quarta-feira, 15 de junho de 2011

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De diálogos nem um pouco esclarecedores).
-“Não é por nada, não, mas eu gostaria de saber por que você raspou o teu cabelo a zero ?”
–“Você já mostrou que sabe o porquê”.
-“Sei, não. Por quê ?”
-“Por nada, não”.

Constatação II
Não se deve confundir embolar com embolorar, até porque se você embolar uma toalha molhada ela poderá embolorar. Não chegamos a deslindar quanto à recíproca se é verdadeira ou não. Se alguém puder dar uma mão, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação III
E como dizia, meio se repetindo, o obcecado: “A gente apenas e tão somente gosta de fazer o que a gente sabe e gosta de fazer”.

Constatação IV
Em certos países, o arquiteto que, anteriormente, ao projetar uma casa, se voltava primordialmente para a estética e funcionalidade, passou a dar prioridade à segurança. E viva certos países...

Constatação V
Existe convite de almoço que é feito para você não aceitar, já que a quantidade de comida é a metade ou um quarto daquilo que você costuma comer. Mal e mal dá para aquele que te convidou. Portanto, veja lá, hein!

Constatação VI (Passível de mal-entendido).
Ele andava atrás da perseguida.

Constatação VII (De um diálogo entre obcecados com conselhos úteis).
-“Eu queria te apresentar o Fulano de Tal. Foi ele que me levou pela primeira vez para os lugares da pesada, me iniciando nessa vida de farra”.
-“Muito prazer! É verdade. Fui eu que levei o nosso amigo comum pra pesada. Eu até pretendo fazer constar esse fato no meu currículo”.
-“Faz muito bem. Só acho que valeria a pena esperar mais um pouco até ele se tornar famoso”.

Constatação VIII
O Projeto Genoma, que constou do mapeamento de 97% do código genético humano (DNA), comprova que os seres humanos são 99,8% similares entre si. Taí uma notícia para quem se considera raça superior morrer de raiva ou se consolar dizendo que o 0,2% é que faz a diferença...

Constatação IX (De uma dúvida crucial).
Música ligeira é aquela que a gente não quer que termine logo ?

Constatação X
Quando outro obcecado constatou o elevado número de propaganda de relax, massagem não necessariamente estética, no jornal, emitiu sua abalizada opinião: “Eis aí uma mão-de-obra bem empregada”.

Constatação XI
Ela mandou o recado
Pro seu namorado
Que o deixou aparvalhado:
“Dormir ao seu lado,
No chão, sem estrado,
Que ele não havia providenciado
Era pedir demasiado.
Seu esculachado,
Desmoralizado,
Avacalhado,
Esculhambado,
Descuidado,
Desleixado”.
Coitado!

Constatação XII
Afinal,
Foi um alívio geral
A cessação
Do convívio
Daquela
Fracassada,
Enjeitada
União
Com ela.

Constatação XIII
E como dizia aquele ancião de 108 anos para o seu avô: “Pois é, vovô. Com esta nova crise, viver hoje em dia, não tá nada fácil”.

Constatação XIV (Também curitibana).
Era uma noite nevoenta,
Assaz friorenta
Que faz brotar
Mágoa,
Daquelas que a gente,
Tão somente,
Tem que tomar
Um vinho
Ou água
Que passarinho
Não aceita.
(Não por desfeita).
Se não, não agüenta
O frio de rachar.

Constatação XV
Acha a sogra uma bruaca*.
E ela, sempre o achou
Uma caca **
Desde o dia que,
E até agora
Ela não sabe o porquê,
Com sua filha casou.
“Nem sinal,
Do imoral
Ir embora”.
*Bruaca = mulher maldosa, faladeira, geralmente idosa (Houaiss).
**Perdão, leitores, mas não temos nada a ver com o que a sogra dele acha ou deixa de achar. Apenas transcrevemos a sua – dela e segundo ela – douta opinião.

