sexta-feira, 12 de março de 2010

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I (Teoria da relatividade para principiantes)
É muito melhor em dez relações sexuais ter uma falha do que em dez falhas ter uma relação sexual.

Constatação II (É o que acham os adolescentes).
Disque “pai ou mãe objeto”. Atendimento 24 horas por dia e, se for o caso, até mais...

Constatação III (Via pseudohaicai).
Tava, o quentão,
Tão frio, tão frio,
Que até tava “frião”.

Constatação IV
Não se deve confundir patenteado com potentado, muito embora tenha gente que se julga dono de um potentado, administrando em causa própria de maneira tal que, o método, até deveria ser patenteado...

Constatação V(Ah, esse nosso vernáculo).
Na escola de engenharia havia um professor na cadeira de Estradas de Ferro que, nas provas, passava um problema do tipo mais ou menos assim: um trem, puxando um determinado número de vagões de carga cujo peso era dado, tinha que vencer um aclive de tantos porcentos e uma curva, cujo raio mínimo era de tantos metros. Calcular o nome da sogra do maquinista e/ou coisas desse gênero. Um dia, um aluno, após ler a questão, no quadro, se levanta e diz: “Professor, estão faltando dados nesse problema”. E o professor: “Os dados que não foram dados serão tirados dos dados, dados”.

Constatação VI (Meio prolixa).
Não se deve confundir “a taquara rachada” com “atarraxa qüarada”, até porque, o primeiro, se refere a voz; o segundo, não se refere a coisa alguma, muito embora a gente possa atarraxar um parafuso, uma porca, etc. e qüarar uma roupa para não andar sujo como uma porca (perdão, leitores).

Constatação VII
Em certos países, a lei do menor esforço é seguida sem nenhum esforço.

Constatação VIII
Rico tem parente rico nos Estados Unidos; pobre, tem parente rico em lugar incerto e não sabido.

Constatação IX (Via pseudohaicai).
Assistir a certa copa
É só fanático
Que topa...

Constatação X
Tá certo que quem bate o corner não pode fazer o gol de cabeça ou de qualquer outra maneira, mas que pode fazer um gol olímpico isso lá pode. É só fazer com que a bola descreva uma parábola ou uma semi-elipse. Talvez, um quarto de hipérbole. Elementar, minha gente.


DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I
Quem acha que Pelé ainda faz falta na seleção brasileira é saudosista, realista ou ambas as coisas?

Dúvida II
Em país de bacharéis, quem é operário tem dificuldade em ter vez, ou não tem de uma vez a retro mencionada ?

Dúvida III (Via pseudohaicai).
Ela leu, numa semana,
Do Balzac,
A comédia humana ?

Dúvida IV
Recomenda a ética e a etiqueta que um homem, por educação, não deve subir uma escada atrás de uma mulher, passando na sua frente. Talvez, até, seja o único caso que o homem não deva “ceder o passo” à mulher. Tá certo. Mas, na escada rolante de um shopping, ou onde tem escada rolante, como é que fica?

Dúvida V (Adaptada para os tempos modernos nos Estados Unidos, via pseudo-haicai).
Não dá para tocar corneta
E, ao mesmo tempo,
Mastigar uma pimenta malagueta ?

Dúvida VI
No espetáculo, na Costa Brava, Espanha, é que ficaram bravos porque a orquestra não bisou, mesmo com os gritos de: “Bravo! Bravo!”, do público ?

Dúvida VII
Esse preço, você está dizendo que não está caro, meu caro ?

Dúvida VIII
Criar filhos não é fácil. Fácil, é fazer ?

Dúvida IX (Via duplo pseudo-haicai).
Será que a reunião,
De mais de um,
Em regime de exceção,
É considerada por algum
Subversão ?

Dúvida X
O simulacro
Do religioso
Não era sacro ?

Dúvida XI
A mídia tem se comportado medianamente medieval ?

Dúvida XII
Dançar um tango, sem ser argentino, é só pra profissional ?


