quinta-feira, 14 de outubro de 2010

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Rico é um vitorioso pelejador; pobre, não ganha uma.

Constatação II

Não se deve confundir facção com facão, até porque já houve muita facção que, por ser contrária aos interesses vigentes, acabou entrando no facão.

Constatação III

Esta sugestão do candidato José Serra de aumentar o salário mínimo para R$ 600,00 faz lembrar o catarinense Manoel João da Silva que enviou ao presidente da república do Brasil, na época Fernando Henrique Cardoso, uma carta na qual juntou R$6,00, concernente ao aumento do salário mínimo e se queixando do tratamento que tem recebido da Previdência. “Veja bem, o senhor ganhou as eleições porque mandou uma carta para todos os aposentados garantindo o dinheiro de todos eles, todos eles foram na sua conversa.(...) Então, eu estou doando esses R$ 6 que Vossa Excelência me deu de aumento; para o senhor comprar remédio se por acaso o senhor ficar inválido", diz a carta. Data venia – como diriam nossos juristas –, mas acho que o Sr. Manoel, que tem 70 anos e já teve um derrame cerebral e um problema cardíaco, não entendeu nada. O salário mínimo tem que ser, como o próprio nome indica, mínimo, caso contrário como é que ficam os outros salários, como por exemplo dos deputados, senadores e outros tantos...

Constatação IV

-“O meu filho não logrou passar no vestibular”.
-“Que pena!”.
-“Pena, coisa nenhuma. Pelas horas despendidas nos estudos, se lograsse passar teria sido um logro mesmo”.

Constatação V (Ah, esse nosso vernáculo).

O cabeça de área do time que era cabeça da chave, perdeu a cabeça e, com muito “carinho”, deu um carrinho, uma chave de perna, numa violenta entrada na entrada da área. O volante caiu dentro da área. “A falta foi dentro da área”, sentenciou o juiz que estava longe da dita cuja área.

Constatação VI (Ah, esse nosso vernáculo).

Quando ela saiu da piscina deu para ver o seu corpinho enxuto.

Constatação VII

Rico é obeso; pobre, se não fosse pobre, seria gordo.

Constatação VIII

Se o preço da gasolina não parar de subir, serei obrigado a eliminar a palavra reabastecer do meu vocabulário.

Constatação IX

E como disse o condenado, quando lhe perguntaram qual era a sua última vontade: “Que o verdugo me lance um olhar sereno e me libere, pô”.

Constatação X

Não se pode confundir atentar com intentar, muito embora, em determinadas épocas, havia a nítida vontade de intentar para se atentar contra a vida de pessoas. Aliás, até hoje ainda existe. Sinal dos tempos, de maus tempos...

Constatação XI

A sabedoria da boa saúde é comer pouco. É comer com come...dimento (Perdão, leitores).

Constatação XII

Errar é humano; perdoar é divino. Desde que não seja as nossas custas.

Constatação XIII

Ó minha doce amante,
Depois de tanto te amar,
Sob aquele sol escaldante,
Eu fui logo me queimar
Naquela parte não pensante
E, agora, não consigo me sentar.

Constatação XIV (Ah, esse nosso vernáculo, associado a conselhos úteis).

Você não deve emprestar o que ainda te presta nem prestar assessoria a quem não presta. De nada!

Constatação XV (De diálogos esclarecedores).

-“Rifaram a gatona”.
-“E quem ganhou ?”
-“Não é nada disso. Não contrataram a coitada.
-“Ah, bom, quer dizer, ah, ruim”.

Constatação XVI (Teoria da relatividade para principiantes).

É muito melhor ser uma pessoa difícil do que ser uma pessoa impossível.

Constatação XVII

Quando o obcecado leu que um polígamo queniano morreu aos 94 anos e que havia tido mais de 100 mulheres e ainda que ele houvesse atribuído a sua longevidade à sua dieta, formada basicamente por vegetais, comidas tradicionais e leite fermentado, contestou incontinente: “Não é nada disso. Sem dúvida a razão primordial dessa longevidade é de conhecimento público que nem precisa ser explicitada”.

Constatação XVIII (A moda gauchesca).

Nesse momento
Preciso,
O coração
Da ingrata
Só contém:
Aversão
Pela data
Do nosso
Casamento,
Que chama
Aquele troço;
Além
De desdém
E riso
Na cama.
Mas que
Sina
Porcina,
Tchê !

Constatação XIX

Ela deu uma única entrada pra ele: mostrou onde ficava a saída.

Constatação XX (De uma dúvida crucial).

Mario Vargas Llosa ganhou o Prêmio Nobel de Literatura deste ano. Será que o Brasil vai ganhar algum dia um Nobel em quaisquer dos itens em que o prêmio é outorgado? Cartas ao blog. Obrigado.

COISAS QUE PRECISAM SER INVENTADAS.

-Couraça a prova de cara chato.
-Sismógrafo para medir o sismo de ciumentos com cisma.
-Pessoa quieta, cujo mutismo não seja o daquelas pessoas que são chatas justamente por não abrirem a boca.
-Viagra com efeito imediato, após a sua ingestão, já que o tempo, quando se tem pressa, demora para passar, conforme a teoria da relatividade nos ensina.
-Sirene silenciosa, mas que os demais carros captem para poder dar passagem.
-Torrente de paixão que substitua a torrente que provoca a pororoca, inundações e/ou outros estragos.
-Tabuada mental para poder fazer rapidamente os cálculos de cabeça, visando evitar que nos passem para trás.
-Castelos no ar que não se desmoronem.
-Truqueiro que me ganhe. (Perdão, novamente, a imodéstia, caros leitores).
-Jovem que tenha o saudável hábito da leitura.
-Televisor que só opere de madrugada, quando a maioria das pessoas já está dormindo.
-Dicionário, embutido no cérebro, para não ser necessário consultar o outro com tanta freqüência.
-“Desjojocador” para evitar constrangimentos ao pobre mortal quando lhe dá um ataque de jojoca – também conhecido por soluço – principalmente em lugares em que se impõe um respeitoso silêncio.
-Identificador automático das pessoas que te telefonam e se julgam com voz maviosa inconfundível, achando que, sem se identificar, você tem a obrigação de saber com quem está falando.
-“Acordador” de sono eterno.
-Banana, caqui, caju, etc. que não amarre e mulher que não se amarre.
-“Adorâmetro” para medir a intensidade de adoração dos casais de namorados a fim de evitar a discussão do tipo: -“Eu te adoro”. –“Eu também te adoro”. –“Vamos ver quem é que adora mais ?” –“Vamos. Claro que sou eu que te adoro mais”. E assim por diante...
-Uma fórmula matemática ou um “calculômetro” que determine, o mais aproximado da realidade possível, o número de pessoas que compareceram a um ato público, comício, etc., uma vez que, sempre, há uma discrepância muito acentuada entre partes contrárias, entre duas facções. Normalmente, tais partes são constituídas, de um lado, pelo governo e, do outro, por alguma entidade reivindicante ou que esteja protestando do tipo partido político da oposição, sindicatos, etc.
-Sapato ou tenis com aquecimento central para esquentar, no inverno, os pés de um pobre mortal.

FÁBULA INDIGNA DO MILLÔR

Numa província chinesa, às margens do rio Amarelo, vivia uma família de raça idem, quer dizer, amarela, constituída pelo pai Man Deh Ven, pela mãe Dah Veh Nen e pela filha Pes Teh Ven.
Man Deh Ven, era um sujeito muito patriarcal, como é comum nos países do Oriente e que no Ocidente recebe, dentre outros, o nome de machismo. Ele se dedicava à pesca. Dah Veh Nen, muito embora os anos de regime divorciados da religião, era dada as rezas de sua crença e cuidava dos afazeres domésticos, além de ajudar o marido a preparar o produto da sua faina para levar à cooperativa local que, por sua vez, encaminhava à cooperativa central, ligada ao Partido que detinha o Poder. A filha, Pes Teh Ven, não queria nada com nada, como se costuma dizer no longínquo Ocidente, mas sempre dava uma mãozinha, ao contrário de seus pais que trabalhavam de sol a sol e, às vezes de sol a lua e, até, às estrelas.
Passaram-se poucos anos e eis que veio a abertura econômica. Da tese marxista de “a cada um de acordo com sua capacidade e a cada um de acordo com sua necessidade” passou a viger, no país, “de cada um de acordo com sua habilidade e cada um de acordo com sua permissividade”. Man Deh Ven, que tinha o sentido do comércio muito açulado, passou a ganhar dinheiro, pagando mais aos seus fornecedores do que a cooperativa que, por sinal, havia entrado em decadência, pois havia aqueles dirigentes que tinham o péssimo costume – talvez copiado de algum país do longínquo Ocidente – de misturar o seu dinheiro com o da cooperativa... Com isso, ou dessa maneira, acrescido pelo fato de, por sua livre iniciativa, haver procurado novos mercados – um pouco mais distantes, é verdade –, as vendas aumentaram substancialmente. Também os seus preços eram um pouco mais caro, mas os que compravam seus produtos sabiam reconhecer a sua qualidade que, efetivamente, eram os melhores da região. Logo, logo, Man Deh Ven se tornou um grande atacadista e, com isso, ou dessa maneira, começou a pagar cada vez menos para os pescadores da região. Estes, sem poder se agrupar, por falta de liderança, protestavam, mas assim como pescar, navegar é preciso, ter um dinheirinho para as demais necessidades básicas também era preciso. E dá-lhe cada vez mais renda para Man Deh Ven. É lógico que a família teve um aumento de seu status econômico-social muito grande. Dah Veh Nen, foi lentamente abandonando suas rezas e passava as tardes passeando com um carro último tipo que o seu marido havia lhe presenteado. Pes Teh Ven, por sua riqueza arrumou uma porção de pretendentes, mas a todos mantinha à distancia. Man Deh Ven arrumou uma amante e deu um carro também para ela; posteriormente, por não se contentar com apenas uma amante, arrumou uma segunda que, como o leitor com a sua perspicácia já deve ter atinado, levou o seu carrinho último tipo. Num certo momento, no entanto, Man Deh Ven teve um problema de capital de giro, ou capital de movimento, como se costuma dizer no longínquo Ocidente e cantou uma das amantes para vender o seu carro, para, com o dinheiro, poder capitalizar a sua empresa, com a promessa que seria por muito pouco tempo e que, mais tarde, lhe daria um bem melhor. Proposta que foi considerada totalmente inviável. Diante da negativa, repetiu a proposta para a outra amante, que foi, peremptoriamente, repudiada, tendo em vista ter sido considerada indecorosa. Man Deh Ven não teve outra alternativa que pedir a Dah Veh Nen para vender o seu carro. Diante do quadro funesto e macabro que pintou à assim chamada legítima, além da argumentação de que eram casados pela forma da comunhão universal de bens, que daria um outro mais luxuoso e não “esta carroça velha que você tem”, Dan Veh Nen, mesmo chateada, acedeu. E, com isso, ou dessa maneira, Man Deh Ven superou a sua crise financeira e todos os cinco, naturalmente depois que Dah Veh Nen ganhou um novo carro, viveram felizes para sempre.
Moral: Ao contrário de que fazem alguns banqueiros em certos países, não se deve dilapidar o patrimônio de terceiros, só os da própria família.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
www.rimasprimas.com.br

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