quarta-feira, 27 de junho de 2012

RUMOREJANDO


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I (De um pseudo-soneto, cujo autor, um obcecado, pediu para ficar no anonimato).

                Decepção

Eu não fui suficientemente persuasivo

Para convencê-la para vir a um motel

E, por isso, e assim fiquei a ela cativo

Sem ter ela na minha lista como novo laurel.


Ela ponderou que tava com dor de cabeça

Que provocava também uma enxaqueca.

“Embora você me lisonjeia, me mereça

Se eu for, só estaria servindo de ama-seca”.


Sem saída, eu fiquei num dilema, num beco

E, como consolo, fui tomar um bordeaux seco

E creio que exagerei na quantidade, na dose


Assim, perdi a chance de melhorar meu currículo

E acabei me achando um jeca, um bocó, um ridículo

E por perder a oportunidade duma merecida apoteose.


Constatação II (De outro pseudo-soneto com rima em “elho”).


      Literatura ou Literatelho?*


Ela me deu uma sugestão, um conselho

Para eu nunca me olhar em um espelho,

Uma vez que eu tenho cara de escaravelho,

E quando nasci devo ter tido cara de joelho.


E mais: que o meu rosto não era parelho

E parecia ter espinhas como num rapazelho

E pior: mentalidade digna de um fedelho

Além de me acusar de chato, de pentelho.


Inicialmente, fiquei meio no destrambelho

Aí eu pensei: “Aqui deve ter dente de coelho

Esse mulherão está me achando um guedelho”**.


Ou ela se expôs em demasia num infravermelho,

Ou está metendo, onde não deve, o nariz, o bedelho

E, assim, ta me dando uma surra pior do que de relho.


*Literatelho =  adjetivo e substantivo masculino

Uso: pejorativo.

diz-se de ou indivíduo que, sem talento literário, tem pretensões de fazer literatura; literato medíocre; literatóide (Houaiss).

**Guedelho = Diabo (Houaiss).

Constatação III (Meio repetitiva).

Aquele padeiro foi considerado egoísta, já que não quis dar a sua receita maravilhosa de pão. Afinal, aquela receita era seu ganha-pão.

Constatação IV (De razões e proporções).

E como lucubrava o obcecado matemático: A Torre Eiffel está para Paris, assim como a Estatua da Liberdade está para Nova Iorque e assim como o Cristo Redentor está para o Rio de Janeiro. E como eu estou para elas...”

Constatação V

Era um cara com desagradável, tão desagradável, mas tão desagradável que em toda a sua vida a única pessoa que o elogiou foi ele a si mesmo. Coitado! Coitado?

Constatação VI (Teoria da Relatividade para principiantes).

Certa vez perguntaram a uma menina o que ela via de diferente nos ocidentais e ela respondeu, incontinente, que eram os olhos. Vejam como soa “diferente” para nós brasileiros essa notícia dada durante o Campeonato Mundial de Futebol, realizado na Coréia e no Japão: “A possível baixa de Kim Nam-il poderá ser coberta por Lee Young-Pyo ou Park Ji-sung, ou ainda o meio-de-campo Yoo Sang-chul. E se Kim Tae-young não for liberado, seu mais provável substituto será Lee Min-sung”.

Constatação VII (Pseudo-soneto).


            Sem bazófia


Ela com o seu ar pachorrento

De boi no pasto ou de cão Labrador

Revelou-se um experto, um portento

Em me dar bronca com ‘primor’.


Eu vou lhes contar o que sucedeu

E estou certo que me darão razão

No truco eu atingi o meu apogeu

E me outorgaram o título de campeão.


Claro que não faltaram desafiantes,

Querendo me desbancar a todo custo

E ao redor de mim havia circunstantes.


Os que quiseram me desclassificar

Tomaram, no fim, um baita de um susto

Sugeri a todos para irem aprender a jogar...


Constatação VIII

Chamou a amada

De “idolatrada”.

E ela achando,

Pensando,

Desconfiando

Que ele ainda

Comemorava,

Com alegria

Infinda,

Algum campeonato,

Cantando,

Solfejando, *

Cantarolando, *

“La-la-ri-lando”,*

Sem espalhafato,

O hino nacional

“Salve, salve”, aduziu.

O pai,

Muito atento,

Pensando

Em rebento,

Sem casamento,

Que

Tal

Ouviu

E não

Sabia,

Que era

Só um coro,

Achando

Que ela precisava

De socorro,

De ser liberta

Da mão

Daquele tarado,

Fez sua aparição,

Na hora certa,

Sai,

Qual uma fera,

Esbravejando,

Gritando,

Bradando:

“Vai

Pra pê que pê”.

Coitado!

*São muito poucos os que sabem cantar o hino nacional brasileiro por inteiro. A maioria, inclusive, ou melhor, principalmente os políticos, só mexem com a boca...

Constatação IX (Ah, esse nosso vernáculo).

No meio daquele vento,

Vejam só que tormento,

Ele ficou sem alento,

Quando, de repente,

Vislumbrou a sua amante

Aos beijos com um seu parente.

