sexta-feira, 2 de julho de 2010

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Disse a mulher: “Caiu a temperatura”.
Disse o marido sem tirar os olhos da televisão, assistindo a seleção de Dunga, ansioso e com a esperança que saísse um mero golzinho ou, pelo menos uma jogada de ataque: “E ela se machucou?”

Constatação II

E já que falamos no assunto, comunico a quem possa interessar que eu estou pronto para ser o titular da seleção em qualquer uma das posições que me for solicitado a jogar. Tenho humildemente comunicado!

Constatação III

Genuflexo.
Assim,
O vivente orava
E murmurava
Coisas sem nexo
Enquanto pensava,
Meditava
Num erótico amplexo
Enfim...
Em sexo.

Constatação IV

Na época do “milagre econômico”, o Brasil teve altas taxas de crescimento. Na década de 80, o Brasil cresceu como rabo de cavalo. Em face da estagnação da economia, à semelhança de 80, a década de 90 também foi considerada “perdida”. Em duas décadas o governo sempre apresentou os índices de crescimento levando em conta o período do “milagre” para melhorar os índices. O início da década de 2000 não foi lá suas coisas. Por ora, talvez, não seja necessário repetir tais esquemas. Mas, com toda a certeza, aguardem a repetição de algo similar para as futuras eleições.

Constatação IV

A incúria
Dos governantes
Resulta
Em crise espúria,
Não por instantes.
A “multa”,
Que pagamos caro,
Provoca lamúria.
Além,
Também,
De injúria,
É claro...

Constatação V

Em época de crise, o povo se volta para o lado místico, para o lado religioso. E é claro que não faltam os que transformam a religião em atividade mercantil, pois a religião passa a ser o “ramo” que passa a faturar bem. E, nesse caso, também, viva “nóis” os incautos...
Constatação VI (Via pseudo-haicai).
Alegria
Contida
Dá azia.

Constatação VII

Não se deve confundir azougue com açougue, muito embora tenha muito açougue que vende gato por lebre e, isso, em certos países, ao invés de ser reprimido, é considerado ser bom comerciante, saber ganhar dinheiro, ser um azougue, enfim.

Constatação VIII

Rico tem enurese (incontinência de urina); pobre, se “xixiseia” todo.

Constatação IX

Não se deve confundir super marcado com supermercado, muito embora com a ameaça da temida inflação já existe supermercado que está, descaradamente, apresentando preço super marcado. Dúvida crucial: Alguém aí tinha alguma dúvida ?

Constatação X

De todos os presidentes da república que nós tivemos nos últimos 30 anos, o menos insincero foi o general Figueiredo. Respondendo a uma pergunta sobre o que faria se ganhasse o salário mínimo, disse “que se suicidaria”. Foi uma maneira de reconhecer que o salário mínimo era muito pouco. No entanto, à semelhança de todos os demais, inclusive o atual presidente, nada fez para efetivamente melhorar o dito cujo.

Constatação XI

E já que falamos no assunto, segundo o IBGE – Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população idosa brasileira está entre uma das maiores do mundo, com 13,5 milhões de habitantes com 60 anos ou mais. A maioria dos que já estão aposentados ganham 1 (um) salário mínimo. Não adianta vir com o argumento de percentual, pois este sobre um salário de um desembargador, deputado, senador etc. não apresenta o mesmo efeito sobre o salário mínimo. Adivinhem quanto que ganha quem decide quanto deve ser o salário mínimo em nosso país. Comentários no blog. Desculpem, já ia esquecendo: “viva “nóis”.

Constatação XII (De diálogos esclarecedores).

-“A que horas então a gente se encontra ?”
-“Depois das nove e meia”.
-“Como depois das nove e meia. Quatro da tarde também é depois das nove e meia. Eu preciso saber com certeza, pois tenho uma série de compromissos”.
-“Eu não posso dar certeza. Vejam, as nove abre o supermercado. Aí, eu tenho que levar a minha mulher. Eu sei quanto que ela costuma gastar que, diga-se de passagem, é muito, mas muito mais do que ela deveria. Mas eu não sei quanto tempo ela leva”.
-“Ah, bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer...”

Constatação XIII

Quando o obcecado descobriu que ginástica e sexo produzem endorfina e consequentemente bem-estar, comentou do alto do seu alto grau de conhecimento: “Para mim basta fazer apenas sexo porque eu não preciso fazer nenhuma ginástica e qualquer esforço para atingir tais objetivos e desideratos colimados.

Constatação XIV

Os prezados leitores também são de opinião que a derrota do Brasil para a Holanda – que deixou a gente com gosto de chá de corrimão de repartição pública na boca e com o coração opresso – não era nada mais ou nada menos do que Crônica de uma Desclassificação Anunciada? Comentários no blog. Obrigado.


FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO MILLÔR).

