quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I (Exemplos de diretamente e inversamente proporcional).
A duração dos produtos, desses que a gente compra no supermercado com data de validade, é função da quantidade de produtos químicos que eles contêm. Quanto mais produto químico, tanto mais eles duram. Portanto, diretamente proporcional; quanto mais se pretende viver, tanto menos tais produtos se devem ingerir. Portanto, inversamente proporcional. Elementar, minha gente.

Constatação II
E como dizia aquele professor de Processamento de Dados: -“Hoje, eu não estou me sentindo bem. Penso que me infectaram um vírus”.

Constatação III
No tempo da vovó, tinha-se que tomar coragem para tomar óleo de rícino.

Constatação IV (Subsídios para o hino dos que sempre pretendem tirar proveito em tudo).
“Nós, nós, temos apenas direitos e haveres;
Os outros, somente obrigações e deveres”.

Constatação V (De diálogos esclarecedores de algum outro mais ou menos azedo).
-“Ela fervia no fogão”.
-“O que ? A chaleira do chimarrão ?
-“Nada disso. A minha sogra que costuma sentar na chapa do fogão apagado. Ela estava fervendo de raiva, com bronca comigo”.
-“Ah, bom”.
-“Ah, ruim. Eu já te falei que o fogão estava apagado”...

Constatação VI
Não se pode confundir tempos com templos, muito embora, nestes últimos tempos, se você passar em frente a alguns templos verá que eles estão repletos, já que a turma, desesperançada, está recorrendo ao lado místico para ajudar a agüentar a barra que não está nada fácil.

Constatação VII
Há tempos, o autor destas mal traçadas foi convidado a colaborar numa publicação de uma vídeolocadora. A participação do assim chamado escriba foi a seguinte:
“O cinema, essa oitava maravilha do mundo, no meio de tantas perseguições de carros que dão cavalo de pau, caras atravessando portas ou janelas de vidros que se estilhaçam, exército de um homem só que vence batalhas contra exércitos de milhares, também tem seus filmes antológicos, com suas cenas antológicas. Vamos a alguns exemplos:
- o piano no meio da praia, do filme “O Piano”, da neozelandesa Jean Champion;
- a sequência da escolha de feijão, protagonizado por Fernanda Montenegro e Gianfrancesco Guarnieri em “Eles não usam Black Tie”;
- a cena dos pobres pedindo “milion de milion de milion... no filme “Roma 11 horas”, de Vitório de Sica;
- a competição entre os cantores, perante os foguistas do navio, em “E la nave va”, de Federico Fellini;
- o duelo de faca em “Bodas de sangre”, de Carlos Saura;
- as micagens de Louis de Funnes, para avisar o seu motorista, sem falar, que havia um guarda de trânsito no filme “As aventuras do Rabi Jacó”;
- a briga entre o personagem de Lima Duarte e o polícia na película “O sargento Getulio”;
- a cena final do filme “Easy Rider”;
- A aproximação lenta, através da câmera, representando os trens se aproximando do campo de concentração de Auschwiz, no filme “Shoah”, de Claude Lanzmann;
- A partida de xadrez com a morte no filme chamado “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman”.
(Cartas ao e-mail ou ao blog com o rol das suas cenas preferidas que o leitor considera antológica. Obrigado).

Constatação VIII (anatomo-fisiológica-térmico-filosófica, via duplo pseudo-haicai).
Se, em Curitiba, fizesse calor,
A gente gotejaria
Bagas de suor.
Como faz um frio danado,
A gente não só não transpira,
Como até o xixi sai meio gelado.
(Perdão, leitores).

Constatação IX
E como dizia aquele ególatra: -“Eu acho que o pronome “nós” deveria ser abolido, face o seu uso ser totalmente inócuo”.

Constatação X (Via pseudo-haicai).
De Fernando em Fernando,
O Brasil
Foi se f*.
*Ferrando, prezado leitor, ferrando, já que com a outra palavra não dá rima.

Constatação XI
E como “versejava” o obcecado:
“As primícias
Das carícias,
Sem quaisquer malícias,
Que sucessão de delícias !
O final
Do carnal,
Sensacional.
Que legal !”

Constatação XII (Aparentemente repetitiva, via pseudo-haicai).
Maria Antonieta, a bocó,
Perdeu a cabeça e perdeu a cabeça quando disse:
“Se eles não têm pão, que comam pão-de-ló”.

Constatação XIII (Via duplo pseudo-haicai).
O temente
Reza
Desmesuradamente;
Já, o descrente
Quase sempre reza
À morte, tão somente...

Constatação XIV
Para escrever ortograficamente com correção não é preciso ter grandes conhecimentos do vernáculo. Basta possuir um bom dicionário e, claro, se propor a consultá-lo quando assim se fizer mister. Tenho dito! E, com conhecimento de causa...

Constatação XV
Não se deve confundir saco com sacro, muito embora “hay que tener saco” para agüentar certos caras que se põe a falar de assunto sacro, sem o mínimo conhecimento de causa. E, pior, ainda querendo te fazer proselitismo daquilo que conhecem ou, que é pior, desconhecem...

Constatação XVI (Ah, esse nosso vernáculo e esses nossos poliglotas galegos da fronteira de Portugal com Espanha).
Empinou a pipa e foi papar um opíparo repasto que previa: “papas”, pepino e “papaya”. Participaram porções de pessoas, pá!

Constatação XVII (De conselhos úteis).
Se você está a fim de conquistar aquela gatona e convidou-a inicialmente para jantar, nunca tome o comprimido, que te ajuda a fazer a digestão, evita a azia, melhora e/ou garante o desempenho, etc., na presença dela, pois é um sinal indefectível de fraqueza e a humanidade não perdoa os fracos. Peça licença, vá e se feche no banheiro pra ingeri-lo escondido. De nada!

Constatação XVIII
E como dizia, pseudo-haicaimente, o pai da jovem para o afobado pretendente da sua única e querida filha:
“Calma, meu bom rapaz!
Veja por mim e por seus pais
O quanto o amor é fugaz”.

Constatação XIX
Perder as eleições absolutamente não é grave. O que é grave é perder para determinados candidatos que, ainda mais, tiveram uma votação estrondosa.

Constatação XX
Teve um choque abrupto
O candidato perdedor.
Acharam que ele
Era corrupto.
Aí, quem era seu eleitor
Não votou mais nele.
Calma, meu leitor,
Isso, aqui, não ocorreu.
Tal fato aconteceu
Em outros países.
Nós, somos infelizes
Já que de noite ou de dia
Corrupto cá se cria...

Juca

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