Depois, ele pensou o seguinte:

“Ela me incomodou bastante

Que sejam felizes o suficiente

E não incomodem a gente

Aí, estarão marcando um tento

Que para mim será um portento.

E que na minha frente

Nunca mais pinte”.

Constatação X (De um pseudo-soneto meio azedo).


        Falação em excesso.


Assistir aos jogos da Eurocopa

A gente concorda, a gente topa.

Se escutar os comentários do Neto

A gente acaba sendo seu desafeto.


Pelo o que ele fica dizendo, criticando e comenta

A gente conclui que ele deveria ser treinador

Ta certo o cara é chamado de craque, mas é um dissabor

Ouvi-lo. E com jogos às vezes fracos aí a gente não agüenta.


Aos píncaros o cara foi conduzido, foi alçado

E acha que deve comentar todas as jogadas

Porém nem sempre ser necessário, ser chamado.


Comentarista tem que ser nos adjetivos parcimonioso

Caso contrário sai uma profusão de papagaiadas

E assim não deixar o pobre do telespectador nervoso.


Constatação XI

Não se pode confundir espanto com esperanto, muito embora a gatona tenha feito um ar de espanto quando o admirador – para não haver dúvidas, cruciais ou não – lhe fez uma baita declaração de amor, de suas sérias e sinceras intenções, em meia dúzia de idiomas, inclusive em sânscrito, quimbundo e esperanto.

Constatação XII

Naquele fatídico ano

Ele levou um fora,

Um pontapé

Onde as costas

Mudam de nome

E até

Teve que sumir,

Que ir

Embora.

– “Te some,

Da nossa frente,

Seu indecente” –

Quando as namoradas,

A quem ele chamava

De minhas patativas

Coitadas,

Indispostas,

Conta se deram

Que não eram

Exclusivas,

E o “bacano”,

O decano

Em conquistas

Igual

A tantos “artistas”,

Até perdeu o rumo,

Perdeu o prumo

E teve que consultar

Um luminar,

Um clínico geral

E um portulano*

*Portulano = “Espécie de roteiro em que os navegadores da Antigüidade descreviam os pormenores das costas marítimas que descobriam ou freqüentavam” (Houais).

Constatação XIII

Rico resfolega; pobre, bufa.

Constatação XIV (De uma dúvida crucial, cuja resposta poderá subsidiar o nosso colunismo social).

Os Srs. Collor de Melo, Antônio Carlos Magalhães, Jader Barbalho, dentre outros, ostentaram, à época, o charme da nova geração emergente ou da velha geração imergente? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação XV

Rico faz aniversário; pobre, faz anos.

Constatação XVI (Foro filho da pu...ce, digo privilegiado).

Deu na mídia: “A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o foro privilegiado para autoridades no exercício de função ou mandato e também para ex-ocupantes de cargos públicos - presidente, ministros, governadores, senadores, deputados, prefeitos e magistrados. O benefício especial, iniciativa de parlamentares do PSDB e apoiado por quase todos os demais partidos, alcança investigados por crimes comuns e de responsabilidade e é extensivo aos atos de improbidade administrativa, prevalecendo até mesmo se o inquérito ou a ação judicial tiver início após o término do exercício da função”. Como o prezado leitor pode inferir todos são iguais perante a lei. Só que alguns são mais iguais que outros. Viva “nóis”, gente boa.

Constatação XVII (Continuação da constatação anterior).

Deu na mídia: “Uma guarda municipal do Rio de Janeiro recebeu voz de prisão do desembargador Eduardo Mair, por se recusar a retirar oito multas por estacionamento proibido.

Com sete anos de experiência no trânsito, Rosimary de Oliveira Dionísio foi detida depois de multar oito carros e advertir o motorista do desembargador, que parou o carro em frente a uma placa de estacionamento proibido”. Como o prezado leitor pode inferir, novamente, todos são iguais perante a lei. Só que alguns, como já foi dito, são mais iguais que outros, inclusive no uso indefectível, imperecível, imperecedouro, indestrutível do “você sabe com quem está falando ?” (usamos o pronome você porque, no presente caso, temos a dúvida, crucial, se foi utilizado “a senhora”) e na prepotência, opressão, despotismo (no caso, não muito esclarecido). Viva “nóis”, novamente, gente boa.

Constatação XVIII

Rico come mocotó; pobre, tutano.

Constatação XIX

Deu, certa vez, na mídia: “Os 68 juízes aposentados baianos, que recebem mensalmente um benefício de cerca de R$ 10 mil, acham que é uma fase muito estafante e resolveram reivindicar o pagamento de férias”. Ver as constatações que tratam que todos são iguais perante a lei e procurar não ficar envergonhado pelo fato que o valor do salário mínimo todo ano, quando da sua alteração ser considerado suficiente para o sustento de uma família. Viva “nóis”, gente boa.

DÚVIDAS CRUCIAIS, VIA PSEUDO-HAICAIS. (Exceto a primeira).