Numa província chinesa, que não tem nada a ver com outras províncias já citadas neste blog, vivia uma família, cujo patriarca se chamava – e ainda se chama, porque, felizmente, estão todos gozando a mais perfeita saúde – Jah Lhe Ven. Sua mulher, Suh Rah Leh e um casal de filhos: Rah Teh Ven e Shy Mah Leh.
Jah Lhe Ven, pessoa muito econômica, conseguiu, com muito esforço, poupando tostão por tostão, digo yuan por yuan, construir a sua casinha, também humilde, onde vivia toda a família. Ele, trabalhando a terra, plantando arroz que é, para eles, como o bife com batata frita para os franceses ou a polenta para os italianos de certa região da Itália, feijão com arroz num país chamado Brasil e assim por diante; ela, cuidando dos afazeres domésticos e ajudando o marido nas horas que, no Ocidente, chamam de folga; os filhos, estudando e também ajudando os pais, com planos de cursar uma faculdade, igualzinho a classe média dos países do Ocidente. E assim iam levando...
A colheita era toda entregue na cooperativa estatal já que, até então, na China o sistema econômico vigente era centralizado não só dos meios de produção, como também dos demais, onde se inclui o planejamento familiar, uma vez que na China, com mais de 1,3 bilhões de habitantes, o governo quer que os casais só tenham um filho... Mas isso, já é outra história.
Aí, iniciou-se a abertura econômica no país, tão preconizada pelos “imperialistas americanos” e, nos dias de hoje, após o começo de tudo com a queda do Muro de Berlim e da dissolução do império russo, pelos “revisionistas soviéticos”, conforme a rádio estatal da China nunca cansou de apregoar. É aquela velha história de que temos de acompanhar a evolução dos tempos mesmo que se crie, com isso, desemprego cujo número percentual num país chamado Brasil é de 5% do total mundial. Até se tem a impressão de que os governantes daquele longínquo país da América do Sul raciocinam assim: “Quem tem emprego, tem; quem não tem, não tem e tá acabado. Quem manda não se virar. Afinal, nós não temos feito a nossa parte, quer dizer, nós estamos fazendo a nossa parte”. Mas, tudo isso, também já é outra história. É problema lá dos brasileiros.
Bem, a verdade que com a tal da abertura econômica, a família progrediu. Com o dinheiro arrecadado foi possível aumentar a casa. Em seguida, o espaço da criação de porcos e galinhas foi aumentado, visto que uma empresa da cidade pagava melhor que a cooperativa estatal, concorrendo com a dita cuja, o que fez Já Lhe Ven começar a simpatizar com o sistema novo da livre concorrência que ele sempre havia, por influência dos discursos governamentais, condenado. Inclusive havia, na época do “mea culpa”, deixado de falar com um vizinho, quando este confessou seus erros do seu passado. Mas tudo isso é outra história que, nesse instante, não vem absolutamente ao caso.
Terminado os investimentos na melhoria da produção e de um relativo bem-estar, a família começou a pensar na melhoria do consumo. E claro, a famigerada televisão entrou na pauta que partiu, perdão leitores, quero dizer, na pauta das prioridades.
No começo, era uma festa só. Todos, à noite, sentavam ao redor para assistir os programas da Televisão Central da China. Mais tarde, os pais se deram conta que as crianças estavam relaxando os estudos. A novela, importada do Brasil, mostrava hábitos até então desconhecidos pela família. Começaram as discussões sobre as preferências dos programas, canais, etc. Embora o assunto fosse resolvido na base patriarcal – que queria assistir a Copa do Mundo – e, na China, inconcebível que fosse diferente, instalou-se, na família, o emburramento, que consiste na pessoa, que tem os seus interesses contrariados, ficar emburrada, principalmente na mãe e no casal de filhos que brigavam entre si, quando o chefe da família não estava presente.. “Quem emburra tem dois trabalhos”, dizia, não burramente, mas, ao contrário, sabiamente o pai. “O de emburrar e o de desemburrar”. E essa pérola do Ocidente foi incorporada ao vocabulário chinês, juntamente com outras, também copiadas do Ocidente. Mas isso tudo de pérolas e outros ditos menos valiosos já vêm a ser uma nova história que nada tem a ver com essa que acaba de ser relatada. A verdade que as desavenças, até hoje, não estão superadas. E tudo leva a crer que, se não comprarem mais televisão ou televisões, dificilmente serão.
MORAL: Em casa que sobra pão/ quando se tem uma, ou até mais de uma televisão/todos gritam e ninguém tem razão.

www.rimasprimas.com.br
E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

6 comentários:

Marina da Silva disse...

Olá Juca,
Este comentário é para o Rumorejando anterior, que achei super legal, tanto que o meu artigo desta semana foi inspirado por você: "O ponto...G. Já lhe disse que suas "constatações" e "dúvidas cruciais" me inspiram e me põe a rumorejar ( em Minas dizemos matutar) o viver? Parabéns e olha, quando leio Mário Quintana penso em vc! Abraço. Marina

Juca disse...

Obrigado Marina. Eu também te leio. Assim, estamos elas por elas.

Marina da Silva disse...

Ora Juca, claro que não são "elas por elas"(he, he, he) seus poemas, suas rimas me fazem rir (rir não é o melhor remédio?) e duvido que alguém ria com meus textos!kkkk

Juca disse...

Marina, por favor me mande o teu endereço, pelo meu e-mail, que eu gostaria de te ofertar meu livro Rimas Primas & Outras Constatações que eu lancei em 2004.

Juca disse...

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