quinta-feira, 9 de setembro de 2010

RUMOREJANDO


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Algumas medidas, absolutamente não recomendáveis por esta coluna, para quem gosta de emoções fortes, adrenalina total, está chateado da vida, tem espírito para enfrentar aventuras perigosas, etc.:
-paquerar mulher dos outros, principalmente de pistoleiro;
-ficar no epicentro de um terremoto;
-tentar entrar em país do assim chamado Primeiro Mundo com 10 televisores de 29 polegadas e não fazer declaração de bagagem. E mais, passar, ou melhor, tentar passar, assobiando, pela aduana pelo portão “nada a declarar”.
-comer pastel no bar da esquina;
-aprender a remar bem ali à montante das Cataratas do Rio Iguaçu;
-abrir o pára-quedas a 100 metros do solo;
-pregar a revolução na América Latina;
-comer melancia com vinho;
-galgar o Everest sem nunca ter trepado numa escada;
-ser autodidata para aprender a domar leão, tigre, urso, etc.
-concorrer com as multinacionais;
-visitar o interior de vulcão não totalmente extinto;
-andar só de tanga no Polo Norte;
-freqüentar as bocas e tirar a gatona do bamba para dançar;
-aprender a nadar em mar alto e em local infestado de tubarões;
-torcer para o Corinthians no meio da torcida do Palmeiras ou vice versa num clássico entre as duas equipes. Igualmente, no caso de Flamengo e Vasco, Internacional e Grêmio, Atlético Mineiro e Cruzeiro, Bahia e Vitória e assim por diante. Nota: Não mencionamos Coritiba e Atlético por serem torcidas muito tolerantes.
-espionar, simultaneamente, para a guerrilha de um país – tipo republiqueta de bananas – e para as forças militares e/ou paramilitares desse mesmo país;
-ficar na barreira quando o jogador Branco – aquele que em 1994, na Copa do Mundo salvou a Pátria com aquele gol contra a Holanda, quando estava 2 a 2, depois de estar dois a zero para o Brasil – for bater uma falta;
-serrar o galho de uma árvore junto ao tronco, sentado na parte em balanço;
-pretender sustentar uma família com o salário mínimo de R$510,00 por mês.
-visitar países bem na época quando ocorrem ciclones, furacões e tornados;
-apregoar, com provas ou não, que a CIA está derrubando governos democraticamente eleitos como, por exemplo, ocorreu na Guatemala com Jacobo Arbenz e no Chile com Salvador Allende;
-inventar um substitutivo barato para o petróleo;
-abrir um ponto do jogo de bicho onde já existe outro instalado;
-costurar no tráfego;
-andar de moto;
-apitar um penalti inexistente;
-treinar saltos mortais no trapézio, sem a rede;
-chamar o leão-de-chácara de bicha;
-atravessar a preferencial de olhos fechados.
-parar no semáforo vermelho após às 11 da noite;
-parar no semáforo vermelho antes das 11 da noite.

Constatação II (De Curitiba nostálgica de antigamente).

Há aproximadamente quarenta e cinco anos atrás, na Rua Ébano Pereira, mais ou menos entre a Rua Cândido Lopes e Av. João Pessoa, hoje Luís Xavier, havia o bar do Seu Moraes, avô da professora Simone Moraes Stange, onde havia uma placa bem visível na porta, num quadro de vidro, com os dizeres “Aqui não se vende Coca Cola”. Um dia, perguntei para o Seu Moraes qual era a razão para não vender a “acqua nera del imperialismo ianque” e ele: “Porque eu ainda sou brasileiro, meu filho”. Se o Seu Moraes ressuscitasse e visse o que a tal da globalização já fez com mais de 50% da economia brasileira, não tenho alguma dúvida que ele morreria novamente. De desgosto...

Constatação III

Não se pode confundir escambar, que quer dizer trocar permutar, com descambar, que quer dizer cair, desabar, tombar, muito embora, de acordo com o escritor uruguaio Eduardo Galeano, em seu livro As veias abertas da América Latina, quanto mais os países subdesenvolvidos exportavam bens primários, ou seja, matéria prima tipo soja, café, milho, etc., num esquema de escambar e em contrapartida, importando produtos acabados, tanto mais os preços dos produtos agrícolas tinham tendência para descambar. Aliás, tinham e ainda têm.

