sábado, 24 de outubro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Rico é aristocrático; pobre, é metido.

Constatação II
Rico é pragmático; pobre, é lunático.

Constatação III
Vai começar o debate,
No horário político,
Terrível e execrável,
Eivado de duvidança
E desesperança.
Prepare-se para ouvir disparate
E argumento nada analítico.
Bem melhor ouvir criança
Incluso na linguagem tatibitate.

Constatação IV
Rica tem o rei na barriga; pobre, todo ano, um filho.

Constatação V
Depois da vitória de Rubinho Barichello, em Monza, o piloto brasileiro, por quem a gente torce e sofre, afirmou e reafirmou que o momento é manter o pé no chão. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que é importante manter o pé no acelerador. A propósito das poucas vitórias de Rubinho, vale lembrar que Arquimedes proferiu: “Dai-me uma alavanca e um ponto de apoio que eu moverei o mundo”. Pelo jeito, Rubinho poderia dizer: Dai-me um bom carro na Fórmula 1 que eu poderei ser o campeão do mundo...

Constatação VI (De um estulto perfil).
Era um borra-tintas,
Um exímio sarrafaçal*,
Metido a dar fintas.
Um insigne boçal.
*Sarrafaçal = “1. indivíduo inútil, preguiçoso”.
2. “profissional inapto” (Houaiss).

Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).
É muito melhor o nosso time fazer um gol com a mão e o juiz validar, ainda que a gente fique morrendo de vergonha, do que o nosso time sofrer um pênalti e o juiz não marcar.

Constatação VIII
Não se pode confundir barulho com baralho, muito embora no jogo de truco que é jogado com baralho e que onde este assim chamado escriba não encontra adversário, quem faz muito barulho, às vezes, ganha o jogo...

Constatação IX
O detetive
Particular
Contratado
Pra seguir
E flagrar
Um marido,
Acostumado
A desmando,
A trair,
Levou
Azar:
Desligado,
Ficou
Caído,
Ferido
Quando
Escorregou
Num declive
E tropeçou
Num aclive.
Coitado!

Constatação X
O posudo,
Em baixa, estava.
E se achava
Sortudo
E que tava
Com tudo.

Constatação XI (De um pseudo-soneto).

Apresentou uma lista pra ele
Ele ia ter que dormir no paiol
E que ela não era seu lençol
E que não tinha pena dele.

Ele ficou muito triste e azedo,
Dormir naquela espécie de macega
Ali, seria difícil um esfrega-esfrega,
E viu que era sério, não era brinquedo.

Foi consultar uma benzedeira
Dizendo que teria de ficar no estaleiro
E desfilou sua choradeira,

Como era época de nevoeiro
Poderia pegar um resfriado
Tal jamais acontecera com algum seu antepassado.

Constatação XII
Foi a tartaruga
Mesmo afrouxando o passo,
Que chegou ao destino
Com o sol a pino,
Na casa do namorado
Cansada,
Cheia de ruga,
Um bagaço?
Coitada!
Coitado!

Constatação XIII
Quando meu celular me chama, eu já sei quando é a minha sogra que está chamando. O celular não tilinta, nem vibra. Ele vocifera, esbraveja, impreca, rosna.

Constatação XIV
Pela intenção do Brasil de comprar aviões de combate na França, sem levar em conta as ofertas da Suécia e dos Estados Unidos, o nosso país contaria, dentre outros, com o apoio daquele país para o Brasil fazer parte do Conselho de Segurança da ONU. Este negócio do Brasil ser membro do Conselho de Segurança me deixa numa dúvida crucial que me faz relembrar com o seguinte fato, já contado na coluna: Em 1970, este assim chamado escriba estava estagiando na França, mercê de uma bolsa de estudos, oferecida pelo governo francês. Aproveitando as curtas férias nas festas de fim de ano, resolvi conhecer Londres. Chegando a este país, me dirigi às informações turísticas, em busca de um hotel barato. À atendente, com cara de enfastiada, perguntei: “Do you speak french?” O francês era minha língua estrangeira mais fácil para me fazer compreender e entender. E ela, me olhando de alto a baixo, com desprezo: “What for?” (Para quê?)

Constatação XV
Com relação à constatação anterior, talvez a gente esteja por fora. Quando o presidente Lula disse, no dia 7 de setembro, que o Brasil vai comprar os aviões da França ele, apenas, tão-somente, queria impressionar a mulher do presidente Sarkozy, madame Carla Bruni, que pelos seus dotes merece os encômios respeitosos de todos.

Constatação XVI
Rico é agradável; pobre, censurável.


