quarta-feira, 30 de maio de 2012

CONSTATAÇÃO DE DOIS TEXTOS. NÃO MAIS QUE DOIS.


1º. Este me foi enviado por um grande amigo português, mestre em fantoches, lamentavelmente já falecido, chamado Francisco Esteves. O autor, também português, não tive a felicidade de conhecer. Vale a pena também entrar no Google para ver o que existe sobre o autor e seu maravilhoso texto.



HISTÓRIA DA MARIA-DOS-OLHOS-GRANDES E DO ZÉ PIMPÃO

Canuto Jorge Glória.



Maria-dos-olhos-grandes tinha uns olhos grandes, grandes, que pareciam azeitonas. Maria-dos-olhos-grandes tinha uns olhos de ver mundo.

Maria tinha umas tranças pequeninas, bem espetadas, pareciam duas antenas. Maria tinha umas tranças bem espetadas de ouvir mundo.

Maria tinha um vestido que era de todas as cores, mas uma de cada vez. Maria tinha um vestido com todas as cores do mundo.

Maria tinha um amigo muito giro, muito vivo, moço da rua e da gente. Era amigo a valer. Maria tinha um amigo. Chamava-se ZÉ PIMPÃO. Zé Pimpão era miúdo de olhos piscos gadelhudo. Zé Pimpão sabia o mundo. Zé Pimpão tinha nos olhos as viagens que sonhou.

Zé Pimpão tinha nos olhos a cor do sol e do mar. Zé Pimpão tinha nos pés uns pés grandes e descalços. Zé Pimpão com os pés nus sentia melhor a rua.

Numa manhã quente, quente, com o sol bem descarado, com um sol de passear, assobiou Zé Pimpão para apressar a Maria. Maria veio, deu-lhe a mão, foram-se os dois a cantar.

Zé Pimpão levou Maria ver o mundo muito longe. Zé Pimpão levou Maria ver os dois lados do mundo.

Maria-dos-olhos-grandes não podia acreditar que o mundo era assim. Maria-dos-olhos-grandes julgava que o mundo mundo era só o seu jardim.

Zé Pimpão estava contente. Mas não sabia Maria que depois do seu jardim... Mas não sabia Maria que o mundo era muita gente?

Maria-dos-olhos-grandes pensava que o mundo a sério era a tia Joaquina, era

O tio Salustrião, era o pai e era a mãe, mais o primo pequenino e, é claro, o Zé Pimpão.

Maria-dos-olhos-grandes via o mundo pequenino.

E Zé Pimpão mais sizudo, mostrou então à Maria que num dos lados do mundo havia prédios bem altos e mais jardins floridos, muita luz e muitas cores.

Zé Pimpão levou Maria do lado de cá do mundo. Foram saltitando sobre as pedrinhas na lama, vendo cortinas-jornais, telhados de papelão e miúdos, reinadios, amigos do Zé Pimpão que nunca olharam o céu, pois vêem o sol nos charcos, pois vêem o sol no chão.

Com uns olhos tristes tristes, Zé Pimpão levou Maria do lado de lá do mundo, do lado que não se vê, onde há barracas escuras, feitas nem sabe de quê e miúdos a chorar e onde os brinquedos são pedras e a lama são os jardins. Zé Pimpão levou Maria do lado de lá do mundo.

Maria viu e reviu um mundo novo tão velho que precisa de aprender, que precisa que os meninos o ensinem a crescer, para fazer um mundo novo, um mundo velho tão novo.

Quando voltaram à noite, Maria-dos-olhos-grandes, com uns olhos de ver mundo, trazia o mundo nos olhos, para dizer ao Zé Pimpão:

Zé Pimpão, vamos fazer que haja um só lado do mundo, ou só o lado de cá, ou só o lado de lá.

Zé Pimpão, eu queria o mundo com todos do mesmo lado. Se não há jardins para todos, vou dividir os canteiros. Se os canteiros não chegarem, uma flor para cada um. E se as flores forem poucas, há pétalas, enfim, há cheiro, mas todos terão igual.



2º. Um conto escrito nos idos tempos do Badep...

JUSTA CAUSA

Juca

Noite mal dormida. Levantou-se com o coração apertado. Com a mesma sensação que havia ficado quando pegou uma segunda época na faculdade. Na fábrica, a reunião estava marcada para às oito horas. O Diretor-Presidente havia ficado possesso: “Onde já se viu”, esbravejara. “Em toda a vida da empresa, jamais aconteceu algo parecido. Pagar multa pelo atraso na entrega no pedido ? Era o fim! Vencer a licitação, já não tinha sido fácil. Dessa vez, até fomos obrigados a nos compor com a concorrência”. Houvera realmente atraso na fabricação das peças, atraso que, pelos seus cálculos, só poderia ter ocorrido na seção de usinagem. Entretanto, não atinara, ainda o porquê. Desde que fora eleito Diretor Técnico, na última Assembléia Geral Ordinária, havia melhorado sensivelmente a produtividade da indústria. Com isso, o lucro da empresa havia crescido em vinte e dois por cento. Vinte e dois por cento! Tal percentual possibilitara um giro prolongado pela Europa e Estados Unidos dos Diretores Presidente e Financeiro com as respectivas.

No chuveiro, o seu mau humor aumentou. Logo agora que o vizinho com cara-de-lua do apartamento de cima resolveu tomar banho! Iniciou, com ele, aquela luta surda e silenciosa, agindo nas torneiras quente e fria à medida que o cara-de-lua fazia o mesmo. Não tinha fome, embora sentisse um vazio no estômago. “Deve ser o excesso de álcool da festa de ontem”. Sentia que passara da conta. Também com aquela conversa chata dos maridos chatos, das amigas chatas, da chata da mulher. Olhou para ela, enquanto se vestia, cuidando para não acordá-la. Ainda não estava na hora dela se levantar, pois ela só o faria às sete. E “sem precisar de despertador”. Faria o café, “porque você não deve fumar em jejum, querido”. Dessa vez, tomaria um café no bar da esquina. Tornou a olhar a mulher. Dormia, mostrando parte do corpo. Pena que nunca conseguiram se entender. Já se havia passado um bom tempo que dormiam em camas separadas. Ela assim havia sugerido desde que parou de procurá-la, o que a deixou bem satisfeita. Jamais participara sem aquele ar de sacrifício e sofrimento. Ele arranjou amantes. Não faltou quem fosse contar a sua mulher. Mas ela jamais tocou no assunto. Assim, o infeliz parecia ele. Afinal, o seu sonho, quando solteiro, sempre fora ter a esposa-amante-companheira, como lucubrava nos papos com os amigos. Por fim, acabou se acostumando, com ou sem amantes esporádicas. Porém, no fundo, preferia a idealizada esposa-amante-companheira...

Chegaria às sete horas na fábrica. Desejara estar lá antes de todos. Talvez estranhassem vê-lo a tal hora, pois o seu horário habitual era às oito. Precisava, antes de mais nada, discutir com o chefe de do Setor de Produção o que ocorrera na seção de usinagem para que resultasse em tamanho atraso. Não poderia deixar nenhuma pergunta dos outros diretores sem resposta. Na festa da noite anterior, o Diretor Financeiro já lhe havia falado sobre os grandes e sensíveis prejuízos da empresa.

