quarta-feira, 28 de março de 2012

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De uma dúvida crucial).
Será que no dia de 1º de abril os políticos de quaisquer partidos vão festejar o dia deles, o da mentira?

Constatação II (De desencontros amorosos).
Sentiu uma necessidade imperiosa de falar com a namorada.
Quis compartilhar com ela o sucesso de uma empreitada.
Aí, ligou para ela às quatro horas da madrugada.
Ela, que havia tido um dia pesado e que a havia deixado contrariada,
Tinha ido pra cama mais cedo porque estava se sentindo muito cansada.
Ela acordou sem poder se dar conta de onde provinha, àquela hora, uma chamada.
Quando se deu conta que era o namorado, disse e, em seguida desligou: Não sou mais a tua amada.
Coitada!
Ele que tinha mentalmente preparado
Um rico e alegre palavreado
Sentiu-se ofendido, censurado
Ficou totalmente atoleimado,
Para não dizer abobalhado,
Tampouco aparvalhado.
Chegou a perder o rebolado.
Coitado!

Constatação III
Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “O comando das Forças Armadas britânicas está insatisfeito com a conduta do príncipe Harry e exige que ele pare de beber tanto para voltar ao treinamento. Segundo o tablóide The Sun, a chance de Harry retornar aos combates no Afeganistão em missões de helicóptero, como diz pretender, está ameaçada pela vida boêmia que tem levado”. Vige! Até tu Brutus?

Constatação IV
Não sei se é por inveja, espírito de imitação, vaidade, ou seja, lá o que for, mas na época que as aves estão mudando as penas, minhas cachorras ficam mudam os pelos. Quanta “pelarada”! Vige!

Constatação V (De uma dúvida crucial)
Será que para entrar no céu ou no inferno existe a burocracia de fazer cadastro, no purgatório, com número do CPF, atestado de residência, número da carteira de identidade e coisas desse jaez? Quem souber informar, por favor, esclarecimentos no blog. Obrigado.

Constatação VI (De diálogos aparentes e parcialmente repetitivos).
-Disse o maître do restaurante para o seu velho cliente velho: “Essa broa que eu lhe servi, na entrada com o patê de tomate seco com chuchu, nova especialidade da casa, foi feita com massa pesada”.
-“Disse o velho cliente velho para o maître do restaurante: Deu para se dar conta porque ela me pesou no estômago pra chuchu”.

Constatação VII (Ah, esse nosso vernáculo).
O pé-de-chinelo, ou não, que ascende a um cargo político, ele não precisa nem deveria, necessariamente virar um mão-leve*.
*Substantivo de dois gêneros.
1.Bras. Gír. Gatuno, ratoneiro, ladrão. [Pl.: mãos-leves. Cf. ter mão leve.] (Aurelião).
 substantivo de dois gêneros
Regionalismo: Brasil. Uso: informal.
indivíduo que furta, esp. de modo dissimulado; punguista, gatuno, mão-boba (Houaiss)

Constatação VIII
Quem não estuda a tabuada e, por isso, não consegue fazer cálculo de cabeça arrisca ser enganado pelo mal-intencionado comerciante e assim toma na bun, digo na retro-mencionada cabeça.

Constatação IX (De cultura inútil, mas aconselhável para exercício de matemática e para quem estuda espanhol).
Quem toma uma chávena de chá pode pôr chá em evidência. Aí fica: cha(vena* de 1). Elementar, meus amiguinhos.
*Vena = veia, em espanhol. Exemplo: Las venas abiertas de América Latina, do escritor uruguaio Eduardo Galeano.

Constatação X
Não se pode confundir arremedo com arremesso, principalmente no caso que você se meter a praticar arremesso de martelo, disco ou dardo, pois, com toda a certeza, não sobrará ninguém, a quem você atingir, desse pessoal que participa em olimpíada, campeonatos ou competições desse jaez, por arremedo do teu esporte.

Constatação XI
Numa época em que o cinema italiano estava em evidência não só pelo neo-realismo dos grandes diretores italliano como Ettore Scola, Pier Paolo Pasolini, os irmãos Taviani, Vitório de Sicca, Giuseppe Tornatore, Dino Risi, Luigino Visconti, Federico Fellini, Lina Wertmueller e tantos outros, apareceram também algumas comédias com Totó, as do escritor Giovani Guareschi com os filmes de Don Camilo e Peppone. Também os faroestes com o, digamos, clássico O dólar furado. Uma das comédias, cujo título já está esquecido, mostrava um filme, constituído por 4 ou 5 episódios curtos com a participação de um casal de atores. Em um dos episódios, um chefe da máfia mata o marido e a esposa resolve se vingar, tornando-se amante do assassino que tinha problemas respiratórios. A vingança foi arquitetada por uma “surra” de sexo que acabou tendo êxito. Durante as conversas e as tertúlias amorosas ela reclamou que ele havia matado o seu marido. O mafioso contesta que não era sua culpa e que o marido era o culpado já que ele havia ido ao encontro da bala de seu revolver.
Rumorejando se lembrou dessa história ao ouvir o advogado Rene Dotti dizer que os dois rapazes que o então deputado Carli Filho matou eram os culpados por haver atravessado a rua aonde o seu cliente vinha trafegando, sem mencionar que ele não poderia estar dirigindo por estar sem licença para tal e tampouco a velocidade que ele vinha. No Rio, o ciclista Wanderson Pereira da Silva, foi atropelado e morto no sábado por Thor Batista, de 20 anos, filho do empresário Eike Batista que responsabilizou a vitima pelo acidente e defendeu o filho no Twitter, esquecendo de mencionar as multas que ele possuía no Departamento de Transito e os elevados números de pontos na carteira de habilitação. Thor mantém a versão de que o ciclista teria atravessado a pista "inadvertidamente." A família da vítima discorda e diz que testemunhas teriam visto Wanderson no acostamento momentos antes do acidente. Dois casos que, lamentavelmente, lembram o episódio do filme italiano...