Constatação XVI
E como dizia Matusalém: “Do berço à cova é só um passo”.

Constatação XVII
Rico desfila elegância; pobre, com o que tem.

Constatação XVIII
Não se pode confundir bochecha com bochicho, que o dicionário Houaiss define como “notícia de fonte desconhecida, maledicência”, muito embora quem está contando um segredo, um bochicho, ou pretendendo espalhar um boato, normalmente, baixa o tom de voz e fala próximo da orelha do ouvinte pondo a mão na sua própria bochecha para que vá em direção ao pobre e, normalmente, indefeso escutador para que ninguém mais, aparentemente, ouça do que se está falando.

Constatação XIX
Deu na mídia: “Tenho orgulho do meu bumbum, é todo meu, diz Kim Kardashian, negando silicone”. Rumorejando confessa, um tanto quanto constrangido da própria ignorância, que não sabe de quem se trata, mas deve ser gente importante, principalmente porque se refere a um enunciado de transcendental importância para o futuro da Humanidade.

Constatação XX
Axioma: Para um convencido, o autojuízo de valor sempre será benevolente.

Constatação XXI
Não se pode confundir decente com docente, até porque o salário que se paga ao corpo docente, em certos países, não é e nunca foi decente. Para o corpo de bombeiros tampouco. Principalmente no Rio de Janeiro...

Constatação XXII
O conceito de filho da p. não tem nada a ver com a progenitora do assim cognominado. É essencialmente dirigido a um mau-caráter, um corrupto, à maioria dos políticos e governantes. Um dos exemplos mais gritantes é determinar o que a mãe de um juiz de futebol tem a ver se o filho apitou um pênalti inexistente ou não apitou um pênalti existente, independentemente da opinião e protestos das torcidas.

Constatação XXIII (Recordação dos Jogos Pan-americanos em 2007).
Copa do Mundo no Brasil em 2014 = Crônica de uma corrupção apenas sabida, evidentemente, ainda não anunciada...

Constatação XXIV
Em dia de ventania, na casa de rico o vento zune; em casa de pobre, o vento uiva.

DÚVIDAS CRUCIAIS

Dúvida I
É muito misticismo
Acender vela pra conquistá-la
Ou é excesso de fanatismo ?

Dúvida II
Ela vestida só com um “négligé”*
Parecia mais nua
Como na mídia só se vê ?
*robe feminino de tecido fino e transparente, geralmente adornado de rendas ou folhos (Houaiss).

Dúvida III
É deveras insolúvel
Reconciliar-se com a sogra
Quando se é tão volúvel ?

Dúvida IV
É muita pretensão e insensatez
Desafiar o Kasparov
Prum joguinho de xadrez ?

Dúvida V
Causa muito rebuliço:
“Peguei um peixe com a mão
Sem usar o caniço” ?

Dúvida VI
É muita desfaçatez
Discutir o salário mínimo
Pra alcançar o fim do mês ?

Dúvida VII
É ser muito perceptivo
Imaginar um governante
Que seja ativo ?

Dúvida VIII
É muito trivial
Ler de cabeça pra baixo
O noticiário do jornal ?

Dúvida IX
É muito temor
Insistir que se vá
Devagar com o andor ?

Dúvida X
É muita falta de piedade
Deixar alguém esperando
Cheio de ansiedade ?

Dúvida XI
É muita ab-rogação*
Deixar de pagar
A infindável prestação ?
*"revogação ou abolição total de uma lei" (Houaiss). Em certos países não é necessário porque ninguém cumpre mesmo...

Dúvida XII
É muita magnanimidade
Abrir mão dos empréstimos restituíveis
Que o governo nos obrigou sem piedade ?

Dúvida XIII
É muito essencial
Se rebolar
Só no carnaval ?

Dúvida XIV
É muito primordial
Assistir os “heróis”
Do Pedro Bial ?

Dúvida XV
Você anda muito omisso
Ou ultimamente é apenas
Questão de feitiço ?

