quarta-feira, 9 de maio de 2012

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I (O que acontece quando a gente está muito nervoso e ansioso).

Não se deve confundir draga com droga, até porque se você assistir um jogo de futebol que seja uma droga – como acontece na maioria das vezes – mormente se o teu time esteja uma droga você ficará com uma draga* para assistir um Barcelona e Real Madri na mesma hora.

*Draga = (popular) indivíduo que come sem parar tudo que vê pela frente. "Fulano é uma draga!" (Google).

Constatação II (Millôr).

No jornal JL – Jornal de Letras, Artes e Idéias, de 18 de Abril a 1 de maio de 2012, que se edita em Portugal, há na capa a figura de Millôr Fernandes num largo sorriso, e o título “Millôr – Um gênio do humor que faz pensar”. No corpo do jornal estão inseridos vários artigos de escritores portugueses e brasileiros sobre esta figura notável que Rumorejando já teve a oportunidade de destacar sua opinião, entre outras, de que ele ter sido a pessoa mais inteligente que apareceu em nossas plagas nos últimos extensos tempos. Data vênia é claro. Na contracapa do jornal o texto de Luís Filipe Castro Mendes, poeta, ficcionista e diplomata português cujos escritos têm o título de “Dias Roubados ao tempo”, onde estão assinalados, com data, como se fora um diário, os textos do escritor europeu. E de lá tomo a liberdade de transcrever um deles:

“Estrasburgo 31 de março de 2012

Nestas despedidas que deixo nos poemas, deixem que fale um pouquinho em voz baixa no meu amigo Millôr Fernandes, a inteligência mais feroz e generosa que conheci, a atenção mais implacável jogada sobre o mundo, ali nesses lugares radiosos do Rio de Janeiro onde só peço a graça de poder um dia voltar:

Dizem que você foi embora


Primeiro nos deixara sozinho dentro do seu corpo


e agora, pois é, partiu.


Tudo ficou mais pobre, tudo ficou mais baço:


mas olha o mundo lá fora a rir com você”.

Constatação III

Rico só tem benquerença; pobre, só tem desavença.

Constatação IV

Rico eventualmente é apedeuto; pobre, é sempre ignorante.

Constatação V

As evoluções e mutações da nossa rica língua portuguesa têm trazido expressões superlativas do tipo defesaça, golaço, frangaço, mulheraça, gatona, coxaço. Alguns desses exemplos já constam nos dicionários como golaço, mulheraça. Rumorejando sugere, respeitosamente, aos nossos filólogos o termo pentelhaço com o significado da pessoa que incomoda os outros sem dar tréguas, como existe tantas por aí...

Constatação VI

Deu na mídia, mais precisamente no site da Globo: “Uma modelo foi traída pelo decote do vestido e acabou mostrando demais em desfile na semana de moda de Sydney, na Austrália. O incidente aconteceu nesta terça-feira, 1º, segundo dia da semana de moda que apresentou coleções de primavera-verão”. Incidente?

Constatação VII

Eu acho

Que o cambalacho

Ta tornando o país

Um esculacho

E a corrupção

Faz da gente um capacho

Será que não tem um juiz

Que dê uma de macho

Para dar um despacho

E pôr esses caras todos na prisão?

Constatação VIII

Julio Cesar, o Corinthians ao crucificar

Me fez recordar

A engolida de rã

Que representou 50 no Maracanã

A final

Naquele mundial.

O mesmo, naquela partida,

Até hoje doída,

Sucedeu com o goleiro Barbosa

Numa porfia nervosa

Onde as estrelas do nosso país

Não viram a cor da bola

Onde um tal de Obdulio Varela,

Como se diz por aí, comeu ela,

Fazendo dela

O que bem quis.

Barbosa pagou o pato

A mídia entrou de sola

Com muito espalhafato,

Culpando o goleiro

Que morreu com a pecha

De ter sido um frangueiro

Que deve ter lhe feito mais mal

Do que ser ferido com um punhal

Ou uma flecha.

Tomara que Julio Cesar supere esse trauma

Que deve ter lhe causado mal

Até na alma.

