quinta-feira, 8 de julho de 2010

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Não se deve confundir de coração com decoração, muito embora existam muitos profissionais que executam a segunda com arte e com empenho, enfim com características da primeira.

Constatação II (De conversa entre comadres).

“A bandida
Andou
Envolvida
Com o bandido
Do meu marido
E se evaporou,
Se eclipsou”.

Constatação III (De afirmações repetitivas).

“Eu respeito muito seu ponto de vista. Mas, o meu ponto de vista é que o senhor tem a dita cuja curta e a língua comprida”.

Constatação IV

Não se deve confundir chã com chão, até porque, além de a primeira ser uma palavra feminina e a segunda masculina, estar com os pés no chão, não andar no mundo da lua é algo tão óbvio que até se torna uma coisa chã.

Constatação V

Não se deve confundir instilar com instigar até porque se você instilar alguns milhões, ou mesmo milhares de gotas de álcool na tua “caveira” ou de alguém, você poderá instigar que a dita cuja saia, só de saia, cometendo asneira por aí.

Constatação VI (De diálogos passíveis de dúbia interpretação e, portanto, passível de mal entendido).

-“Comadre, não se trata de querer falar mal dela, mas ela é do tipo que se tivesse oportunidade ela não hesitaria, não teria o menor escrúpulo em roubar o teu marido”.
-“Mas, comadre, você a mal conhece. Alguém te falou dela para você fazer esse tipo de afirmação ?”
-“É verdade, comadre. Eu a mal conheço. Porém conheço a humanidade e tiro as conclusões por mim mesmo”...

Constatação VII

Tremula
A bandeira
Que o presidente,
Civicamente,
Hasteou.
Pura firula!
De alguma maneira,
Algum vivente,
Descaradamente,
Ele enganou.

Constatação VIII

Finalmente,
A secretaria
Acedeu
Ao seu
Insistente
Convite
Para irem jantar.
Sem palpite,
Ela pediu champanhe
Com caviar,
Logo falando:
“Me acompanhe”.
Ele agradeceu,
Pensando:
“Que perdulária!”
E a menina,
Já mastigando:
“Mas, que sovina!”
E o garçom
Com voz sibilina:
“Está bom ?
Que tal
Um vinho francês,
De 1973,
Pra acompanhar
O prato principal ?”
E ele amuado,
Concordando
Pediu só um pastel
Novamente pensando:
“Que mundo cruel
E
Que...
(Censurado)”.

Constatação IX

Chama-se preconceito quando um casal, que você conhece de longa data, se separa e você incontinente pensa: “O que será que ele(a) fez para ela(e) ?”

Constatação X

A investigação
Anatamo-patológica
Das verrugas
Que, com anestesia local,
Me tiraram
No hospital
Felizmente,
Conforme analisaram
Não deram
Nem em mim,
Nem em alguém
A mínima preocupação.
A constatação,
Diligentemente,
Também,
Me pareceu lógica:
“Idade das rugas,
Velhice, enfim...”

Constatação XI

Disse a adolescente pra sua amiga: “Eu não sei por que aquele cara me olha torto se eu nunca falei mal dele. Agora, a bem da verdade, que não dá pra falar bem dele, isso lá não dá...”

Constatação XII

E como dizia aquele gigolô: “Hoje em dia, as pessoas não trabalham mais com dedicação e profissionalismo”.

Constatação XIII

Tá certo que o menor precisava de uma lei que o protegesse, conforme a Constituição, promulgada em 1988, o fez. Agora, que o maior também precisa ficar protegido dos assaltos, roubos, crimes, etc. que muitos menores, impunemente, vêm cometendo, alguém aí tem alguma dúvida, crucial ou não ?

Constatação XIV

Fez uma serenata
Para a amada
No frio,
No sereno,
Sentindo até calafrio.
Ela, com o rosto sereno,
Atirou-lhe na lata:
“Você não tá com nada,
Seu biruta,
Seu boçal,
Seu pé frio,
Seu azia em copo de sal
De fruta
Eno”.

Constatação XV (De formas de diálogos).