“-Amanhã, na reunião, veremos este assunto”, mandando-o, mentalmente, às favas. Não gostava do Diretor Financeiro. Como acontece em muitas empresas familiares, ele era genro do Diretor Presidente. Tinha um curso de Direito e fazia questão que o chamassem de doutor. Entendia de economia e finanças tanto quanto de advocacia e vice-versa. Ainda bem que o contador agüentava a barra...

Acabou chegando na fábrica depois das sete, por causa do trânsito. Dirigiu-se de pronto à sala do responsável pelo Setor de Produção. Foi direto ao assunto, sem ao menos cumprimentar.

“-Bem, doutor, não pude fazer nada, pois o Arlindo não veio trabalhar dois dias seguidos. Eu bem que lhe avisei que precisamos preparar outro para trabalhar no torno mecânico”.

Sabia que o chefe do Setor de Produção estava certo, mas não queria admitir. “-Isto agora não vem ao caso”, respondeu secamente. Perguntou da razão das duas faltas do Arlindo e porque não o avisara. O chefe disse que não sabia direito a razão e que tinha pensado que não havia pressa, como das vezes anteriores, na entrega das peças. Por isso, é que não tinha avisado.

“-Pois deveria saber e avisar. Mande-o chamar”.

“-Ele avisou que vai chegar um pouco mais tarde; ele foi pegar cartão de consulta médica no INSS”.

“-Ele está doente ?”

“-Diz que tá. Ele avisou que ia no Instituto às cinco e meia para pegar lugar na fila para marcar consulta. Daqui a pouco, ele tá batendo por aqui”.

“-Pois traga ele aqui na minha sala tão logo ele chegue”. Discutiu ainda alguns pormenores sobre o trabalho do dia e se dirigiu a sua sala. Encontrou-se, na passagem, com o Diretor Administrativo.

“-Por que essa cara de poucos amigos ?” Sorriu amarelo. “-Eu sou assim mesmo”, respondeu. Simpatizava com o Diretor Administrativo. Dos diretores, era o que mais se preocupava com o aspecto social dos operários. Havia, recentemente, concluído um curso de “Maior produtividade com a melhora das Relações Humanas no Trabalho”. Voltara cheio de idéias na cabeça: refeitório, cooperativa, sala de recreação, assistência escolar, auxilio médico e outros mais. Suas idéias esboroaram-se com o não do Diretor Presidente, sob o pretexto de que nada adiantaria. “-Essa gente nunca reconhece o que se faz por ela”. Com insistência nas suas ponderações o Diretor Administrativo acabou ouvindo a pergunta: “-Não vai querer também que o pessoal participe dos lucros da empresa, não é!?”

Na reunião, o Diretor Presidente deu início à pauta dos trabalhos.

“-Pela primeira vez na história dessa empresa, tivemos que pagar multa contratual pelo atraso no fornecimento de um pedido de peças. Com a palavra o nosso Diretor Técnico”.

“-Houve queda de produção numa série de atividades decorrentes do atraso na seção de usinagem. É que o torneiro faltou”.

“-E por que não puseram outro ?”, quis saber o Diretor Financeiro

“-Não existe outro que saiba trabalhar no torno. É muito difícil encontrar um bom torneiro”.

“-Quer dizer que se o cidadão morre, vamos ter que parar a indústria ?” Eta cara boçal. Se o contador morrer quero ver quem te fará os esquemas financeiros, seu genrinho de meia-tigela, pensou.

“-E qual a razão da falta ?”, perguntou o Diretor Presidente, enquanto escrevia nos seus apontamentos: providenciar na Seção de Pessoal, a contratação de mais um torneiro e

anunciou, aos demais, sua resolução e de colocá-lo em treinamento, até pagando hora extra, se fosse o caso.

“-Vou saber agora”. E pedindo licença voltou à fábrica. Felizmente, encontrou o Arlindo trabalhando no torno.

“-Você anda doente, Arlindo ?”, perguntou após um cumprimento entredentes.

“-Apanhei friagem nas costas, doutor”, respondeu com os olhos voltados para o chão. Por que essa gente não nos encara e quando o faz é sempre com ar desconfiado ?, pensou.

“-É. Realmente este inverno não está para brincadeira. Por isso, você faltou dois dias seguidos na semana passada ?”

“-Bem, doutor, não foi só por isso. Para o senhor dá pra contar a verdade: A friagem eu peguei na sexta-feira. Na quinta, quando acordei tava aquele frio de rachar com aquela geada e tudo. A mulher, em vez de pular da cama e ir fazer o café, ficou na cama mais um pouquinho. Bem, o senhor sabe como é que a gente acorda de manhã. Encostei na mulher que estava bem quentinha. O resto, o senhor já sabe”.

“-Está bem”, cortou. “Depois a gente volta a falar sobre o assunto”.

Retornou à sala de reuniões. Interromperam uma discussão e voltou-se para ele a espera da explicação.

“-O torneiro apanhou uma friagem nas costas e foi por isso que ele não veio trabalhar. Tenho planos para recuperar o prejuízo e gostaria de expor ainda na pauta de hoje, Presidente”.

“O resto o senhor já sabe”, ficou a lhe martelar na cabeça...

quarta-feira, 23 de maio de 2012

RUMOREJANDO


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I

Rico é somítico* por opção; pobre, por obrigação.

*Somítico = Avarento (Houaiss).

Constatação II

Não se pode confundir tresmalhar* com malhar três, até porque quem se propuser a malhar três corre o risco de extraviar-se, perder-se, tresmalhar, enfim. Já malhar uma nem sempre é factível...

*Tresmalhar =  verbo

transitivo direto

1 deixar cair ou perder as malhas de

Ex.: sem atenção, tresmalhou o xale que tecia

transitivo direto, intransitivo e pronominal

2 deixar escapar ou dispersar, ou escapar-se, afastando-se do bando

Ex.:

transitivo direto, intransitivo e pronominal

3 espalhar(-se) em diferentes direções; dispersar-se, extraviar-se

Ex.: a tempestade tresmalhou as naus

intransitivo e pronominal

4 sair do caminho desejado; extraviar-se, perder-se

Ex.: a carta tresmalhou(-se) no caminho (Houaiss)

Constatação III (Filha da pu...ce é um estado de espírito que começa desde a mais tenra idade?)

Deu na mídia, mais precisamente no Washington Post: “O pré-candidato republicano a presidente dos EUA Mitt Romney pediu desculpas dia 10 próximo passado por incidentes que ele descreveu como ‘travessuras colegiais’ que podem ter magoado alguém, após a revelação de que ele e outros alunos de um colégio de Michigan praticaram "bullying" contra um colega supostamente gay”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que rico comete desde cedo ‘travessuras colegiais’; pobre, se revela desde cedo mau-caráter...

Constatação IV

Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “Trabalho escravo resiste na sexta maior economia do mundo”. Dúvida crucial: Que será que acontece com os escravagistas de plantão na tal ‘sexta maior potência economia do mundo’ que coincidentemente ou não é o país da impunidade’? Quem souber, por favor, comentários no blog para que possamos informar aos nossos prezados leitores. Obrigado.

Constatação V (De um pseudo-soneto).



      Pensamentos malsãos



Marquei um encontro com uma gata

Ela prometeu ser pontual, mas não veio.

A mim ninguém me afronta ou me desacata

Aí, eu quis saber o porquê do seu gesto feio.



