quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

RUMOREJANDO


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Via duplo pseudo-haicai).
Dos outros, a desdita
Não passa
De fita;
A nossa,
Sempre é
De fossa.

Constatação II (De diálogos esclarecedores).
-“Qual é, ó meu ?”
-“Eu não sou teu. Eu sou da mamãe!”

Constatação III (De conselhos úteis, rimados).
Nunca
Freqüente,
Meu camarada,
Minha camaradinha,
Uma espelunca
Daquela bem danadinha
Que o ambiente
Tá sempre quente.
De nada!

Constatação IV (Via pseudo-haicai).
Foi contundente,
O discurso.
Pena que ele mente...

Constatação V
Não se pode confundir perda com lerda, muito embora possa haver uma lerda se a pessoa for perda, quero dizer, houver uma perda se a pessoa for lerda. Como já vimos, no lapso, a recíproca não é verdadeira. Favor não insistir.

Constatação VI
E não se pode confundir intocável com incontável já que, como é por demais sabido, rico é intocável e pobre é incontável.

Constatação VII
E, ainda, não se pode confundir vinagre com viagra, até porque o primeiro é algo ácido, azedo. Já, o segundo enseja, induz, contribui para algo doce, muito doce...

Constatação VIII
E já que tocamos no assunto, rico se veste com seu casaco de lã e vai ouvir A Tosca, de Puccini; pobre vai buscar lã e sai tosquiado.

Constatação IX
Que zorra
Que aconteceu!
Foi passar, nela,
A manzorra.
E se fo, digo, mal se deu.

Constatação X
E como dizia aquela adolescente, toda compungida, toda fossética que, como toda adolescente se considera rejeitada, repudiada, mal amada e outras “adas” do gênero:
“De apreço,
Uma manifestação,
Não tem preço
Nem condição.
Só boa aceitação.
E, afinal,
Tal,
Eu bem que mereço!”

Constatação XI
A Folha de São Paulo, no dia 16 de janeiro, noticiou que “pelo menos 42% da carne bovina, 19% da suína, 25% da de frango e 46% de leite produzido no país não possam por nenhum tipo de fiscalização”. Para nós, consumidores, tal notícia, como tantas outras, já não causa mais nenhuma surpresa. O que causa indignação, isso sim, é essa insistência em querer dizer que o nosso país é do Primeiro Mundo. E viva “nóis”.

Constatação XII
A conferência
Subia
E descia.
Mas, sempre voltava
Ao mesmo lugar.
Até lembrava,
Até dava
Pra imaginar
Que não se tratava
Duma conferência.
E, sim, duma circunferência.

Constatação XIII
Ninguém mais considera
Nos dias atuais,
A solicitude
Uma virtude.
E falam mais:
“Quem me dera!
Que tal atitude,
Já era!”

Constatação XIV
A única vez que este assim chamado escriba acha não apelativo rimar flor com amor é na canção antológica paraguaia Índia.

Constatação XV
Não se pode confundir acuado com amuado, muito embora a gente, cada vez, fique mais amuado ao ver que está ficando, cada vez, mais acuado diante desse crescimento da violência. Se a recíproca é verdadeira ou não, não vem muito para o caso.

Constatação XVI
Quando o casal convidou o obcecado convencido e presunçoso para um ménage a trois ele incontinente respondeu: “Só se for com duas mulheres porque eu dou conta tranquilamente das duas e, ainda pode ser um ménage a quatre, nas mesmas condições de pressão e temperatura que eu não esmoreço e tiro de letra, inclusive já com a nova ortografia”...

Constatação XVII
Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “TÓQUIO - Um empresário japonês de 54 anos, usando um computador construído em casa, calculou o conceito matemático Pi (3,14159) com 5 trilhões de casas em agosto do ano passado e marcou um novo recorde mundial, reconhecido com um certificado pelo Guinness World Records na semana passada.
Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que ninguém vai conferir se a conta está certa ou não...

Constatação XVIII
O abraço de Rumorejando para o aniversariante Luiz Geraldo Mazza. E como auguram os judeus: “Até os 120 anos com saúde!”

Constatação XIX (De gafes imperdoáveis, muito embora cheias de boas intenções.
Disse a senhora para o septuagenário na piscina, na mesma raia onde ambos estavam recebendo aula:
-“Eu estou meio gorda. Preciso fazer regime”.
-“Que nada! Até que, para a sua idade, a senhora está bem”...

Constatação XX (De diálogos ainda concernentes à aulas de natação).
-“Essa nossa professora é uma idealista”.
-“Por que ?”
-“Porque mesmo sabendo que eu freqüento esta escola aqui já há quinze anos, ela não desiste de querer me ensinar a nadar”.

Constatação XXI (via pseudo haicai).
Para quem toma muito vinho
O mundo parece
Um eterno redemoinho.

Constatação XXII (Via pseudo haicai).
Fofoca a Humanidade.
Pura questão
De mentalidade.

Constatação XXIII
O prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, já falecido, quando no programa de entrevistas do Jô Soares, cometeu uma gafe – na minha modestíssima e abalizadíssima opinião, nada grave, já que os atos falhos acontecem – ao se referir ao seu colega escritor, também ganhador do Nobel, o colombiano Gabriel Garcia Marquez, como sendo boliviano. Esse fato me fez lembrar de um político que foi a Cascavel fazer campanha política e, meio alto, pois que havia ingerido, antes, umas & outras, se dirigiu ao povo que o assistia da seguinte maneira: “Povo de Urutu”. Alguém, ao lado, cochichou: “Não é Urutu, é Cascavel”. E o cidadão, cheio de razões, com a voz engrolada: “Dá tudo na mesma. É tudo cobra”. Não é preciso dizer que os eleitores de Cascavel não o perdoaram, como, aliás, não poderia deixar de acontecer.

Constatação XXIV
Com relação ao fato narrado na constatação anterior, há também uma história de um cidadão que sempre recorria a uma regra mnemônica para não esquecer nomes, datas, locais, etc. Tal método, na também modestíssima opinião deste assim chamado escriba, é muito perigosa, pois se o sujeito esquecer a palavra relacionada aí esquece o que pretendia não esquecer. Senão, vejam: O nosso amigo foi convidado para uma elegante festa na casa de uma senhora de nome Herda, nome muito comum, assim como Gerda, nas pessoas de origem alemã. Na saída, ao se despedir lá veio o cara: “Sua festa esteve magnífica, Dona Hosta”...

Constatação XXV
E ainda falando de gafes, quem não se lembra das que o então presidente da maior potência do Planeta, Ronald Reagan, cometeu quando esteve no Brasil ao dizer algo mais ou menos assim: que de São Paulo iria para uma cidade da Bolívia e depois a Brasília, já retornando em direção ao Estados Unidos. Inclusive, houve um jornal, de grande circulação do nosso país, que redesenhou o mapa do Brasil e da Bolívia, naturalmente fazendo troça dos geográficos conhecimentos de S. Excia. Para quem não respeita os outros, Brasil, Cascavel ou Bolívia é tudo a mesma coisa...

Constatação XXVI
Eu não fico mais tão chateado porque o meu Paraná vive apanhando. Afinal, o meu SK Tirana sagrou-se campeão do Campeonato Albanês...

Constatação XXVII
Quando a parceira perguntou para o obcecado o que estava acontecendo já que o desempenho estava meia-boca, ele se lamentou que, ultimamente, estava sendo obrigado a recorrer aos produtos farmacológicos, acrescentando que havia tido algumas contrariedades pessoais e também por causa da idade que estava ficando provecta. Aí, ela disse para ele não se preocupar que essas coisas acontecem, que são psicológicas e coisas desse jaez o que, convenhamos, só fazem piorar a situação e, daí, ela pensou: “Ele, que mal eu chegava quase rasgava a minha roupa na ânsia de me deixar nua de tanta excitação ta ficando apenas semi-obcecado. Coitado!”

Constatação XXVIII
Rico é sorumbático; pobre é azedo.

Constatação XXIX
Rico é tolerante; pobre não tem alternativa.

Constatação XXX
Rico, casa e/ou tem amante; pobre se junta.

Constatação XXXI
Rico tem sofreguidão; pobre, tara.

Constatação XXXII
Rico é sensível; pobre ta às tintas.

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO MILLÔR).

Numa cidade de porte médio, no interior da China, vivia uma família, constituída por três pessoas: o pai, Hen Tah Leh; a mãe, Shey Fah Leh e o filho Keh Tzah Leh. O casal trabalhava a terra e o filho estudava numa escola pública porque, na China, não existe ensino privado o que não impede que os chineses sejam considerados, pelos entendidos, um dos povos mais inteligentes do Planeta Terra. Mas isso, agora, absolutamente não vem para o caso. A família vivia razoavelmente bem, sem maiores problemas, já que as necessidades básicas estavam plenamente atendidas, muito embora as pessoas, de modo geral, nunca estejam satisfeitas com aquilo que possuem. O que, nesse exato momento, também não vem para o caso. Mais tarde, sobreveio a abertura econômica e, nessa época, Keh Tzah Leh havia partido para a cidade para estudar em níveis mais elevados, já que tinha boa cabeça e, na China, qualquer um que tenha boa cabeça, é lhe proporcionado oportunidades para que prossiga nos estudos, o que não é em todos os países que tal acontece o que, convenhamos, por ora, incontestavelmente, não vem para o caso. Hen Tah Leh aproveitou a oportunidade e se meteu em negócios – indubitavelmente, não escusos, já que na China, ao contrário de certos países, é severamente punido – e, graças ao seu tino comercial, começou a enricar. A casa foi ampliada; o tamanho da televisão foi aumentado; o carro foi trocado; os amigos, também. Enfim, as coisas e valores foram modificados. Não se sabe exatamente em quais direções, mas isso, cá entre nós, definitivamente não vem para o caso.
Aí, como soe acontecer nessas ocasiões, Hen Tah Leh arrumou um caso, que não tinha nada a ver com uma música de um país lá do outro lado do mundo, que começava assim: “Todos nós temos, na vida, um caso, uma loira, etc.”, o que, nesse preciso momento não vem para o caso qual país é esse. Daí, o que vem, isso sim, para o caso, é que ele teve que arrumar uma casa, para seus encontros que, na China, não é nada fácil, pois lá vivem 1,3 bilhões de pessoas e o motel é coisa dos “imperialistas americanos e dos revisionistas soviéticos”. A mulher não fez o menor caso. O casamento já tinha começado a caminhar para o ocaso e, além de tudo isso, ela também tinha um caso que trazia, nas ausências dele, para casa, além de outra casa que teve de arranjar pelas razões já expostas e quando o marido não estava viajando, porque também na China ninguém é de ferro.
Moral: Nem sempre, só quem casa, quer casa.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De diálogos dos nossos tempos, rimados).
No rapto,
Nada entendendo,
Foi logo dizendo,
Com dissabor:
“Não capto
Nem estou apto”.
E o raptor:
“Ora, seu doutor,
O senhor
Não é mentecapto.
Quero seu préstimo
Que não lhe faltará
É apenas um empréstimo,
Que Deus lhe devolverá”.

Constatação II
E como dizia aquele nosso obcecado convencido, já por demais conhecido: -“ Se houvesse um concurso mundial para escolher o Imperador do Sexo acho que eu não teria concorrente. A propósito, eu, com a minha performance, como já afirmei anteriormente, neste blog, há muito tempo estou por merecer o ISO 9002”.

Constatação III
Em certos países há jogos de futebol praticamente todos os dias da semana, a fim de que a turma não tenha tempo de pensar. Pensar, em certos países, pode se tornar uma ameaça, perigoso e contraproducente...

Constatação IV
Não se pode confundir o Poder da Fé com o Poder da Globo, até porque toda aquela fé que a gente tinha que o Sr. Fernando Collor de Melo não seria eleito presidente da República de nada adiantou...

Constatação V
Rico é opiniático dono da verdade; pobre é palpiteiro. (E, claro, só dá palpite errado).

Constatação VI
Não é que a gente seja totalmente contra as regras do mercado, mas o que as multinacionais fazem com os preços dos medicamentos é crime de lesa pátria. Não só boicotam os genéricos, como mantém os preços lá em cima, principalmente os itens de consumo forçado. Segundo consta, foram eles que tiveram alta participação na derrubada do poder do presidente da República democraticamente eleito o vice-presidente João Goulart que ascendeu à presidência com a renúncia de Janio Quadros. Em tempo: viva “nóis”.

Constatação VII (Ah, esse nosso vernáculo).
Ela parou na contramão, para dar a notícia às amigas, em primeira mão, que havia uma liquidação, em Viamão, de artigos de segunda mão.

Constatação VIII (De descrições curitibanas, londrinas – não confundir com londrinense – etc., via pseudo-haicai).
Era um amanhecer,
Daquele, que dava a impressão
De má vontade em acontecer.

Constatação IX
Rico realiza seus sonhos; pobre, seus pesadelos.

Constatação X
No restaurante, se a comida não é boa, a higiene deixa a desejar e fatalmente o astral também não será bom. Diretamente proporcional, portanto. A recíproca, para esses casos, sem dúvida – fora as exceções, é claro – será verdadeira, consequentemente, também diretamente proporcional.

Constatação XI
Deu na mídia: “Nos últimos oito anos, 2.969 servidores do Poder Executivo foram expulsos da administração pública por prática de corrupção. A informação faz parte de um levantamento feito pela Controladoria-Geral da União (CGU) e divulgado no dia 10-1-2011”. Neste diapasão quem logo, logo ficar por último, favor apagar a luz e desligar os equipamentos eletrônicos.

Constatação XII (De uma dúvida não necessariamente crucial).
Deu na mídia: “O partido francês de extrema-direita Frente Nacional elegeu a filha de seu fundador, Jean-Marie Le Pen, como a nova presidente”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas será que a Frente Nacional não elegeu uma nova “presidenta”? Ou, talvez, “presidenta” só vale quando se é a maior autoridade do país? Comentários no blog. Obrigado.

Constatação XIII
Ainda que pareçam ter o mesmo significado, conforme se constata a seguir, não se pode confundir ascensão, que o dicionário Houaiss dá, dentre outros significados como “acesso ou elevação a cargo ou categoria superior; promoção” com assunção que o mesmo dicionário dá, também dentre outros significados, como “ascensão a posição hierárquica ou honorífica superior”, até porque um político, quando eleito, tem uma assunção honorífica superior que o faz estar acima do bem e do mal; já a ascensão de quem passa a ganhar o salário mínimo de R$ 545 passa a ficar abaixo desse mesmo bem e mal. Elementar, minha gente!

Constatação XIV
Rico é mavioso (Houaiss: “sensível aos sentimentos de amizade; terno, afetuoso, compassivo”); pobre é fresco.

Constatação XV
E como poetava aquele obcecado folião, nada a ver com o outro obcecado acima:
“É bom saber:
Com a chegada
Tão esperada,
Tão ansiada
Do carnaval
Será normal
Haver,
Naquela barafunda
Bastante rebolado,
Exagerado
Requebro
Demasiado
Bamboleio
Exagerado
Saracoteio
Muito remelexo
Muita bunda
E muito seio
Que eu tanto celebro.
E, claro, eu não me queixo!”

Constatação XVI
Rico é obstinado; pobre, é teimoso.

Constatação XVII (Ah, esse nosso vernáculo).
Ela deu vários sus...piros antes de acabar com o pacote de sus...piros. Quase foi parar no SUS.

Constatação XVIII (Desses terremotos todos que andam por aí).
Se acomoda
A Terra,
Criando
Cratera.
Se incomoda
A galera,
Ficando
Uma fera.
Também pudera!

Constatação XIX
Em certos países e, provavelmente, em outros também, a gente pode não simpatizar com uma determinada pessoa, mas reconhece se ela é decente e honesta. Difícil, mesmo, é simpatizar com pessoa indecente e desonesta das não poucas que andam por aí, como, por exemplo, os políticos...

Constatação XX
Rico é opiniático dono da verdade; pobre é palpiteiro de palpite errado.

Constatação XXI (De diálogos esclarecedores).
-“Deu na Folha de São Paulo que os paulistanos agridem menos e matam mais”.
-“Como assim ?”
-“É que o assassinato passou a ser o desfecho que antes era ‘resolvido’ por agressões”.
-“Ah, bom, quer dizer, ah, ruim”...

Constatação XXII
Não se pode confundir tunga com sunga, muito embora a tunga que o governo anda fazendo com a alíquota do imposto de renda, CPMF e algum outro quejando está nos deixando só de sunga. A recíproca, nesse caso, não é verdadeira.

Constatação XXIII
A mídia anda divulgando, inclusive que a “desigualdade está crescendo no Japão”, “nos EUA”, a maior potência deste planeta, “pessoas passam fome”, idem na Europa Ocidental. Sem querer dar uma de profeta, mas aguardem, breve, os nossos governantes, sem absolutamente citarem uma das maiores distorções de renda e social que ocorrem em nosso país, afirmarem: “Tão vendo. Isso também ocorre nos países ricos”.

Constatação XXIV (Passível de mal entendido).
Ela se entrega fácil.

Constatação XXV (Via duplo pseudo-haicai).
Foi um péssimo repasto
Do tipo “Jesus me chama”.
Em resumo: nefasto.
E quase dos vivos
Eu me afasto.

Constatação XXVI
O carvoeiro
Só porque não tomou
Um indispensável banho
Durante um mês inteiro
Um corvo,
Desse tamanho,
Sua cabeça sobrevoou.
E além do estorvo
O deixou
Faceiro,
Digo, cabreiro.
Que borralheiro !

Constatação XXVII
Rico batalha; pobre, perde a guerra.

Constatação XXVIII
Como era costume,
Durante a colheita,
A Maria foi eleita,
Unanimemente,
A mais bela
Numa competição.
De tanto ciúme,
A Maristela
Quase morreu.
Mas, em compensação
Pra Miss Azedume
Ela, facilmente,
Se elegeu.

Constatação XXIX (Aparentemente paradoxal).
Também
Me ferrei:
Entrei
Numa
Fria
No ano passado.
Não possuía,
Algum minguado.
Em suma:
Entrei bem!

Constatação XXX
Há alguns supermercados, em Curitiba, que, filhadap...mente, apresentam um determinado preço de certos produtos na prateleira e, quando o pobre incauto vai pagar, o código de barras que a caixa registra é maior. Já foram várias vezes que Rumorejando detectou tal expediente. Na próxima daremos o nome do grupo. Por ora, estamos acreditando no engano, na falha do computador, no bug do milênio, na... deixa pra lá.

Constatação XXXI
Rumorejando duvida que os prezados leitores adivinhem o que aconteceu com o meu Paraná no primeiro jogo do campeonato estadual.

Constatação XXXII
Não se pode confundir feito especial com efeito especial, até porque quando os políticos põem a mão no jarro, legislam em causa própria e tantas outras maracutaias é um feito especial, mas só para eles e que não deveria acontecer, exceto aparecendo somente em ficção como filmes, charges, histórias em quadrinhos e assim por diante e como efeito especial. Aliás, nos filmes americanos, que apresentam carros e casas explodindo e outros tipos de violência, eles do cinema americano tem muito know-how (perdão leitores pelo inglês, mas é que dá à frase um efeito especial, consentâneo com a elevada tecnologia dos nossos assim chamados irmãos do norte...).

Constatação XXXIII
A liquidação
De saldos e retalhos
Provocou
Uma briga
Entre as interessadas
E vários rebotalhos
O que ensejou
No patrão,
Assustado,
Dor de barriga.
Coitadas!
Coitado!

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida
É a Dadá que é muito dada ao dadaísmo ?

Dúvida IIAfinal, é a religião que é o ópio do povo ou o ópio e outros estupefacientes que é a religião do povo ? Comentários no blog. Obrigado.

Dúvida III
A política é não ter política alguma ? E já que falamos no assunto será que os filólogos não aprovariam o termo “politicaria” para àquela política que só faz porcaria?

Dúvida IV
Ganhar, desclassificando os hermanos da Argentina em qualquer competição e a qualquer preço, mesmo como, naquela vez, com aquele gol do jogador Túlio com a mão, efetivamente é uma meta a ser atingida, um ideal, ou uma razão de vida ?

Dúvida V
Leitura concisa é aquela que os jovens atualmente praticam ? A propósito, concisa é sinônimo de nenhuma ?

Dúvida VI
Nostradamus, com sua profecia,
Deixou muita gente
Apavorada,
Com taquicardia,
Tremente,
Aparvalhada,
Temente,
Assustada ?

Dúvida VII
Era a corpulenta
Que só andava
Em marcha lenta
E nunca parava ?

Dúvida VIII
E era o gorducho
Que só fazia regime
Em restaurante de luxo
Daquele que não é
De quem anda a pé
Quer dizer do seu* time ?
*Não ficou claro se o "seu", acima mencionado, se refere ao gorducho, ou ao prezado leitor.

Dúvida IX
E era o magricela
Que só comia
Pão com mortadela
Quando havia ?

Dúvida X
O protesto,
Veemente,
Redundou
Em um manifesto
Que, fatalmente,
Acabou
No cesto ?

Dúvida XI
Foi o andarilho
Que perguntou,
Que questionou,
Com ânsia,
Muito tiririca,
À andarilha:
“Isso eu não esperava
Eu tava
A uma milha*
De distância
E como é que se explica
Que você esteja esperando,
Aguardando
Um filho?
*Foi usado milha porque foi nos Estados Unidos. Se fosse no Brasil, seria quilômetros, metros, centímetros, léguas, etc.

Dúvida XII
Será que o afeto
E outros que tais,
Nos dias atuais,
Ainda é o mais correto,
Ou não será jamais ?

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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

RUMOREJANDO (Com Apenas Duas Constatações).

ConstataçãoI

TERROR QUE MATURA

Oriunda de respeitável progenitura:

A mãe, professora de corte e costura;

O pai, escriturário na magistratura,

Era, ela, uma formosura,

Uma pintura,

Digna de figurar numa gravura,

Ou numa xilogravura,

Daquelas com moldura,

Trabalhada em artística ranhura.

Mediana estatura,

Cabelos pretos, sem tintura,

Dentes, perfeitos, uma alvura;

Sorriso, sem amargura,

Franco, aberto, uma quentura;

A mirada, uma brandura,

Muito límpida, muito pura,

De olhos de jabuticaba, uma pretura;

E um poço de ternura!

Ah! E a cintura!

Parecia duma tanajura...

Educação, nem falar. Que finura!

Dada a não pouca leitura,

De sutil e elevada literatura,

E um dedilhar, sem partitura,

Além de se dedicar à feitura

De origami, de dobradura.

E, no jardim, à floricultura,

Onde, às vezes, ouvia o canto da saracura.

Ele era só feiúra,

Como uma caricatura.

Duma lividez, duma transparente brancura

Num monte de ossatura

Como se filho fosse de alguém de média estatura,

Mas de não muita largura.

E do Cavaleiro da Triste Figura

Àquele que, até com moinhos, mostrou bravura

Não tendo como vestidura

A respectiva armadura.

Além disso, morando numa lonjura.

E, mais, um escrachado caradura

De péssima postura,

Ou melhor, somente impostura:

Noites a fio, jogava, com fundura,

Em busca de fácil fartura;

À mão, um copo daquela bebida de lúpulo, de levedura

E um eterno cigarro, alterando, dos lábios, a comissura.

Receitas, infalíveis, de fazer estrago em qualquer criatura.

Tal proceder, sem dúvida, merecia ampla censura.

Não confundir com àquela do tempo da ditadura,

Quando até se usou a indefectível tortura,

Nos governos da chamada linha dura,

Bem antes do que se convencionou chamar Abertura.

O salário, parco, da Prefeitura,

Dum trabalho que exercia com sinecura,

Na base de quem não se apura,

Obviamente, redundava numa apertura.

As dívidas, não poucas, proveniente de mordedura,

Mesmo que firmadas numa caprichada escritura,

Fatalmente seguiam o destino da pendura

Que postergava, com ensaboadura,

Para uma época futura

E que, da memória, apagava com uma varredura.

De inteligência, não era nenhuma cavalgadura,

Daquelas que só falta a ferradura.

Era capaz de se pôr a falar, com desenvoltura,

Sobre, do quadrado, a curvatura

Ou, da circunferência, a quadratura.

E, se porventura,

Cometia alguma outra loucura

De imitar, de alguém, a assinatura,

Perfeita e sem rasura,

Em cheque, promissória ou fatura,

Fruto de condenável urdidura,

Resultava, se descoberto, nessa amargura

De ter que conseguir um alvará de soltura,

Alegando, ao delegado, tratar-se duma travessura

E no seu ilibado currículo, uma simples arranhadura;

Que não tinha intenção de viver numa cela escura

E que, afinal, toda a sua vida, agira com extrema lisura.

Essa atitude devassa, que o estado físico tritura

E o bolso, a conta corrente do banco, perfura,

Para ele, era adrenalina total, uma aventura,

Que foi obrigado de encerrar, uma fissura,

Quando sua saúde se deteriorou e sofreu uma ruptura.

Logo, ele, que nunca tivera um resfriado, ou uma rasgadura

E, muito menos, alguma forma de rendidura,

Parecendo, tudo, praga, maldição ou esconjura,

De nada adiantando os santos invocados em benzedura.

É que numa amorosa tertúlia, sobreveio uma velhice prematura

Àquela que deixa, um, e a parceira, em desventura,

E provoca na alma e no ego profunda machucadura.

Pouco antes, já vinha sentindo, no estômago, uma queimadura,

Somado a um mal-estar, a uma teimosa tontura,

Que o deixava, por um momento, com a vista obscura

E com a possibilidade de cair e sofrer uma fratura.

O médico, amigo desde a infância, adepto da natura,

Pespegou-lhe um susto, numa sincera e repreensiva secura:

"Não se trata de querer que você viva numa clausura.

No entanto, se dessa vida desregrada não abjura;

Se continuar nessa farra, para você uma gostosura;

Não se livrar do vício, dessa imbecil escravatura,

O teu amanhã nem eu nem ninguém te assegura,

Pois você, bem sabe, está cavando a própria sepultura.

Entretanto, preste atenção, você facilmente se cura:

Primeiro, tem que parar de comer fritura

Que absorve rios de gordura;

Não fumar, nem beber, dormir cedo, nada de diabrura;

Tem que consumir muita verdura,

Muita fibra e fruta não ácida, madura;

Nada de doce tipo quindim ou rapadura,

Se não vai ter - já, já - de usar dentadura".

Os amigos acharam tudo aquilo uma frescura,

E que a prescrição parecia mais uma absurda propositura,

Ponderando que uma vida, assim, nem santo atura.

De início, o reproche, ele classificou de grossura,

Mas, apavorado, ou como dizem os italianos, numa "paúra",

Resolveu mudar de vida, para uma mais segura.

Indubitavelmente, foi um tento de bela feitura:

Má alimentação, vícios e toda essa nomenclatura

Foi mudada com força de vontade de quem tem envergadura;

Passou a estudar e ler livros de grossa brochura

E a escutar música clássica e popular de fina tessitura,

Já que havia desenvolvido o bom gosto, por aquela altura;

Optou em fazer uma faculdade, uma Licenciatura,

Visando o almejado canudo, numa cerimônia de formatura.

Chegou até a pensar em Engenharia ou Arquitetura,

Sem descartar Agronomia, dado a discorrer sobre agricultura.

Melhorou o visual, que a gente, a si mesmo, augura:

Cabelo e barba aparados, dois banhos diários, total limpadura;

Entrou numa academia de ginástica para fazer musculatura

Com a intenção de ganhar peso, conforme, por aí, se assegura

E ficar com o tórax como os lutadores na era da gladiatura;

Passou a freqüentar ambientes de pessoas de boa catadura,

Onde o gosto apurado, aliado à boa educação, sempre fulgura;

A usar ternos com tecidos de excelente textura

E gravata, com grife, em camisa de abotoadura;

Pagou os credores, que não desgrudavam como atadura,

E, mais adiante, comprou, do ano, uma possante viatura,

Bem espaçosa, "nada de apertos, nada de miniatura".

Também, numa pechincha, um apartamento, não de cobertura,

Mas tendo sacada com churrasqueira, para grelhados e assadura.

E suíte com hidromassagem, portaria e tetra-chave na fechadura,

Em imóvel localizado num terreno ajardinado, numa planura.

O pagamento: uma entrada, mais 20 anos, com juros da Lei da Usura,

Aproveitando um desconto graças a famosa Lei da Oferta e da Procura,

Àquela, que político promete revogar ao defender sua candidatura.

Decorou, tudo, com móveis em cedro, com caprichada entalhadura

E tapetes, feitos à mão, de razoável espessura.

Nessa história, em condições normais de pressão e temperatura,

Deveria haver, com a jovem do início, alguma relação ou ligadura.

Mas, não. Ela só foi aqui lembrada por sua beleza, sua candura.

Seu sorriso, seu olhar, sua sensibilidade, sua doçura.

Bem! Cada um seguiu o seu destino, sem se cruzar, sem mistura,

Embora, o mesmo juiz de paz ter efetuado a legal lavratura.

E que passaram, em épocas distintas, a lua-de-mel em Cascadura,

Onde, anos após, retornariam para passar alguns dias em vilegiatura.

Ele, redimido, havia encontrado uma companheira, uma lhanura,

Gentilíssima, amável, cortês, sem um pingo de desmesura.

E ela, um companheiro, muito sério, trabalhador, uma polidura,

Um estudioso aplicado, um autodidata em matéria de cultura.

Obviamente, de todas as partes envolvidas, de amor eterno, muita jura,

Que, nesses casos, quase sempre, ao pé de ouvido se murmura

E, com ardor, se realizam num colóquio de extrema fervura.

Hoje, vivem felizes, com filhos, produto duma fértil semeadura

Numa paixão que, mesmo com a crise econômica, ainda perdura.

Constatação II

RECIPROCIDADE

Cabisbaixo, desceu do ônibus. Caminhou em direção a casa. Havia sido dispensado do emprego. O Departamento de Pessoal alegou contenção de despesas. Ele sabia que era pela inconstância da sua assiduidade. Tudo, por causa de sua saúde frágil que o mantinha por dias na cama. Já estava aposentado. No entanto, o emprego de distribuir cartão de controle, na entrada e na saída de um supermercado, ajudava a melhorar o que recebia do Instituto de Aposentadoria. Ainda que houvesse contribuído para se aposentar com oito salários mínimos, nunca conseguiu entender porque recebia menos de quatro. Um cachorro se pôs a segui-lo. Parou. O cachorro também, olhando para ele com olhos meigos e sacudindo o rabo. Era um cachorro velho. “Velho não tem vez”, pensou. Provavelmente tinha recentemente sido posto na rua pelos seus donos, porque não estava muito magro. Época de férias aumenta o número de cachorros abandonados. Ficou enternecido. Ponderou: “Pelo menos tem quem demonstre apreço por mim”. Vivia sozinho. A mulher, de há muito, já partira, segundo o padre que dera a extrema unção, para junto de Deus. Os filhos, um casal, se dedicavam as suas próprias famílias. Ultimamente, esquecendo ou não se lembrando dele. Salvo em uma ou outra rara ocasião, através de um cartão postal. Ambos viviam fora do país. Haviam partido para a Nova Zelândia. Como outros tantos 160.000 jovens, no último ano, emigraram. Em busca de emprego. Aqui, nem pensar. A filha limpava casas e ganhava razoavelmente bem. Seu marido passeava cachorros. Tinham um garoto de um ano que achava ser parecido com ele. Pena que não pudesse carregá-lo no colo. Mais tarde, brincariam juntos. O filho lavava carros; a mulher trabalhava de atendente numa loja de fotografias. Todos tinham curso superior. Intimamente, ainda que sentindo aquele aperto no coração por estar longe dos filhos, estava satisfeito que estivessem longe da violência e da corrupção que grassava no país. Olhou novamente para o cachorro que não desgrudava os olhos dele. Lera em algum lugar: quem vive sozinho é muito recomendável ter um bicho de estimação. Rememorou que quando menino quis um cachorro, mas a mãe não permitiu porque achava que ia sujar a casa.

Quando adolescente ele estudava e a mãe teve que ir trabalhar fora porque o pai abandonara a família e sumira para sempre. Adorava o pai, mas, por não perdoá-lo, nunca se preocupou em procurá-lo. Naquela vez, também não daria para ter um cachorro porque ele não ia querer que o cachorro ficasse só.

Quando casou, foi morar em um pequeno apartamento alugado e quem ficou de síndico não permitia nem cães, nem gatos nos apartamentos.

Quando foram morar numa casa, o casal trabalhava fora, E, como os filhos estudavam em tempo integral, tampouco daria para deixar em casa um cachorro, sozinho, sem atenção. Lembrou-se de uma canção de um uruguaio que dizia: “Claro que quis querer, mas não pôde poder”.

Com a aposentadoria daria para os dois viverem. Ele e o cachorro. Morava numa espécie de meia-água, nos fundos de um terreno que havia adquirido por preço compatível com seus ganhos. Construíra uma casinha de madeira nos fundos, para algum dia construir, na frente, uma de alvenaria. Os filhos, que estudaram em faculdade particular, por não lograrem classificação na faculdade estatal, haviam consumido grande parte do dinheiro para a casa de alvenaria. A outra parte fora consumida com a doença da mulher e com ele próprio numa operação de ponte safena. Nos dois casos, o Plano de Saúde não cobriu em sua totalidade e havia os remédios cada vez mais caros. Fazia, como tantos, sua fé na Quina, jogando nos bolões. Além de aumentar a chance, pensava que ganhar uma bolada, sozinho, correria o risco de ser seqüestrado. Uma vez, havia sido abordado, não longe do banco onde eram creditados a sua aposentadoria e o salário, por dois sujeitos. Eles, demonstrando total ignorância, tentavam passar-lhe o conto do bilhete premiado. Sem dúvida, dois artistas pela representação de ingenuidade e no falar manso. Alegara uma desculpa e tratara de despistá-los. Nunca quis fazer queixa à polícia com medo de represália. E, também, por achar que não ia levar a nada. Se aqueles tipos queriam o pouco dinheiro dele, imagine uma bolada. Chegaram, ele e o cachorro, no portão de casa. Chamou “vem” para o cachorro entrar. Foi seguido na mesma hora. Falou em voz alta: “Vou preparar algo para nós comermos. Vou te dar uma carninha que guardei para minha janta e fazer uma polenta pra nós. E vou preparar uma cama para você descansar”. Encheu um recipiente com água que o cachorro bebeu por inteiro. Deu vazão a sua ternura acumulada. Afagou sua cabeça; o cão lambeu a sua mão. Falou com muita convicção: “Como nos contos infantis, mano velho, de ora em diante, seremos felizes para sempre”...


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

RUMOREJANDO


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES

Constatação I

E como se lamentava didaticamente o obcecado: “Além da energia de Itaipu, que o Paraguai exporta a maior parte para o Brasil, o país vizinho exportou para nós a Larissa Riquelme. E ninguém do governo brasileiro ainda se pronunciou agradecendo a nímia gentileza ao nosso parceiro do Mercosul. Imperdoável!

Constatação II

Rico coopta; pobre, afana.

Constatação III (Teoiria da Relatividade para principiantes).

Deu na mídia: “O Hospital Universitário de Maringá, maior porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Noroeste do estado do Paraná, enfrenta um grave problema de superlotação que tem obrigado os médicos a atender os pacientes de forma improvisada até em colchões colocados no chão. O Hospital Universitário aguarda, há cerca de seis meses, a liberação de uma verba de R$ 31,6 milhões que seria usada para ampliar a unidade. O Ministério do Planejamento ainda não empenhou a verba”. Por outro lado (qual lado?), a mídia também noticiou que “Se nos principais centros urbanos do País o serviço público de saúde é alvo de críticas, na faixa de fronteira esse tipo de atendimento é considerado um bem valioso pelos estrangeiros e tem até provocado fluxo migratório para o lado brasileiro. O motivo é simples: quase nunca há serviço de saúde do lado de lá. Quando existe, é privado e se torna proibitivo para as comunidades mais pobres”. Não ficou esclarecido quais os países fronteiriços que recorrem ao nosso país. A mídia, mais uma vez e neste novo ano, também, se esqueceu de acrescentar nas notícias: viva “nóis” e os “nóis” dos países fronteiriços

Constatação IV

A medida que a gente envelhece, os mitos que a gente havia criado vão se esboroando. Por outro lado (qual lado ?), se a gente vinha sendo mitificado por alguém, também deixa de sê-lo. É isso aí.

Constatação V (De diálogos esclarecedores, rimados).

-“Vinagre,
Como o viagra,
Também faz milagre ?”
-“Só na salada.
Naquilo que te consagra,
Tá com nada”.

Constatação VI

Degustei.
Gostei.
Me empanturrei.
Engordei.
Embuchei.
Me chateei.

Constatação VII

Não se pode confundir afinco com finco*, muito embora a gente possa aplicar o segundo com muito primeiro.
*Finco = o que finca, penetra em profundidade
Ex.: entrou-lhe um f. no pé. (Houaiss)

Constatação VIII

Era um cara tão chato, tão chato, mas tão chato que nem os seus próprios botões agüentavam o papo dele.

Constatação IX (De conselhos úteis rimados).

É determinante
Que uma boa cantada
Seja com voz pausada.
Nunca ribombante.
De nada!

Constatação X

Rico tem pança; pobre, barriga-d’água.

Constatação XI

Não se pode confundir veemência com deemência, digo demência, muito embora tenha muita gente que é tão fanática quando discute – futebol, por exemplo – que os seus argumentos, defendidos com veemência chegam às raias da demência. Comentários no blog quanto à recíproca. Obrigado.

Constatação XII

E não se pode confundir louco com mouco, muito embora muito louco, no afã de realizar alguma de suas loucuras, fique totalmente mouco sem que alguém possa demovê-lo de seus tresloucados intentos. A recíproca, para esses insanos casos, não é necessariamente verdadeira.

Constatação XIII

E, também, não se pode confundir prolixo com pro lixo, até porque, algo exposto de modo prolixo não se aproveita e pode ir perfeitamente pro lixo. A recíproca, nesse caso, não é necessariamente verdadeira.

Constatação XIV

Seu intento –
Que ele nunca logra –
(In)Felizmente *
É deixar no relento,
Definitivamente,
A coitada da sogra.
* Se felizmente ou infelizmente, depende do ponto de vista de cada um. Como o prezado leitor pode constatar, Rumorejando é uma coluna assaz democrática.

Constatação XV (Com “anha”. Antecipadamente, perdão leitores).

Depois de uma “caña”,
O Badanha,
Parente do Saldanha,
Que viveu na Alemanha
Os olhos estanha:
Aquela jovem castanha,
Meio estranha,
Cheia de manha,
Preparou uma artimanha
Que quase o apanha
E sua reputação arranha.
Fez campanha,
Propondo uma barganha,
Uma patranha,
De contrabandear castanha,
Pra Espanha.
“Você só ganha
Com essa façanha
“E uns trocados arrebanha”,
Disse ela com manha,
No seu intento, na sua sanha.
Que piranha!

Constatação XVI (Ah, esse nosso vernáculo).

Nem a loba me dava bola, ora bolas!

Constatação XVII

E como já dizia o também mestre e guru Mário Quintana, no Caderno H, ainda do tempo do Correio do Povo do grupo Caldas Junior: “As religiões cresceram entre os humildes porque aqueles que estavam por cima já se julgavam no paraíso”.

Constatação XVIII

E como já dizia o escritor em língua idish Sholem Rabinovitch, conhecido pelo pseudônimo de Sholem Aleichem (A paz esteja convosco): “Se os ricos pudessem contratar alguém para morrer em seu lugar, os pobres teriam uma vida melhor”.

Constatação XIX
Deslindou
O mistério:
Ela só falou
Em sumério *
Sumério = “Ling. Língua de filiação difícil falada na Mesopotâmia antes da invasão semítica”.

Constatação XX

Rico oferece um “party”; pobre, é mandado ao raio que o parta.

Constatação XXI

Era tão gordo, tão gordo, mas tão gordo que não usava cueca samba-canção, usava samba-enredo.

Constatação XXII

F...eu–se,
Digo, perdeu-se,
Por um momento,
No labirinto.
Minto!
No trânsito violento.