Juca

sábado, 17 de outubro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Tem gente que encobre
De já ter sido nobre
Quando descobre
Que não é mais rico, é pobre.

Constatação II
Enquanto ela rebolava
Num sensual saracoteio,
Por causa de comentários libidinosos
Que se referiam aos seus dotes apetitosos,
O marido, vexado, incomodado,
Se meteu num sururu
Onde muita rasteira,
Muita bordoada rolava,
Por baixo, por cima e pelo meio,
Além de golpes de capoeira,
Que doía mais que rabo-de-tatu.
Coitado!

Constatação III
Dentre os muitos e-mail’s recebidos após a publicação de “O terror que matura”, no dia 11 de outubro, transcrevo do meu amigo e colega Abelardo Perseke Junior:
“Juca:


Deixe o futebol, esta loucura,
Que torna em vinagre a água mais pura
Que endeusa vagabundos de feroz feiúra,
E viva a poesia, que esta sim, em ti perdura,
Pois este teu poema, de alvear secura,
Foi para mim, serena criatura,
Motivo de prazer, que dura
A Eternidade que tanto procura...

Abelardo, e, parabéns ( e pêsames pelo Paranito)”.

Constatação IV
E já que falamos no assunto, como disseram os poucos neurônios sobreviventes deste locutor que vos fala, digo digita: “O terror que matura, com as 166 rimas em ura, contadas pelo Amigo Sérgio Antunes de Freitas, no seu site www.reforme.com.br/kitnet, pra nós, pobres neurônios, foi uma radical e sofrida aventura. Hurra! Hurra! Quer dizer, Ufa! Ufa!”

Constatação V
Foi a massa de ar quente
Que disse pra frente fria,
Demonstrando alegria:
“Vamos criar uma chuvinha
Grossa ou fininha
Ou se você quiser um furacão
Com relâmpago e trovão”?

Constatação VI
Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que a garota que faz a publicidade, na televisão, como funcionária da Caixa Econômica Federal, na cidade de Califórnia, no meu estado, o Paraná, merece um prêmio pelo seu desempenho. Parabéns!!! Rumorejando, sem ter bola de cristal, prevê um futuro brilhante como atriz pra “Mari” ou “Marilyn”.

Constatação VII
Foi uma picuinha,
Uma questiúncula
Ou uma boutade
A pergunta pro rei
Da magra rainha:
Perdoai-me, Vossa Majestade,
Segundo eu sei,
Não deveis
Esquecer
Que os reis
Não devem cometer
Nunca um pecado,
Mormente o da gula.
Coitado!

Constatação VIII (Ah, esse nosso vernáculo).
Os noivos para cortarem o bolo do casamento, cortaram um doce.

Constatação IX (De conselhos úteis).
Não deve ter uma namorada
Quem sofre de ronco na barriga,
Pois pode assustar a coitada
E o bem-bom redundar em briga.

Constatação X
Ríspido, ele foi considerado,
Apenas por falar mal da sogra
Ao considerá-la não mais que uma ogra.
Ele só havia dito a verdade. Coitado!

Constatação XI
Não tem algum sentido
Discutir com a sua Maria
E depois ficar deprimido
Afinal não se briga com a chefia...

Constatação XII (Ainda sobre o gol vergonhoso do meu Paraná).
Considerou a derrota do seu time um baita revés.
E pior, o gol validado tinha sido com a mão.
Comentou: “Talvez eu não tenha razão,
Isso que se chama meter as mãos pelos pés”.

Constatação XIII (Dúvida crucial, com rima não apelativa e passível de mal-entendido).
O rechonchudo
E a rotunda
Rolaram e fizeram de tudo,
Merecendo uma tunda?

Constatação XIV
Quando um médico começa a ficar enfermo (Rico fica enfermo; pobre, doente), ele perde a credibilidade dos seus pacientes ou estes consideram a máxima de que “casa de ferreiro, espeto de pau”.

Constatação XV
Rico é ilibado; pobre, censurável.

Constatação XVI (De um pseudo-soneto).

O condenável caçador de dotes
Que vivia até com puídas calças
Recebeu,do pai da noiva, potes
De uma bolada de notas falsas.

A atitude fez nele um ressentimento,
Mas como a noiva era muito querida
Pesou o custo/benefício do casamento
E pensou: “Vamos enfrentar a nova vida”.

Aí, acabou engolindo o fel do veneno.
Sempre acaba existindo uma boa mulher,
Atrás de um homem grande ou pequeno.

Rejeitou do sogro uma oferta de emprego
Que disse que trabalhar se faria mister.
“Afinal, tenho que preservar o meu sossego”.