Constatação XII (E como poetava ‘compreensivo’ o obcecado).
Se os olhos são d’alma as janelas,
Como se propala por aí,
Eles me fitaram com furor
Como nunca vi.
Passei a mão em umas donzelas,
Sem que eu tivesse permissão
E uma alma machucada,
Ofendida
Magoada
Reprimida
Fez ela, a donzela, declarar:
“Eu, como sou educada,
Não posso lhe mandar,
Meu caro senhor
A pqp, então lhe auguro, respeitosamente,
Que oxalá tenha uma incurável infecção
Na maxila
E/ou na pupila
E tenha que consultar,
Aguardando na fila
Um doutor,
E se internar
Pelo SUS numa casa hospitalar
Tão-somente”.

Constatação XIII (De um pseudo-soneto).

De amores a curta ou longa distância

O juramento de eterno amor a longa distância
É como comprar no guaguejado, no crediário.
Se paga um juro e taxa de elevada importância.
E arrisca ter que virar uma espécie de perdulário.

E pior, ainda, ser traído e acabar virando corno
Porque se sabe que as pessoas não são de ferro
E um par de chifres é muito feio como adorno
E não adianta dizer não faz mal depois eu serro.

Por isso minha querida amiga, meu prezado amigo
Esse negócio de amor à distância ou de sexo virtual
Não se compara com aquele velho esquema antigo.

Porém o virtual apresenta uma grande vantagem
Nenhum dos dois precisa tomar anticoncepcional.
Ainda que tenha gente que acha isto uma bobagem.

Constatação XIV (De mais um pseudo-soneto).

Dúvida

Fluía o amor
Parecia não ter retentor
De repente, ele se escoou
Ou no ar se evaporou

Será que entrou pelo ralo,
Ou se dissipou com o calor
Eu não sei, por isso não falo
E lá se foi todo o meu ardor.

Ficou um oco no peito
Na cabeça, só isolamento
Nem sei se dará pra achar jeito.

Melhor ou pior que acabou assim
Com depressão desse entroncamento.
Só eu é que fiquei com pena de mim.

Constatação XV (De uma dúvida crucial).
Depois do Pós Graduação à Distancia será que logo, logo vai vir o Pós Graduação Invisível, aquele que não precisa escrever absolutamente nada? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.

FESTIVAL DE QUADRINHAS.

Constatação XVI (Quadrinha para ser recitada com qualquer público sem precisar tirar as crianças da sala).
Engoli uma moeda
De um real
Minha pressão teve uma queda
E o fato abalou meu orçamental.

Constatação XVII (Quadrinha para ser recitada em festinha infantil).
Fui ao parque com mamãe e papai
Aí, subimos na roda gigante
Quase a gente lá de cima cai
Quando embarcou nela um elefante.

Constatação XVIII (Quadrinha para ser recitada para uma mina que já tenha ouvido falar de Linha do Equador, meridianos, paralelas, dos trópicos, longitude, latitude, hora de Greenwich, etc.).

A Linha do Equador, não se sabe o lugar exato
Também os meridianos e as paralelas, tampouco
O que eu sei é a certeza de um inegável fato
Que o meu amor por você não é nada pouco.

Constatação XIX (De outra quadrinha para ser recitada em festa infantil).
Meus brinquedinhos eu não empresto
Por nada desse mundo
Podem até dizer que eu não presto
Eu não vou ficar triste nem um segundo.

Constatação XX (De mais uma quadrinha para ser recitada em festa infantil).
Tem um guri que estuda na minha sala
Ele nunca quer brincar comigo de boneca
Por isso eu acho ele muito chato, muito mala.
Ele diz que menino não usa calcinha, usa cueca.

Constatação XXI (De uma quadrinha para uma cidadã declamar para as suas – delas – amigas íntimas).
Meu namorado me chama de dondoca
Meu marido, na frente de outros, de boboca
Meu amante me dá, na presença de terceiros, beijoca
E as vizinhas maledicentes só fazem, de mim, fofoca.

Constatação XXII
Avalizou a duplicata
A pedido do seu amigo.
Depois saiu a sua cata
E ele: -“Nem te ligo!”.

Constatação XXIII (Quadrinha para ser recitado por um deputado durante sessão no Congresso).
Nós somos o esteio da frágil democracia
Defendemos com rigor as leis vigentes
A gente luta com fervor pela nossa soberania,
Mas muitos dos nossos pares vivem absentes.

Constatação XXIV (E como poetava o obcecado pra mina que não quis seguir adiante).
O beijo de língua
Que se limita só a isso,
Deixa o cara à míngua
E carece de maior compromisso.

Constatação XXV
Verdade verdadeira
É só aquela que a gente diz
As demais são uma grossa baboseira
Que tomam uma falsa diretriz.

Constatação XXVI
As pessoas que só enxergam
Defeitos em tudo e todos
Pechas nas costas carregam
De imbecis e complexados como apodos.

Constatação XXVII
Ele disse para ela um gracejo
Ela não ficou nem um pouco irritada
Apenas manifestou seu desagrado com um bocejo
O que para ele representou uma senhora cacetada.

Email: josezokner@rimasprimas.com.br
www.rimasprimas.com.br

quarta-feira, 21 de março de 2012

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I
Rico é comedor; pobre, se vira como pode.

Constatação II
Rico corre e caminha e no Parque Barigui; pobre, corre da polícia e caminha para o incerto futuro.

Constatação III
Casal rico dialoga; casal pobre, bate-boca.

Constatação IV (De um pseudo-soneto).

Recordando...

Houve entre nós muita lubricidade
Quase excesso de voluptuosidade
Chegando as raias da licenciosidade
Sem a existência da mínima castidade

E mais, não pouca libidinagem
Até mesmo algo de libertinagem
Alguma ou outra, digamos, sacanagem
E claro, indispensável bolinagem.

Bastante beijos, uma profusão,
E no ar uma forte sensação,
De bem-estar. Tudo, sem censura!

E no auge de tantos abraços
Sobrou e não foram pedaços
Um mar, um mundo de ternura!
(Curitiba, 8 de março de 2012, um dos demais 364 dias do Dia Internacional da Mulher).

Constatação V (De uma dúvida crucial).
Afinal, o meu time, o Paraná, precisa de um matador ou de um desenterrador?

Constatação VI

Poeminha dramático

A tempestade solar
Afetou o meu GPS;
A tempestade no lar
Afetou o meu estresse.

A solar,
Também vai afetar
A rota dos aviões;
A do lar,
Vai causar
Muitos senões.

Vou pegar alguns tostões
E, de avião, me arrancar
Para outros rincões.

Se porventura se deixar,
No avião, entrar
Com cachorro,
Levo junto.

Sem eles, de desgosto, morro
E, assim, acabo virando,
Acabo me tornando
Um defunto...

Constatação VII (Dois fatos reais. Sinal dos tempos...)
1º. Fato: Certa vez, bateu na porta da casa deste locutor que vos fala, digo, digita um sujeito que pediu dinheiro para poder tomar uma coca cola, alegando que já havia recebido dinheiro para o almoço e, efetivamente, já havia almoçado com o dinheiro auferido. No entanto, ele ponderou que tava faltando um trocado para poder tomar a retro mencionada coca cola. Ainda que a família achasse que ele deveria tomar quaisquer outros refrigerantes – mesmo sabendo que eles contêm produtos químicos, como tantos alimentos e bebidas – e que coca cola representa “a água negra do imperialismo ianque”, como apregoam os italianos, o cara levou o trocado e com votos de bom proveito. Afinal, todo o mundo deveria ter direito a tomar uma simples coca cola, ou seja, qual refrigerante que for...
2º. Fato: Em outra “certa vez” um sujeito – nada a ver com o anterior – pediu para a dona da casa um pedaço de sabão para lavar a camisa, que, segundo ele, era ‘filha única’. Pelo surpreendente ineditismo do pedido, acabou levando um sabão inteiro e mais uma camisa nova do marido para melhorar o seu parco guarda-roupa...

Constatação VIII (De um pseudo-soneto).

Investimento malogrado

Fiz uma aplicação
Não financeira
Foi num mulherão.
Ela era banqueira.

Ela pensou que eu quis dar
Uma de gigolô.
Que feio assim pensar
De um cara que já é avô

Em verdade eu lhes digo
Era uma mulher muito atraente
Que não quis nada comigo.

Lamentável ela pensar assim
Logo eu que sou assaz decente.
Bem, azar dela não estar a fim!

Constatação IX
Rico é irreverente; pobre, é porra louca.

Constatação X (De mais um pseudo-soneto).

Dança das horas.

O meu antigo relógio fazia tique taque
Tinha um pendulo e um baita carrilhão
Quando ele tocava eu tinha um peripaquê
Ele assinalava ainda mais a minha solidão.

Os relógios modernos, de pilha, de agora
No silêncio do meu sono, de minha insônia
Assinalam ainda mais que você foi embora
Sem se despedir, sem a menor sem-cerimônia.

Por onde será que você anda e em quais braços?
Seja com quem for ele estará te tratando bem?
E como será que estarão os seus afetivos laços?

Quero averiguar onde você está. Sinto este impulso.
Saquei fora todos os relógios de nossa casa, também.
Nesses amargos tempos só tenho usado um de pulso.

Constatação X (Moto perpetuo?)
-“Eu notei, na festa, que o teu relacionamento com a tua mulher não estava lá essas coisas. Vocês brigaram?”
-“É. Ela ficou p da vida comigo”.
-“Por quê? Qual foi a sujeira habitual que dessa vez você fez para ela?”
-“Não fiz sujeira alguma e muito menos habitual como maldosamente você se referiu”.
-“O que foi, então?”
-“Acontece que ela mandou forrar as cadeiras da copa onde a gente faz as refeições com um tecido de gobelin aveludado e quando a gente senta fica um pouco marcado o lugar onde se faz maior pressão. Aí, ela mandou fazer umas toalhinhas do mesmo tecido para a gente sentar em cima. E eu, de maneira ingênua e inocentemente, perguntei se ela ia mandar fazer outra toalhinha do mesmo tecido para pôr em cima das outras toalhinhas para tampouco não marcá-las. e, assim sucessivamente. Aí, ela subiu aos píncaros. Vige!”
-“Ah, bom, quer dizer, ah mau, quer dizer...”

Constatação XI (De uma quadrinha também ingênua e inocente).
Eu sempre respeitei a minha vizinha
Pelos seus dotes físicos e intelectuais
E quando a vi, pela janela, só de calcinha
Passei a respeitá-la ainda mais...

Constatação XII (De mais um soneto).

De dores e pequenos enganos.

Nossas pernas se embaralharam
E nós rolamos na cama bem larga
Nossas almas e corações se misturaram,
Mas você se queixou de dor na ilharga.

Rangeram alto as molas do colchão
Os vizinhos reclamando pelo estardalhaço
Aí você se queixou de mau jeito na mão
E também de dor na clavícula e no baço.

Todo esse sublime entrelaçamento,
Com essas dores por um momento,
Estava longe de um destrambelho

No entanto, eu não queria nem comentar
Naquela hora, incontinente, me pôr a lamentar
Você só esfregava teu monte de Vênus no meu joelho.

Constatação XIII
Foi o corriço que disse para a carriça*:
“Não, querida. Hoje não vai dar. Eu não posso,
O tempo todo, me ocupar dessa agradável liça”?
*Carriça = substantivo feminino
1 Rubrica: ornitologia. Regionalismo: Rio de Janeiro.
ave passeriforme da fam. dos trogloditídeos (Troglodytes aedon), cosmopolita, encontrada nas Américas, sendo uma das mais comuns do Brasil; de até 12 cm de comprimento, possui bico longo, plumagem parda com pequenas faixas negras nas asas e cauda, e o ventre mais claro; camacilra, camaxilra, camaxirra, cambaxilra, carriça, carricinha, corruíra, corruíra-de-casa, cutipuruí, curruíra, curupuruí, garriça, garricha, garrincha, rouxinol [Está sempre realizando curtos vôos à procura de larvas, aranhas e insetos.]
2 Rubrica: entomologia.
borboleta (Marpesia chiron) da fam. dos ninfalídeos, de ampla distribuição neotropical, que apresenta coloração marrom com estrias longitudinais e cerca de 52 mm de envergadura
3 Uso: informal.
mulher pequena, mas viva, buliçosa, esperta (Houaiss).

Constatação XIV
Quando o entendido em política de modo geral e em política, particularmente do Brasil, leu a manchete no Estadão que “Dilma reavalia situação com o Congresso e troca líderes”, ‘pitonisou*’: “isso que se pode dar como exemplo do uso da expressão trocar seis por meia-dúzia”...
*Sugestão de Rumorejando aos nossos filólogos para transformar em verbo o substantivo feminino ‘pitonisa’**.
**Pitonisa =  substantivo feminino
1 na Grécia antiga, sacerdotisa do deus Apolo
2 na Antiguidade, mulher que possuía o dom da profecia
2.1 Derivação: sentido figurado.
mulher que supostamente consegue prever o futuro; profetisa (Houaiss).

Constatação XV (De uma dúvida crucial).
Será que por esse mundo – Brasil incluso – os presidentes, ministros, senadores, deputados, vereadores, desembargadores, juízes, CBF e pessoal de outros escalões não conhecem a expressão “apropriação indébita”? E os mais devotos à religião nunca ouviram falar em um mandamento que diz: “Não roubarás”? Ou eles acham que tudo isso só vale para os outros? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação XVI
Deu na mídia: “Corinthians rescinde o contrato com Adriano”. Alguma dúvida?

Constatação XVII
Era um restaurante que se propunha ser vegetariano. No entanto, ele era tão ruim, tão ruim, incontestavelmente tão ruim que a gente saía de lá até assaladado*.
*Sugestão de Rumorejando aos nossos filólogos para exprimir não comer salada por ausência da própria.

Constatação XVIII (Via pseudo-soneto).

Gosto, às vezes, é discutível.

Ela estava deitada na cama
Em posição convidativa.
No travesseiro a cabelama
Que a deixava mais concessiva.

Ele sentou na beirada
Sem tirar a roupa e o sapato.
“Você não quer nada com nada?”
Ela perguntou sem espalhafato.

“Daqui a pouco começa o jogo
Do Barcelona contra o Real de Madri
É como se fosse Flamengo e Botafogo”.

“Pode ir. Vá ver teu futebol.
Mas não me apareça mais aqui.
Sempre há outros de escol”.

Constatação XIX
Com relação ao pseudo-soneto acima, comunicamos aos prezados leitores que Rumorejando não recebeu qualquer informação do resultado do jogo do maior clássico da Espanha e quiçá do mundo. Tão logo obtivermos a informação, daremos ciência aos nossos já nominados prezados leitores. Obrigado pela compreensão.

Constatação XX (De mais outro pseudo-soneto).

Críticas acerbas.

Vivo em um dilema
Se o que eu escrevo
É prosa e poema
Ou parar eu devo.

A laudatória
Que eu recebo
Nem fica na memória
Nem se acha num sebo.

Existe uma pessoa
Que não me elogia
É uma coroa.

Ela escreve farmácia
Ainda com ph. Nostalgia?
Ou dos meus escritos suspicácia*?

*Suspicácia =  substantivo feminino
característica do que é suspicaz** (Houaiss).
**Suspicaz =  adjetivo de dois gêneros
1 que causa suspeita; suspeito, estranho
Ex.: comportamento suspicaz.
2 que não confia, que costuma suspeitar de (outrem); desconfiado, suspeitoso, matreiro
Ex.: um camponês suspicaz (Houaiss).

Constatação XXI
Não se deve confundir folia com fobia, até porque há algumas poucas pessoas que têm medo exagerado e aversão, ou seja, fobia pela folia, mormente as carnavalescas. E não está se falando apenas de nós curitibanos. Inclusive há pessoas que tem fobia de ter fobia o que Rumorejando acha que tal só seria resolvido com psicanálise. Desde, é claro, que não haja fobia pelo o que os psicanalistas hoje em dia estão cobrando. Elementar, crianças.

Constatação XXII
O quase eterno presidente da CBF, Ricardo Teixeira, pediu demissão. O que deve ter de gente comemorando não está escrito em qualquer gibi. Vige!

Constatação XXIII (Quadrinha para ser recitada em festinha infantil).
Eu era pequeninha
Agora não sou mais
Já sou quase uma mocinha
Pra alegria dos meus pais.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
www.rimasprimas.com.br

quarta-feira, 14 de março de 2012

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De uma história verídica dos tempos atuais).
Contada por um taxista durante uma corrida: “Bateu na minha casa um sujeito, pedindo comida. Aí minha mulher preparou um sanduíche tamanho família com uma sobremesa. Depois que ele terminou de comer eu apontei para o jardim e perguntei se ele dispunha a aparar a grama que eu pagaria o trabalho e daria também para o almoço. No dia seguinte ele veio e eu forneci as ferramentas necessárias. Mais tarde, fui ver como estava o serviço e ele havia desaparecido e, evidentemente, junto com as ferramentas”.

Constatação II
Data vênia, como dizem nossos juristas, mas Rumorejando acha que ta na hora de não insistir mais e esquecer de Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Kaká e achar vários substitutos e, ainda, um goleiro que feche o arco, dentre outros. Tenho dito!

Constatação III
O que? Vem cá
Perder para o Luverdense
O meu querido Paraná?
Nem pense!

Constatação IV
E como expunha didaticamente e até mesmo de modo pernóstico aquele jurista, também obcecado, para seus pares: “Ela era uma mulher com dotes físicos dignos de uma deusa, reconheço e admito. Data vênia, é claro. Mas sua maneira de expor seus pontos de vista – normalmente estrábicos – sua retórica, com argumentos, para ela contundentes, sua tergiversação, mostrando um raciocínio mínimo para não dizer nulo, me chegavam a causar disfunção erétil o que os simples mortais costumam chamar de brochura. Nada a ver com a brochura dos livros, compêndios de Direito, dos quais eu dei minha modesta parcela de contribuição com a publicação de uma dúzia e meia de volumes”.

Constatação V
E como se queixava, para a comadre, da maneira como sua filha vinha agindo: “Hoje em dia eu garanto que as jovens com um comportamento ilibado já não se encontra. O que me faz lembrar o livro da Simone de Beauvoir, Memórias de uma moça bem comportada. A autora deve ter influenciado com este seu livro autobiográfico e outros para a liberação da Mulher. Mas eu acho que a minha filha está confundindo liberdade com libertinagem. Deve ser também por influência do comportamento dos nossos deputados, senadores, juízes e desembargadores. Vige!”

Constatação VI
Deu na mídia, mais precisamente no Estadão do dia 7 próximo passado: “Professores da rede pública dão aulas com diplomas falsos”. “No programa ‘Mulheres ricas’ socialite revela fraude na Carteira Nacional de Habilitação”. “São Paulo registra sete mortes violentas em um período de 12 horas”. Data vênia, como diriam nossos políticos, mas Rumorejando acha que o pessoal deve estar pensando: “Se as autoridades podem, porque nós não podemos?” “Se os ricos ficam impunes porque a gente não pode apelar para a violência?” Vige!

Constatação VII (Ah, esse nosso vernáculo).
Foi o Bernardo que provocou uma bernarda* no boteco da Da. Bernarda, depois de cometer uma bernardice** lá em São Bernardo, no Maranhão?
*Bernarda =  substantivo feminino
1. Rubrica: história.
movimento revolucionário ocorrido em Braga (Portugal) em 1862
Obs.: inicial maiúsc.
2. Derivação: por extensão de sentido. Uso: informal.
insurreição popular; motim, desordem (Houaiss).
**Bernardice =  substantivo feminino
1. modo, hábito, dito próprio de monge bernardo
2. Derivação: por extensão de sentido. Uso: pejorativo.
dito ou ação descabida, despropositada; disparate, dislate, besteira
3.Derivação: por extensão de sentido.
característica de quem é comilão, guloso; glutonaria (Houaiss).

Constatação VIII
Perguntou o amigo: -“Não te vejo mais você aparecer com a Fulana, tua namorada, a quem você compôs alguns poemas. Você terminou com ela?
-“Terminei”.
-“Por quê?”
-“Porque ela estava-me “desinspirando”?
-“Desisinpirando? Como assim?”
-“Ela só me falava em doença e me contava como tinha conhecido o seu primeiro e único namorado com quem acabou se casando. E do que, quando e como ele morreu. Nunca mais consegui escrever uma linha das minhas poesias”.
-“Ah bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer...”

PSEUDO SONETOS POR ATACADO

Constatação IX (De um pseudo-soneto de amor?)

Charme não se compra em farmácia...

Eu não sou nenhum Alain Delon, ou Gianechinni
Com algumas mulheres até faço sucesso.
Esse, não é lá essas coisas, eu até diria que é mini
A medida exata não sei por que não meço.

Uma grande parte delas me acha feioso,
O que não é saudável para o meu ego,
Porém outra parte me acha charmoso,
Pois se diz, por aí, que “o amor é cego”.

E assim eu vou levando a minha escassa vida
Com o meu meio século e meio já cumprido
Ainda que me surja alguma alma empedernida*.

Daí, eu digo que elas não sabem o que tão perdendo
Mas somente elas, já que eu não me sinto perdido
Dado que, têm muitas na fila jamais me esquecendo...