Passei a segui-la por todo lado, por toda parte

Descobri que ela saía sempre toda agarrada

Com um cara com pinta de porta-estandarte

Por quem ela parecia estar assaz interessada.



O sujeito não desgrudava dela e de uma bengala

E na esquina, pouco afastada, embarcaram num opala.

Ele dando a impressão que se apoiava em ambas.



Cuidando para não ser visto, segui atrás do carro velho

Pensei: pelo jeito não vão para um culto religioso de evangelho.

Eles davam aulas de portas-estandarte e bandeira em escolas de sambas.



Constatação VI (De outro pseudo-soneto. Este figadal).



            Gente fina é outra coisa.



Quando alguém não consegue atingir seu desiderato

Diz ‘ta russo’ e/ou que ‘o mar não está para peixe’.

Jamais se considera um cara com falta de fosfato

E se alguém chama sua atenção, retruca ‘me deixe’.



São os famosos sabe-tudo, mas que estão por fora dos fatos

Jamais consultam dicionário, compêndios ou a enciclopédia

Só norteiam seu comportamento por intuição os seus atos

Quando abrem a boca não se sabe se aí vem uma trágica comédia.



Gente assim tem em toda parte, em todos os cantos, enfim em todos os lugares

Seja em casa de ensino, lugares de trabalho físico ou mental, até em lupanares.

A maioria alardeia sabedoria. São os que se consideram professores de D’us.



Quando te contam um causo eles são sempre o salvador da pátria, o mocinho

Capaz de vencer uma guerra, como o Silver Stalone que ganha, sem ajuda, sozinho

E para eles as pessoas decentes, honestas, direitas são apenas os parentes seus.



Constatação VII (De mais um pseudo-soneto).



                       Terceira Idade



À medida que os anos vão avançando inexoravelmente

As condições físicas e psíquicas entram em parafuso

E não se trata de um declínio e de uma queda como num acidente

Tampouco por fazer o cérebro ser utilizado com exagerado abuso.



É que os neurônios começam a desaparecer em escala assustadora

E os que sobrevivem dão a impressão exata de não dar conta do recado

Já que por eles devem ter passado uma pá carregadeira ou uma motoniveladora

Arrastando a turma para um canto ou uma fossa por ter sido pouco utilizado.



Para quem já completou 75 e dobrou o Cabo das Tormentas

E pretende se inteirar dos fatos pelo uso indevido das ventas

Vai sempre cometer desatinos, dizer tolices e/ou cometer gafe.



Se isso te deixar irascível, triste, meditabundo ou agastado

Recolha-se em tua casa, fique no teu canto sem se sentir obumbrado

Não esqueça que você não deve se estressar e veja para que não se estafe.



Constatação VIII (De um quarto pseudo-soneto).



      Conselhos úteis.



É um baita de um desperdício

Diria até que é um malefício

Não se ocupar da mulher e da amante

A toda hora, minuto, a todo instante.



Elas, como tantas, precisam de atenção

Para desbaratar uma possível solidão

Esta e outras devem ser evitadas

Seja de dia, nas noites, nas madrugadas



Por isso prezado amigo e companheiro

Evite mal-entendidos principalmente com elas

Ainda que você seja mau-caráter, um fuleiro.



Trate-as com carinho, amor e devoção

Se aparecer uma terceira nada de escorregadelas

Marque com a última em horário que não dê confusão.


Constatação IX

Qual galo pedrês,

Levantou

Às três

Da madrugada

Para reivindicar,

Batalhar,

Labutar

Campear,

Uma consulta

No SUS,

Pois

Achava,

Pensava,

Meditava,

Ponderava

Que fazia

Jus.

Levou

Uma multa:

Quando havia

Só dois

Antes dela,

A atendente,

A assistente,

A demente,

Aquela...

Deixa prá

Lá...

Mandou

Voltar,

Retornar,

Se apresentar

Depois.

Ficou

Desvairada,

Amuada,

Extenuada,

Cansada,

Fatigada,

Irritada

E augurou,

Desejou

Mentalmente

Ao Ministro

Da Saúde

Algo sinistro:

Um ataúde,

Tão somente.

Coitada!

Constatação X (De diálogos não muito esclarecedores).

-“Paiê, por que se rouba tanto no Brasil ?”

-“Porque sim, meu filho”.

-“Ah, bom, quer dizer, ah, ruim...”

Constatação XI (De conselhos úteis, via pseudo-haicai. De nada).

Não regre

O que deixa

Teu inimigo alegre.

Constatação XII

Rico é participativo; pobre, enxerido.

Constatação XIII (Unisex).

Ele(a) deixou de amá-la(lo)

E mudou o seu conceito

Passou a tratá-la(lo)

Com falta de respeito.

Constatação XIV

E como dizia, pseudohaicaimente, aquela gatona, plenamente consciente de suas amplas possibilidades, voltadas para velhos milionários caquéticos:

“Eu nunca me encarrego

De, sem estopa,

Pregar um prego”.

Constatação XV (Quase repetitiva).

Aquele cara, com cara de bun, digo com cara de quem ta com vontade de se sentar, se achou numa desesperada dúvida crucial: Deveria aparecer na revista Caras ou na revista Bundas ou em ambas. Coitado!

Constatação XVI

Deu na mídia: “Luta contra a fome é um problema de vontade política, afirma a FAO”. Alguém aí teve algum dia alguma dúvida, crucial ou não, a respeito?

Constatação XVII

Deu na mídia: “A taxa de desemprego no Brasil aumentou para 6,4% em março deste ano em comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o indicador apontava 6% da População Economicamente Ativa (PEA, pessoas em idade de trabalhar e/ou à procura de emprego) desempregada. Para completar, a renda média do trabalhador caiu mais uma vez. Desde janeiro de 2011, os ganhos dos brasileiros reduz-se mês a mês. A mídia esqueceu, novamente, o que é imperdoável, de acrescentar: “viva nóis”.

Constatação XVIII

Não se pode confundir rótula com rótulo, muito embora haja muito jogador de futebol que faz questão de acertar a rótula do adversário, seu colega de profissão, de maneira tal que deixa um rótulo, às vezes para sempre, da maldade feita.

Constatação XIX (De uma dúvida crucial).

Deu na mídia: “FHC faz tratamento para não ranger dentes”. E qual é o tratamento que nós, pobres mortais, tivemos que fazer para não ranger os dentes com o governo dele ? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação XX (De diálogos familiares).

-“Mas, meu filho, quantas vezes eu preciso te dizer para estudar em vez de ficar lendo a revista Playboy. E a propósito, o que é que você está lendo”.

-“Pai, eu estou lendo quantos sinônimos existem para o órgão sexual feminino. Segundo a revista, citando o dicionário de Antônio Houaiss, existem 330 sinônimos”.

-“E de que te adianta ficar sabendo isso ?”

-“Cultura geral”.

-“Ah bom! Então, agora vá estudar enquanto eu vou dar uma olhadinha na revista para me cultivar”...

Constatação XXI

Deu, há tempos, na mídia: “Jornal inglês afirma que a cantora Britney Spears não é mais virgem”. Taí uma notícia que, na época e também hoje em dia, que foi e é de transcendental importância para o futuro da Humanidade.

DÚVIDAS CRUCIAIS, VIA PSEUDO-HAICAIS

Dúvida I

É muita falta de escrúpulo

Tomar sozinho meia dúzia

Daquela bebida com lúpulo ?