Constatação XXIII

E como filosofava didaticamente o obcecado: “Certas religiões proíbem que se consuma a carne de porco, camarão, lagosta, etc. como a dos judeus e muçulmanos. No entanto, conheci gente dessas religiões que dizia que se for comer, transgredindo a proibição, que o faça de maneira tal que chegue a escorrer o suco, o caldo ou seja lá o que for pela boca. Com o sexo, “mutatis mutandis”, deve-se agir de maneira semelhante”.

Constatação XXIV (Ah, esse nosso vernáculo).

Entrou numa fria. Exagerou nas calorias.

Constatação XXV

Não se pode confundir “massa” com “amassa”, muito embora depois de um baita de um amassa as partes envolvidas poderão dizer: “Que massa!”. A recíproca, dependendo do caso, poderá ser verdadeira.

Constatação XXVI

E como matutava, poetando, o septuagenário, ligado a metereologia e a astronomia: “Estou no solstício da minha excitação e no equinócio da falta da minha ereção”.

Constatação XXVII

Perturbado
Com o noticiário,
Fico extenuado
E recorro ao diário
Que leio.
E, no permeio,
Escuto o obituário
No rádio
Do vizinho,
Que vive sozinho
E escuta o horário
Policial,
Num alto áudio.
Sem uma deixa,
Ele só se queixa,
Sem ser o primeiro,
Que a humanidade,
Tão velha de idade,
Vai muito mal...

Constatação XXVIII (De diálogos pseudo haicaimente acerbos).
-“Me falta embasamento
Para eu te pedir
Em casamento”.
-“Não se moleste.
Outro babaca, como você,
Eu acho. E até que preste”.

Constatação XXIX (De opções prioritárias de alto risco, passíveis de mal entendidos).
Ele a levou para um motel.
E para seu grande espanto
Enquanto
A roupa ia tirando
Ele ficou olhando,
Sem quartel,
Pra televisão
Que tava mostrando
O jogo da seleção.
Que panaca!
Que babaca!

Constatação XXX
Rico é anfótero (pessoa que reúne em si qualidade opostas); pobre, é inconstante.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I

A única notoriedade
Daquela celebridade
Era sua improbidade !?
Dúvida II
O capim ralo entupiu o idem ?

Dúvida III

Foi na Jane do Tarzan
Que uma sucessão de tombos
Deixou no seu belo “tchan”
Uma série de calombos ?

Dúvida IV

Baseado na aparente incongruência da matemática de que menos por menos dá mais, a discordância de uma discordância é uma concordância ?

Dúvida V

Em certos países, os verbos afanar, meter (a mão no jarro), ser (descuidista), desviar (os recursos), bater (a carteira), tungar, confundir (os recursos de terceiros com os próprios), surrupiar são, sempre, conjugados na terceira pessoa do singular e do plural do presente do indicativo, e/ou no passado e/ou, sem dúvida, no futuro ?

Dúvida VI (No elevador).

Tio! Aperta o vinte pra mim ?

Dúvida VII

Os raros alimentos que não contém produtos químicos, aditivos, não deveriam ser chamados de diminutivos ?

Dúvida VIII

A cólica,
Nada bucólica,
Não foi eólica ?

Dúvida IX
Exerce um fascínio
Em certas pessoas
O noticiário de morticínio
Que, pra elas, até parece loas ?

Dúvida X
Você acorda sobressaltado
Quando sonha que tudo vai bem
Depois de um sono pesado ?

Dúvida XI (Bucólica, lírica e chifruda).

No remanso
Do rio grasnava
O ganso
Onde nadava
O corno manso ?


Dúvida XII (Eleições para os próximos anos).

Pintou no pedaço
Um novo candidato
A candidato.
Também palhaço ?

Dúvida XIII (De exames médicos psíquicos, ingênuos, cândidos, pré-matrimoniais).

Por favor,
Doutor
Manoel,
Me diga
Se periga
Minha lua de mel
Acabar em briga ?


Dúvida XIV

Será que pirotecnia é a técnica de dar os pira ?

Dúvida XV

Na Constatação XXV, se colocarmos massa em evidência resultaria massa(1+a) ?

Dúvida XVI (Contribuição de Rumorejando aos filólogos).

A palavra pôquer resultou quando o cara, na lua de mel, já não se agüentando mais diante do assédio sem parar da mulher, pegou um baralho e a convidando para um jogo, que não o do amor, disse, numa voz já quase balbuciada, quase sumida: “Pô, quer ?” (Perdão, leitores).

Dúvida XVII

No final do ano de 1999, próximo da virada do século, a mídia noticiou que “a bactéria Deinococcus radiodurans, considerada uma das mais resistentes do mundo por sobreviver a explosões atômicas, foi transformada, por meio da engenharia genética, em uma superbactéria capaz de digerir lixo tóxico da era nuclear”. Será que não haverá perigo, quando a bactéria estiver fazendo a digestão, ela formar gases estomacais e/ou intestinais ?

Dúvida XVIII

A violência
Cresce
Em progressão
Geométrica.
A proteção
Decresce.
Paciência ?...

Dúvida XIX

Pode vir quente que eu já estou fervendo. Mesmo no único dia do verão curitibano ?

Dúvida XX

Em qual presídio deverá haver o próximo levante ?

Dúvida XXI

A peritonite é a inflamação que dá no perito ?

Dúvida XXII

Não encontrou no léxico a definição de análise léxica nem de geometria analítica, por falta de uma melhor síntese ?

Dúvida XXIII

A diferença entre olho gordo e olho grande depende se a pessoa é gorda ou grande, ou os dois ?

Dúvida XXIV

Será que só a Amélia que achou bonito não ter o que comer ? Mas ela, ao que consta, será que estava fazendo algum regime para emagrecer ?

Dúvida XXV

Se a violência continuar neste ritmo, neste diapasão, o último que restar que apague a luz ?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

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