Dúvida I

Deu na mídia: “EUA: Desde 2002, diferença salarial entre ricos e pobres aumenta 42%”. Vige! Alguma dúvida entre tantos incautos?

Dúvida II

Por conta dos vencedores

Futebolistas, faturar politicamente,

Provoca em nós estertores?

Dúvida III

Se alguém pratica um ato falho

Tirar, depois, a má impressão

Deixada, dá muito trabalho?

Dúvida IV

O assim chamado “risco Brasil”

É proporcional às pretensões dos

Políticos escorchantes do covil*?

*Covil = “Fig. Abrigo de salteadores, de ladrões”.

Dúvida V

O governante, com pouco tirocínio,

Se deu conta, após muitos anos,

Que deixara seu país um lenocínio ?

Dúvida VI

Os afetados salamaleques*

Do subordinado eram tais que até

Sacudiam os seus quimbembeques** ?

*Salamaleque = “Cortesia, mesura ou cumprimento em que há exagero, afetação” (Aurélio).

**Quimbembeques = “Berloques, penduricalhos que as crianças usam ao pescoço” (Aurélio).

Dúvida VII (Creu ? Que soa meio esquisito isso lá temos que reconhecer).

Ficou até com íngua

Quem não creu no meu Paraná

Ao queimar a língua ?

Dúvida VIII

Até ou pricipalmente o Maradona,

O linguarudo, às vezes

Queima a “linguona” ?

Dúvida IX

E até o Pelé,

Considerado o craque do século,

Se queima por falta de fé ?

Dúvida X

Aguentar do candidato o palavrório.

Faz a gente, depois, se ele for eleito,

Se sentir um bode expiatório ?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I

Deu recentemente na mídia: “A dívida líquida do setor público atingiu, em maio, o ponto mais alto de toda a sua história. A dívida bateu em R$ 708,454 bilhões, o equivalente a 56% do Produto Interno Bruto (PIB). E não vai ficar por aí. Segundo o chefe do departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, a relação dívida/PIB poderá, em junho, ultrapassar a 58% do PIB devido, principalmente, à desvalorização cambial, que até ontem já acumulava 13% no mês. De abril para maio, também por causa da depreciação do real frente ao dólar, a dívida cresceu R$23,8 bilhões. Lopes disse que o efeito-câmbio provocou a elevação em R$ 20,6 bilhões”. O Sr. Lopes esqueceu, apenas, de acrescentar ao seu nefasto informe: viva “nóis”.

Constatação II

A patroa,

Até manca

De tão boa,

Soltando

Um fogaréu

Até pelo nasal

Ficava sozinha,

No lar,

Na cozinha

Bordando,

Costurando,

Alinhavando

Enquanto

Ele, metendo panca,

De ser o maioral,

Para o espanto

Geral

– Que maluco ! –

Ia jogar

Truco

Até de madrugada,

Até a alvorada,

Até o sol raiar.

Coitada !

Mas, um dia

Veio a bonança:

Havia

Um cidadão

Na vizinhança

Que ao constatar

Aquele desperdício,

Toda aquela

Capacidade ociosa,

Ficou com pena dela

E resolveu dar um jeito

Naquela situação

Calamitosa.

E o frontispício

Do ‘campeão’,

Que vivia

Batendo no peito

Dos contendores,

Ao trucar,

E que ele chamava

De eternos perdedores,

Ficou chifrado.

Coitado!

Constatação III

Este assim chamado escriba, em tempos idos, trabalhou numa fábrica e loja de móveis e estofados, que ficava na rua Barão do Rio Branco, em frente a emissora PRB-2, quase em frente ao Banco Noroeste do Estado de São Paulo, hoje Santander. Freqüentemente, aparecia um “freguês” para dar umas “mordidas” no proprietário que nunca deixava de comparecer com algum trocado. Um dia o “freguês” apareceu com um cheque de 20 mil réis ou alguma outra moeda como cruzeiro, cruzeiro novo, ou cruzado, ou seja, lá o que for, pedindo para o proprietário trocar para ele. O proprietário, velho conhecedor da humanidade, respondeu ao “freguês: -“Olhe, eu não teria nenhum problema em trocar esse cheque para você, mas acontece que eu fiz um trato com o Banco Noroeste: eu não troco cheques e eles não vendem móveis”. Esse “causo” é somente narrado para ilustrar o pedido do presidente da República de então para que o Romário fosse convocado ao que o Felipão poderia contestar: Olhe, presidente, V. Excia. não opina sobre a convocação da seleção brasileira e eu não digo como deve ser gerida a nação brasileira.