Constatação XVII
Quem é bitolado só vislumbra uma única solução, ou nenhuma, diante de um problema, mesmo que neste haja inúmeras variáveis.

Constatação XVIII
Diz a sabedoria popular que “quem não chora, não mama”. Já no caso de político, chorando ou não, mama...

Juca

domingo, 11 de outubro de 2009

O terror que matura

I
Oriunda de respeitável progenitura:
A mãe, professora de corte e costura;
O pai, escriturário na magistratura,
Era, ela, uma formosura,
Uma pintura,
Digna de figurar numa gravura,
Ou numa xilogravura,
Daquelas com moldura,
Trabalhada em artística ranhura.
Mediana estatura,
Cabelos pretos, sem tintura,
Dentes, perfeitos, uma alvura;
Sorriso, sem amargura,
Franco, aberto, uma quentura;
A mirada, uma brandura,
Muito límpida, muito pura,
De olhos de jabuticaba, uma pretura;
E um poço de ternura!
Ah! E a cintura!
Parecia duma tanajura...
Educação, nem falar. Que finura!
Dada a não pouca leitura,
De sutil e elevada literatura,
E um dedilhar, sem partitura,
Além de se dedicar à feitura
De origami, de dobradura.
E, no jardim, à floricultura,
Onde, às vezes, ouvia o canto da saracura.

II
Ele, era só feiúra,
Como uma caricatura.
Duma lividez, duma transparente brancura
Num monte de ossatura
Como se filho fosse de alguém de média estatura,
Mas de não muita largura.
E do Cavaleiro da Triste Figura
Àquele que, até com moinhos, mostrou bravura
Não tendo como vestidura
A respectiva armadura.
Além disso, morando numa lonjura.
E, mais, um escrachado caradura
De péssima postura,
Ou melhor, somente impostura:
Noites a fio, jogava, com fundura,
Em busca de fácil fartura;
À mão, um copo daquela bebida de lúpulo, de levedura
E um eterno cigarro, alterando, dos lábios, a comissura.
Receitas, infalíveis, de fazer estrago em qualquer criatura.
Tal proceder, sem dúvida, merecia ampla censura.
Não confundir com àquela do tempo da ditadura,
Quando até se usou a indefectível tortura,
Nos governos da chamada linha dura,
Bem antes do que se convencionou chamar Abertura.
O salário, parco, da Prefeitura,
Dum trabalho que exercia com sinecura,
Na base de quem não se apura,
Obviamente, redundava numa apertura.
As dívidas, não poucas, proveniente de mordedura,
Mesmo que firmadas numa caprichada escritura,
Fatalmente seguiam o destino da pendura
Que postergava, com ensaboadura,
Para uma época futura
E que, da memória, apagava com uma varredura.
De inteligência, não era nenhuma cavalgadura,
Daquelas que só falta a ferradura.
Era capaz de se pôr a falar, com desenvoltura,
Sobre, do quadrado, a curvatura
Ou, da circunferência, a quadratura.
E, se porventura,
Cometia alguma outra loucura
De imitar, de alguém, a assinatura,
Perfeita e sem rasura,
Em cheque, promissória ou fatura,
Fruto de condenável urdidura,
Resultava, se descoberto, nessa amargura
De ter que conseguir um alvará de soltura,
Alegando, ao delegado, tratar-se duma travessura
E no seu ilibado currículo, uma simples arranhadura;
Que não tinha intenção de viver numa cela escura
E que, afinal, toda a sua vida, agira com extrema lisura.