Constatação IV (De diálogos pouco esclarecedores).

Disse o astrônomo: -“Aí, eu fiquei observando a linha dos apsides”.
-“Linha dos apsides ?”
-É. É aquela que liga o apoastro ao periastro”.
-“Ah, bom. Mas o que é que liga o que com o que, mesmo ?”

Constatação V

Rico equilibra o orçamento; pobre, se equilibra no arame.

Constatação VI

O linguarudo
É um cara, além de tudo,
Papudo.
Incrível. E com estudo.

Constatação VII (Via pseudo-haicai).

Levou um esculacho.
Esqueceu de fazer
O despacho*.
*Fica a critério do leitor o tipo de despacho.

Constatação VIII

E como preconizava o obcecado: “E não esqueçam, meus caros amigos e amigas, que sexo tem que ser espontâneo, tem que ser uma festa, uma alegria e não uma desagradável obrigação como a maioria das obrigações. Obrigado pela sua amável atenção”.

Constatação IX

Rico tem logorréia *; pobre, fala pelos cotovelos.
*Logorréia = Hábito de falar com excesso; verborragia.

Constatação X (Via pseudo-haicai).

O aposentado,
Desde suas raízes,
É um eterno fraudado
Em certos países.

Constatação XI

E como dizia o execrável corruptor: “Assim como não existe mulher virtuosa, existe mulher mal cantada – exceto a nossa mãe, é claro –, também não existe homem incorruptível. Existe homem mal negociado”...

Constatação XII (De conselhos úteis).

Se você tiver que bater numa casa em Portugal, chame: ó de casa! Se você perguntar “tem gente?” poderá haver uma confusão com tangente que, nos dois casos, foneticamente, os portugueses pronunciam praticamente da mesma maneira: “tain gente”. De nada!

Constatação XIII (Para minha filha Miriam que acabou se formando em Arquitetura pela PUC).

Não se trata de censura
É só para orientar.
Porventura
Esse rabisco
É arquitetura ?
Ou entrou um cisco
No seu globo ocular,
Ou te deu uma contratura,
Daquelas fortes, muscular.
É preciso ser caradura
Ou tomar muito pisco
Para apresentar
Esse risco
Que me fez gargalhar.
Um riso que perdura
Que até me faz chacoalhar.
De repetição, não seja um disco
Não faça mais algo similar.
E pare, de no lápis, a dar
Um ou outro mordisco
Como se fosse rapadura
E trate mais é de estudar.
E pare de me olhar
Como se eu fosse do fisco
Com essa comissura,
Com esse esgar.
E a televisão, com ou sem chuvisco,
Tá na hora de abandonar
Pois, a faculdade não pendura
A mensalidade que se tem que pagar.
E por não ser fechadura
A matrícula não se deve trancar.
Agora, vê se me jura
Que você vai mudar
E sem raspadura
Trate de passar.
E não correr o risco
De se estrepar.
Dessa maneira, a progenitura
Só terá com que se alegrar.

Constatação XIV

E como dizia o usuário antes da privatização das companhias de energia elétrica, comunicações e outras mais, consequentemente, antes dos apagões e outros ões: “Vejam. Antes, a gente era feliz e não sabia”.

Constatação XV

Não se deve confundir estreme, que quer dizer, sem mistura, puro, genuíno, com estrume, muito embora com os produtos químicos que estão pondo em todos os alimentos até o estrume deixou de ser estreme (Perdão, leitores).

Constatação XVI

Também não se deve confundir mercado fonográfico com mercado pornográfico, muito embora existam alguns CD’s concernidos no primeiro que, de tão ruins, poderiam ser considerados pertencentes ao segundo.

Constatação XVII

Rico pratica polo; pobre, pratica salvar a pele.

Constatação XVIII

“Deu tratos a bola o que fazer com a bola”.
“Quem ? O goleiro ?”
“Não. O corrupto”.
“Ah, bom, quer dizer, ah, ruim”.

Constatação XIX

Rico blefa no jogo de truco; pobre trapaceia.

Constatação XX

As eleições estão cada vez mais perto. A nossa esperança, cada vez mais longe.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

Foi o pirilampo que disse para a “pirilampa”: “Você me deixa todo aceso” ?