Constatação IV

Deu na mídia: “A onda ecológica que varreu o Brasil em junho de 1992, com a megaconferência Rio 92, espalhou a idéia de que a Amazônia, maior patrimônio ambiental brasileiro, estava diante da última chance de salvação. Dez anos depois, o olhar arguto dos satélites jogou por terra este sonho de preservação. Desde o encerramento da conferência, a floresta amazônica (dona de 20% da água doce do planeta e de milhões de espécies) não deixou de estar um só dia sob ataque das motosserras. Em uma década, foram 150 mil quilômetros quadrados de mata derrubada. E por quase nada. A terra, de baixa produtividade, pouco ajudou a reduzir o ciclo de miséria e abandono da região”. A mídia esqueceu, mais uma vez, naquela época e, agora na Rio+20, de acrescentar: Viva “nóis”.

Constatação V

No meu tempo (expressão que indica uma idade de quem já passou dos 18 anos há muitas luas), se falava na figura do gigolô: Havia gigolô de vaca, de árvore, de mulher e por aí afora. Agora, com a atual seleção do Mano Menezes, não vai se intensificar a figura do gigolô do jogador de futebol que, também de há muito anda proliferando por aí. E o jogador de futebol, principalmente aquele de origem humilde, por essa condição, é mais levado no papo desses altos “investidores”, que se intitulam como empresários. Claro, da exploração humana.

Constatação VI

As mulheres vivem reclamando que os homens só pensam em sexo. Se alguém souber de algo melhor, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação VII

Não se pode confundir trabalha com tralha, muito embora quem trabalha, ganhando um salário mínimo só consegue juntar tralha. E olhe lá...

Constatação VIII (Via pseudo-haicai).

Assim como eu, o meu almanaque

Do Biotônico Fontoura, já faz

Parte dum museu, dum bricabraque.

Constatação IX

Deu na mídia: “Estudo da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da cidade de São Paulo mediu o impacto de nove programas sociais em 13 distritos. Os homicídios caíram em 7 das 20 regiões mais violentas beneficiadas pelos projetos. Nos distritos não atendidos, as mortes cresceram 1,5%”. Dúvida crucial: Por que não se destina verbas para programas desse tipo em todo o país ? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação X (Aurelião).

Rico é manirroto (“Que é grande gastador, esbanjador, perdulário”); pobre, é oneômano (“Que tem desejo mórbido, impulsivo de fazer compras, de adquirir coisas”)

Constatação XI (Dum infortúnio).

Foi com uma letra ruim,

Com muito garrancho,

Talvez escrita na coxa

Ou pela sua forte emoção,

Que ela se despediu de mim,

Me deixando pendurado no gancho

Com uma baita duma congoxa *

Com um esfacelado coração.

* Congoxa = “Angústia, aflição”.

Constatação XII (De uma “poesia” com rima em ‘ela’, do livro Rimas Primas & Outras Constatações).

Depois que a Maristela,

Que de finados maridos já teve uma clientela,

Flagrou o atual, o Portela,

Dançando uma tarantela

Com aquela donzela,

A Emanuela,

Diga-se de passagem, muito bela,

Armou a maior procela

Coisa muito dela...

Afinal, que fez ela ?

Vejam só que esparrela:

Cortou um salame em rodela

Que de tão velha era só salmonela

E ainda juntou uma pimenta amarela,

Daquela...

Aí, serviu tudo, bem enfeitado, numa tigela.

O coitado, desarmado, sem sentinela,

Comeu tudo. Ficou escarlate, sem ser o Pimpinela.

Cambaleou como, num mar revolto, uma caravela.

E eis que no chão se estatela.

Agora, tá lá estirado, na condição, naquela

Que se costuma acender uma vela...

Que mazela!

Constatação XIII

Deu na mídia: “A analista de risco soberano para Brasil da Standard & Poor´s, Helena Hessel, disse que a principal preocupação da S&P em caso de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais é com a questão da governabilidade. ‘O PT nunca esteve no poder. E levará tempo para aprender os diferentes papéis exigidos para quem está no poder’, afirmou Hessel. ‘Neste sentido, Lula nunca teve experiência presidencial e governar poderá ser muito difícil’, acrescentou”. Dona Helena, coitada, perdeu, na ocasião, a oportunidade de não dar uma de pitonisa.

Constatação XIV

Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “Número de furtos nos aeroportos cresceu 35% neste ano; quadrilhas são formadas por estrangeiros, que preferem agir no Brasil, onde as leis são mais brandas”. Quadrilhas estrangeiras nos aeroportos? E em outros lugares, as quadrilhas de governantes, não?

Constatação XV (Quadrinha para a minha filha Miriam, que vive nos Estados Unidos e para demais pessoas que têm familiares no exterior).

Rever a “familiagem”,

Mais tarde ou agora

Compensa a longa viagem

Do alto índice bunda/cadeira/hora.

Constatação XVI (De um pseudo-soneto em homenagem a todas as gerentes de bancos que vou designar por Ana e que são bancárias).


              Aplicação financeira

A minha gerente de determinado banco, a Ana,

Todo dia, todo ano, todo mês, toda semana,

Me pede para eu aplicar algum tutu, uma grana,

Achando que eu sou rico, bem abonado, bacana.


Eu faria isso se tivesse suficiente numerário

E não fosse um pobretão, um mísero proletário,

Mas ela enfatiza que é primordial e necessário

Manter um caixa elevado e não o contrário.