III
Essa atitude devassa, que o estado físico tritura
E o bolso, a conta corrente do banco, perfura,
Para ele, era adrenalina total, uma aventura,
Que foi obrigado de encerrar, uma fissura,
Quando sua saúde se deteriorou e sofreu uma ruptura.
Logo, ele, que nunca tivera um resfriado, ou uma rasgadura
E, muito menos, alguma forma de rendidura,
Parecendo, tudo, praga, maldição ou esconjura,
De nada adiantando os santos invocados em benzedura.
É que numa amorosa tertúlia, sobreveio uma velhice prematura
Àquela que deixa, um, e a parceira, em desventura,
E provoca na alma e no ego profunda machucadura.
Pouco antes, já vinha sentindo, no estômago, uma queimadura,
Somado a um mal-estar, a uma teimosa tontura,
Que o deixava, por um momento, com a vista obscura
E com a possibilidade de cair e sofrer uma fratura.
O médico, amigo desde a infância, adepto da natura,
Pespegou-lhe um susto, numa sincera e repreensiva secura:
"Não se trata de querer que você viva numa clausura.
No entanto, se dessa vida desregrada não abjura;
Se continuar nessa farra, para você uma gostosura;
Não se livrar do vício, dessa imbecil escravatura,
O teu amanhã nem eu nem ninguém te assegura,
Pois você, bem sabe, está cavando a própria sepultura.
Entretanto, preste atenção, você facilmente se cura:
Primeiro, tem que parar de comer fritura
Que absorve rios de gordura;
Não fumar, nem beber, dormir cedo, nada de diabrura;
Tem que consumir muita verdura,
Muita fibra e fruta não ácida, madura;
Nada de doce tipo quindim ou rapadura,
Se não vai ter - já, já - de usar dentadura".
Os amigos acharam tudo aquilo uma frescura,
E que a prescrição parecia mais uma absurda propositura,
Ponderando que uma vida, assim, nem santo atura.
De início, o reproche, ele classificou de grossura,
Mas, apavorado, ou como dizem os italianos, numa "paúra",
Resolveu mudar de vida, para uma mais segura.
Indubitavelmente, foi um tento de bela feitura:
Má alimentação, vícios e toda essa nomenclatura
Foi mudada com força de vontade de quem tem envergadura;
Passou a estudar e ler livros de grossa brochura
E a escutar música clássica e popular de fina tessitura,
Já que havia desenvolvido o bom gosto, por aquela altura;
Optou em fazer uma faculdade, uma Licenciatura,
Visando o almejado canudo, numa cerimônia de formatura.
Chegou até a pensar em Engenharia ou Arquitetura,
Sem descartar Agronomia, dado a discorrer sobre agricultura.
Melhorou o visual, que a gente, a si mesmo, augura:
Cabelo e barba aparados, dois banhos diários, total limpadura;
Entrou numa academia de ginástica para fazer musculatura
Com a intenção de ganhar peso, conforme, por aí, se assegura
E ficar com o tórax como os lutadores na era da gladiatura;
Passou a freqüentar ambientes de pessoas de boa catadura,
Onde o gosto apurado, aliado à boa educação, sempre fulgura;
A usar ternos com tecidos de excelente textura
E gravata, com grife, em camisa de abotoadura;
Pagou os credores, que não desgrudavam como atadura,
E, mais adiante, comprou, do ano, uma possante viatura,
Bem espaçosa, "nada de apertos, nada de miniatura".
Também, numa pechincha, um apartamento, não de cobertura,
Mas tendo sacada com churrasqueira, para grelhados e assadura.
E suíte com hidromassagem, portaria e tetra-chave na fechadura,
Em imóvel localizado num terreno ajardinado, numa planura.
O pagamento: uma entrada, mais 20 anos, com juros da Lei da Usura,
Aproveitando um desconto graças a famosa Lei da Oferta e da Procura,
Àquela, que político promete revogar ao defender sua candidatura.
Decorou, tudo, com móveis em cedro, com caprichada entalhadura
E tapetes, feitos à mão, de razoável espessura.

IV
Nessa história, em condições normais de pressão e temperatura,
Deveria haver, com a jovem do início, alguma relação ou ligadura.
Mas, não. Ela só foi aqui lembrada por sua beleza, sua candura.
Seu sorriso, seu olhar, sua sensibilidade, sua doçura.
Bem! Cada um seguiu o seu destino, sem se cruzar, sem mistura,
Embora, o mesmo juiz de paz ter efetuado a legal lavratura.
E que passaram, em épocas distintas, a lua-de-mel em Cascadura,
Onde, anos após, retornariam para passar alguns dias em vilegiatura.
Ele, redimido, havia encontrado uma companheira, uma lhanura,
Gentilíssima, amável, cortês, sem um pingo de desmesura.
E ela, um companheiro, muito sério, trabalhador, uma polidura,
Um estudioso aplicado, um autodidata em matéria de cultura.
Obviamente, de todos as partes envolvidas, de amor eterno, muita jura,
Que, nesses casos, quase sempre, ao pé de ouvido se murmura
E, com ardor, se realizam num colóquio de extrema fervura.
Hoje, vivem felizes, com filhos, produto duma fértil semeadura
Numa paixão que, mesmo com a crise econômica, ainda perdura

Juca

domingo, 4 de outubro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Ficou
Arrebatado
De alegria
Parecia
Estar
Num mar
De rosas.
Havia
Acertado
Numa milhar
E passou
A ganhar
A atenção
Das formosas
Atendentes
Do balcão
Que antes sequer
Nele notavam
Nem mostravam
Os dentes.
Vá alguém
Procurar
Entender,
Compreender
O desdém
De uma mulher.