Dúvida II

Nesse stop and go, who is who ? *
Perdão leitores não estar usando o nosso maltratado e sofrido vernáculo. É que, com a globalização, é bom a gente ir treinando idiomas mais consentâneos com a inexorável realidade; enfim, mais globalizantes. Thank you, quero dizer, obrigado pela sua indispensável understanding, digo, compreensão.

Dúvida III (Via duplo pseudo-haicai).

É nas pulperias
Que se formam
As confrarias ?
Pois é um mistério.
Talvez
Num ministério ?

Dúvida IV

“A abelha não faz mal. Faz mel”. Quem bolou esse feliz slogan, dístico ou seja lá o que seja, nunca deve ter sido ferrado e se ferrado, pois não ?

Dúvida V

Até na proveta,
Bebeu pinga
Com a pipeta ?

Dúvida VI

A rosa dos ventos, ao invés dos pontos cardeais, estava cheia de espinhos ?

Dúvida VII

Será que existe alguma mulher que ao tentar – inutilmente, diga-se de passagem – desatarraxar uma porca ou apertar um parafuso deixe de suspirar, gemer ou se queixar ? Comentários. Obrigado.

Dúvida VIII

Quando uma pessoa se refere a outra pessoa, dizendo: “Ela não é muito afeita à higiene”, será que se trata de um eufemismo ?

Dúvida IX

Um cara contido
É quando ela
Arma uma procela
Pois só o quer
Se forem marido
E mulher ?

Dúvida X

Refutatório
É quando,
No consultório
Se contesta,
A multa,
Digo, o valor,
Nada brando,
Da consulta
Que com dor
Na testa
Nos deixou.
Morou ?

Dúvida XI

Ele ficou circunspeto
Quando lhe haviam falado:
“Nasceu seu centésimo neto”,
Pois já havia batizado
Seu ducentésimo bisneto
No ano retrasado ?

Dúvida XII

Próximo da sua rua
Também
Tem,
Como na minha,
Uma andorinha
Que sempre vai
Da terra à lua
E não cai ?

Dúvida XIII

Em alguns quantos,
Provoca, o respeito,
Certos espantos ?

Dúvida XIV

A paz é possível conquistá-la com esta Humanidade que está aí ? Comentários. Obrigado.


Dúvida XV

Dos políticos,
Um revertério
Nos procedimentos
Sintéticos e analíticos,
Seria um mistério
“Pros” nossos sentimentos ?
Nossos bons pensamentos ?

Dúvida XVI

Paranista,
O torcedor do Paraná,
É um hedonista ?

Dúvida XVII

Fazendo footing,
Com o geólogo,
O arqueólogo
Encontrou
O que sempre buscou:
Um kjökkenmödding* ?
* Kjökkenmödding = sambaqui, em dinamarquês. Quem duvidar, é só consultar o Aurelião. Está lá, com todos os kk e todas as tremas.

Dúvida XVIII

E já que falamos no assunto, o happening mostrou um filme com happy end ? (Perdão, leitores, mas temos que ir treinando idiomas mais globalizantes, que, aliás, as palavras empregadas também estão no Aurelião.

Dúvida XIX

Foi a zebra que disse: “Deu homem!” ?

Dúvida XX

Pintou um pedaço de esperança no pedaço ?

Dúvida XXI

Será que o governo não percebe que todo mundo percebe ?

Dúvida XXII

E já que falamos no assunto, os aumentos no salário mínimo são, foram ou serão algum dia perceptíveis ?

Dúvida XXIII

O soroptimista é um optimista que toma soro ?

Dúvida XXIV

Foi o Percy que na reunião disse: “Cada um de per si” ? (Perdão, leitores).

Dúvida XXV

Era um negro borrão
O leiaute
Que até dava a impressão
Dum blecaute ?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
www.rimasprimas.com.br

3 comentários:

Marina da Silva disse...

É isso mesmo Juca: no mundo globalizado gato que mia em uma só língua tá mais é ferrado! Adorei as "dúvidas". Gosto tanto que já lhe roubei ops, peguei emprestado para os textos meus! He, he, he.
Abraço. Marina

Samyjepp disse...

Oi , eu sou sua mais nova fã adorei seu livro , postei em meu blog um comentário sobre vc.
http://samyjepp.blogspot.com/

Foi muito bom conhecer ! abraço! Samy

Juca disse...

Obrigado, gente boa. [ ]'s Juca