Dúvida II

É muito desassombro

Deixar, na praça,

Um baita dum rombo ?

Dúvida III

Ao resignado

Povo brasileiro cabe

O epíteto de “Coitado” ?

Dúvida IV

E ao povo argentino

Só resta a esperança de

Sacar algum num cassino ?

Dúvida V

E na França

Entre Direita Esquerda e Extrema

O coração balança ?

Dúvida VI

E na Grã Bretanha

Será que o futuro rei com

A plebéia ainda se assanha ?

Dúvida VII

E na Alemanha,

Do torcedor, do “hooligan”

A polícia apanha ?

Dúvida VIII

E na Holanda

Para trás

O mar anda ?

Dúvida IX

É a Coréia

Uma bomba atômica

Logo, logo estréia ?

Dúvida X

E o Japão

Mostrou, depois do tsunami,

Quem é o bom ?

Dúvida XI

E a milenar China

Vai se defrontar

Com a soja da Argentina ?

Dúvida XII

A Itália, eterna favorita

Vai querer mostrar nos esportes

Que não é de fazer fita ?

Dúvida XIII

E este assim chamado

Escriba vai sofrer, junto aos 200

Milhões, com o time do Mano escalado ?

Dúvida XIV

O coração que já sofreu tanto desacato

Será que ele aguenta, por um acaso,

O Brasil não levantar o campeonato ?

Dúvida XV

Não há quem se anime:

De fato, “o Brasil tem jogadores

Mas não tem um time”?

Dúvida XVI

Dólar a 2 reais não preocupa

Principalmente àqueles que para ver a sua cor

Não necessitam o uso de uma lupa?

Dúvida XVII

A Comissão da Verdade

Já encomendou a pizza

Por causa da sua inocuidade?

Dúvida XVIII

O afrodisíaco fez muito mal

Pois ele só descambou

Para um efeito colateral?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

http://www.rimasprimas.com.br/

quarta-feira, 16 de maio de 2012



PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I

Na sua falsa modesta opinião ela se refestelou com as bajulações e elogios feitos em relação a sua beleza? Não ficou claro quem foi. Quem souber, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação II

Para as famosas ou as que pretendem ser, mostrar os seios depois de serem turbinados passa a ser uma espécie de até de obrigação. Diretamente proporcional, portanto.

Constatação III (De supostos diálogos futebolístico-conjugais).

O goleiro reserva do Santos é o Aranha

Com ele não tem frescura nem manha

Da bola ele não tem raiva, medo ou sanha

Mas, se chegar tarde a casa, da mulher, ele apanha

Principalmente se chegar cheirando a canha.

Ou transcendendo perfume de alguma estranha

Por isso ele vive em palpos de aranha

Tentando sempre fazer com a mulher barganha

Quando ela sobe ao pico, a alguma montanha.

“Você ainda vai ficar preso por um meganha

Você anda se metendo com alguma piranha?”

“Não. Goleiro tem que estar pronto para uma façanha

Pegar pênalti, não engolir frango nesses perde-ganha.

Venha sentar no meu colo e vamos comer uma picanha”.

“Não queira me levar na conversa. Não venha com patranha.

Já conheço esse seu engodo, sua empulhação, sua artimanha.

Em todo caso, como vegetariana que sou, eu aceito uma lasanha.

Claro, lá naquele restaurante, cujo ‘chef não é da Grã Bretanha”.

Constatação IV

Deu na mídia, mais precisamente no site da Globo: ‘Thalma de Freitas revela”: “Minha vida sexual era bem ativa na adolescência”. Taí uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade.

Constatação V

E já que falamos em tão palpitante assunto, ter bundão e peitão é o grande ideal das moçoilas, gatas, gatonas dessa geração?



Constatação VI (De um pseudo-soneto com ‘glossário’ explicativo).



     De dramas conjugais



Ela fez uma tremenda balbúrdia

Quando ele chegou de madrugada

“Você não tem vergonha, seu estúrdia*”,

Ela gritava totalmente descontrolada.



“Me deixe eu te explicar”, ele ripostou**

Com a voz toda roufenha***, engrolada****

“Quase que eu embarquei, de vez que me vou

Bati o carro. Foi uma baita trombada”.



“Pena que não morreu e não foi de uma vez

O que para mim seria um motivo de alegria

É o teu segundo acidente em menos de um mês”.



“O cara-de-pau do outro carro quis que eu pagasse

O que seria uma tremenda de uma aleivosia*****

Eu me neguei e, claro, ficaremos para sempre num impasse”.



*Estúrdia =  substantivo feminino

1. comportamento ou vida de estróina; estroinice, pândega, leviandade

2. gesto, atitude insensata e reprimível (Houaiss).

**Ripostar = verbo

intransitivo

1 Rubrica: esgrima.

em esgrima, rebater o golpe do adversário

Ex.: aprendeu logo a r.

transitivo direto

2 Derivação: por metáfora.

argumentar contrariamente; replicar, retrucar

Ex.: ripostou que não era aquela a razão de seu afastamento

***Roufenho = adjetivo

1 que parece falar pelo nariz; fanhoso, rouquenho

2 m.q. rouco

3 que tem o som áspero, sem harmonia

Ex.: notas roufenhas saiam de seu clarinete

****Engrolado = adjetivo

1 que se engrolou

1.1 malcozido ou assado

1.2 malpronunciado

Ex.: estrangeiro, era difícil entender seu português engrolado.

1.3 feito apressadamente; malfeito

2 mal estudado ou decorado

3 m.q. engazopado

 substantivo masculino

Regionalismo: Nordeste do Brasil.

4 conversa ou fala incompreensível ou sem sentido; grolado

Ex.: lá vem ele, bêbedo de cair e com aquele engrolado que ninguém entende (Houaiss).

*****Aleivosia = substantivo feminino

1 traição ou crime cometido com falsas demonstrações de amizade; perfídia, deslealdade

2 qualidade de quem engana, atraiçoa; dolo, fraude

3 acusação fundamentada numa mentira (ger. feita por acinte); injúria, calúnia

4 Regionalismo: Portugal.

descumprimento de promessa; falseta (Houaiss).

(continua).



     De dramas conjugais (continuação).



“Pela quantidade de cachaça que você ta consumindo

E para que você não faça mais uso de trambique

Não seria recomendável, se você continuar assim ingerindo,

Que você providenciasse a instalação de um alambique?



“Na realidade eu não cometo exageros.

O que é demais é o bolo alimentar

E isso me causa desesperos,

Pois eu sempre me canso de mastigar”.



“Então o problema é a deglutição

A cachaça não te faz mal algum

É tudo um caso de digestão?”



Exatamente meu grande amor

Um cara como eu só existe um

Por que você mudou de cor?



Constatação VII

Não se pode confundir Sacro e Profano que é o título de um programa que é levado todas às segundas-feiras pela e-Paraná, às 20 horas com saco e soprano que não tem nada a ver com aquele programa, muito embora tenha soprano que os entendidos acham um saco ficar escutando.

Constatação VIII

Sugestão de Rumorejando aos nossos filólogos: Fustigato = O político, o governante que foi fustigado nas eleições pelo povo por haver posto a mão no jarro. Se for na Argentina, a sugestão seria, em caso similar, ‘fustiraton’. Como o prezado leitor pôde constatar o Mercosul já permite que a gente faça sugestões aos hermanos.