Nas minhas aplicações, eu nunca pedi reciprocidade

Que para mim é uma trágica, terrível calamidade,

Pois sempre vivo num bagaço desesperançado.


Sou um ‘classe baixa’, pagando alto imposto à nação,

Que não aplica em Infra-estrutura, Saúde e Educação,

Daí, não posso atender a Ana no seu amável chamado...



Constatação XVII (Coisas que precisam ser inventadas, com urgência).

-Deputados e senadores que não legislem, de uma vez por todas, em causa própria.

-Pessoas desconhecidas que não liguem, a cobrar ou não, na madrugada.

-Políticos que cumpram com a palavra empenhada durante a sua – deles – propaganda

política.

-Países ricos que não façam reuniões para deliberarem inocuidades, na base do “deixa tudo como está para ver como é que fica”, ou, em outras palavras, “os países pobres, com suas respectivas populações carentes, que se lixem”.

-Países que não invadam outros países, não os colonizem, porque sim e tá acabado, sob quaisquer pretextos.

-O sistema capitalista, com o seu deus mercado deixe de descambar para a selvageria, para a lei do mais forte.

-A Belíndia (Os ricos que podem viver como na Bélgica + a pobreza, caracterizada pela grande maioria da população da Índia), epíteto criado pelo economista Edmar Bacha, deixe de existir, ao se referir ao Brasil, a fim de resgatar milhões de brasileiros que estão excluídos da dignidade humana, para incluí-los num processo de cidadania, através de uma correção, da distorção da riqueza, e que não seja substituída por outra do tipo Noríti (Noruega+Haíti).

DÚVIDAS CRUCIAIS, VIA PSEUDO-HAICAIS.

Dúvida I

Ela ficou pálida, gridelim*

Ao sentiu a barra

Que ficaria sem mim ?

*Gridelim = “De cor semelhante à flor do linho”.

Dúvida II

Fez muitas cavilações*

A gatona quando falava

Do desempenho dos machões ?

*Cavilação = “Ironia maliciosa”.

Dúvida III

Será que é num rio, cascata ou fonte

Que o multicolorido arco-íris começa

Pra terminar, ali, junto ao horizonte ?

Dúvida IV

Enquanto jogava truco

Ele “encarcava”

Um botruco* ?

*Botruco = “Bras., SC. Cachaça misturada com outra qualquer bebida” (Aurelião).

Dúvida V

Do planeta, na maior potência

Também se aderiu a Balanços frios

Que são uma excrescência ?

Dúvida VI

Os executivos americanos

Estão dando lições de mau

Caráter com tais (des)enganos ?

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terça-feira, 12 de junho de 2012

RUMOREJANDO



PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I (De uma dúvida crucial).

Se a gente cometesse uma gafe de propósito seria efetivamente uma gafe ?

Constatação II (De conselho úteis, via pseudo haicai. De nada).

Não regre

O que deixa

Teu inimigo alegre.

Constatação III

Rico é pragmático; pobre, vira-casaca.

Constatação IV

Rico perde a cachimônia; pobre, a cabeça.

Constatação V

Ela teve um ataque,

Um baque

Um peripaque,

Quando falaram

A chamaram,

Denominaram,

Mulher sem destaque

Pele de atabaque,

Mulher de araque,

E de deslumbrada,

Descentrada,

Destrambelhada,

Língua viperina,

Não entende patavina

Só porque falou

Que a Copa gorou

Quando o Brasil

Jogando de maneira vil

Fracassou.

Coitada!

Constatação VI (Ah, esse nosso vernáculo).

O jogador, cabeça de área

Chegou, acompanhado, ao braço do rio

Que estava reduzido a um olho d’água

E lá um pé-de-vento forte

Atestou-lhe como se fora um pé-de-ouvido,

Trazendo um odor que lembrava um dente de alho.

E o sol refletindo na boca do rio

Parecia uma língua de fogo.

Os dois tiveram um dedo de prosa,

Falando mal de um encanador, unha de fome, que cobrou caro

Na instalação de água, utilizando um joelho

E também um cotovelo no encanamento.

Durante a mão-de-obra pediu uma mão ao vizinho

Aquele que metia o nariz onde não era chamado

E que diziam que freqüentava uma boca de fumo.

Constatação VII

Conta o falecido jornalista N. B. Linder que o escritor Schólem Aleikhem, pseudônimo de Schólem Rabinóvich, não agüentava ver o costume dos americanos do norte de mastigar chewing gum (goma de mascar; chiclete). Certa vez, um médico famoso, numa reunião na casa de Schólem Aleikhem observou que os norte-americanos eram conhecidos no mundo científico como um povo de dispépticos crônicos, explicando que a origem do mal era devida a pressa, pois eles sempre estavam envolvidos em business (negócios), o que os impedia de mastigar devidamente a comida. –“Que povo esquisito”, comentou Schólem Aleikhem, mastigam continuamente, menos quando comem”.