FÁBULA INDIGNA DO MILLÔR

Numa remota província chinesa, tão remota que até televisão ainda não havia chegado, vivia uma pacata, tranqüila e feliz população. O que, diga-se de passagem, é perfeitamente compreensível, já que os apelos do consumismo, tão comuns na assim chamada mídia televisiva, por aquelas bandas, ainda não havia chegado. A maioria da população se dedicava a trabalhos artesanais, agricultura, pequeno comércio, prestação de serviços e coisas afins.

A família de Hu Teh Men não fugia a regra: o pai, já mencionado; a mãe, de solteira Moy Du Che e o filho Sych Shey Men trabalhavam numa lavoura de subsistência, suficiente para o sustento dos três. Sych Shey Men tinha elevada propensão para o estudo e o governo proporcionou a ele um curso de capacitação profissional em mecânica, sua vocação desde criança, o que ele fez com invulgar brilhantismo e desenvoltura. Posteriormente, concorrendo com muitos candidatos, Sych Shey Men ganhou uma bolsa de estudos para estudar em Paris, onde, anos após, seria disputada a final da Copa do Mundo de Futebol, cujo favorito não pegaria absolutamente nada, mas isso já é outra história...

O curso na França era de pequena duração, porém suficiente para Sych Shey Men descobrir as delicias do capitalismo, o que queria dizer um país do 1º. Mundo, tomar um bom vinho, visitar empresas ligadas ao ramo de sua especialidade e por aí afora.

Quando retornou de sua viagem, Sych Shey Men contou a seus amigos muitas peripécias: que havia passado em frente a um tal de Moulin Rouge; que havia visitado um museu chamado Louvre; que havia trens que viajavam debaixo da terra e funcionavam sempre no horário; que havia uma torre, de rara beleza, construída a mais de 100 anos em homenagem a uma tal de Queda da Bastilha, ocorrida há mais de 200, quando, então, cortaram a cabeça de uma porção de gente com uma máquina mecânica que funcionava muito bem, inventada por um cidadão, chamado Guilhotin e, o da torre, o guia havia dito que se chamava Gustav Eiffel. E o nosso amigo contou, também, que a cidade induz ao amor e que viajar desacompanhado ou não arrumar uma companheira por lá mesmo era terrivelmente fossético e que ele havia arrumado várias e que um dia aconteceu o seguinte: ele havia ido com uns amigos a uma cave - um lugar freqüentado pela juventude, cheio de neblina dos cigarros mata-ratos deles, achando que a guerra fria entre os “revisionistas soviéticos e os imperialistas americanos, inimigos da China” iria redundar na 3ª guerra mundial e, por essa razão, a vida tinha que ser vivida em toda a sua plenitude, em toda a sua existência. Tudo isso, também compunha uma filosofia, o Existencialismo, cujo mentor havia sido um tal de Jean Paul Sartre e até havia uma cantora que se chamava Julieta Greco e que ele assistira uma apresentação dela num tal de Bobino, o segundo mais importante lugar de espetáculos já que o Olympia ele só passara em frente. Bem, lá na cave adivinhem quem é que estava: nada mais, nada menos que a Brigite Bardot, aquela que é símbolo sexual e que tem uma folhinha, em que ela aparece totalmente nua lá na oficina mecânica onde eu vou começar a trabalhar. Quando o nome de Brigite Bardot foi pronunciado, todos os amigos soltaram, em uníssono, um oh de admiração que ecoou por todo o bairro, assustando toda a vizinhança.

“Mas, esperem, isso não foi nada”, contou Sych Shey Men. “Aí, eu fui tirar ela para dançar. Dança daqui, aperta de lá, a gente acabou dormindo junto no apartamento dela”.

Quando a patota escutou esse desfecho, fez-se aquele silêncio, característico de, quando se ouve uma mentira maior que a de pescador, quem se envergonha são as pessoas que a escutaram e não quem a contou. Depois, foi uma gargalhada geral que também ecoou pelo bairro, assustando, mais uma vez, toda a vizinhança. A gozação realmente foi geral e até teve um que disse: “Vai contar essa lá no Brasil”, país onde, coincidentemente, a turma costuma, diante de uma mentira escabrosa, dizer: Vai contar essa lá na China. Mas, isso, também, já é outra história...

MORAL: Existem certos fatos que, mesmo que sejam verdadeiros, não adianta contar, pois ninguém acredita.

Juca

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