Constatação IX

Não se pode confundir pensa com tensa, tendo em vista que, quando a pessoa está tensa, ela dificilmente pensa.

Constatação X

Sexo virtual

É antinatural

É anti-racional

É anti prazeroso

Deixa o cara nervoso

Por mais que ele seja amoroso.

O sujeito fica carrancudo

Sem ouvir gemido, fica sisudo

Enfim, é anti tudo.

Constatação XI

Súbito,

Não mais

Que de repente,

Começou

A se sentir

Ausente,

Diferente

Como jamais.

É que tanto

Em decúbito

Dorsal

Como frontal,

Plantando bananeira,

De lado

Ou outra maneira

– Quem diria –

O sangue

Parou

De refluir

Onde deveria.

Ele ficou,

Portanto,

Exangue,

Apalermado,

Atoleimado,

Desfigurado,

Obumbrado,

Desconsolado,

Assustado,

Muito apavorado.

Coitado!

Constatação XII

Está na hora, se não já passou da hora, de depois de separar, além de “Fumantes” e “Não Fumantes”, nos restaurantes e/outros locais públicos, os que “Têm celular” e os que “Não têm celular”. Comer, procurando estar na maior descontração, num papo em boa companhia, mas com alguém ao lado, em altos brados, no celular, é assaz indigesto. Afinal, para o “celulariano”, o fato de estar comendo no restaurante, não deixa de ser símbolo de status... E celular, data vênia, como diriam nossos juristas, quase todo mundo já tem, o que, como diriam nossos economistas, já não representa mais o “efeito ostentação”... Aliás, do jeito que a coisa vai indo, comer – apenas, comer – já será, logo, logo, símbolo de status...

Constatação XIII

É política de boa vizinhança

Ou é destemperança

Não cumprimentar

A vizinha,

Acompanhada

Ou sozinha,

Ao entrar

No elevador

E/ou na escada

Como se a gente

Estivesse com lombriga

Ou com dor

De barriga,

Ou dente ?

Constatação XIV (De uma dúvida crucial).

Quando em um filme aparece uma cena de sexo com nu frontal do casal é para satisfazer gregos e troianos, ou gregas e troianas, ou gregos e troianas, ou, ainda, gregas e troianos? Quem souber a imprescindível resposta dessa elevada análise combinatória matemática, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação XV

A receita

Para curar

Unha encravada

Deixou seqüela

Já que foi trocada

E fez ela

Ficar

Contrafeita

Com dor

No “sentador”.

Coitada!

Constatação XVI

O engodo,

A empulhação

Do governante

Foi o bastante

Para deixar

No lodo

Sua reeleição.

E ele disse,

Com caradura,

Com sandice,

Com amargura,

Essa tolice:

“Mas que agrura!

Que azar!”

Constatação XVII

A e-Paraná, nome atual da Rádio Educativa, depois da mudança de direção com a entrada de Paulo Vitola merece os encômios deste assim chamado escriba. Parabéns a toda a equipe nova. À velha também!

Constatação XVIII

Não se pode confundir estróina* com esbórnia**, muito embora quem participa de uma esbórnia quase sempre é um estróina. A recíproca não é necessariamente verdadeira. Depende se o cara for rico ou pobre, como Rumorejando modesta e sabiamente costuma assinalar nas diferenças entre os dois eternos estratos econômico-sociais.

*Estróina = adjetivo e substantivo de dois gêneros

Uso: informal.

1. que ou o que age levianamente, de maneira irresponsável; desajuizado

2. que ou o que é inconseqüente com o uso do dinheiro ou dos bens que possui

**Esbórnia = substantivo feminino

1. festa ou encontro festivo em que predominam o hedonismo e o desregramento; farra, pândega

2. orgia sexual (Houaiss).

DÚVIDAS CRUCIAIS VIA PSEUDO-HAICAIS

Dúvida I

Se chovesse, lá em Macondo,

Só, 99 anos e se houvesse trovão

Será que seria com estrondo ?

Dúvida II

Mesmo perdendo para algum time de Mamoré

O Paraná não deve dar marcha à ré

Nem deve perder a abalada fé ?

Dúvida III

O iambo*

Foi também composto

Como um ditirambo** ?

*Iambo = “Na poesia grega e na latina, pé de verso constituído de uma sílaba breve e outra longa”.

**Ditirambo = “Composição lírica que exprime entusiasmo ou delírio”.

Dúvida IV (Perdão, antecipadamente, caros leitores).

Foi o ‘Amaro’ C...‘amargo’,

Lá no ‘Acre’, que comeu

Um ‘azedo’ aspargo ?

Dúvida V

Foi o cara de pau, de peroba,

Do senador que disse que ele,

Por ser pobre, só come gororoba ?

Dúvida VI

O discurso do candidato,

Pelas incongruências, mais

Se assemelha a um desacato ?

Dúvida VII

Ela foi tão dogmática

Na sua negativa que até

Pareceu ser autocrática ?

Dúvida VIII

Tomar um mate

Com açúcar não

Te parece um disparate ?

Dúvida IX

Ela demonstrava,

Somente na cama,

Ser ignava* ?

*Ignava = “Indolente, preguiçosa”.

Dúvida X

É muito consolável

O Brasil ser campeão,

O que é pouco provável ?

Dúvida XI

Se sentia no bagaço,

Só se queixando da vida,

Aquele saudável ricaço ?

Dúvida XII

É muita bondade

Um salário mínimo

Que é só brevidade ?

Dúvida XIII (Efeito bumerangue).

A campanha para incentivar

A leitura, do governo, não põe

Em risco do povo se politizar ?

Dúvida XIV

É uma espécie de neurose

A gente fazer a afirmação:

“Essa é minha última dose” ?

Dúvida XV

Ela estava naquela posição

Em que perdeu a guerra

O corso Napoleão ?

Dúvida XVI (Qual o “samba” de Noel Rosa).

Não é no colégio

Que se aprende

O que é florilégio* ?

*Florilégio = “Coleção de trechos em prosa e/ou verso; analecto, crestomatia, espicilégio, seleta, parnaso”.

Dúvida XVII

Os chamados amigos do alheio,

Com a elevada concorrência,

Tiveram que se sujeitar ao rateio ?

Dúvida XVIII

É muita ou pouca baboseira

Sacar mais vinte reais, pro

Salário mínimo, da “algibeira” ?

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I (O que acontece quando a gente está muito nervoso e ansioso).

Não se deve confundir draga com droga, até porque se você assistir um jogo de futebol que seja uma droga – como acontece na maioria das vezes – mormente se o teu time esteja uma droga você ficará com uma draga* para assistir um Barcelona e Real Madri na mesma hora.

*Draga = (popular) indivíduo que come sem parar tudo que vê pela frente. "Fulano é uma draga!" (Google).

Constatação II (Millôr).