Constatação II [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (I)]
No céu cinzento,
Kafkiano,
O curitibano,
Sentiu-se bolorento,
Fossético,
Patético,
Amuado,
Torvado,
Perturbado.
Coitado!

Constatação III [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (II)].
Um sol atrevido,
Que já havia desaparecido
Despontou
Entre nuvens carregadas
De imagens
Como desenhadas.
Soprou um vento,
Naquele momento
Trazendo
Frescas aragens
Tal deixou
Ele, um quatrolho*,
De humor horrendo,
Com o sobrolho,
Antes carregado,
Desanuviado.
Descoitado!
* De sobrancelhas brancas (Houaiss).

Constatação IV [Chuvas no Paraná e nos demais estados do sul do Brasil (III)].
Ela fez uma desfeita.
Não compareceu
Ao encontro marcado,
O que levantou nele,
Um apaixonado romeu,
Uma incômoda suspeita
De que estava sendo corneado.
Tinha ficado
Debaixo de um aguaceiro
E logo quando ele
Ia pedir a ela algum dinheiro.
Coitado!

Constatação V
Uma imagem vale mil palavras. Se for das sogras vale mil palavras, relacionadas com medo, susto e sobressaltos.

Constatação VI (De uma dúvida crucial).
O Michael Jordan viria a ser o Pelé do basquete e/ou o Pelé ante viria a ser o Michael Jordan do futebol?

Constatação VII (“Poesia” meio forçada).
Foi o clarinete
Que disse pro fagote
Que o oboé
Ao andar de trotinete*
Escorregou ao dar ré
E deu um trompaço na trompa,
Que até pareceu abraço de tamanduá,
Quando retornava de lá,
Das bodas de fígaro, com pompa,
Mas sem circunstância
Já que não houvera dote
E se fora um casamento
De muita retumbância.
Aí,
Num certo momento,
O noivo descuidado,
Talvez ofuscado
Pelo sol,
Meio fora de si
Tropeçou num fa...mi...gerado
Penetra que não tinha sido convidado,
Já que os convivas só
Era gente de escol
E se machucou de dar dó.
Coitado!
*Trotinete = patinete (Houaiss).

Constatação VIII
Rico alcança uma idade avançada; pobre, fica um caco.

Constatação IX
Rico cria mitos; pobre, é macaca de auditório.

Constatação X
Chamou o idoso, seu tetraneto, de fedelho.
E passou a lhe dar um sermão, além de conselho.
Era sua tataravó que sempre armava uma querela
Quando ele disse que ia pela nona vez se casar com uma donzela.

Constatação XI
Rico é impetuoso; pobre, vagaroso.

Constatação XII (Via pseudo-haicai).
Seu verso-de-seis-pés*
Ninguém se dispôs a ler
De lés-a-lés**.
*Sextilha (Aurelião).
**De um lado a outro (Aurelião)

Constatação XIII
Rico fica indignado; pobre p. da vida.

Constatação XIV
O jogador paranaense Alex, que foi revelado na equipe de base do Coritiba merecia estar no livro Guiness de recordes por ter sido o único jogador que fez dois gols olímpicos numa mesma partida. O goleiro que levou tais gols também...

Constatação XV
E já que falamos em futebol, vale lembrar e/ou assinalar que o meu time, o Paraná, não tem necessidade de estar mudando frequentemente de técnico. O Paraná precisa, apenas, mudar a Diretoria, os jogadores da defesa, do meio de campo e do ataque. Elementar...

Constatação XVI (“Poesia” quase trágica).

Traição em dobro

Saiu correndo pela rua em trajes de Adão,
Mostrando, entre outros, seu tralalá.
O guarda lhe deu voz de prisão:
“Vosmecê vai tê que me “acompanhá”

O Delegado perguntou a razão
De ele estar andando desnudo.
Ele não quis dar explicação
Daí, ficou todo o tempo mudo.

“Você vai ficar no xilindró
Até que eu telefone pra sua consorte”.
Apavorado, ele falou: “Por favor, tenha dó.
Não faça isso. Se não, será minha morte”.

“Não entendo porque tanto temor
Que mal que ela poderá te fazer?”
“É que eu estava com outro amor
Aí, o marido chegou e eu tive que correr”.

Constatação XVII
Rico sofre de oclofobia*; pobre, almeja a oclocracia**.
*Oclofobia = “medo mórbido da multidão, da plebe” (Houaiss).
**Oclocracia = “exercício do poder ou do governo pela multidão, pela plebe” (Houaiss).

Constatação XVIII
Quem anda no fio da navalha
Não pode nem deve ter uma escorregadela
Porque lhe pode sair caro essa falha
Pois poderá machucar a bun, digo, a costela.

Juca