Em tempo: O meu time

Veio todo o campeonato

Com um desempenho nada sublime,

Carregando nas costas um Imperador

Que só veio para causar estupor

Com suas atitudes

De escassas virtudes.

E pior: parece que jamais se corrige.

Vige!



UM PINGO DE ALGUNS PSEUDO-SONETOS.

Pseudo-soneto I



Má interpretações.



Quando ela me acenou com um sorriso

Abriu-se para mim um mundo de boas perspectivas,

Mas fiquei um pouco cauteloso, de sobreaviso

Poderia ser mais uma das suas malévolas iniciativas.



“Abra o jogo, cartas na mesa”, eu disse para ela,

“Qual é a sua com esse seu gesto eivado de promessa?”

“Não há nada de maldade, nada de mazela.

Venha na minha casa. Você vai adorar. Vamos nessa”.



“A que horas eu posso na tua casa aparecer?”

Perguntei cheio de ansiedade, de emoção

“Diga depressa porque eu não tenho tempo a perder”.



“Venha à noite, a hora que você quiser

Eu estarei te esperando com o meu maridão

Vale a pena conhecê-lo e até acho que se faz mister”.



Pseudo-soneto II



De um desabafo



Uma viagem para o exterior de avião,

Para quem tem grande altura

E fica sentado naquele desvão

Pode afetar para sempre a postura



As companhias querem o lucro maximizar

Com isso, até a comida é de péssima qualidade

Tudo em detrimento do passageiro, do seu bem-estar

E o preço deixa a gente na saudade



Até parece o que fazem os restaurantes

No começo boa comida e baixo preço

Depois é o inverso, esquecendo como era antes.



Pensar somente no lucro é ganância,

Esquecendo que o freguês pode mudar de endereço

É falta de bom senso, é total ignorância...



Pseudo-soneto III



Sugestão. Principalmente aos jovens.



O que você faria para se comunicar

Se não fossem os livros e o bom cinema

Provavelmente só escutaria sem opinar

Por não saber falar sobre algum tema.



Por isso minha menina, meu amigo

Larguem mão do joguinho do computador

Leiam, mas não quem só fala do próprio umbigo.

Comecem com Machado, Eça e Dona Flor



A medida que a leitura se tornar uma constante

Dar-se-ão conta que, certos livros, não se pode largar

Nem por um minuto, segundo ou nem por um instante.



E quanto aos filmes, assistam os nacionais e argentinos.

Hoje em dia, dificilmente algum deles não vai agradar

Mesmo que a gente considere os hermanos cabotinos...



Pseudo-soneto IV



Contágio



Diz o ditado popular

Que ladrão que rouba ladrão

Tem cem anos de perdão

O que não é de se duvidar.



Roubam os lá de cima

Aqueles que deveriam dar o exemplo bom

Os de baixo ajudam a fazer a rima

Achando que é uma excelente solução.



A classe média rouba até no vestiário

O que não é de se admirar

Nem sempre tem cadeado no armário.



O roubo no Brasil está institucionalizado

O empreiteiro solta grana para o eleitor votar

Depois, o empresário terá o capital multiplicado.



Pseudo-soneto V



Aulas gratuitas



-“Escute queridona, preste muita atenção

O que te diz o meu paupérrimo coração:

Vou te fazer acordar feliz da insípida vida

Depois de uma breve noite inesquecida”.



-“Você vai querer que eu de novo te diga

Eu já tenho felicidade só em ser tua amiga

De que maneira você me faria feliz.

Aonde você quer meter o seu nariz?”



-“Eu vou quere te dar aula de biologia

Da meia-noite até às três da madrugada

Também estudar no teu corpo astronomia”.



-“Astronomia não se estuda nas estrelas do céu?

Pelo o que eu aprendi também junto com tabuada

Tuas malévolas intenções vão já pro beleléu”.



Pseudo soneto VI



Mal-entendido



Cantei a gatona com insistência, várias vezes

Ela se mostrou impassível, surda, renitente.

Já perdi a conta, até na calculadora de quantos meses

Cheguei à conclusão que mais fácil é o batente.



E veja que meu trabalho é árduo, pesado

Sou carregador no Porto de Antonina

Levo na cabeça sessenta quilos de granulado.

Todos da mesma tara: seja grossa ou fina.