No jornal JL – Jornal de Letras, Artes e Idéias, de 18 de Abril a 1 de maio de 2012, que se edita em Portugal, há na capa a figura de Millôr Fernandes num largo sorriso, e o título “Millôr – Um gênio do humor que faz pensar”. No corpo do jornal estão inseridos vários artigos de escritores portugueses e brasileiros sobre esta figura notável que Rumorejando já teve a oportunidade de destacar sua opinião, entre outras, de que ele ter sido a pessoa mais inteligente que apareceu em nossas plagas nos últimos extensos tempos. Data vênia é claro. Na contracapa do jornal o texto de Luís Filipe Castro Mendes, poeta, ficcionista e diplomata português cujos escritos têm o título de “Dias Roubados ao tempo”, onde estão assinalados, com data, como se fora um diário, os textos do escritor europeu. E de lá tomo a liberdade de transcrever um deles:

“Estrasburgo 31 de março de 2012

Nestas despedidas que deixo nos poemas, deixem que fale um pouquinho em voz baixa no meu amigo Millôr Fernandes, a inteligência mais feroz e generosa que conheci, a atenção mais implacável jogada sobre o mundo, ali nesses lugares radiosos do Rio de Janeiro onde só peço a graça de poder um dia voltar:

Dizem que você foi embora


Primeiro nos deixara sozinho dentro do seu corpo


e agora, pois é, partiu.


Tudo ficou mais pobre, tudo ficou mais baço:


mas olha o mundo lá fora a rir com você”.

Constatação III

Rico só tem benquerença; pobre, só tem desavença.

Constatação IV

Rico eventualmente é apedeuto; pobre, é sempre ignorante.

Constatação V

As evoluções e mutações da nossa rica língua portuguesa têm trazido expressões superlativas do tipo defesaça, golaço, frangaço, mulheraça, gatona, coxaço. Alguns desses exemplos já constam nos dicionários como golaço, mulheraça. Rumorejando sugere, respeitosamente, aos nossos filólogos o termo pentelhaço com o significado da pessoa que incomoda os outros sem dar tréguas, como existe tantas por aí...

Constatação VI

Deu na mídia, mais precisamente no site da Globo: “Uma modelo foi traída pelo decote do vestido e acabou mostrando demais em desfile na semana de moda de Sydney, na Austrália. O incidente aconteceu nesta terça-feira, 1º, segundo dia da semana de moda que apresentou coleções de primavera-verão”. Incidente?

Constatação VII

Eu acho

Que o cambalacho

Ta tornando o país

Um esculacho

E a corrupção

Faz da gente um capacho

Será que não tem um juiz

Que dê uma de macho

Para dar um despacho

E pôr esses caras todos na prisão?

Constatação VIII

Julio Cesar, o Corinthians ao crucificar

Me fez recordar

A engolida de rã

Que representou 50 no Maracanã

A final

Naquele mundial.

O mesmo, naquela partida,

Até hoje doída,

Sucedeu com o goleiro Barbosa

Numa porfia nervosa

Onde as estrelas do nosso país

Não viram a cor da bola

Onde um tal de Obdulio Varela,

Como se diz por aí, comeu ela,

Fazendo dela

O que bem quis.

Barbosa pagou o pato

A mídia entrou de sola

Com muito espalhafato,

Culpando o goleiro

Que morreu com a pecha

De ter sido um frangueiro

Que deve ter lhe feito mais mal

Do que ser ferido com um punhal

Ou uma flecha.

Tomara que Julio Cesar supere esse trauma

Que deve ter lhe causado mal

Até na alma.

Em tempo: O meu time

Veio todo o campeonato

Com um desempenho nada sublime,

Carregando nas costas um Imperador

Que só veio para causar estupor

Com suas atitudes

De escassas virtudes.

E pior: parece que jamais se corrige.

Vige!



UM PINGO DE ALGUNS PSEUDO-SONETOS.

Pseudo-soneto I



Má interpretações.



Quando ela me acenou com um sorriso

Abriu-se para mim um mundo de boas perspectivas,

Mas fiquei um pouco cauteloso, de sobreaviso

Poderia ser mais uma das suas malévolas iniciativas.



“Abra o jogo, cartas na mesa”, eu disse para ela,

“Qual é a sua com esse seu gesto eivado de promessa?”

“Não há nada de maldade, nada de mazela.

Venha na minha casa. Você vai adorar. Vamos nessa”.



“A que horas eu posso na tua casa aparecer?”

Perguntei cheio de ansiedade, de emoção

“Diga depressa porque eu não tenho tempo a perder”.



“Venha à noite, a hora que você quiser

Eu estarei te esperando com o meu maridão

Vale a pena conhecê-lo e até acho que se faz mister”.



Pseudo-soneto II



De um desabafo



Uma viagem para o exterior de avião,

Para quem tem grande altura

E fica sentado naquele desvão

Pode afetar para sempre a postura



As companhias querem o lucro maximizar

Com isso, até a comida é de péssima qualidade

Tudo em detrimento do passageiro, do seu bem-estar

E o preço deixa a gente na saudade



Até parece o que fazem os restaurantes

No começo boa comida e baixo preço

Depois é o inverso, esquecendo como era antes.



Pensar somente no lucro é ganância,

Esquecendo que o freguês pode mudar de endereço

É falta de bom senso, é total ignorância...



Pseudo-soneto III



Sugestão. Principalmente aos jovens.



O que você faria para se comunicar

Se não fossem os livros e o bom cinema

Provavelmente só escutaria sem opinar

Por não saber falar sobre algum tema.



Por isso minha menina, meu amigo

Larguem mão do joguinho do computador

Leiam, mas não quem só fala do próprio umbigo.

Comecem com Machado, Eça e Dona Flor



A medida que a leitura se tornar uma constante

Dar-se-ão conta que, certos livros, não se pode largar

Nem por um minuto, segundo ou nem por um instante.



E quanto aos filmes, assistam os nacionais e argentinos.

Hoje em dia, dificilmente algum deles não vai agradar

Mesmo que a gente considere os hermanos cabotinos...



Pseudo-soneto IV



Contágio



Diz o ditado popular

Que ladrão que rouba ladrão

Tem cem anos de perdão

O que não é de se duvidar.



Roubam os lá de cima

Aqueles que deveriam dar o exemplo bom

Os de baixo ajudam a fazer a rima

Achando que é uma excelente solução.



A classe média rouba até no vestiário

O que não é de se admirar

Nem sempre tem cadeado no armário.



O roubo no Brasil está institucionalizado

O empreiteiro solta grana para o eleitor votar

Depois, o empresário terá o capital multiplicado.



Pseudo-soneto V



Aulas gratuitas



-“Escute queridona, preste muita atenção

O que te diz o meu paupérrimo coração:

Vou te fazer acordar feliz da insípida vida

Depois de uma breve noite inesquecida”.



-“Você vai querer que eu de novo te diga

Eu já tenho felicidade só em ser tua amiga

De que maneira você me faria feliz.

Aonde você quer meter o seu nariz?”



-“Eu vou quere te dar aula de biologia

Da meia-noite até às três da madrugada

Também estudar no teu corpo astronomia”.



-“Astronomia não se estuda nas estrelas do céu?

Pelo o que eu aprendi também junto com tabuada

Tuas malévolas intenções vão já pro beleléu”.



Pseudo soneto VI



Mal-entendido



Cantei a gatona com insistência, várias vezes

Ela se mostrou impassível, surda, renitente.

Já perdi a conta, até na calculadora de quantos meses

Cheguei à conclusão que mais fácil é o batente.



E veja que meu trabalho é árduo, pesado

Sou carregador no Porto de Antonina

Levo na cabeça sessenta quilos de granulado.

Todos da mesma tara: seja grossa ou fina.



