quinta-feira, 27 de maio de 2010

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De ditados juquianos).

A matemática,
Desenvolve
O raciocínio;
A prática,
Desenvolve
O tirocínio.
(E a globalização
Desenvolve
O morticínio...)

Constatação II

E como dizia aquela mãe extremosa, se referindo ao seu filhinho do coração de 35 anos que vivia dando golpes na praça: “Ele é um pobre de um incompreendido”.

Constatação III (Passível de mal entendido).

Ela colocou os ovos dele na geladeira.

Constatação IV

Sem dúvida, era um mau genro. Quando a sogra entrou numa escola de pára-quedismo, se pôs a distribuir, a torto e a direito, sementes e mudas de roseiras, abacaxi e daquele gênero de cacto bem espinhento...

Constatação V (De um interlocutor chato).

A conversa
Converge,
Tergiversa,
Submerge...

Constatação VI

Rico aborda educadamente; pobre, baixa intempestivamente.

Constatação VII

Não se deve confundir despontar com desapontar, até porque, ao despontar a sogra no portão da sua casa você não deixa de se desapontar.

Constatação VIII

Não se deve confundir preterido com preferido, muito embora, às vezes, o preferido é preterido como naquela história, que vocês tão bem conhecem – embora, ainda, não tenha passado na televisão –, do filho pródigo que volta à casa paterna e o pai manda servi-lo do bom e do melhor, coisa que para o preferido nunca havia sido feito.

Constatação IX

Rico negaceia; pobre, tira o corpo fora.

Constatação X

Impretérito perfeito não tem nada a ver com pretérito imperfeito, até porque impréterito não existe.

Constatação XI

Quebrou a munheca*.
Quando, pelos amigos largado,
Em casa entrou,
Todo cambaleante, torto,
Menos vivo que morto,
Que meleca !
De susto, quase expirou:
A mulher, no começo tão amada,
Tinha se mandado.
Não mais agüentou
O que se tornou
Uma empreitada...
Coitada!
Coitado!
*Quebrar a munheca = Embriagar-se.

Constatação XII

Pobre vende a alma; rico, faz concessões.

Constatação XIII

O rei estava nu. Claro, ele estava se preparando para entrar no banho.

Constatação XIV

Deu na mídia: “A Confederação Nacional da Indústria – CNI, em documento entregue aos presidenciáveis, citou que o país pode ter renda per capita de ricos até 2040”. Vai-se a esperança deste assim chamado escriba de fazer parte dos ricos, tendo em vista a sua – minha – provecta idade. E já que falamos sobre o assunto, a CNI nada falou quanto à distribuição de renda que em nosso país sempre foi a pior do mundo.

Constatação XV (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor que baixem as ações na Bolsa de Valores do que a tua frágil libido. No entanto, dependendo do número de ações que você tenha, baixando estas, o fato poderá ocasionar a baixa daquelas...

Constatação XVI

Do meu Amigo o psicanalista Davy Bogomoletz: “Minha aplicação da Lei de Newton ao problema econômico: O dinheiro atrai o dinheiro na razão direta das quantias e na razão inversa do quadrado da necessidade!”

Constatação XVII
O técnico da Argentina Maradona fez a seguinte afirmação: 'Se a Argentina ganhar a Copa do Mundo, eu fico nu no Obelisco em Buenos Aires'. Data vênia, como diriam os nossos juristas e provavelmente os juristas dos nossos hermanos, mas Rumorejando acha que tal visão viria a empanar a alegria dos argentinos e, principalmente, das argentinas. Pra quem não se interessa por futebol, somente pela referida soturna visão...

DÚVIDAS CRUCIAIS.

Dúvida I

E quem diria que a palavra fomentar, que quer dizer “promover o desenvolvimento, o progresso de”, também quer dizer “lixar-se; danar-se” ? (Houaiss)

Dúvida II

Foi o cético que passou a não acreditar até nas suas próprias palavras ?

Dúvida III (Via pseudo-haicai).

No bate, rebate
Até o gandula
Entrou no embate ?

Dúvida IV

Intercâmbio é quando os gaúchos trocam de time, passando do Grêmio para o Internacional ?

Dúvida V (Via pseudo-haicai).

Só naquele instante,
O ancião achou viagra
Interessante ?

Dúvida VI

Fugiram da casamata,
Do xilindró,
Usando só
Um abridor de lata ?

Dúvida VII

A expressão “cunhada” foi cunhada pela sua cunhada ou pela cunhada da sua cunhada ?

Dúvida VIII

Será que sem embreagem
E com o freio de mão puxado
Aumenta o teor de frenagem
Do perdulário
Das finanças, o secretário
Do seu estado ?

Dúvida IX

O prezado leitor está em dúvida em quem votar ou em quem não votar nestas próximas eleições?