*Empedernido(a) = “ adjetivo
1. que se empederniu; duro(a) como pedra, petrificado(a)
2. Derivação: sentido figurado.
que não se deixa persuadir; inflexível, contumaz, insensível (Houaiss).

Constatação X (De um não tão pequeno pseudo-soneto de amor, aparentemente inverossímil).

Não querer, querendo ou não querendo, querer.

Não quero que venhas no meu apartamento
Para não me comprometer,
Mas se você vier nem que seja por um momento
Trate de nenhum modo aparecer.

Suba até o primeiro andar pela escada
Aí sim, se quiser, pegue o elevador
Desça um andar acima como quem não quer nada
Dê três batidas na porta e venha mitigar o meu ardor

Estarei pronta para junto a mim te acolher
E não estarei usando perfume para não deixar traços
Tampouco vou te esfalfar com meus beijos sem esmorecer

Venha com roupa fácil de despir
Para envolver teu corpo com meus abraços
E iremos para a cama, mas olhe lá, só para dormir...

Constatação XI (De mais um pseudo-soneto).

Diálogos conjugais

O fiscal de rendas
Tava vestindo de rendas uma calcinha
Aí, a mulher deu meia-dúzia de reprimendas
Entre as quais que ele vinha falando com voz fininha.

“Você lavou minha única cueca
E eu não tive alternativa
E nesse clima ela não seca
Minha vontade continua copulativa”.

“Mas você não tem comparecido
Como quando depois do nosso matrimônio.
Eu diria até que você anda desaparecido”.

“Desaparecido eu? Ledo erro e engano o seu
Eu ando em dia com a testosterona, o meu hormônio.
E nem me sinto velho para ser levado ao museu”.

Constatação XII (Via ainda mais um pseudo-soneto).

Contou um causo hilariante
A sogra ficou séria, impassível
A mulher e o sogro riram bastante
Ela achou a história descabível

Também, pudera! Onde já se viu
Contar piada de sogra na sua presença
Onde ela aparece estar senil
Que não termine em desavença.

Ela falou com uma voz tal
Que parecia o ribombar dum trovão
Que ele tinha um gosto mau.

Ele contestou que era apenas uma piada
Daquelas inocentes de salão.
E ela: É. Pode ser. Mas essa aí não ta com nada...

Constatação XIII (Puxa! Mais um pseudo-soneto).

Pensamentos de um incentivo patriótico

Teu ar de menina que está sozinha no mundo
Enterneceu até a raiz de meus brancos cabelos
Do coração nem falar, um vazio profundo
Talvez por não estreitar ainda mais nossos anelos.

Querer te apertar também nos meus braços.
Beijar teu pescoço, teus olhos, teus lábios
Encurtar nossas distâncias sem deixar espaços
Sem arrependimentos, culpas ou ressábios.

Acariciar tuas coxas com lubricidade,
Sentindo teu arfar vibrante e se acelerando
E eu esquecendo a minha provecta idade.

Devagar te desnudando até a última peça
E você no meu ouvido balbuciando:
“Eia! Avante! Coragem! Vamos nessa!”

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO GURU MILLÔR).
Numa pequena aldeia chinesa vivia uma família, constituída pelo pai, Peh Xah Tek, pela mãe, Par Nuh Seh, que trabalhavam a terra para sacar dela o seu – deles – sustento e do filho, Meh Leys Nyt. Este, desde cedo, revelou possuir um pendor para o estudo. Os dirigentes tomaram conhecimento da vocação do menino e proporcionaram meios para ele continuar estudando, visando formar pessoas de alto nível técnico e científico. No entanto, o garoto revelou tendência à Literatura e com tenra idade já havia lido os clássicos chineses e outros grandes autores de outros países. Quando já havia se formado em Letras e estava dando aulas no ensino médio, o governo lhe proporcionou uma oportunidade para fazer uma tese de mestrado em Nanquim e lá foi ele para a capital da China onde se deslumbrou com tudo que lhe foi dado a oportunidade de estudar, ler, ver e assistir. Escolheu um autor chinês para pesquisar, pouco estudado, porém que lhe havia impressionado sobremaneira. Sua tese, apresentando e defendendo aspectos nunca antes levados em conta por outros pesquisadores, foi criticada pela banca que, conservadora, não se achava a vontade com o ineditismo dos aspectos abordados nem tampouco com quão brilhante havia sido feita a dissertação. Um dos professores da banca, o presidente, que havia atingido uma elevada posição por fazer parte do Partido do governo, querendo mostrar sapiência, questionou o rapaz porque ele não havia se atido há aspectos já consagrados e inovado de maneira que a sua dissertação carecia de estudos mais profundos para provar a sua validade e que a leitura era tão simples que qualquer pessoa não teria o mínimo problema de entender o que não era hábito no meio acadêmico, pois quanto mais complexo e profundo fosse a argumentação maior validade e mérito ela teria. O rapaz procurou justificar-se perante a banca e particularmente ao professor e, usando um argumento cuidadoso e diplomático, para não dar a impressão que estava tratando com gente tola e ignorante, defendeu-se, dizendo que muitas vezes havia se defrontado com leituras que usavam um palavreado mais culto – ele pensou prolixo, enrolado, tergiverso, mas não disse – e que ele não havia entendido bem – ele pensou patavina, mas não disse – e que alguns escritores defendiam teses da eugenia de certas raças – cambada de fdp, mas ele não disse – e assim ele com argumentos tímidos, humildes foi defendendo a sua tese. Evidentemente quando as observações chegavam às raias da boçalização da imbecilização, ele calava o que agradou a banca e ele teve a tese aprovada com distinção.
Moral: Falar é prata; calar é ouro.
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quarta-feira, 7 de março de 2012

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, POR FALTA DE MAIORES.