Dúvida XVI
E o meu Paraná?
Será que este ano
Também me vai “assustá”?

FÁBULA CONFABULADA (Indigna do guru Millôr).

Numa província chinesa, chamada Guangdong, vivia uma família constituída pelo pai Aby She, pela mãe Ashan Deh e pela filha Achar Peh, de sobrenome Hoy Vey. O casal trabalhava a terra e a filha estudava em colégio, evidentemente, estatal. Quando começou a abertura chinesa, ainda que num capitalismo parcial e não confesso pelas autoridades chinesas, Aby She, que possuía uma vocação para o comércio, começou a especular e como acontece nesses casos começou a enricar de modo tal que a família pôde se mudar para Xangai. Lá, começou a fazer turismo. Inicialmente, no próprio país e posteriormente para o estrangeiro. Passou a freqüentar cinemas, teatros, balé e, principalmente, bons restaurantes, passando a conhecer outros tipos de comida além da chinesa, que juntamente com a francesa é considerada a melhor do mundo. O que, nesse momento não vem para o caso. A sopa de ninho de andorinha, jamais provada antes, também passou a fazer parte do cardápio da família. Mas isso, agora, absolutamente, também não vem para o caso.
Não sabemos se por inércia, por costume, por prevenção ou por medo de adquirir alguma doença, talvez já adquirida no passado, Aby She, como o patriarca da família e consequentemente o mais ouvido, tinha o hábito de perguntar ao garçom sobre o estado e a idade dos ingredientes e/ou do prato principal. Assim, ele se encarregava de questionar o atendente: -“O peixe de vocês está fresco? Eu não quero pegar uma salmonela”. –“O bufê é renovado todos os dias com produtos frescos? Eu não quero pegar uma salmonela”. –“No calor a batata da maionese, mesmo na geladeira, tem vida curta. Ela ta fresca? Eu não quero pegar uma salmonela”. Um dia, estando de passagem por Pequim (Beijing), ele começou com a mesma ladainha de sempre. Claro que à sucessão de indagações, o maître, em posição respeitosa, ia respondendo, com o máximo de cortesia, que o restaurante era de confiança, que a comida era preparada na hora, que não se guardavam os alimentos de um dia para outro, ao contrário de tantos outros lugares por esse mundo afora e que ele poderia comer tranqüilo sem receio algum. Ainda que de modo cortês, um olhar mais aguçado notaria que o maître havia ficado agastado com toda aquela, digamos, sondagem.
Quando foi apresentada a conta, Aby She achou que ela estava alta demais, como havia sucedido numa viagem que a família havia feito para um determinado país da América do Sul e que fazia parte do BRIC, constituído também pela China, Rússia e Índia e que todos vinham apresentando índices de progressos econômicos elevados, porém nenhum como o seu país a quem os entendidos diziam que logo, logo, passaria do segundo lugar para o primeiro em maior desempenho do Produto Interno Bruto e coisas desse jaez.
Aby She, a fim de não demonstrar sovinice, avareza, mesquinhez pagou sem pestanejar, dando uma de altivo, emproado, deixando uma razoável gorjeta, guardou a nota no bolso para em casa conferir melhor os valores lá descriminados.
O maître, depois que o restaurante já havia encerrado o expediente e estava jantando, juntamente com os demais funcionários da casa, como era de praxe, contou o fato para os demais, como se fosse uma fábula, a fim de não dar mau exemplo e do alto da sua vivência em conhecer a Humanidade, concluiu com a seguinte moral:
-“Dizem que ‘um homem prevenido vale por dois’. Consequentemente deve comer como tal. Portanto, justo que pague em dobro”.
E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
www.rimasprimas.com.br

Um comentário:

Anônimo disse...

Salve Juca!

Nesse final de semana: Truco, 2 cervejas e leitura do Rimas Primas!

Sem exageros não é mesmo!

Abraços, Joao Paulo