Quando eu da gata já tinha me olvidado

Tive a grata surpresa de que ela havia topado

Desde que fosse no escuro e na mata



Concordei na mesma hora cheio de alegria

Dela eu nunca havia constatado algaravia*

Parece que acabou o “nem ata nem desata”.

*Algaravia= substantivo feminino

1 fala ou escrita árabe

2 Derivação: sentido figurado.

linguagem muito confusa, incompreensível; charabiá

3 Derivação: por extensão de sentido.

coisa difícil de entender

Obs.: f. menos us.: algravia

(Continua...)



Pseudo soneto VI (continuação)



Entramos pela mata cerrada e bem escura.

E eis que no meio do bem bom um espinho

Me cutucou, causando uma indesejada brochura

Nada bem-vinda ao atravessar meu doce caminho.



Diante dos meus ais ela com rispidez falou:

Por que você não foi gentil e me avisou

Que tão depressa, tão rápido você vinha

Se eu soubesse teria mandado uma amiga minha.



De nada adiantou a minha explanação e explicação

“Pare já com essa tua peroração, tua tergiversação.

Você é dos que fazem a gente perder a tramontana”.



E assim terminou a minha desdita, minha tragédia

Que alguns podem ter achado como se fosse comédia

Que eu, infeliz, daria o nome de ‘O infortúnio do Bacana’.



DÚVIDAS CRUCIAIS VIA PSEUDO-HAICAIS.

Dúvida I

Quem em mente poluída

é capaz de cantar,

De Verdi, Aída?

Dúvida II

Se para o meu Paraná,

O Palmeiras perder, a cabeça

Do Felipão, rolará?

Dúvida III

Mas, para o meu Paraná, perder

É tão desmoralizante

Até não mais poder?

Dúvida IV

E uma sogra com mente poluída

Só não compra passagem de volta,

Somente de ida?

Dúvida V

Esses frangos todos do goleiro

Será uma pandemia nas penosas

Ou é algo fortuito ou passageiro?

Dúvida VI

Será que quando Dilma se põe a atacar

Bancos comerciais em rede nacional

O banqueiro vai o sono poder conciliar?

Dúvida VII

Os dias 8 de março e 1º de maio

São de uma empulhação total.

É bom, pois, olhar de soslaio.

Dúvida VIII

Foi o escafandro, ao voltar de um mergulho,

Contou que lá bem no fundo do mar

Não havia tesouro algum. Só havia bagulho?

Dúvida IX

A lotomania e a megassena

Foram criadas por um turista brasileiro,

Em Paris, às margens do Sena?

Dúvida X

O desemprego na Europa

Arrisca desandar a saída,

Nos quartéis, da tropa?

Dúvida XI

Ou a atitude acima, a rebelde reação

Só acontece em banana republic

Que se encontram com as calças na mão?

Dúvida XII

Tanto lá, como acolá ou aqui

O Santos sempre será o favorito

Contra o time de Campinas, o simpático Guarani?

Dúvida XIII

O pensamento assaz analítico

É que CPI só é factível

Contra o rival partido político?

Dúvida XIV

Quando você recebe e-mail de ter ganho

Alguns milhões de dólares, você acha que

Foi um tio que você desconhecia de antanho?

Dúvida XV

Foi a escaravelha que disse para o escaravelho:

‘Tua mãe não vai aprovar.

Você ainda é um rapazelho’?

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quarta-feira, 2 de maio de 2012

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I

O meu Botafogo ganhou do Vasco,

Deixando os vascaínos com asco.

Eles ficaram assaz mareados

Coitados!

Constatação II (Quadrinha para ser recitada na rampa do Palácio, em Brasília e nos demais acessos pertinentes).

Pagar o imposto de renda

Até poderia ser uma satisfação

Se nos 3 Poderes não fosse lenda

Que tem havido tanto ladrão.

Constatação III

Rico tem barriga flácida; pobre, de água.

Constatação IV

Alguns torcedores do meu Paraná sonham que o time tenha no ataque Messi e Cristiano Ronaldo. Eles justificam que não é para melhorar o time. É que alguém falou: “Sonhar é preciso”...

Constatação V

A diferença entre sentir falta e sentir saudades é que, esta dói enquanto que aquela é como perder momentaneamente algo e depois, sem recorrer a São Longuinho, eventualmente achar.

Constatação VI

Rico toma champanhe quando faz amor; pobre, toma pinga quando faz e quando não faz...

Constatação VII

Em nome da liberdade de expressão, do uso do nome de Deus, da Democracia se cometem crimes de lesa-pátria. Um dos exemplos mais flagrante foi o daquele deputado que havia “ganho” mais de 10 ou 20 vezes na loteria federal e, ao ser questionado sobre o cálculo de probabilidades, justificou que ele não tinha culpa se Deus havia assim desejado. Muito comum é o governante e/ou político quando é pego com a mão no jarro alegar que tudo se trata de um complô dos seus inimigos políticos ou que querem ir contra a democracia. O bicho Homem que é responsável pelo notável desenvolvimento da Ciência e Tecnologia, mostra que, ele não evoluiu, porquanto não é capaz de influir na mídia para que certos fatos não sejam divulgados, visando preservar vidas humanas. Exemplos: O que custaria à mídia mundial fazer um pacto para que não se divulgasse quando um sujeito invade uma escola e se põe a atirar a esmo, matando e ferindo quem estiver na sua mira. Tal acontece, mormente, nos Estados Unidos onde a venda de armas não é proibida. Talvez sem essa divulgação outros fatos idênticos não teriam acontecido como sucedeu em Realengo no Rio de Janeiro; recentemente foi julgado um rapaz que seqüestrou a namorada e a matou quando a polícia invadiu o local onde o casal e mais uma moça se achavam. A mídia televisiva ficou acompanhando desde o início do seqüestro que culminou com o trágico desfecho. Talvez para o assassino ser levado pela polícia foi um momento de glória de, assim, ter podido aparecer na televisão.
A mídia tem se calado quando a ela convém. Às vezes, por razões de não perder o ‘freguês’ que participa na publicidade do veículo; outras, por ideologia, religião, etc.
Se como dizia um professor na faculdade que Engenharia = Matemática + Bom Senso,
Liberdade de Expressão = Verdade dos fatos + Bom Senso.

Constatação VIII

Cantou a gatona

Uma cinquentona

Que havia feito

Recauchutagem geral.

“Deixe eu relaxar no teu peito,

Minha loba romana

– Ela era italiana –

Vamos repetir Rômulo e Remo

Que foram amamentados,

Por terem sidos abandonados,

Por uma loba, num gesto extremo

E assaz maternal

E daí, nasceu teu país supremo”.

Constatação IX

Deu na mídia: “Ação humana faz desaparecer anualmente cerca de 0,2% das espécies, advertiu o zoólogo americano Edward Wilson, professor da Universidade de Harvard”. O professor esqueceu de acrescentar as suas declarações, o que é lamentável, viva “nóis”.

Constatação X

Quem ainda não assistiu o filme brasileiro “A 3ª Morte de Joaquim Bolivar”, escrito e dirigido por Flávio Cândido, não sabe o que está perdendo. Esse filme, inteligentíssimo, pode ser encontrado nas vídeo locadoras. Aliás, o que tem de filme brasileiro e dos hermanos de primeiríssima ordem por aí não está escrito em algum gibi. Tenho cinefilamente dito!

Constatação XI (Unisex).