Constatação VIII (De um pseudo-soneto).



                Desdita



Para mim foi um baita suplício

Quando ela me mandou embora

Me chamando de tolo, de estrupício*

E eu pensei: o que eu vou fazer agora?



Aí me passou pela cabeça, pela moleira

Que eu poderia em outra gata investir

Depois de, no desespero, quase fazer besteira

E com uma nova poderia também interagir.



Com o meu charme não tive algum problema

Era uma senhora gata, uma senhora mulher,

Mas difícil como na solução de certo teorema.



No meio do relacionamento sucedeu uma bulha**

Como se eu fosse uma má pessoa ou um tipo qualquer

Não é que ela também me chamou de estrupício, de pulha?***



*Estrupício =  substantivo feminino

1 gracejo caviloso, capcioso, dito com o intuito de colocar a outra pessoa em situação ridícula; peça, logro, partida

2 afirmação ou caso não verdadeiro; peta, mentira, lorota

3 dito obsceno, indecoroso

4 ato realizado por um indivíduo pulha (acp. 5); pulhice, canalhice, bandalhice

 adjetivo de dois gêneros e substantivo masculino

Uso: informal.

5 que ou aquele que é sem brio, sem caráter, sem distinção; cafajeste, calhorda, velhaco (Houaiss).

**Bulha =  substantivo feminino

1 ruído ou gritaria de uma ou mais pessoas

2 Derivação: por analogia.

efeito de sons baralhados; confusão sonora

3 Derivação: por extensão de sentido.

movimentação intensa e confusa; tumulto, desordem

4 Regionalismo: Portugal.

discussão acirrada; altercação, briga (Houaiss).

***Pulha =  substantivo feminino

1 gracejo caviloso, capcioso, dito com o intuito de colocar a outra pessoa em situação ridícula; peça, logro, partida

2 afirmação ou caso não verdadeiro; peta, mentira, lorota

3 dito obsceno, indecoroso

4 ato realizado por um indivíduo pulha (acp. 5); pulhice, canalhice, bandalhice

 adjetivo de dois gêneros e substantivo masculino

Uso: informal.

5 que ou aquele que é sem brio, sem caráter, sem distinção; cafajeste, calhorda, velhaco (Houaiss).

Constatação IX (De um pseudo-soneto somente com rima em ença ou ensa).



               Permuta



Ela demonstrou uma benquerença

Diante da minha humilde presença

Logo para mim que só ouvia ofensa

Sem nunca ter ouvido uma bença.



Com a anterior era só desavença

Pois ela vivia eternamente tensa

E eu me sentia como numa prensa

Havia entre nós grande diferença.



O problema dela devia ser de nascença

O que tornava difícil uma convalescença

Sem que ela tivesse alguma grave doença.



Daí, claro, proferi mentalmente uma sentença:

Antes que eu fique exaurido ou o stress me vença

Vou com essa agora para renovar a vencida licença...



Constatação X (De uma dúvida crucial)

Uma prevaricação, descoberta pela legítima, quer dizer que você ficou em bons e/ou maus lençóis ? (Da apresentação do livro Rimas Primas & Outras Constatações).

Constatação XI

Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, propôs perante o Órgão Especial da Corte, o afastamento imediato do presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Estado, desembargador Alceu Penteado Navarro - um dos magistrados que receberam quantias milionárias no TJ paulista entre 2008 e 2010. Vige!

Constatação XII

O prezado leitor já se deu conta de quantos ‘demostenes’ da vida existem que ficam apregoando probidade por este nosso país afora?

Constatação XIII

Não dá para acreditar que foi o meu time o Ferroviário de tantas glórias que involuiu para o atual estágio do, também meu, Paraná. Vige!



Constatação XIV (De um pseudo-soneto).



              Coitado!



A decadência veio vindo muito rápida e vexatória

Que o deixou meditabundo, cabisbaixo, agoniado

Logo ele que havia tido um passado assaz de glória

Em momentos, com as mulheres, compartilhado.



Na verdade, chegou até a fazer lenda, fez história

Por todas elas, ele, como amante, sempre foi lembrado

Fazendo-as felizes, alegres de maneira peremptória

E por todas elas foi, é e será eternamente lembrado.



O seu declínio chegou por causa da provecta idade

Que ele considerou uma tragédia, uma calamidade

Ainda que o seu médico explicasse que era natural.



Conformar-se com os desígnios da marcha do tempo

Não seria de bom augúrio, de agradável passatempo

O fato que a sua vida passou a ser insípida e anormal.



Constatação XV (De outro pseudo-soneto um pouco catártico).



                Eleições.



Em um palanque armado na praça principal

Um candidato prometia mundos e fundos,

Suscitando aos poucos ouvintes muito mal

E, cada vez mais, ceticismos profundos.



Lá pelas tantas um gaiato da galera se pôs a gritar:

“Para de prometer o que não vai poder cumprir”.

A turma o aplaudiu e ao orador passou a apupar.

E o cara teve que se mandar e foi de fino que saiu.



