quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

RUMOREJANDO


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Via duplo pseudo-haicai).
Dos outros, a desdita
Não passa
De fita;
A nossa,
Sempre é
De fossa.

Constatação II (De diálogos esclarecedores).
-“Qual é, ó meu ?”
-“Eu não sou teu. Eu sou da mamãe!”

Constatação III (De conselhos úteis, rimados).
Nunca
Freqüente,
Meu camarada,
Minha camaradinha,
Uma espelunca
Daquela bem danadinha
Que o ambiente
Tá sempre quente.
De nada!

Constatação IV (Via pseudo-haicai).
Foi contundente,
O discurso.
Pena que ele mente...

Constatação V
Não se pode confundir perda com lerda, muito embora possa haver uma lerda se a pessoa for perda, quero dizer, houver uma perda se a pessoa for lerda. Como já vimos, no lapso, a recíproca não é verdadeira. Favor não insistir.

Constatação VI
E não se pode confundir intocável com incontável já que, como é por demais sabido, rico é intocável e pobre é incontável.

Constatação VII
E, ainda, não se pode confundir vinagre com viagra, até porque o primeiro é algo ácido, azedo. Já, o segundo enseja, induz, contribui para algo doce, muito doce...

Constatação VIII
E já que tocamos no assunto, rico se veste com seu casaco de lã e vai ouvir A Tosca, de Puccini; pobre vai buscar lã e sai tosquiado.

Constatação IX
Que zorra
Que aconteceu!
Foi passar, nela,
A manzorra.
E se fo, digo, mal se deu.

Constatação X
E como dizia aquela adolescente, toda compungida, toda fossética que, como toda adolescente se considera rejeitada, repudiada, mal amada e outras “adas” do gênero:
“De apreço,
Uma manifestação,
Não tem preço
Nem condição.
Só boa aceitação.
E, afinal,
Tal,
Eu bem que mereço!”

Constatação XI
A Folha de São Paulo, no dia 16 de janeiro, noticiou que “pelo menos 42% da carne bovina, 19% da suína, 25% da de frango e 46% de leite produzido no país não possam por nenhum tipo de fiscalização”. Para nós, consumidores, tal notícia, como tantas outras, já não causa mais nenhuma surpresa. O que causa indignação, isso sim, é essa insistência em querer dizer que o nosso país é do Primeiro Mundo. E viva “nóis”.

Constatação XII
A conferência
Subia
E descia.
Mas, sempre voltava
Ao mesmo lugar.
Até lembrava,
Até dava
Pra imaginar
Que não se tratava
Duma conferência.
E, sim, duma circunferência.

Constatação XIII
Ninguém mais considera
Nos dias atuais,
A solicitude
Uma virtude.
E falam mais:
“Quem me dera!
Que tal atitude,
Já era!”

Constatação XIV
A única vez que este assim chamado escriba acha não apelativo rimar flor com amor é na canção antológica paraguaia Índia.

Constatação XV
Não se pode confundir acuado com amuado, muito embora a gente, cada vez, fique mais amuado ao ver que está ficando, cada vez, mais acuado diante desse crescimento da violência. Se a recíproca é verdadeira ou não, não vem muito para o caso.

Constatação XVI
Quando o casal convidou o obcecado convencido e presunçoso para um ménage a trois ele incontinente respondeu: “Só se for com duas mulheres porque eu dou conta tranquilamente das duas e, ainda pode ser um ménage a quatre, nas mesmas condições de pressão e temperatura que eu não esmoreço e tiro de letra, inclusive já com a nova ortografia”...

Constatação XVII
Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “TÓQUIO - Um empresário japonês de 54 anos, usando um computador construído em casa, calculou o conceito matemático Pi (3,14159) com 5 trilhões de casas em agosto do ano passado e marcou um novo recorde mundial, reconhecido com um certificado pelo Guinness World Records na semana passada.
Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que ninguém vai conferir se a conta está certa ou não...

Constatação XVIII
O abraço de Rumorejando para o aniversariante Luiz Geraldo Mazza. E como auguram os judeus: “Até os 120 anos com saúde!”

Constatação XIX (De gafes imperdoáveis, muito embora cheias de boas intenções.
Disse a senhora para o septuagenário na piscina, na mesma raia onde ambos estavam recebendo aula:
-“Eu estou meio gorda. Preciso fazer regime”.
-“Que nada! Até que, para a sua idade, a senhora está bem”...

Constatação XX (De diálogos ainda concernentes à aulas de natação).
-“Essa nossa professora é uma idealista”.
-“Por que ?”
-“Porque mesmo sabendo que eu freqüento esta escola aqui já há quinze anos, ela não desiste de querer me ensinar a nadar”.

Constatação XXI (via pseudo haicai).
Para quem toma muito vinho
O mundo parece
Um eterno redemoinho.

Constatação XXII (Via pseudo haicai).
Fofoca a Humanidade.
Pura questão
De mentalidade.

Constatação XXIII
O prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, já falecido, quando no programa de entrevistas do Jô Soares, cometeu uma gafe – na minha modestíssima e abalizadíssima opinião, nada grave, já que os atos falhos acontecem – ao se referir ao seu colega escritor, também ganhador do Nobel, o colombiano Gabriel Garcia Marquez, como sendo boliviano. Esse fato me fez lembrar de um político que foi a Cascavel fazer campanha política e, meio alto, pois que havia ingerido, antes, umas & outras, se dirigiu ao povo que o assistia da seguinte maneira: “Povo de Urutu”. Alguém, ao lado, cochichou: “Não é Urutu, é Cascavel”. E o cidadão, cheio de razões, com a voz engrolada: “Dá tudo na mesma. É tudo cobra”. Não é preciso dizer que os eleitores de Cascavel não o perdoaram, como, aliás, não poderia deixar de acontecer.

