quarta-feira, 14 de setembro de 2011

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (Ah, esse nosso vernáculo).
Vencer um triatlo é um périplo. Há uma pletora de atletas em pleno planeta pleiteando plenamente este pleito.

Constatação II
Não se deve confundir indústria fonográfica com indústria pornográfica, muito embora haja muita indústria fonográfica que é pornográfica. A recíproca não é verdadeira e nem pode ser considerada, o que é assaz marcante, tendo em vista o que circula pela televisão, revistas, cinema e outros menos votados...

Constatação III
Rico toma guaraná, ginseng e come ovo de codorna; pobre, amendoim com a casquinha e chá de catuaba; milionário, viagra...

Constatação IV
E como dizia aquele político pernóstico de modo haicaimente duplo:
“Entreguei o rascunho
Pro meu ‘ghost writer’
Que rabisquei de próprio punho.
É pro meu ‘speach’
Do mês de junho”.

Constatação V
Deu na mídia: “Vacas produzem mais leite quando ouvem música clássica relaxante, segundo cientistas britânicos”. Data vênia, como diriam nossos juristas, até os homens produzem mais com música relaxante. Não leite, é claro...

Constatação VI (Para o meu leitor, amigo e “chimarrãozeiro” Rui Afonso Tomé, de Pato Branco).
A conta, já perdi
De quantas cuiadas
De chimarrão,
Na minha vida,
Eu já sorvi,
Escutando uma canção,
Sutil, terna, querida,
De Horácio Guarani,
De Larralde e Zitarrosa,
Que minhas namoradas,
- Tantas, que já esqueci -
Todas, um lindo botão
De flor, de jasmim, de rosa,
Esses três gaúchos me ajudaram
A conquistar.
(E não é prosa!)
E as que se negaram
O amargo a sorver
Machucaram,
Molestaram,
Arruinaram
Meu bem-querer.
Daí,
Eu me vi
Naquela condição
De mandá-las passear.
Taí,
Pra quem quiser saber,
A explicação
De tantas amadas,
Coitadas!

Constatação VII
Esses dias vinha um carro “costurando”, em alta velocidade, no trânsito. No pára-brisa havia uma decalcomania, na qual estava escrito: “Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono”. Dirigindo daquela maneira, sem dúvida, o sujeito vai precisar que o seu Pai o proteja, além de que os demais motoristas, obrigados a freadas e desvios, achem que a sua filiação não é bem àquela apregoada...

Constatação VIII
Pepino é tudo aquilo que um dito profissional não consegue, ou não sabe consertar.

Constatação IX
É falta de diplomacia,
Num jantar,
A anfitriã
Se pôr a falar,
No seu celular,
Numa conversa vazia,
Nada sadia,
Irregular,
Malsã,
Enquanto a sopa esfria.

Constatação X
Dez obras literárias foram utilizadas na prova de português e literatura de um vestibular da Universidade Federal do Paraná. Dentre elas, Senhora de José de Alencar. O escritor José Ramos Tinhorão, um dos maiores entendidos de Música Popular Brasileira do nosso país, em sua trilogia A música popular no Romance Brasileiro (Editora 34), desce a lenha no escritor por seu elitismo, preconceito e pernosticismo, o que deverá deixar muita miss infeliz, pois o autor de O guarani, juntamente com Saint-Exupéry, Érico Veríssimo e Jorge Amado, sempre foram citados como seus – delas – autores preferidos.

Constatação XI (De ditos populares aparentemente de pé quebrado).
Em briga de marido e mulher ninguém deve meter...

Constatação XII
Sofria de uma doença,
Desde a sua nascença,
Chamada siagonagra *
O médico, por engano,
Cuja identidade,
Por razão ética
Chamaremos Beltrano,
Como solução
Receitou,
Aviou
Comprimidos de viagra.
Ele se curou
De outra enfermidade
Que achava uma barbaridade.
E o maxilar recobrou
Sua estética,
Pois o cidadão
Não para de sorrir
De tanta felicidade.
* Siagonagra = “Patol. Reumatismo na articulação da maxila inferior”.

Constatação XIII
Disse a mulher para sua amiga:
-“O meu marido está se revelando ser um grosso. Você acha que existe no relacionamento de um casal algo pior do que isso?”
-“Acho sim. É o meu caso. O meu marido é um grosso, mas acha que é um cara fino”.
-“Ah bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer...”