O Prefeito que apoiava o orador, seu candidato

Disse para o seu secretário que estava ao seu lado:

“A turma não está pra brincadeira e este é um fato”.



“Vou também me arrancar, se não sobra para mim”.

E dava para ver que ele estava bastante assustado.

Respondendo à mulher “Como foi?”, disse: “Assim-assim”.



Constatação XVI (Ainda um pseudo-soneto).



           Receita da felicidade

Um engenheiro desenvolveu um projeto

De amor, de paixão, de apreço e de afeto

Em que não houvesse homem ou mulher objeto

E o mundo, assim, ficaria muito mais correto.



Para isso não seria preciso usar cálculos de concreto

Tampouco quaisquer elementos de cunho secreto

Apenas uma receita adequada e de bom senso seleto

Onda cada uma das partes agiria de modo discreto.



A discussão seria relegada à extinção por decreto

E as desavenças seguiriam um caminho não abjeto*

Eliminando-se as querelas figurando como adjeto**.



Para que o esquema ficasse acabado, completo

Seria aconselhável a participação de um arquiteto

Que se ocuparia da parte estética, de um melhor aspeto.



*Abjeto =  adjetivo e substantivo masculino

que ou o que é desprezível, baixo, ignóbil (Houaiss).

**Adjeto =  adjetivo

1 que se acrescenta; adjunto, juntado

Ex.: nota a.

 substantivo masculino

Rubrica: termo jurídico.

2 indivíduo que representa um credor em contratos ou obrigações jurídicas, recebendo, por este, (quantia, pagamento etc.) do devedor

3 Derivação: por extensão de sentido.

qualquer representante legalmente designado para representar (pessoa, instituição etc.) junto a outrem e deste receber algo (Houaiss).


DÚVIDAS CRUCIAIS VIA PSEUDO-HAICAIS.

Dúvida I

Ele de tanta paixão

Entrou num processo

Gradativo de consumpção* ?

*Consumpção = “Ato ou efeito de consumir(-se)” (Aurélio).

Dúvida II

O cartola de futebol do Rio

Não tinha que ser mandado

À pu, digo, a ver navio ?

Dúvida III

É muita ou pouca baboseira

Sacar mais alguns reais, pro

Salário mínimo, da “algibeira”?

Dúvida IV

Tomar banho,

Para certas pessoas,

É coisa de antanho ?

Dúvida V

Quem é sisudo

Tá com nada

Ou tá com tudo ?

Dúvida VI

Depois do jabaculê*

Do novo salário mínimo

Era de se esperar um lelê** ?

*Jabaculê = “Pequena importância em dinheiro, além do devido, que se dá a alguém cujo serviço nos parece satisfatório” (Aurélio)

**Lelê = “MG. Pop. Confusão, intriga” (Aurélio).

Dúvida VII

A gente se vexa

Se não faturar,

Em 2014, o hexa ?

Dúvida VIII

E também o hepta

Se não, a seleção será

Considerada inepta ?

Dúvida IX

Depois dos jogos na madrugada

O horário político, no horário

Nobre, está com tudo ou nada ?

Dúvida X (Dúvida ou afirmação).

Agora, prepare seu coração,

Prezado leitor, que, com a eleição,

Vai começar o horário da encheção ?

Dúvida XI

“Continuidade

E não continuísmo”.

Será mais uma “boutade”* ?

*Boutade = “Dito espirituoso” (Aurélio).

Dúvida XII

O carreto de trafegar

No seu empedernido coração

Tá difícil de pagar ?

Dúvida XIII

Ela, com seu fusquinha,

Queria enfuscar*

O carro Volvo da vizinha ?

*Enfuscar = “Ofuscar” (Aurélio).

Dúvida XIV

É um incontestável fato

Que, para prefeito, tem

Menos eleitor do que candidato ?

Dúvida XV

Cada vez que fazem troça,

Do Brasil, os argentinos

Acabam perdendo a bossa ?

Dúvida XVI

De repente, não mais que de repente

O Barcelona foi mais uma vez campeão

Quase, até, como meu Paraná antigamente ?

Dúvida XVII

Acordar às 3 da manhã

Até que não é ruim, desde

Que não por uma febre quintã* ?

*Febre quintã = “A que se repete de cinco em cinco dias” (Aurélio).

Dúvida XVIII

Depois das eleições

Será que vão continuar

Os nossos senões ?

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

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quarta-feira, 6 de junho de 2012

RUMOREJANDO


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.


Constatação I
Rico é pragmático; pobre, vira-casaca.
Constatação II
Deu no Estadão: “Veja as dez músicas preferidas de Barack Obama”. Taí uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade.
Constatação III
Rico freqüenta escuta psicoclínica; pobre é trancafiado no asilo.
Constatação IV
Deu na mídia, mais precisamente na coluna da repórter de política do Estadão, Julia Duailibi: “Dono do quarto maior tempo de TV no horário eleitoral gratuito, o PP passou a ser cortejado por petistas e tucanos. O líder do partido no Estado, deputado Paulo Maluf, foi procurado há cerca de um mês tanto pelo pré-candidato do PSDB, José Serra, quanto pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, que esteve na casa de Maluf, no Jardim Europa, com outros dois petistas”. Vige!
Em tempo, uma dúvida crucial: O Maluf não está sendo procurado pela Interpol e pela polícia dos Estados Unidos? Quem souber, por favor, comentários no blog. Obrigado.

