.
Um dia, ela topou
Com pressa, ele se deitou
Na cama com dossel
Enquanto ela foi ao banheiro.
Rapidamente, ele quis
Tomar um cialis,
Cujo efeito apregoado
Era de pouco tempo.
Na pressa, o comprimido
Da sua mão escapou
E caiu no tapete, pois o chão
Não era lambris.
Por mais que procurasse
Não mais o encontrou.
Aí, deprimido,
No desespero ficou
Resolveu achar
Um passatempo.
Pegou, do bolso, um baralho
Que de tão velho tava embolorado
E quando ela despontou,
Toda vaporosa,
Toda charmosa,
Perguntou,
Com os nervos em frangalho:
Qual jogo você sabe jogar?
Coitado!

Constatação IX
O carvoeiro,
Com o rosto todo encarvoado,
Chegou em casa
Ficou branco de tão assustado.
E pelos seus olhos passou um nevoeiro:
A filha no colo do namorado,
Quase nua
E ele com as mãos no seu busto,
Com cara de que estivesse no limbo.
Os dois vendo um filme da Nasa
No qual, fumando um cachimbo,
Naquele instante,
O astronauta estava sentado,
Num pedaço da lua
Que estava na minguante.
Que susto! *
Coitado!
*Não ficou claro se o carvoeiro levou um susto com medo que o astronauta caísse da lua na minguante ou se foi por causa das condições que encontrou a filha, ou pelos dois fatos.

Constatação X
Tentei resolver
Uma equação
Não deu por matemática
Nem por informática.
Aí recorri à gramática,
Mas não deu no particípio
E cheguei à conclusão
Que não havia solução.
A equação insolúvel,
Irresolúvel,
Por princípio,
Se referia
A uma gata,
Ingrata
Que eu a havia
Lançado
Na mídia
E, depois que venceu,
Com perfídia,
Qual um político,
Me esqueceu.
O fato apocalíptico
De ela girar em torno
Do seu próprio umbigo
Me deixou morno,
Prostrado.
Achei, de tudo, o fim
Coitado!
De mim...

Juca

Nenhum comentário: