quarta-feira, 14 de março de 2012

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I (De uma história verídica dos tempos atuais).
Contada por um taxista durante uma corrida: “Bateu na minha casa um sujeito, pedindo comida. Aí minha mulher preparou um sanduíche tamanho família com uma sobremesa. Depois que ele terminou de comer eu apontei para o jardim e perguntei se ele dispunha a aparar a grama que eu pagaria o trabalho e daria também para o almoço. No dia seguinte ele veio e eu forneci as ferramentas necessárias. Mais tarde, fui ver como estava o serviço e ele havia desaparecido e, evidentemente, junto com as ferramentas”.

Constatação II
Data vênia, como dizem nossos juristas, mas Rumorejando acha que ta na hora de não insistir mais e esquecer de Ronaldinho Gaúcho, Robinho, Kaká e achar vários substitutos e, ainda, um goleiro que feche o arco, dentre outros. Tenho dito!

Constatação III
O que? Vem cá
Perder para o Luverdense
O meu querido Paraná?
Nem pense!

Constatação IV
E como expunha didaticamente e até mesmo de modo pernóstico aquele jurista, também obcecado, para seus pares: “Ela era uma mulher com dotes físicos dignos de uma deusa, reconheço e admito. Data vênia, é claro. Mas sua maneira de expor seus pontos de vista – normalmente estrábicos – sua retórica, com argumentos, para ela contundentes, sua tergiversação, mostrando um raciocínio mínimo para não dizer nulo, me chegavam a causar disfunção erétil o que os simples mortais costumam chamar de brochura. Nada a ver com a brochura dos livros, compêndios de Direito, dos quais eu dei minha modesta parcela de contribuição com a publicação de uma dúzia e meia de volumes”.

Constatação V
E como se queixava, para a comadre, da maneira como sua filha vinha agindo: “Hoje em dia eu garanto que as jovens com um comportamento ilibado já não se encontra. O que me faz lembrar o livro da Simone de Beauvoir, Memórias de uma moça bem comportada. A autora deve ter influenciado com este seu livro autobiográfico e outros para a liberação da Mulher. Mas eu acho que a minha filha está confundindo liberdade com libertinagem. Deve ser também por influência do comportamento dos nossos deputados, senadores, juízes e desembargadores. Vige!”

Constatação VI
Deu na mídia, mais precisamente no Estadão do dia 7 próximo passado: “Professores da rede pública dão aulas com diplomas falsos”. “No programa ‘Mulheres ricas’ socialite revela fraude na Carteira Nacional de Habilitação”. “São Paulo registra sete mortes violentas em um período de 12 horas”. Data vênia, como diriam nossos políticos, mas Rumorejando acha que o pessoal deve estar pensando: “Se as autoridades podem, porque nós não podemos?” “Se os ricos ficam impunes porque a gente não pode apelar para a violência?” Vige!

Constatação VII (Ah, esse nosso vernáculo).
Foi o Bernardo que provocou uma bernarda* no boteco da Da. Bernarda, depois de cometer uma bernardice** lá em São Bernardo, no Maranhão?
*Bernarda =  substantivo feminino
1. Rubrica: história.
movimento revolucionário ocorrido em Braga (Portugal) em 1862
Obs.: inicial maiúsc.
2. Derivação: por extensão de sentido. Uso: informal.
insurreição popular; motim, desordem (Houaiss).
**Bernardice =  substantivo feminino
1. modo, hábito, dito próprio de monge bernardo
2. Derivação: por extensão de sentido. Uso: pejorativo.
dito ou ação descabida, despropositada; disparate, dislate, besteira
3.Derivação: por extensão de sentido.
característica de quem é comilão, guloso; glutonaria (Houaiss).

Constatação VIII
Perguntou o amigo: -“Não te vejo mais você aparecer com a Fulana, tua namorada, a quem você compôs alguns poemas. Você terminou com ela?
-“Terminei”.
-“Por quê?”
-“Porque ela estava-me “desinspirando”?
-“Desisinpirando? Como assim?”
-“Ela só me falava em doença e me contava como tinha conhecido o seu primeiro e único namorado com quem acabou se casando. E do que, quando e como ele morreu. Nunca mais consegui escrever uma linha das minhas poesias”.
-“Ah bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer...”

PSEUDO SONETOS POR ATACADO

Constatação IX (De um pseudo-soneto de amor?)

Charme não se compra em farmácia...

Eu não sou nenhum Alain Delon, ou Gianechinni
Com algumas mulheres até faço sucesso.
Esse, não é lá essas coisas, eu até diria que é mini
A medida exata não sei por que não meço.

Uma grande parte delas me acha feioso,
O que não é saudável para o meu ego,
Porém outra parte me acha charmoso,
Pois se diz, por aí, que “o amor é cego”.

E assim eu vou levando a minha escassa vida
Com o meu meio século e meio já cumprido
Ainda que me surja alguma alma empedernida*.

Daí, eu digo que elas não sabem o que tão perdendo
Mas somente elas, já que eu não me sinto perdido
Dado que, têm muitas na fila jamais me esquecendo...

*Empedernido(a) = “ adjetivo
1. que se empederniu; duro(a) como pedra, petrificado(a)
2. Derivação: sentido figurado.
que não se deixa persuadir; inflexível, contumaz, insensível (Houaiss).

Constatação X (De um não tão pequeno pseudo-soneto de amor, aparentemente inverossímil).