Dúvida X

E o prezado leitor também está apavorado com a seleção do Dunga?

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO MILLÔR).

Numa província chinesa, daquelas que muitos chamariam “bem no interiorzão”, vivia uma população pacata e ordeira como corresponde a quem vive nesses lugares. Trabalhavam a terra para de ela tirar o seu sustento, que no Ocidente se chama de cultura de subsistência, naturalmente estando expostos às condições climáticas para obter uma melhor ou pior safra, já que irrigação que é bom, nem pensar. Evidentemente havia também artesãos, pequenos comerciantes, um ou outro profissional liberal, mas efetivamente, a maioria se ocupava da terra.
O fim de semana, limitado apenas ao Domingo, era dedicado ao futebol, esporte que estava começando a se tornar muito popular, a exemplo de tantos outros países, principalmente do Ocidente. À medida que o esporte se difundia no país, também na província ganhava, cada vez mais, status. A evolução foi tamanha que se formou o time do lugar que disputava partidas amistosas com as províncias vizinhas, quando então se verificava que não eram tão amistosas assim, já que, muitas vezes, acabava em pancadaria, com envolvimento de jogadores, torcedores e outros “ores”, como, vejam só, quem diria, doutores. Sem deixar, é claro, de sobrar para o juiz, como é muito comum nesses casos suceder também no Ocidente. Mas, tudo isso, já é outra história.
A coisa começou a se tornar tão apaixonante, como soe acontecer com este esporte, que resolveram importar um técnico para treinar a equipe, procurando trazer de um país, chamado Brasil, que ficava do outro lado do mundo e que era considerado pela sua própria população, como “o melhor do mundo”, muito embora não tivesse sido campeão numa certa copa, perdendo de goleada de um país que, até então, sempre havia se destacado pelos seus vinhos e queijos e que tinha a fama de viver para comer ao invés de comer para viver, conforme, quem possui o dom da observação, depara algo similar em todo o reino animal. Bem, naturalmente, tudo isso de “gourmet” ou “gourmant”, não deve ser confundido, pois se trata de outra história que, pelo menos por ora, não vem absolutamente ao caso.
Mas, voltemos ao assunto, procurando se dispersar o menos possível: O primeiro técnico cogitado, que ao longo de toda sua carreira havia se mostrado supersticioso, invocando sempre o número 13, foi descartado pelo fato de haverem chegado a conclusão de que, se mandinga desse resultado, os campeonatos lá no Brasil terminariam com todos os times juntos em primeiro lugar. Ou em último, dependendo da pessoa, que estivesse analisando a colocação dos times, fosse otimista ou pessimista; o segundo técnico lembrado, também foi descartado por haver feito referência ao seu próprio bumbum, alegando ser feio e, com isso, não se propondo a posar nu para revistas especializadas. Julgaram que era uma espécie de marketing ao revés, pois achavam que o retro estava, ao não enaltecer essa sua parte pudenda, exatamente querendo chamar atenção sobre ela, o que não lhes parecia muito ético.
No fim, acabaram optando pela prata da casa, escolhendo o melhor jogador do time para ser o técnico. Aí, como não poderia deixar de ser, verificou-se a famosa Lei de Peter que diz que todo sujeito ascende numa escala hierárquica até atingir o seu nível de incompetência.
De cara, Rah Teh Ven, esse era o seu nome, começou a sugerir que o time jogasse sem se prender a esquemas rígidos. Até aqui, tudo bem. O time, assim, perdia e ganhava ou ganhava e perdia, dependendo se seja otimista ou pessimista. Mais tarde, Rah Teh Ven começou a fazer experiências, baseado em fórmulas de retrancas, copiadas de alguns técnicos brasileiros, que segundo os entendidos, são os mais entendidos no intrincado assunto: volantes atrasados, volantes adiantados, meio de campo com quatro apoiadores, três, sem nenhum, zagueiros líberos, zagueiros híbridos, zagueiros promovidos a beques, beques promovidos a zagueiros, uma barafunda total. O time, como diriam os entendidos, não os acima mencionados, mas os comentaristas esportivos, que parecem, por seus comentários, ser mais entendidos do que os outros entendidos, os técnicos, nunca mais fez as pazes com a vitória. Era derrota em cima de derrota. Rah Teh Ven, de ídolo como jogador, teve, como técnico, até de se mudar para outra província. Lá, constitui família e aos filhos proibiu, patriarcalmente, que se falasse em futebol para todo o sempre. O que, é claro, provocou muitos ressentimentos na família. O que, convenhamos, comumente acontece na maioria delas. Principalmente quando o assunto é herança. Mas, isso, já vem a se constituir numa outra história.

MORAL: Não se mexe em time que está ganhando e perdendo.


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