sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I
Certa vez, eu estava na Boca Maldita, em Curitiba, jogando conversa ao léu com o Leo, que não vem ao caso agora saber exatamente quem ele é, quando chegou um empreiteiro, que também não vem ao caso agora saber quem ele é, mas que, hoje, é uma das maiores fortunas deste país, dizendo: -“Agora sim. Agora, eu não corro mais o risco de quebrar. Minhas dívidas com os bancos chegaram a um volume tal que, se eu quebrar, levo junto comigo uma porção de gente. E mais, o governo também não vai me deixar quebrar, pois vai ter que, de ora em diante, levar em conta o problema social. A partir de hoje, vai dar sempre para empurrar a dívida com a barriga. E eu vou ficar muito rico”.
Se o Brasil que já recebeu empréstimos do FMI, bancos particulares, etc., na ordem dos bilhões de dólares, conforme a sua necessidade, para tapar os seus furos, a tese do empreiteiro, estará corretíssima e penso – data venia, como diriam nossos juristas – que ele mereceria se candidatar, senão ao Prêmio Nobel de Economia, pelo menos, a algum similar de finanças...

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo, entreouvido no Palácio Real).
-“De sorte que Vossa Douta Pessoa, príncipe consorte, é uma pessoa de sorte, já que eu vou virar sua consorte”.

Constatação III
E como exclamava a redatora daquela repartição pública: -“O cara de broa só come pão porque não gosta da anteriormente referida”.

Constatação IV (Em homenagem aos amigos Newton Sérgio Finzetto e Ivens Fontoura).
Em continuação à relação de cenas que considero antológicas e que “pagaram o filme”, independente de ser um filme bom ou ruim – geralmente bom –, foi publicado, recentemente, em órgão de divulgação de uma video locadora, em Curitiba, mais uma pequena série, da participação deste assim chamado escriba, que transcrevo a seguir:
- A expressão de mal-estar do garoto, ao assistir um espetáculo de marionetes em que um boneco surrava outro com um bastão; mais tarde aparece a cena do personagem do nazista Klaus Barbie, o “carrasco de Lyon”, torturando violentamente prisioneiros da Resistência Francesa, também com um bastão, no filme Lucie Aubrac, do diretor Claude Berri (Germinal, A casa de minha mãe, Jean de Florette).
- A violência, somente expressa em palavras, sem mostrar a imagem por causa da forte neblina, em que matam um garoto na presença dos pais, na guerra entre sérvios e croatas; anteriormente, a afirmação de um personagem de que a neblina permitia que as pessoas saíssem, pois encobria a todos e, assim, cessavam os tiros dos franco atiradores e logo a cena da orquestra tocando música clássica no parque, na neblina, e as pessoas em volta assistindo, no filme Um olhar a cada dia, de Theo Angelopoulos.
- O lirismo da cena em que o ator e diretor Jacques Tati direciona o reflexo do sol da sua janela para uma gaiola, ensejando que o passarinho se ponha a cantar, no filme Meu Tio.
- O suspense das notas musicais se aproximando, na cena em que um cidadão seria assassinado com um tiro na parte do tema musical em que a percussão encobriria o som do tiro, no filme O Homem que sabia demais, de Alfred Hitchcock; do mesmo diretor, o filme Os Pássaros, quando a mocinha está descendo num conversível em direção ao mar numa estrada cheia de curvas, levando um casal de pássaros que estão numa gaiola e que movem por igual as cabeças conforme o lado em que é feita a curva.
- O espetáculo da natureza no pôr-do-sol do filme, de Otar Iosselani, E a luz se fez.
- A chance que o diretor dá ao espectador, repetindo a cena várias vezes, para que ele também possa se dar conta como é que o policial descobriu quem era o assassino no filme Cobiça, com Ives Montand e, se a memória não falha, Jeanne Moreau.
- A tão decantada corrida de bigas no filme Ben Hur.
- A cena do filme Sem Novidades no Front, baseado no livro de Erich Maria Remarque, em que, após ter matado um soldado alemão, na 1ª Guerra Mundial, o personagem, cheio de remorso, tira do seu bolso uma foto de uma mulher com uma criança, o que faz com que aumente, ainda mais, o seu remorso.

Constatação V (Ah, esse nosso vernáculo).
A jovem se encrespou porque o cabeleireiro não encrespou o seu cabelo: -“Ele me enrolou porque apenas enrolou o meu cabelo”.

Constatação VI
De acordo com uma entrevista concedida à revista Playboy, o escritor português José Saramago contou que Camões – nome de um dos seus cachorros – gosta muito de livros. Ele já comeu dois volumes e a lombada de um terceiro, declarou o escritor laureado do Prêmio Nobel de Literatura.

Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).
Quando você tem 4 anos e existe uma pessoa com 18, a diferença de idade entre ambos é grande; quando você tem 60 anos e existe uma pessoa com 74, a diferença de idade entre ambos é pequena...

Constatação VIII
Disseram os amigos, tentando convencer o ricaço:
-“Vamos fazer esse cruzeiro marítimo pelas Ilhas Gregas. Afinal, são os teus filhos que vão te pagar toda a despesa”.
Retrucou o ricaço: -“Como os meus filhos, se eles dependem totalmente de mim ? O mais velho está com 16 e a mais nova com 14”.
-“Nós sabemos disso. Mas quando você bater com as dez, você deixará um pouquinho menos da tua imensa fortuna para eles”...

Constatação IX (Via haicai).
O cara caradura,
Ao passar a mão,
Diz que é só ternura.

Constatação X
O nervo grande-hipoglosso, de acordo com o Aurelião é o “nervo motor, o duodécimo dos chamados cranianos, que inerva os músculos da língua e os da região infra-hióidea”. Agora, que o nome parece ser outra coisa, isso lá parece...

Constatação XI (Que absolutamente não é uma queixa).
Depois que ela, sentada no meu colo, disse que ia comer um doce de ambrósia, ao invés de dizer ambrosia, eu cheguei a conclusão que ela costuma pôr o acento e o assento conforme o seu bel-prazer...

Constatação XII
Quando a viticultora, que estava colhendo uva, não quis nada com o conquistador barato, ele fez um muxoxo e com um menear de ombros proferiu a frase auto consoladora: “Essa uva está verde, mesmo...

Constatação XIII
Rico pratica polo; pobre, pulo.

Constatação XIV (Com rima diminutiva e, por essa razão, um pouquinho apelativa).
Um nitrido
Bem comprido
Soltou
A eguinha.
Ela cumprimentou
O cavalinho,
Do outro lado,
Da cerquinha.
Coitado!
Pobrezinho!
Tão sozinho...

Constatação XV
( De quem viu as fotos da Flavia Alessandra).
Vê-la nua, por um lapso,
Foi suficiente pro ancião
Quase ter um colapso.
Embora, tivesse sido muito bom.

Constatação XVI (Via pseudohaicai).
Do filme, fez curta resenha:
“Impossível que o espectador
Na cadeira se contenha”...

Constatação XVII (Via pseudohaicai).
O despertador toca a sirene:
Hora de sonambular
Pro trabalho perene...

Juca

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