sábado, 16 de maio de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Rico, pro imposto de renda, junta documento; pobre, é isento.

Constatação II
Não se pode confundir confundido com contundido, muito embora tenha muito jogador que, para ganhar tempo, faz cera, se fingindo de contundido, deixando o juiz confundido. Enquanto isso, o time que está perdendo fica fud, digo aborrecido.

Constatação III
Rico tem boa performance; pobre, mau desempenho.

Constatação IV
Foi o seno que perguntou com ar de superioridade pro co-seno “tem variado muito pra menos um, ultimamente? Comigo, isso não tem acontecido. Modéstia a parte, só tenho variado para mais um”.

Constatação V
País rico faz intercâmbio; país pobre, escambo.

Constatação VI
Não se pode confundir barra com berra, muito embora tenha muita esposa que quando berra, com razão ou não, é porque a barra pra cima do marido tá pesada e, em alguns casos, pesadíssima. Coitado!

Constatação VII (Ah, esse nosso vernáculo).
A Paula, paladina do estudo, atina, que levou pau no exame da língua latina, enquanto lava, paulatina, a tina.

Constatação VIII
Rico é defensor; pobre, adversário.

Constatação IX
A polenta
Tava suculenta;
O feijão
Muito bom;
A salada
Bem condimentada
O repolho,
Refogado,
Com molho,
Tava bem temperado;
A sobremesa
Uma beleza.
Aí ela falou:
“Se você terminou
De comer
Pode desaparecer.
Já comeu até demais.
Outrossim,
Nunca mais
Apareça
E me esqueça”.
Coitado!
De mim.

Constatação X
Me deu uma amnésia:
Onde mesmo fica a Rodésia
E a Polinésia?

Constatação XI (De um comentário um tanto quanto arbitrário de um(a) aluno(a) medíocre).
O estágio
De docência
Não admitia
Indolência.
Por tal,
Nele havia
Inserido
Um sentido
De indecência,
Um presságio
De uma imoral
Excrescência
Tanto sob a ótica,
Antipatriótica,
Nacional,
Como a psicótica
Estadual
E a esclerótica
Municipal.

Constatação XII
Foi o parafuso que perguntou para a chave de parafusos: “Querida, você não vai me atarraxar, hoje?”

Constatação XIII (De elucubrações sensoriais trigonométricas meio confusas).
As emoções são
Como um senoidal
Carimbo:
Algumas te enlevam,
Sem conexão
Ou baldeação,
Ao limbo;
Outras, infinitamente,
Ao inferno tangencial,
Ou co-tangencial,
Elas te levam;
Aos insensíveis
Elas, fatalmente,
São impossíveis
De existir.
A eles nem dissuadir
Ou persuadir
Daria para interferir,
Interagir,
Tão-somente.

Constatação XIV
E como filosofava o obcecado: “Paris induz ao amor. Tá impregnado no ar que lá se respira. Minha querida Balsa Nova, também. Vá alguém entender a intrincada alma urbana...”

Constatação XV (De conselhos úteis via pseudo-soneto. De nada!).
O que te deixa eufórico
Frequentemente é a ingestão
De um produto calórico
Sem mensuração.

Depois vem o arrependimento
Ao verificar teu peso na balança
Aonde eu tava com a cabeça naquele momento?
Foi pras cucuias emagrecer a tua esperança.

Por isso, caro leitor e cara leitora
Trate de se controlar pra manter a linha
Feche a boca e a caixa de Pandora*

Procure sempre ficar com estômago meio vazio.
Não abra a geladeira nem passe pela porta da cozinha
Coma muita sopa de vento e pastel de assobio.
*A caixa de Pandora é uma expressão muito utilizada quando se quer fazer referência a algo que gera curiosidade, mas que é melhor não ser revelado. (Google).

Constatação XVI
O tenor bigodudo
Soltou um agudo
O que foi considerado
Grave e destoante
Naquele instante.
Coitado!

Constatação XVII (Via duplo pseudo-haicai).
Solicitude,
Nos dias de hoje,
Virou excesso de atitude.
No trânsito caótico
Tá difícil gentileza
Tá todo mundo neurótico.

Constatação XVIII
O político caradura,
Que se apropria do dinheiro público, preso ele não vai.
É que ele adquire pra sempre um alvará de soltura,
Já que ele balança, balança, mas não cai.

Constatação XIX (Pseudo-haicai).
“Somente com a verdade,
Nós temos compromisso”,
Disse o político com serenidade.

Constatação XX
Juras de amor
Eles trocaram
Com muito ardor
“Até a eternidade”.
Vinte anos depois
Surgiram as mazelas,
Com elas,
As querelas.
Brigaram.
De dia e de noite
As desavenças,
Entre os dois,
Só eram ofensas,
Agressões verbais,
Em surras,
Com o açoite,
Viraram
“Feijão com arroz”,
Tal a periodicidade,
Que redundaram,
Como jamais.
Bem maiores que as juras
E carinhos trocados.
Coitados!

Juca

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