sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I (Auto-elogio).
“Um portento”,
Disse o centro-avante,
“Esse meu tento
Aí, no fundo do barbante”.

Constatação II
Este assim chamado escriba, chimarrólatra, desde os tempos imemoriais, está se dando conta que até a erva-mate está sendo manipulada com produtos, digamos, alienigenas, estranhos, fora do contexto. E viva “nóis”.

Constatação III
Rico utiliza oxímoros*; pobre, frases incoerentes.
*Oxímoros = “figura em que se combinam palavras de sentido oposto que parecem excluir-se mutuamente, mas que, no contexto, reforçam a expressão (p.ex.: obscura claridade, música silenciosa); paradoxismo” [Houaiss].

Constatação IV (Ah, esse nosso vernáculo).
Onde anda indo?

Constatação V
Rico é assaz silencioso; pobre é extremamente ruidoso.

Constatação VI
Deu na mídia: “O banco Bradesco teve um lucro líquido de 7,620 bilhões em 2008. O diretor-presidente do banco, Sr. Márcio Cypriano, disse que o spread – diferença entre a taxa de captação e os juros cobrados nos empréstimos – não é absurdo nem exagero”. Data vênia, como diria nossos juristas, mas Rumorejando acha que banqueiro não pensa como nós, simples mortais. O pensamento de um banqueiro é bem mais elevado...

Constatação VII
Rico faz altos negócios; pobre, escusos trambiques.

Constatação VIII
“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”. Existe?

Constatação IX
Quando iam pro motel,
Levando um baita farnel,
Constituído por empada,
Coxinha e pastel,
O carro atolou
Num banhado.
Ele empurrou
Ficou
Todo molhado,
Todo sujo
E enlameado
Pra tentar
Desencalhar
O dito cujo.
E ela, ainda,
Muito linda,
Toda assanhada,
Tirou
Um sarro
O que o deixou
Amuado,
Emburrado,
Contrariado.
Coitado!
Coitada!

Constatação X (Ah, esse nosso vernáculo).
A rapariga, muito da pândega, saiu, trêfega, na hora da bátega* e de uma forte refega**. Molhou uma nádega. Coitada!
*Bátega = ”pancada de chuva; aguaceiro” (Houaiss).
Refega = “pé-de-vento tormentoso e veloz” (Houaiss).

Constatação XI (De uma dúvida crucial).
Caminhos cruzados é o título de um livro do escritor Érico Veríssimo ou é quando te aborda um cara mal-encarado com uma arma na mão tão logo você sai do banco, ou, talvez, os dois?

Constatação XII
E já que falamos no assunto, a expressão bala perdida, sob a ótica de um malfeitor, é indevida já que acertou em alguém?

Constatação XIII
Quando o obcecado
Descobriu
Que o seu amigo
Havia abjurado
Do sexo
Ficou
Perplexo
Induziu
Que o infeliz
Era um perigo
E o considerou,
Como nunca quis,
Proscrito
E um apóstata.
E refletiu,
Com um esgar:
“Deve estar
Num dilema
Ou desviado
Ou com um problema
Na próstata”.

Constatação XIV (Ah, esse nosso vernáculo).
O Supremo Tribunal Eleitoral opô-se a posse. O candidato ficou possesso e ainda responde a um processo.

Constatação XV
Foi o pão dormido que teve um sonho que havia virado um croissant?

Constatação XVI
Deu na mídia: “Depois do recesso parlamentar os congressistas e os vereadores voltarão ao trabalho”. Não ficou claro em benefício de quem e do quê.

Constatação XVII
Botou uma pitada de sal,
Ao invés de algo mais suave
No relacionamento amoroso
Isso ocasionou um grande mal:
A bola não entrou. Bateu na trave.
E ela: “seu pseudoparenquimatoso”.*
*Pseudoparenquima = “massa de hifas densamente entrelaçadas, própria dos fungos, e que, em corte transversal, apresenta aspecto semelhante ao dos tecidos das plantas superiores” (Houiass). [Elementar, prezados leitores!]

Constatação XVIII
E como altercava com o namorado aquela torcedora de Flamengo:Você ë um carrasco,
Só me dá asco,
Deve ter casco.
Com você só me lasco
E ainda é torcedor do Vasco.

Constatação XIX
Não se pode confundir impelir com impedir, até porque cada uma destas palavras também pode ter o mesmo sentido que a outra. Basta ver no Houaiss, uma das ferramentas de trabalho deste assim chamado escriba.

Constatação XX
Foi a lua cheia que cruzou com a nova no quarto crescente e a chamou de minguante*? Ou foi o sol a pino que na alvorada marcou novo encontro com a noite no crepúsculo?
*Minguante = “perda da antiga prosperidade, poder, beleza, saúde etc.; decadência, declínio” (Houaiss).


Juca

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