Entre ricos:
-“Comeu tudo o que você tinha direito ?”
-“Bem mais o que o meu médico de regime me recomendou”.
Entre não ricos:
-“Comeu tudo o que você tinha direito ?”
-“Direito ? O que quer dizer direito ?”

Constatação XVI (De diálogos esclarecedores e meio repetitivos).

-“Este macarrão tá cru”.
-“Tá cru coisa nenhuma. Você não entende nada de cozinha. Ele tá “al dente”.
-“Então tá ‘al dente’ demais, pois eu quase quebrei meu dente”.

Constatação XVII (E também conselho útil).

Não se deve confundir atende com entende, até porque quem não te atende, quando você está no estrangeiro, é porque, por não falar o teu idioma, não te entende. Portanto, gente boa, vamos tratar de aprender a falar muitos idiomas, principalmente aqueles que a globalização nos tá impondo. De nada!

Constatação XVIII

A religião, como muitos apregoavam, não é mais o ópio do povo. É o povo, aquele que solta desmesuradamente seus sofridos caramingüados, que é o ópio de algumas religiões...

Constatação XIX (Ah, esse nosso vernáculo).

Eu fico em depressão de ver tanta depressão no asfalto das ruas.

Constatação XX

Rico tem direitos e haveres;
Pobre, obrigações e deveres.

Constatação XXI

-“Vocês duas são farinha do mesmo saco”.
-“Não somos, não. É que ela está sempre me imitando”.

Constatação XXII

Os remédios já subiram e nunca deixaram de subir, mesmo nesta época do real. E, como sempre, sobem antes de todos. E, mais uma vez, viva “nóis”.

Constatação XXIII

Não é somente Rumorejando que tem dúvidas cruciais. Vejam a carta que o Sr. Valmir Marques da Silva de Belo Horizonte escreveu para a Folha de São Paulo, publicada no dia 21 de março de 1999: “Pode-se acusar o governo de tudo, menos de incoerência.
Para que Justiça de Trabalho se não vai haver mais trabalho ou emprego ?”

Constatação XXIV

Tinha um bigode tão fininho, tão fininho, mas tão fininho que todo mundo achava ele com cara de século passado.

Constatação XXV

Andava tão azarado, tão azarado, mas tão azarado que achava que seu anjo da guarda, além de assexuado como todo anjo que se preze, era também apócrifo* e apombocado**
*Apócrifo = “Diz-se da obra ou fato sem autenticidade, ou cuja autenticidade não se provou”.
**Apombocado = “Tolo”.

Constatação XXVI

O camarada num domingo vinha saindo da loja de pneus cheio dos ditos, pendurados no pescoço e nos braços. Bem naquela hora passou um carro da “justa” e o guarda perguntou o que significava tudo aquilo. –“É a minha fantasia pro próximo carnaval”...

Constatação XXVII

Não sei porque, mas, todo o dia entopem a minha caixa do correio com propaganda de desentupidora de esgotos, ralos, tanques, pias, águas pluviais e outros mais e também de limpa fossa de maneira tal que eu até já estou ficando na fossa.

Constatação XXVIII

O coração da pobre Maria, em andrajos,
Se dividia entre o Manoel e o Joaquim,
Logo com aqueles mal-encarados gajos
Que a repudiavam e achavam ela o fim.

Constatação XXIX

Não se pode confundir PMD – psicótico maníaco-depressivo com PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro, muito embora, alguns adversários políticos do segundo, acusem – maldosamente ou não – a existência, em seus numerosos quadros, do primeiro.

Constatação XXX

Trilou
O apito
O juiz.
A porfia
Terminou
Em conflito
E ele entrou
Numa fria,
Como nunca quis.

Constatação XXXI

Rico, tudo pode; pobre, tudo quer.

Constatação XXXII (De conselhos úteis).

Não confie, prezado leitor, em esquemas financeiros que estejam ligados a nomes dos detentores do Poder como Chico, Juca, Zé, Paco, Zefa, etc. Deve-se confiar em nomes mais pomposos. Já imaginaram se o ex-Ministro da Fazenda Delfin Neto, fosse conhecido por El Fin, por exemplo ? Com esse apelido, duvido que algum FMI da vida nos tivesse concedido, na época, quaisquer empréstimos de socorro.