Constatação XXIV
Com relação ao fato narrado na constatação anterior, há também uma história de um cidadão que sempre recorria a uma regra mnemônica para não esquecer nomes, datas, locais, etc. Tal método, na também modestíssima opinião deste assim chamado escriba, é muito perigosa, pois se o sujeito esquecer a palavra relacionada aí esquece o que pretendia não esquecer. Senão, vejam: O nosso amigo foi convidado para uma elegante festa na casa de uma senhora de nome Herda, nome muito comum, assim como Gerda, nas pessoas de origem alemã. Na saída, ao se despedir lá veio o cara: “Sua festa esteve magnífica, Dona Hosta”...

Constatação XXV
E ainda falando de gafes, quem não se lembra das que o então presidente da maior potência do Planeta, Ronald Reagan, cometeu quando esteve no Brasil ao dizer algo mais ou menos assim: que de São Paulo iria para uma cidade da Bolívia e depois a Brasília, já retornando em direção ao Estados Unidos. Inclusive, houve um jornal, de grande circulação do nosso país, que redesenhou o mapa do Brasil e da Bolívia, naturalmente fazendo troça dos geográficos conhecimentos de S. Excia. Para quem não respeita os outros, Brasil, Cascavel ou Bolívia é tudo a mesma coisa...

Constatação XXVI
Eu não fico mais tão chateado porque o meu Paraná vive apanhando. Afinal, o meu SK Tirana sagrou-se campeão do Campeonato Albanês...

Constatação XXVII
Quando a parceira perguntou para o obcecado o que estava acontecendo já que o desempenho estava meia-boca, ele se lamentou que, ultimamente, estava sendo obrigado a recorrer aos produtos farmacológicos, acrescentando que havia tido algumas contrariedades pessoais e também por causa da idade que estava ficando provecta. Aí, ela disse para ele não se preocupar que essas coisas acontecem, que são psicológicas e coisas desse jaez o que, convenhamos, só fazem piorar a situação e, daí, ela pensou: “Ele, que mal eu chegava quase rasgava a minha roupa na ânsia de me deixar nua de tanta excitação ta ficando apenas semi-obcecado. Coitado!”

Constatação XXVIII
Rico é sorumbático; pobre é azedo.

Constatação XXIX
Rico é tolerante; pobre não tem alternativa.

Constatação XXX
Rico, casa e/ou tem amante; pobre se junta.

Constatação XXXI
Rico tem sofreguidão; pobre, tara.

Constatação XXXII
Rico é sensível; pobre ta às tintas.

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO MILLÔR).

Numa cidade de porte médio, no interior da China, vivia uma família, constituída por três pessoas: o pai, Hen Tah Leh; a mãe, Shey Fah Leh e o filho Keh Tzah Leh. O casal trabalhava a terra e o filho estudava numa escola pública porque, na China, não existe ensino privado o que não impede que os chineses sejam considerados, pelos entendidos, um dos povos mais inteligentes do Planeta Terra. Mas isso, agora, absolutamente não vem para o caso. A família vivia razoavelmente bem, sem maiores problemas, já que as necessidades básicas estavam plenamente atendidas, muito embora as pessoas, de modo geral, nunca estejam satisfeitas com aquilo que possuem. O que, nesse exato momento, também não vem para o caso. Mais tarde, sobreveio a abertura econômica e, nessa época, Keh Tzah Leh havia partido para a cidade para estudar em níveis mais elevados, já que tinha boa cabeça e, na China, qualquer um que tenha boa cabeça, é lhe proporcionado oportunidades para que prossiga nos estudos, o que não é em todos os países que tal acontece o que, convenhamos, por ora, incontestavelmente, não vem para o caso. Hen Tah Leh aproveitou a oportunidade e se meteu em negócios – indubitavelmente, não escusos, já que na China, ao contrário de certos países, é severamente punido – e, graças ao seu tino comercial, começou a enricar. A casa foi ampliada; o tamanho da televisão foi aumentado; o carro foi trocado; os amigos, também. Enfim, as coisas e valores foram modificados. Não se sabe exatamente em quais direções, mas isso, cá entre nós, definitivamente não vem para o caso.
Aí, como soe acontecer nessas ocasiões, Hen Tah Leh arrumou um caso, que não tinha nada a ver com uma música de um país lá do outro lado do mundo, que começava assim: “Todos nós temos, na vida, um caso, uma loira, etc.”, o que, nesse preciso momento não vem para o caso qual país é esse. Daí, o que vem, isso sim, para o caso, é que ele teve que arrumar uma casa, para seus encontros que, na China, não é nada fácil, pois lá vivem 1,3 bilhões de pessoas e o motel é coisa dos “imperialistas americanos e dos revisionistas soviéticos”. A mulher não fez o menor caso. O casamento já tinha começado a caminhar para o ocaso e, além de tudo isso, ela também tinha um caso que trazia, nas ausências dele, para casa, além de outra casa que teve de arranjar pelas razões já expostas e quando o marido não estava viajando, porque também na China ninguém é de ferro.
Moral: Nem sempre, só quem casa, quer casa.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
www.rimasprimas.com.br

2 comentários:

DJALMA FILHO (twitter @djalmafilho68) disse...

Juca, suas peças do "rumorejando" são belas obras literárias de muita inspiração e transpiração, penso. Abraço grande!

Juca disse...

Quem não tem talento tem que apelar para a transpiração. E não é modéstia ou falsa modéstia ou seja lá o que for. Obrigado pelos elogios.