Não querer, querendo ou não querendo, querer.

Não quero que venhas no meu apartamento
Para não me comprometer,
Mas se você vier nem que seja por um momento
Trate de nenhum modo aparecer.

Suba até o primeiro andar pela escada
Aí sim, se quiser, pegue o elevador
Desça um andar acima como quem não quer nada
Dê três batidas na porta e venha mitigar o meu ardor

Estarei pronta para junto a mim te acolher
E não estarei usando perfume para não deixar traços
Tampouco vou te esfalfar com meus beijos sem esmorecer

Venha com roupa fácil de despir
Para envolver teu corpo com meus abraços
E iremos para a cama, mas olhe lá, só para dormir...

Constatação XI (De mais um pseudo-soneto).

Diálogos conjugais

O fiscal de rendas
Tava vestindo de rendas uma calcinha
Aí, a mulher deu meia-dúzia de reprimendas
Entre as quais que ele vinha falando com voz fininha.

“Você lavou minha única cueca
E eu não tive alternativa
E nesse clima ela não seca
Minha vontade continua copulativa”.

“Mas você não tem comparecido
Como quando depois do nosso matrimônio.
Eu diria até que você anda desaparecido”.

“Desaparecido eu? Ledo erro e engano o seu
Eu ando em dia com a testosterona, o meu hormônio.
E nem me sinto velho para ser levado ao museu”.

Constatação XII (Via ainda mais um pseudo-soneto).

Contou um causo hilariante
A sogra ficou séria, impassível
A mulher e o sogro riram bastante
Ela achou a história descabível

Também, pudera! Onde já se viu
Contar piada de sogra na sua presença
Onde ela aparece estar senil
Que não termine em desavença.

Ela falou com uma voz tal
Que parecia o ribombar dum trovão
Que ele tinha um gosto mau.

Ele contestou que era apenas uma piada
Daquelas inocentes de salão.
E ela: É. Pode ser. Mas essa aí não ta com nada...

Constatação XIII (Puxa! Mais um pseudo-soneto).

Pensamentos de um incentivo patriótico

Teu ar de menina que está sozinha no mundo
Enterneceu até a raiz de meus brancos cabelos
Do coração nem falar, um vazio profundo
Talvez por não estreitar ainda mais nossos anelos.

Querer te apertar também nos meus braços.
Beijar teu pescoço, teus olhos, teus lábios
Encurtar nossas distâncias sem deixar espaços
Sem arrependimentos, culpas ou ressábios.

Acariciar tuas coxas com lubricidade,
Sentindo teu arfar vibrante e se acelerando
E eu esquecendo a minha provecta idade.

Devagar te desnudando até a última peça
E você no meu ouvido balbuciando:
“Eia! Avante! Coragem! Vamos nessa!”

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO GURU MILLÔR).
Numa pequena aldeia chinesa vivia uma família, constituída pelo pai, Peh Xah Tek, pela mãe, Par Nuh Seh, que trabalhavam a terra para sacar dela o seu – deles – sustento e do filho, Meh Leys Nyt. Este, desde cedo, revelou possuir um pendor para o estudo. Os dirigentes tomaram conhecimento da vocação do menino e proporcionaram meios para ele continuar estudando, visando formar pessoas de alto nível técnico e científico. No entanto, o garoto revelou tendência à Literatura e com tenra idade já havia lido os clássicos chineses e outros grandes autores de outros países. Quando já havia se formado em Letras e estava dando aulas no ensino médio, o governo lhe proporcionou uma oportunidade para fazer uma tese de mestrado em Nanquim e lá foi ele para a capital da China onde se deslumbrou com tudo que lhe foi dado a oportunidade de estudar, ler, ver e assistir. Escolheu um autor chinês para pesquisar, pouco estudado, porém que lhe havia impressionado sobremaneira. Sua tese, apresentando e defendendo aspectos nunca antes levados em conta por outros pesquisadores, foi criticada pela banca que, conservadora, não se achava a vontade com o ineditismo dos aspectos abordados nem tampouco com quão brilhante havia sido feita a dissertação. Um dos professores da banca, o presidente, que havia atingido uma elevada posição por fazer parte do Partido do governo, querendo mostrar sapiência, questionou o rapaz porque ele não havia se atido há aspectos já consagrados e inovado de maneira que a sua dissertação carecia de estudos mais profundos para provar a sua validade e que a leitura era tão simples que qualquer pessoa não teria o mínimo problema de entender o que não era hábito no meio acadêmico, pois quanto mais complexo e profundo fosse a argumentação maior validade e mérito ela teria. O rapaz procurou justificar-se perante a banca e particularmente ao professor e, usando um argumento cuidadoso e diplomático, para não dar a impressão que estava tratando com gente tola e ignorante, defendeu-se, dizendo que muitas vezes havia se defrontado com leituras que usavam um palavreado mais culto – ele pensou prolixo, enrolado, tergiverso, mas não disse – e que ele não havia entendido bem – ele pensou patavina, mas não disse – e que alguns escritores defendiam teses da eugenia de certas raças – cambada de fdp, mas ele não disse – e assim ele com argumentos tímidos, humildes foi defendendo a sua tese. Evidentemente quando as observações chegavam às raias da boçalização da imbecilização, ele calava o que agradou a banca e ele teve a tese aprovada com distinção.
Moral: Falar é prata; calar é ouro.
E-mail: josezokner@rimsprimas.com.br
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