Constatação I (Absolutamente não se trata de inveja, olho gordo ou coisas desse jaez).
Deu na mídia: “Cristiano Ronaldo desfila pelas ruas de Madri com sua nova Lamborghini”. Taí uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade.


Constatação II (De razões e proporções matemáticas).
O Homem está para a Razão, assim como a Mulher está para a Intuição. Logo a Mulher é igual ao Homem multiplicado pela Intuição e dividido pela Razão. Elementar, crianças.


Constatação III (Quadrinha para ser recitada pela professora aos seus aluninhos).
Consultar com freqüência o dicionário
Não é nada vexatório, nem vergonhoso
O que é terrível é não saber o abecedário
E ser um cara empafiado, jactancioso.


Constatação IV (Aparentemente paradoxal).
-“Você vai ter que tomar banho hoje à noite antes de dormir porque eu mudei os lençóis”.
-“Tomar banho?! Mas isso que é fazer sujeira para mim”.


Constatação V
Rico participa de orgia, de bacanal; pobre, de gandaia.


Constatação VI
E como apregoava o obcecado do alto da sua pretensa sapiência: “Essa banalização das mulheres de cada vez mais mostrarem a bunda com o uso do fio dental e/ou os seios com esses decotes cada vez mais generosos, a gente vai acabar só se excitando se a burka for generalizada como moda e, aí, quando apenas a mulher mostrar um pedacinho do tornozelo, como no passado. Vige!”


Constatação VII
E como comentava, absolutamente sem nostalgia, o obcecado: “Quando a minha irmã saía com o namorado, nossa mãe me mandava para eu sair junto. Aí eu fiquei sabendo o significado que ouvia tanto falar de segurar a vela; o namorado me fulminava com olhares raivosos e me chamava de rabicho; alguns amigos me chamavam de guardião das virtudes da mana; outros, de escudeiro; outros mais, de cinto de castidade. Depois, quando eu cresci, eu senti na própria carne o que é sair com uma gata, acompanhado por um segurador de vela, mais pentelho do que segurador. E, vejam, aquele pentelho que te entra nos dentes... Cáspite!”


Constatação VIII
O casal se conheceu através da internet nesses links próprios para isso. Depois de trocarem muitos e-mail’s, entrar no skype, no msn messanger de usar a webcan e outros meios para se verem, um deles falou*: - “Agora, eu gostaria de te conhecer pessoalmente”. –“Não convém para mim. Eu tenho lá minhas convicções e, por isso, eu tenho medo de me render aos teus desencantos, digo, aos teus encantos”.
*Não ficou claro quem disse isso ou aquilo, mormente esse ato falho. Se foi ele ou ela. Se alguém souber, por favor, comentários no blog. Obrigado.


Constatação IX
Disse o burocrata atendente: “O senhor não assinalou a sua condição no item ‘Estado Civil’. O senhor deixou em branco, no questionário, todos esses que constam no documento, ou seja: Solteiro, Casado, Viúvo, Separado, Divorciado, Amasiado, Concubinato. O senhor não se deu conta disso?”
Disse o (mal) atendido: “É que não consta a minha condição”.
Disse o burocrata atendente: “Como assim?”
Disse o (mal) atendido: “É que eu sou viúvo de mulher viva”.
Disse o burocrata atendente: Viúvo de mulher viva? Como pode ser isso?”
Disse o (mal) atendido: “Depois de 20 anos de casado, a gente mal e mal se fala; não se olha mais nos olhos; muito menos, se toca”.
Disse o burocrata atendente: “Ah bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer...


Constatação X (Errata).
Rumorejando, ao cumprimentar o Amigo João Manoel Simões, membro da Academia Paranaense de Letras, quando do lançamento do seu penúltimo livro, assinalou que Simões já havia lançado mais de 50 livros. Na realidade, já foram mais de 100. Minhas desculpas, mestre Simões!


Constatação XI
Depois deste assim chamado escriba haver assistido o jogo do Brasil contra a Bósnia, pagando pecados que ainda nem cometeu, ficando, portanto, em haver, e, como sendo 200.000.001 técnico, vem apresentar seu modesto e abalizado parecer: Pelos passes errados que foram dados, alguns jogadores brasileiros deram a nítida impressão que estavam jogando em favor da Bósnia, passando a bola para nossos adversários; vale lembrar que nos anos em que o Brasil foi Campeão do Mundo o time contou com mais de um craque que desequilibrava; alguns jogadores, ao serem entrevistados depois que a partida acabou, declararam que o mais importante é que o time ganhou. Também o técnico Mano Menezes. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha – na Teoria da Relatividade para principiantes – que mesmo ganhando, teria sido preferível perder e jogar bem e, claro – como disse o guru Millôr Fernandes “é melhor ser rico e ter saúde do que pobre e doente” – o ideal teria sido jogar bem e ganhar... Os entendidos disseram que tem que convocar fulano e/ou beltrano. As sugestões ou críticas dos entendidos parecem que eles é que deveriam ser o técnico... Cáspite!


Constatação XII (Dura realidade).
Com relação à Constatação acima que se deveria chamar fulano ou beltrano para a seleção, me faz lembrar um chiste velhíssimo: Num bonde, já tarde da noite, viajava um único sujeito. Aí caiu um temporal daqueles que parecem que o mundo vai acabar. Exatamente onde o sujeito estava sentado havia uma goteira. E o cidadão continuou sentado no mesmo lugar. Aí, o cobrador perguntou para ele: “Por que o senhor não troca de lugar? E ele: “Porque não tem com quem...”

PSEUDO-SONETOS POR ATACADO.

Teoria da Relatividade.

Ela se sentia passada para trás, fraudada
Vivia resmungando queixumes e queixas
Até falou que o marido saía pra rua e andava
Com penteados esquisitos, com madeixas.

Não era nada disso. Ele não gostava de se pentear
Porque tinha o couro cabeludo muito sensível.
Ir ao cabeleireiro, então, era de até chorar
Porque dos puxões sentia desconforto e dor terrível.

As malévolas insinuações e reclamações que ela fazia
Foram cada vez mais o deixando nervoso e irritado
E acabaram quando ele foi morar sozinho e ela com uma tia.

A tia era uma solteirona de usar blusa fechada até o pescoço
Mesmo quando estava a temperatura alta e um calor abafado.
Aí, ela quis voltar às boas porque já não o achou tão grosso.

De amores e abandonos

Um torvelinho de recordações
Me vieram na cabeça nesses dias
Numa avalanche de emoções
Tristes umas; outras, cheias de alegrias.

Dizem que em determinadas ocasiões
Quando um amor está chegando ao fim
As nostalgias chegam aos borbotões
O que convenhamos, não deveria ser assim.

Das tristezas quando elas me abandonaram
É um sentimento só sentido na hora
E as alegrias, claro, quando elas voltaram.

A minha sorte é que elas não retornaram juntas
E sim em dias alternados e também quando foram embora
Sem dizer adeus e nem me fizeram muitas perguntas.

Bom negócio

Presume-se que todos os honestos
Desapareceram da face da terra
Talvez até por motivos funestos
Do tipo morreram numa guerra.

Basta ligar o rádio ou a televisão
Para ficar terrificado, contrito
O que tem em nosso país de ladrão
Não está em nenhum lugar escrito.

Ta na hora de se dar um basta
Pra todo esse bando, essa caterva
Que cada vez mais se entusiasta.

Também com tanta impunidade,
Que tanto a gente vê, mira e observa,
Os larápios sentem baita felicidade.

Querelas conjugais

Ela se pôs a gritar e vociferar
Quando ele chegou de madrugada
Com cheiro de perfume e de lupanar
Mais bêbado do que ela já tava habituada.

Dessa vez foi demais, foi a gota d’água
Para ela arrumar as malas e se arrancar
Nunca antes havia sentido tanta magoa
E agora, dessa vez, nem conseguiu chorar.

Ele pediu com voz enrolada, perdão
Jurando que o fato não ia mais se repetir
“Eu já escutei antes tal tipo de afirmação”.

“Vou pegar minhas malas e ‘pegar o bonde’.
E mesmo se eu te ver em sangue se esvair.
Ou nem que eu saiba que você virou conde”.

Amor incomensurável

Nem por um ínfimo momento
Imaginei que iria enfrentar
Tanta angústia, tanto sofrimento
Ela incontinente partir, se arrancar

Jurei a ela que iria me redimir
Até iria procurar um emprego
E com isso não iria mais permitir
Que ela me chamasse de morcego.

Na verdade, eu até poderia morcegar
O trabalho pesado nunca me atraiu.
Honestamente, nenhum trabalho realizar

Mas para tê-la outra vez nos meus braços
Eu me disporia a labutar só no mês de abril
Esquecendo quaisquer eventuais cansaços.

Inverossimilhança?

Recebeu uma substancial propina
Não havia resistido ao assédio.
Para seus anseios era uma vitamina
Funcionando como um bom remédio.

Sempre quis fazer parte da alta sociedade
Com a grana poderia comprar uma ação
Mas esqueceu do preço da mensalidade
Que poderia afetar até seu ganha-pão.

A mulher quando se inteirou da origem
Ameaçou abandoná-lo de imediato
O que fez ele sentir até uma vertigem.

“A gente viveu feliz sem essa frescura.
Devolva esse dinheiro asqueroso, putrefato
Se não terei de te arrumar um alvará de soltura”.

E viva “nóis”.

Falaram que havia político honesto
Ninguém levou a afirmação a sério
Inclusive o povo se sentiu molesto
E considerou a assertiva um impropério.

Quando ele é pego com a mão no jarro
Ele alega que são os inimigos opositores
E ainda tem coragem de rir e tirar sarro
Não ligando em fazer parte dos roedores.

Não é à-toa que os argentinos chamam de ‘raton’,
Essa corja, essa cambada, essa súcia de mau-caráter,
E os ‘hermanos’ não fazem parte da imprensa marrom.

O cérebro dessa gente malsã é bem desenvolvido
Talvez o que não esteja nos conformes é a dura-máter’*
Que atua para que o enriquecimento ilícito seja desmedido.

*Dura-máter =  substantivo feminino
Rubrica: anatomia geral.
a mais externa, espessa e fibrosa das três membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal; paquimeninge (Houaiss).

Democracia. Com voto obrigatório?

Está chegando a época de eleger
Prefeitos e vereadores
E, claro, haverá o que vai vencer
E uma maioria de perdedores.

Isso faz lembrar
Do Pelé uma afirmação
‘Que brasileiro não sabe votar’.
O tempo mostrou que ele tinha razão.

Tem Ficha Suja se elegendo
Com uma expressiva votação
E candidato decente perdendo.

No horário gratuito
Se ouve tanta aberração
Que dá para ter um faniquito.

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