Ele(a) deixou de amá-la(lo)

E mudou o seu conceito

Passou a tratá-la(lo)

Com falta de respeito.

Constatação XII

Não se pode confundir manha com manhã, muito embora toda manhã a gente faz manha para levantar, principalmente se for numa segunda-feira. A recíproca não é necessariamente verdadeira.

Constatação XIII

Uma campanha

Capaz

Se faz

Com numerário

Que se arrebanha

Do empresário.

Para ele, investimento

Que ele espera

Recuperar

A qualquer

Momento.

Bem,

Pudera!

Ninguém

É de ferro,

Ninguém

É xucro

Nada de lucro

Zero.

Indubitavelmente,

Há que se ganhar

Para poder comprar

Um anel de brilhante

Para a amante

E, eventualmente,

Também,

Para a mulher.

Constatação XIV (Passível de mal-entendido).

Disse um velhinho para outro:

-“Na minha idade fazer sexo com a minha legítima é um desperdício”.

-“Eu também acho”.

Constatação XV (De conselhos úteis).

Estimular,

Regrar

Boa conduta

De quem labuta,

De quem faz

Acontecer

Deveria

Ser

Uma luta,

Do dia a dia,

Sem esmorecer,

Pertinaz,

Mesmo

Se se levar

Bordoada

A esmo.

De nada!

Constatação XVI

E como dizia, pseudohaicaimente, aquela gatona, plenamente consciente de suas amplas possibilidades, voltadas para velhos milionários caquéticos:

“Eu nunca me encarrego

De, sem estopa,

Pregar um prego”.

Constatação XVII

Aquele cara, com cara de bun, digo com cara de quem estava com vontade de sentar, se achou numa dúvida crucial: Deveria aparecer na revista Caras ou na revista Bundas ou em ambas. Coitado!

Constatação XVIII (De um Poeminha afano-gastronômico).

Ela roubou

De mim

Um beijo

Imerecido,

Pois comeu

Até o fim

O pão

E acabou

Com o meu

Queijo

Parmesão.

E o fundido.

Constatação XIX (Recado).

Parabéns reiterados, amigo Solda, pelos teus livros lançados. De maneira geral, a fim de não dar eventual má impressão de plágio ou algo similar, não costumo preencher meu blog com trabalho alheio. No entanto, peço permissão para publicar uma tua poesia, das muitas que considerei antológicas e que me fez lembrar o saudoso cantor e compositor francês Georges Brassens, quando diz numa de suas canções: “morrer pelas idéias, de acordo. Mas de morte lenta, de morte lenta”. Vamos a ela, pois:

“É preciso que se morra

Mas que se morra aos poucos

Devagar

Dentro do horário

Com cautela

Sem onerar o erário

É preciso morrer

Na disciplina protocolar

Parar de respirar

Sem nenhum comentário

Morrer

É muito particular”.

E já que Rumorejando está transcrevendo, aí vai alguma do guru Millôr Fernandes que me foi enviada pelo amigo José Francisco Kuzma:

“O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde”.

“De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha que a abstinência”.

“Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo”.

“Erudito é um sujeito que tem mais cultura do que cabe nele”.

Constatação XX

Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “O vereador Jonathan Wagner Farias, foi preso na tarde desta última segunda-feira, 23, ao ser abordado pela Polícia Rodoviária Federal da Bahia com um veículo roubado na BR-030”. Vige!



UM PINGO DE ALGUNS PSEUDO-SONETOS.



Constatação XXI



               Desapontamento



Descarregava seu poço acumulado de ternura

Nos seus cachorros, tanto que os amava

Havia brigado com a mulher que o chamava

De fingido, de hipócrita, de cara-dura.



Achara que ele não resistira à sedução

Das vizinhas da casa onde moravam,

Jovens que dia e noite só namoravam.

Aí, ela havia desconfiado de alta traição



Ela chegou a contratar um detetive particular,

Rapaz jovem, simpático e bem apessoado,

Para seguir o marido por toda parte e lugar.



No relatório que apresentou não havia nada a desabonar:

Que o marido tivesse prevaricado ou houvesse a cerca pulado.

Ela, então, disse ao detetive: “Bem, esqueça. Venha comigo deitar”.



Constatação XXII (Dedicado por um obcecado a outro).



                                   Ideal


Sinto falta de uma bunda rechonchuda e em pé

Onde eu gostaria, autorizado, de poder passar a mão

E que eu não precisasse pedir desculpas ou perdão

Pois seria considerado carinho como de fato é.



A gata, mina, rapariga, jovem, moçoila ou idosa

Me daria uma olhada e com um sorriso de satisfação

E sem um tema do tipo ‘sexo dos anjos’ numa conversação

Entabularia comigo um papo intelectual, uma culta prosa.



Depois dessa aparente e suposta perda de tempo

A gente poderia trocar alguns beijos e abraços

Que poderia, em comum acordo, ser um passatempo.



O inocente prelúdio poderia se estender a outras partes

Sem ser considerado assédio, sem invasão de espaços

E se incorporar à pintura, a música, enfim, a todas as artes.



Constatação XXIII (Acredite. Se quiser...).



     Nada mais, nada menos...



Pintou no horizonte algo luminoso

Pensaram que era um disco voador

Ele não parecia ser nada anguloso

E descrevia círculos ao seu redor.



Depois ficou provado que não era, não

Como se poderá ler mais adiante

Os que viram disseram que não era ilusão,

Já que emitia raios a todo instante.



Era de tardezinha quando surgiu no céu

Quando as pessoas voltam para as suas casas

O que ocasionou no trânsito um escarcéu...



Alguns falaram: “Não sei o que é. Eu não manjo

O que possa ser, uma vez que tem duas asas”.

E’ que estava a caminho da Terra, pasmem, um anjo.



DÚVIDAS CRUCIAIS, VIA PSEUDO-HAICAIS.

Dúvida I

Literatura,

Segundo a atual geração,

Deixa a pessoa burra ?

Dúvida II

Ela ficou iracunda

Só porque eu passei a mão

Na sua... bochecha rubicunda ?

Dúvida III

É muito triste

Levar, dela, broncas

De dedo em riste ?

Dúvida IV

A floresta amazônica

Sofre dos madeireiros

Uma invasão crônica ?

Dúvida V

É preciso ter pertinácia

Para ouvir a propaganda política.

Ou ter muita audácia ?

Dúvida VI

O que ? Um pessedista

Tava tomando chimarrão

Numa cuia petista ?

Dúvida VII

A pesquisa de opinião

Deixa o político

Com ou sem ilusão ?

Dúvida VIII

O apoquentador

É mais ou menos como

Uma injeção com dor ?

Dúvida IX

Você só fica meditabundo

Quando ouve o noticiário

Daqui, do Brasil e do mundo ?

Dúvida X

No boudoir *

Qualquer exagero pode

Ocasionar falta de ar ?

*Boudoir = “Pequeno quarto de senhora, decorado com elegância”.

Dúvida XI

Ganhava sem convencer

O pobre do meu Corinthians.

A Ponte Preta o fez fenecer?

Dúvida XII

Será que algum dia

A corrupção no Brasil

Vai entrar em agonia?

Dúvida XIII

“Jornalista Décio Sá

Assassinado no Maranhão”.

Por quem será?

Dúvida XIV

O outono da vida

A deliciosa maturidade

É o começo da despedida?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

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