Quando eu da gata já tinha me olvidado

Tive a grata surpresa de que ela havia topado

Desde que fosse no escuro e na mata



Concordei na mesma hora cheio de alegria

Dela eu nunca havia constatado algaravia*

Parece que acabou o “nem ata nem desata”.

*Algaravia= substantivo feminino

1 fala ou escrita árabe

2 Derivação: sentido figurado.

linguagem muito confusa, incompreensível; charabiá

3 Derivação: por extensão de sentido.

coisa difícil de entender

Obs.: f. menos us.: algravia

(Continua...)



Pseudo soneto VI (continuação)



Entramos pela mata cerrada e bem escura.

E eis que no meio do bem bom um espinho

Me cutucou, causando uma indesejada brochura

Nada bem-vinda ao atravessar meu doce caminho.



Diante dos meus ais ela com rispidez falou:

Por que você não foi gentil e me avisou

Que tão depressa, tão rápido você vinha

Se eu soubesse teria mandado uma amiga minha.



De nada adiantou a minha explanação e explicação

“Pare já com essa tua peroração, tua tergiversação.

Você é dos que fazem a gente perder a tramontana”.



E assim terminou a minha desdita, minha tragédia

Que alguns podem ter achado como se fosse comédia

Que eu, infeliz, daria o nome de ‘O infortúnio do Bacana’.



DÚVIDAS CRUCIAIS VIA PSEUDO-HAICAIS.

Dúvida I

Quem em mente poluída

é capaz de cantar,

De Verdi, Aída?

Dúvida II

Se para o meu Paraná,

O Palmeiras perder, a cabeça

Do Felipão, rolará?

Dúvida III

Mas, para o meu Paraná, perder

É tão desmoralizante

Até não mais poder?

Dúvida IV

E uma sogra com mente poluída

Só não compra passagem de volta,

Somente de ida?

Dúvida V

Esses frangos todos do goleiro

Será uma pandemia nas penosas

Ou é algo fortuito ou passageiro?

Dúvida VI

Será que quando Dilma se põe a atacar

Bancos comerciais em rede nacional

O banqueiro vai o sono poder conciliar?

Dúvida VII

Os dias 8 de março e 1º de maio

São de uma empulhação total.

É bom, pois, olhar de soslaio.

Dúvida VIII

Foi o escafandro, ao voltar de um mergulho,

Contou que lá bem no fundo do mar

Não havia tesouro algum. Só havia bagulho?

Dúvida IX

A lotomania e a megassena

Foram criadas por um turista brasileiro,

Em Paris, às margens do Sena?

Dúvida X

O desemprego na Europa

Arrisca desandar a saída,

Nos quartéis, da tropa?

Dúvida XI

Ou a atitude acima, a rebelde reação

Só acontece em banana republic

Que se encontram com as calças na mão?

Dúvida XII

Tanto lá, como acolá ou aqui

O Santos sempre será o favorito

Contra o time de Campinas, o simpático Guarani?

Dúvida XIII

O pensamento assaz analítico

É que CPI só é factível

Contra o rival partido político?

Dúvida XIV

Quando você recebe e-mail de ter ganho

Alguns milhões de dólares, você acha que

Foi um tio que você desconhecia de antanho?

Dúvida XV

Foi a escaravelha que disse para o escaravelho:

‘Tua mãe não vai aprovar.

Você ainda é um rapazelho’?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

www.rimasprimas.com.br

4 comentários:

marina da silva disse...

Oi Juca,
kkkkkkkkkkkk
Adorei tudo! E te chamo pra uma permuta: quer trocar o seu time Paraná pelo meu galo mineiro qui num serve parana...da! `seis por meia dúzia!
Que bom que vc defendeu o goleiro,coitado! Bj. Marina

Juca disse...

Na tua Minas Gerais eu torço para o Galo; no Rio Grande do Sul para o Internacional

Anônimo disse...

Salve Juca!

Como um bom palmeirense nao podia deixar de tirar um sarrinho sobre seu comentario no blog sobre o Tricolor da Vila Capanema!

Abs Joao Paulo

Juca disse...

O roto ta falando do esfarrapado? [ ]'s renovados. Juca.