Constatação XIV
Comunico a quem interessar possa que, pelo fato de eu estar tomando chimarrão com água mineral, não quer dizer que seja por esnobismo, meter panca, afetação ou efeito demonstração. É, apenas – e não mais que apenas –, por causa do cheiro e gosto da água da torneira, mais conhecida como água “torneiral”. Tenho dito!

Constatação XV
Da constatação anterior pode-se inferir – o que, absolutamente, não é o caso deste assim chamado escriba – que: Rico toma chimarrão com água mineral; pobre, com água “torneiral”.

Constatação XVI
Não se pode confundir polígono regular, que quer dizer “o que tem todos os lados e todos os ângulos iguais” com polígamo regular, que quer dizer “aquele que tem mais de um cônjuge ao mesmo tempo”, até porque esse último deve ser totalmente irregular, totalmente “psicado”, por ter várias sogras também ao mesmo tempo.

Constatação XVII
Do jeito que as coisas estão transcorrendo, logo, logo vão entregar, nesse dissonante * esquema da globalização, até o ar que respiramos...
* Utilizamos o adjetivo dissonante porque somos gente bem educada...

Constatação XVIII
A Liga pela Moralidade,
Ainda no meu tempo de Mocidade,
Agia com seriedade
Para proteger a Humanidade
Afastando-a da imoralidade
Que grassava pela cidade.
O seu presidente,
Na época, um tenente,
De pecados, muito temente,
Queria, tão somente,
Que se abolisse o aguardente
Já velho conhecido de antigamente
E que a turma achava excelente.
O clamor foi geral,
Que há tempo não se via igual.
Repercutiu em muito jornal,
Até na Rádio Nacional.
No Repórter Esso foi essencial
Ser falado em edição especial.
Mas a reação foi tal
Que a Liga teve que recuar,
Sem antes espernear,
E o povo conclamar
Para, ao menos, maneirar
Quando fosse a pinga tomar.
Portanto, um final feliz
Como sempre se quis.
E para comemorar,
Foram todos se esbaldar
E, somente, bebericar,
Numa noite de luar,
Uma cachaça com aniz.

Constatação XIX
Não se pode confundir meter a mão no jarro com meter os pés pelas mãos, muito embora, em certos países, meter a mão no jarro não representa mais meter os pés pelas mãos. A recíproca, nesses trabalhos manuais (e pedais) não é necessariamente verdadeira.

Constatação XX
O ex-presidente Fernando Collor de Melo, quando presidente da República, publicou artigos na imprensa nacional, devidamente assinados por ele que, foram detectados, logo em seguida, como cópia de trabalho do intelectual José Guilherme Merquior, anteriormente publicados e que havia falecido recentemente. Sua Excia alegou que havia comprado o trabalho do diplomata José Guilherme Merquior. Havia trechos inteiros repetidos nos artigos de S. Excia e no do diplomata e pensador José Guilherme.
O ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso instou a todos para esquecerem o que havia escrito numa determinada época, antes da sua ascensão à Presidência. Como diz a sabedoria popular: “Dizê-me o que, quando e como escreves e eu te direi quem és”...

Constatação XXI
O ex-presidente da República da maior Potência do Planeta, George Bush não quis assinar o Tratado de Kyoto concernente a poluição da Terra. “Não assino e tá acabado e quero ver quem me manda”, ficou a impressão que S. Excia., evidentemente, em palavras mais diplomáticas, proferiu. Na época da 2ª Guerra Mundial, alguém argumentando com o dirigente máximo da Rússia, Joseph Stalin, falou que o Papa não estava de acordo com determinada atitude o que originou um explosivo desabafo do ditador russo: “Mas, afinal de contas, quantos batalhões tem este tal de Papa ?”
Sem dúvida, dois exemplos de argumento da força, ao invés da força do argumento. Pena...

DÚVIDAS CRUCIAIS VIA PSEUDO-HAICAIS.

Dúvida I
É ser muito perdulário
Ter as contas no negativo
Ou é o contrário ?

Dúvida II
É ser muito conciso
Botar apenas “Proibido”
Num baita dum aviso ?

Dúvida III
Com a sua indefectível gaforinha, *
O dândi super convencido
Parecia que muito cabelo não tinha ?
* Gaforinha = gaforina = “Cabelo levantado sobre a testa; topete”.

Dúvida IV
Afinal, é um beócio, *
Aquele político,
Ou um capadócio ?**
* Beócio = “Curto de inteligência; ignorante, boçal”.
** Capadócio = “Impostor, trapaceiro, parlapatão”. ***
*** Parlapatão = “Mentiroso, impostor, fanfarrão”.

Dúvida V
É muita paz, muita harmonia
O time perder de oito a zero
Sem dar pontapés durante a porfia ?

Dúvida VI
É uma grande peripécia
Conviver com uma pessoa
Totalmente néscia ? *
Néscia = “Que não sabe; ignorante, estúpida”.

Dúvida VII
De roer, é um osso
Nunca comer filé, mas
Só carne de pescoço ?

Dúvida VIII
O Serviço Nacional de Informação,
Pela lei da inércia
Penou para a sua desmobilização ?

Dúvida IX
É melhor ouvir uma toada
Do que ficar estudando
Dos nove, a tabuada ?

Dúvida X
É muito lisonjeiro
Dizerem que você dirige
Como um motorneiro ?

Dúvida XI
É muita fuzarca,
Já, às 8 da “matina”
Estar na base do “encarca” ?

Dúvida XII
Essa imensidão de anástrofe, *
Usadas nas “Dúvidas cruciais”,
Resultam, às vezes, em catástrofe ?
Anástrofe = “Inversão, mais ou menos forte, da ordem natural das palavras ou das orações; inversão”.

Dúvida XIII
É muito estrambótico
Ganhar o concurso
Com uma fantasia de exótico ?

Dúvida XIV
É ser muito resumido
Explicar pra mulher que te flagra
Que você é um polígamo assumido ?

Dúvida XV
Hoje em dia, não faz mais sentido
Dizer para uma gatona: “Sem você
Eu me sinto completamente perdido” ?

Dúvida XVI
Foi a ofídia
Da tua sogra que, de novo,
Te fez uma perfídia ?

Dúvida XVII
Pra eles pareceu efêmero
O tempo passado no motel,
Embora tenha sido nictêmero* ?
* Nictêmero = “Espaço de tempo que compreende um dia e uma noite”.

Dúvida XVIII
É muita teimosia
Cantar a gatona
Quando se está com afonia ?

Dúvida XIX
É uma baita pilhéria
Dizer que o pai da pátria
É gente séria ?

Dúvida XX
É ser muito pedante
Ter 2 km. de livros,
Sem abri-los, na estante ?

Dúvida XXI
É muita diversidade
Ter uma namorada
Em cada cidade ?

Dúvida XXII
Existe muita diferença
Entre a ausência dum chato
E sua inoportuna presença ?

Dúvida XXIII
É muita repetição,
Na milésima cantada,
Ela dizer: “agora não!”

Dúvida XXIV
É muito epistolar
O relacionamento do casal
Apenas via e-mail, no lar ?

Dúvida XXV
Tem um senador que, sozinho,
Se demitiu por se achar
Um estranho no ninho ?

Dúvida XXVI
É de bom tom
Assoar ruidosamente
No meio da reunião?

Dúvida XXVII
É muita separação
Ele dormir no chão
E ela no colchão?
E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
www.rimasprimas.com.br

5 comentários:

Kuzma disse...

Constatação VII
Esses dias vinha um carro “costurando”, em alta velocidade, no trânsito. No pára-brisa havia uma decalcomania, na qual estava escrito: “Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono”. Dirigindo daquela maneira, sem dúvida, o sujeito vai precisar que o seu Pai o proteja, além de que os demais motoristas, obrigados a freadas e desvios, achem que a sua filiação não é bem àquela apregoada...


O que é "decalcomania"???

Juca disse...

n substantivo feminino
1 reprodução de imagens coloridas em que se calca ('comprime') o material já estampado (como papel, forma [ô] etc.) sobre a superfície em que se pretende ter a imagem, depois de se ter umedecido um dos dois
2 Derivação: por metonímia.
a imagem assim obtida
3 Derivação: por metonímia.
o material que contém a imagem a ser reproduzida (Houaiss).

Kuzma disse...

Nossa, esse nosso português! Pensei que era uma dessas manias...

DJALMA FILHO (twitter @djalmafilho68) disse...

Juca, adorei essa do adesivo do carro. Aliás, quase sempre, esse recurso colante é um grande medidor da própria idiotice. Agraço.

Juca disse...

Kuzma, mano velho.
Penso que você confundiu com descalçomania que era o caso do Jeca Tatu (não confundir com Juca Tatu), personagem criado por Monteiro Lobato que tinha a mania de só andar descalço e, por isso, ficava doente.
ML queria chamar a atenção das autoridades para o abandono do nosso caipira. A expressão Jeca acabou virando sinônimo de caipira.