Constatação XXXIII (Meio surrealista).

Encasqueta
A vovó
Pra andar de bicicleta
De uma roda só.

Constatação XXXIV (Também meio surrealista).

Ela
Matraqueia
O bel-canto,
Com espalhafato,
Enquanto
Alguém
Tenta sacar
A meia
Dela.
Sem
Tirar
O seu sapato.
(Que barato!).

Constatação XXXV (De diálogos esclarecedores).

-“Pra mim, aquele cara é um piromaníaco”.
-“Como assim ? Ele já incendiou alguma coisa ?”
-“Não. Não é nada disso. O que eu quero dizer é que ele vive de fogo, bebe inveteradamente, vive no porre”.
-“Ah bom, quero dizer, ah ruim”.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Nem precisa muita artimanha
Para, em certos países,
Aparecer alguma patranha ?

Dúvida II

A estatueta
Parecia
Que lhe fazia
Uma careta ?

Dúvida III

Se a lua tivesse uma luazinha girando ao redor dela, para quem será que um casal de namorados, se estivessem na lua, olharia: para a luazinha ou para nós cá da terra ?

Dúvida IV (Via pseudo-haicai).

O inescrupuloso
De tanto aprontar
Ainda ficou famoso,
E por onde passava,
Por todo lugar,
Já encontrava
Convite para jantar ?

Dúvida V (Do século passado e/ou do começo deste).

Foi aquele pai que era uma fera que disse pseudo-haicamente para o namorado da filha, da donzela, quando os dois estavam no sofá da sala de visitas:
“Ela é espaldar
Para você nela
Assim se encostar ?”.

MAIS COISAS QUE PRECISAM SER INVENTADAS

-Garçom que não limpe a nossa mesa do bar com aquele pano cheirando a coisas medievais e/ou da era mesozóica.
-Sismógrafo para detectar torcida que foi a campo para fazer baderna.
-Transformador para transformar as ogivas nucleares que existem por esse mundo afora em comida, já que há muitos que estão morrendo de fome.
-Silenciador automático para calar quem fica conversando nos espetáculos públicos, pratica adquirida de quem está diante da sua novela, refestelado em sua poltrona predileta e costuma comentar “porque o Joãozinho não casa com a Mariazinha ao invés de querer casar com a Laurinha” e coisas assim. Aliás, porque não e tá acabado. Imaginem se o autor fosse perguntar a opinião de cada telespectador com quem Fulano ou Beltrana deveriam casar...
-Desmisturador automático para por ordem nas idéias de quem costuma mesclar, tergiversar, bla-bla-blar os assuntos quando narra um fato.
-Anti suspirador para evitar que você, indiscretamente, dê um suspiro de impaciência quando teu chefe, patrão, senhorio, sogra, etc. está te enchendo a paciência.
-Piscina térmica que regule automaticamente a temperatura sem gasto de energia.
-Pessoa loquaz que só diga coisas agradáveis e interessantes.
-Conta corrente que nunca fique negativa.
-Entrevistador que deixe o entrevistado se expressar.
-Sogra híbrida.
-Jogador de truco que me faça frente. (Desculpem a insistente imodéstia, mas não dá para, eternamente, escamotear a realidade).
-Tráfego que flua livremente, quando estivermos no meio dele.
-Produto industrializado que te “fale”, “toque”, enfim te sensibilize tanto quanto os produtos de artesanato.
-Paz no mundo.
-Cinto de castidade sem tetrachave.
-Motoserra que serre somente a “poupança” do seu proprietário.
-Carpê a prova de ácaro e que teu cachorro, em nenhuma hipótese, faça xixi nele (Perdão, leitores).
-Pílula para não dormir em conferência, aula, palestra, curso, etc.
-Telefone público que não desperdice o cartão eletrônico pra que não deixe o usuário pê da vida.
-Comutadores de luz que só admitam uma única posição, para acender e/ou apagar a luz, quando da sua instalação, pois, se houver um corte de luz – como está se tornando muito freqüente – o cidadão, com o auxilio de uma lanterna, saberá como deixar todas as luzes na posição de apagadas e ir dormir ou ir fazer o que melhor lhe aprouver.

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E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br




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