domingo, 21 de junho de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I (Para o meu professor do Colégio Estadual do Paraná Estevam Piceski. In memoriam)
Insistente,
Queria colocar
Na boca um tesouro
Um dente
De ouro
Bem na frente.
“Pago pro senhor a vista”.
“Por que?”, perguntou o dentista.
“Por quais razões?,
Se a sua dentadura
É perfeita”.
E o cabeça dura:
“Por várias decisões
Aí, a vizinha não mais me enjeita.
Daí, eu acho que ela me aceita
E também é pra alumiar”.

Constatação II
Junto um caraminguá
Pra ir ao estádio
Ver o meu Paraná
Que nunca me dá satisfação
Igual na televisão
Tampouco na transmissão
Do rádio.
Que desilusão!
Que decepção!

Constatação III
Penteou
Com escova de aço,
Com muito desvelo
O seu encaracolado
Cabelo
Um chumaço
Despontou.
Ficou apavorado.
Coitado!

Constatação IV (Ainda o dedo do Parreira?)
Que bonito o futebol jogado pelo time do Egito! O Brasil não jogou mal. Foram eles que jogaram bem. E contra a Itália, nem falar. Tenho humildemente dito!

Constatação V
O foguista
Do trem Maria Fumaça
Teve a sensação
De uma desgraça
De ter uma faísca
No coração,
Pois
Desconfiou
Que era corneado
Pelo maquinista.
E acessou
O seu pisca-pisca
De prestar mais atenção.
No comportamento
Perebento
Dos dois:
Do colega João
E da sua Francisca.
Coitado!

Constatação VI
Indefeso
Sentiu-se preso
Ao ser levado,
Totalmente aperreado,
Num homérico porre
Para o doce lar,
Pois sabia
Que haveria briga.
Foi jogado,
Arremessado,
De modo arrevesado,
Pelo fiel amigo,
Bem teso,
No jardim.
A mulher se pôs a gritar:
“Pobre de mim!
Por que não morre
Seu bêbado de uma figa.
E esse batom no teu umbigo?
Andou com uma qualquer”.
E o pau cantando,
Acompanhando
De modo sincopado
O que ela dizia.
Coitado!
Coitado?

Constatação VII (Matemática financeira para principiantes).
Juros compostos são aqueles que, num determinado tempo, se juntam ao capital para produzirem juros novamente até que o cidadão não possa mais pagar ou a empresa quebrar. E mais, para tornar o banqueiro, que não se importa se tem ou não fila no seu banco, ficar cada vez mais rico até que, na sua morte, o banco se degringole, pela briga dos herdeiros, como qualquer outra empresa.

Constatação VIII
E já que falamos no assunto, nunca se ouviu falar que um banqueiro tenha doado seu coração em vida para um transplante após a sua morte porque não se doa àquilo que não se tem...

Constatação IX
E quando o professor disse para os alunos: “A aula de hoje é discussão das equações de segundo grau”, todos os alunos se retiraram. O representante da turma explicou: “Professor, não se ofenda, é que a nossa turma houve por bem, depois da última briga com os colegas da turma da tarde, por causa de um jogo de futebol que nem chegou a acabar, não mais participar de brigas e discussões”.

Constatação X (Diálogos rimados com final catártico).
Inseguro
Ele se sentiu
Depois de se esfalfar
De dar
Um duro
E na hora de receber
O pagamento
O paspalho
Para quem foi fazer
O trabalho
Saiu
Da linha:
Admitiu
Que não tinha
Recebido
Aumento
Para quitar
O que era devido.
“Por que me contratou?”,
Perguntou.
“Para impressionar
A minha namorada”.
“E como eu impressiono
A minha?”,
Tornou a perguntar.
“Isso é problema seu
E não meu.
Eu não posso perder
Meu sono.
Eu lá tenho jeito
De burro.
E ainda deu uma gargalhada.
“O senhor é um filho da, digo, batuta”.
E lá foi um murro.
Bem feito!

Constatação XI
Na semana passada, Rumorejando publicou: “Constatação III (Dúvida crucial).
A mulher que dorme de calcinha ela está infringindo a Constituição ao impedir que ‘todo o cidadão tem o direito de ir e vir livremente’?”. Rumorejando recebeu uma resposta de um leitor assíduo da coluna que pediu anonimato e que transcrevemos a seguir: “[...] Quanto à dúvida crucial (Constatação III), cumpre-me dizer que, para muitos parceiros, o fato de a mulher dormir de calcinha não é obstáculo algum para o contubérnio. Para muitas, cabe ao parceiro tirar a calcinha, pois faz parte do ludus amoris. Além disso, estou convencido de que tirar a calcinha da mulher amada é uma das tarefas mais nobres e prazerosas tanto para o homem quanto para ela. Opinião minha, claro.
Um grande abraço do leitor e admirador”,

Constatação XII
Rico ganha regiamente; pobre, porcamente, digo parcamente.

Juca

Nenhum comentário: