quarta-feira, 17 de novembro de 2010

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Ego-massageante).

-“Você é um cara bonito”,
Ela me falou.
E acrescentou:
-“Tenho dito”.

Constatação II

Não se pode confundir concussão que quer dizer “comoção violenta; abalo, choque”, com conclusão, muito embora tenha muito segundo que provoca o primeiro. A recíproca, salvo melhor juízo, como dizem nossos juristas, ou até prova em contrário, não é verdadeira.

Constatação III

E não se pode confundir contraste com traste que quer dizer, entre outros, “móvel ou utensílio velho de escasso ou nenhum valor”, muito embora em certos países a distorção de renda é tão acentuada, mas tão acentuada que efetivamente só quem não tem um pingo de sensibilidade pode fazer a confusão e deixar tal situação que eternamente persiste e que não parece que tão logo vá mudar.

Constatação IV

Esse problema do comércio entre o Brasil e a Argentina em que cada país quer exportar o máximo e importar o mínimo para proteger os seus próprios empresários, igual o que hipocritamente os países ricos fazem com os pobres, já que, até, de acordo com Joseph Stiglitz, economista ex-chefe do Banco Mundial, “os mesmos países ricos que exigem a abertura de mercado dos países em desenvolvimento adotam medidas protecionistas, como no caso da União Européia e dos Estados Unidos”, faz lembrar a máxima do guru Millôr Fernandes quando disse que é muito melhor ser rico e ter saúde do que pobre e doente...

Constatação V

Rico é excêntrico; pobre, maluco.

Constatação VI

Que cena terrível aquela do segurança do então Deputado Federal Eurico Miranda quando ele ia afastando as pessoas para deixar o caminho livre para o Vice-Presidente do Vasco da Gama que caminhou, numa marcha inexorável de imperador, qual um trator D-9, para melar o jogo do seu time com o meu Paraná quando este ainda disputava o Brasileiro na série principal. E pior, ficou tudo por isso mesmo... Talvez porque ele alegou que era para proteger o juiz...

Constatação VII

Essa grossa pilantragem,
A tal da globalização,
É a oficialização
Da sacanagem,
Do capitalismo selvagem.
E da boçalização.

Constatação VIII

Navegar é preciso. Desde que se consiga...

Constatação IX

O neoliberalismo é uma coisa maravilhosa para pessoas de alto poder aquisitivo. No Brasil, por exemplo, para os 10% da população que detém mais de 50% da riqueza total do país. E viva “nóis”.

Constatação X

Diante dos desatinos, desfalques e desmandos cometidos na praça, aquela mãe extremosa passou a chamar o seu filhinho do coração de “Irre”. Ficava muito difícil, cada vez, ter de chamá-lo de “Irresponsavelzinho”...

Constatação XI (De outros diálogos esclarecedores).

-“Peguei uma baita duma gripe”.
-“Como ? Você é um cara que se cuida pra caramba”.
-“Peguei da minha mulher que tava com uma terrível. Garanto que, se eu tivesse dormido com outra, eu não teria pego”. São as desvantagens de dormir com a própria”.
-“E com as outras, você nunca pegou ?”
-“Não há outras. Eu sempre dormi só com a minha”.
Ah, bom! Quer dizer, ah, ruim, quer dizer...

Constatação XII

O “dono da verdade”, sempre, ou quase sempre, é o que mais mente.

Constatação XIII

E como dizia aquele machista, aquele porco chauvinista: “Eu não convidei uma mulher para compor a minha equipe porque eu queria montar a dita cuja só com cabeças pensantes”...

Constatação XIV

Vale lembrar a história do General Pinochet haver declarado que tudo que ele fez foi por amor a sua pátria, o Chile, lembra os crimes em que um dos parceiros que assassinou o outro diz ao juiz: “Doutor, eu matei porque eu o (a) amava” (sic).

Constatação XV

Assim como a falência múltipla dos órgãos é perniciosa, também a falência única e exclusiva de determinado órgão também é altamente prejudicial...

Constatação XVI

Se o mundo efetivamente acabar, como vem sendo amplamente apregoado por aí, mesmo com a minha eternamente curta existência, poderei me consolar, dizendo um pouco antes de tão infausto acontecimento, como aquele rei da França: “Depois de mim, o dilúvio”.

Constatação XVII

Rico dá a sua abalizada opinião; pobre, chuta.

Constatação XVIII

Do jeito que o meu time, o Paraná, vinha jogando no Campeonato Brasileiro, com risco de cair para a terceirona, eu já nem perguntava com quem ele ia jogar. Eu perguntava para quem que ele ia perder...

Constatação XIX

Além de estarmos vivendo o “salve-se quem puder”, estamos presenciando, também, nesses escândalos todos, nos três poderes, “o salve o que puder”...

Constatação XX

Quando, certa vez, o jogador Marcelinho Carioca atuava no meu Corinthians, não sendo daqueles que enaltecem o esporte com o seu comportamento dentro de campo, acabou sendo promovido a capitão do time. Aí, passou a concorrer ao troféu, instituído por Rumorejando, Perdeu a Oportunidade de Não Dizer Besteira saindo com essa pérola: “Todos nós somos líderes aqui no Corinthians. Mas não tenho a menor dúvida de que eu sou o maior de todos os líderes”... A infeliz frase do jogador também lembra aquela outra: “Todos nós somos iguais perante a lei”. Só que alguns são mais iguais que outros...

Constatação XXI

Deu na mídia: “Milionário muda de sexo, desiste e muda de novo”. Dúvida não necessariamente crucial: Será que não seria melhor ele adaptar um zíper?

Constatação XXII

Rico é estrábico; pobre é vesgo.

Constatação XXIII (De uma dúvida crucial).

Quando uma sogra elogia a nora ou o genro trata-se de um ato falho?

Constatação XXIV

E já que falamos no assunto, vale assinalar que a gata deu o ar de sua graça; a sogra também... Que desgraça!

Constatação XXV (De outra dúvida crucial).

Em certos países – mormente na América Latina, Brasil incluso – a realidade é que imita a ficção? Comentários ao blog. Obrigado.

Constatação XXVI

Deu na mídia: “Cresce total de mulheres mais velhas que maridos, diz o IBGE”. “Data vênia como diz um leitor de Rumorejando, parodiando os nossos juristas, mas não me surpreende. Elas mandam os cônjuges desta para melhor sem dó nem piedade (ou para pior. Vá lá um saber)”.

Constatação XXVII

Depois que a Assembléia Legislativa do Paraná arquivou um pedido de cassação do presidente e do secretário que, segundo a Comissão de Ética, composta por cinco deputados, julgou que apenas houve “pecado por omissão”, e a Procuradoria da Assembléia fez papel de Defesa dos dois deputados, após o desvio de cerca de 100 milhões de reais por um dos diretores e outros daquela casa legislativa, Rumorejando acha que a fábula de Esopo do Lobo e o Cordeiro é um dos textos que mais se afinam com o corporativismo nos vários poderes da República. Recentemente o senador José Sarney, presidente do Senado, que, dentre outros, recebia auxilio moradia, mesmo morando em casa própria, alegou que não havia se dado conta que a importância estava sendo creditada em sua conta corrente. Na realidade, além do viva “nóis”, há que se considerar também a máxima, ou mínima, depende de cada um que esteja no Poder, ou seja: Aos amigos, tudo; aos indiferentes, a lei; aos inimigos, porrada. E, novamente, um viva a “nóis”...

Constatação XXVIII (De uma dúvida crucial).

Será que até o final deste século atual e vindouro o Enem – se ainda existir – não cometerá tantos erros crassos? Comentário no blog. Obrigado.

Constatação XXIX (De outra dúvida crucial).

Será que o Ministro da Educação, em relação ao Enem, citado anteriormente vai alegar também “pecado por omissão”?

Constatação XXX (DE uma terceira dúvida).

Será que não daria para importar a russa Gamova, jogadora de vôlei, para vir jogar pelo Brasil, já que ela desequilibrou no último jogo contra o nosso país, fazendo a gente sofrer bem mais do que com a seleção pífia do Dunga de quem a gente já julgava como uma crônica de uma derrota anunciada?

FÁBULA INDIGNA DO MILLÔR

Numa pequena província chinesa vivia uma família, constituída pelo pai, Nuh Cha Leh; pela mãe, Guy Tah Leh e pelo único filho Rhu Sha Leh. Este, desde cedo, se revelou um diplomata, mercê de seus dotes de conciliador, de finura e de gentileza. Sua facilidade em resolver pendências entre os amigos e colegas das constantes querelas, dissensões, desavenças, brigas, etc., colaboraram para esse conceito de diplomata com que foi apodado espontaneamente por todos. E eis, realmente, Guy Tah Leh, sonhando em ter o filho na carreira diplomática. Segundo ela, os diplomatas não levam uma vida dura como ela e o marido sempre tiveram, trabalhando a terra, mas participam de coquetéis, festas, eventos, numa “boa” como se costuma dizer num país alhures, do outro lado do mundo chamado, se ela não se engana, Brasil que eles só conseguem dizer “Blasil”.
E Rhu Sha Leh enfrentou todos os exames, dedicando-se com afinco no estudo de todos as cadeiras requeridas, inclusive as línguas estrangeiras. E efetivamente ele logrou passar o que deixou toda a família contente. E lá foi ele para a capital estudar para ser um diplomata.
Rhu Sha Leh dividia um minúsculo quarto, onde mal cabia uma pessoa, com outro colega. A cama era do tipo beliche e era nela que se estudava enquanto o colega usava uma pequeníssima mesa que era revezada democraticamente entre os dois, mas convenhamos, esse detalhe, agora, absolutamente não vem ao caso.
Havia uma jovem, também estudante, que para defender algum trocado, algum li – a moeda chinesa – arrumava alguns quartos. Um dia, quando ela estava no quarto, Rhu Sha Leh entrou e ao passar por ela e levar a mão para trás esbarrou, involuntariamente, na “poupança” da jovem. Rhu Sha Leh, que sempre achara uma atitude dessas uma afronta, uma falta de respeito para com o seu semelhante, um acinte, uma violência, pois nunca deixara de apregoar para os amigos que passar a mão numa mulher contra a vontade dela era tudo aquilo já mencionado, além de assédio sexual que em certos países do Ocidente era passível de punição com cadeia, multa, o diabo. Com consentimento era outra coisa. Aí, não se limitar somente a uma passada de mão, mas aí, convenhamos, esse detalhe, agora, absolutamente não vem ao caso, pois não nos interessa o que Rhu Sha Leh acha ou deixa de achar sobre tão primordial assunto.
Rhu Sha Leh, numa cor que era a soma do amarelo, sua cor natural, e um vermelho de quem fica corado qual donzela pundonorosa, incontinente, se voltou para pedir desculpas. E surpresa das surpresas: a jovem estava com um baita sorriso cúmplice, aflorando nos seus lábios carnudos. O que aconteceu posteriormente é detalhe que, agora, absolutamente não vem ao caso.
Moral: A Humanidade é imprevisível.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
www.rimasprimas.com.br

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