Constatação V (De um pseudo-soneto)

                 Coitado! De mim...

Depois que ela cometeu para comigo um dislate*
E se negou a fazer um reparo, desculpas, um quinau**
Eu achei aquela atitude uma grosseria, um disparate
Pois ela me havia chamado de tongo, caipira, de capiau.

Tudo começou porque, naquela vez, não quis levá-la ao motel
Eu estava com baixa libido o que os pobres chamam de tesão
É que me havia chegado uma fatura para pagar da Copel***
E a conta havia chegado próximo de 500 mil, quase meio milhão.

Evidente que telefonei para a Empresa para reclamar sobre o tema
E eles ponderaram que não era culpa deles, era engano do sistema
E que eles fariam a correção, mas que eu deveria efetuar o pagamento.

Por não ter disponibilidade da quantia, tive que recorrer ao cheque especial,
Cujos juros que os banqueiros cobram é simplesmente um acinte, é imoral.
Fui me queixar com o bispo, por falta de outra opção. Ele apenas disse: “Lamento!”.

*Dislate =  substantivo masculino
dito ou afirmação tola; asneira, bobagem, despautério (Houaiss).
**Quinau =  substantivo masculino
1 correção de erro; corretivo, emenda, lição
2 Derivação: por metonímia.
a marca da correção em texto escrito
3 Derivação: sentido figurado. Regionalismo: Portugal (dialetismo).
capacidade de ponderação; juízo, tento (Houaiss).
*** Copel = Companhia Paranaense de Energia Elétrica, no Paraná.
Constatação VI
Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “Brasil tem 4ª maior população carcerária do mundo e déficit de 200 mil vagas”. Vige!!!
Constatação VII
Ainda no Estadão: “Bandido é preso após assaltar bar pela 2ª vez na zona norte da capital paulista”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando, depois de ler Agatha Christie e outros autores do gênero, acha que não se deve voltar ao local do crime...
Constatação VIII
Entreouvido em algumas prisões nesse nosso Brasil afora, após se inteirarem da notícia: ‘Grupo exagera na dinamite e destrói banco em Monte Alegre do Sul, na região de Campinas sem levar nada’. “Ah, essa falta de profissionalismo!”.
Constatação IX
Deu na mídia: “Os norte-americanos estão temerosos de investir em seu próprio país. A sucessão de escândalos envolvendo algumas das mais conhecidas empresas de capital aberto dos EUA afugentaram os investidores”. Viva “nóis”, quer dizer, eles...
Constatação X
Veja,
Meu irmão,
O busílis
Da questão,
É que a bílis
Não mais agüenta
Tanta ingestão
De cerveja.
Constatação XI
Deu na mídia: “O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o alemão Klaus Toepfer, afirmou, no Rio de Janeiro, que os danos ambientais ‘não são um prognóstico ou um pesadelo; são um fato’, ao reconhecer que, há dez anos, durante a Rio 92, os países firmaram uma série de compromissos de preservação, mas não pensaram em garantir sua aplicação. ‘Esquecemos de fazer um plano de implementação’, declarou”. Dúvida crucial: Será que se houvesse um plano de implementação, ele teria sido levado a efeito ?
Constatação XII
A incontinência urinária é a substituição da função do flexibilizador da urina pela Lei da Gravidade. Apenas isso...
Constatação XIII
Ela, a gostosa,
Me disse num sussurro,
Toda melosa:
“Você é um burro”.
Constatação XIV
Rico sofre de mialgia*; pobre, de dor muscular **.
*De jogar golfe.
** De repetir, em pé, a mesma operação 8 horas por dia.
Constatação XV
Rico ganha um apaixonado ósculo; pobre, um reles beijo.
Constatação XVI
Quando o inveterado trocadilhista foi informado que o jogador curitibano Alex havia sido contratado pelo Parma da Itália, disse: “Então, ‘parma’ para ele”. (Perdoem o trocadilhista, prezados leitores).
Constatação XVII
Rico é sensível; pobre, manteiga derretida.
Constatação XVIII
Rico é emotivo; pobre, maria-mole.
Constatação XIX
Segundo Pércio de Moraes, gaúcho da equipe do jornal “Tchê”, o hábito do chimarrão, para ser apreciado devidamente, requer a obediência a certos princípios, a certos rituais para preservar a sua autenticidade. Daí, o antológico “Os Dez mandamentos do Chimarrão”, do qual, este assim chamado escriba, como tantos outros, segue tanto quanto a fé religiosa os crentes. Dos Dez Mandamentos, extraio os abaixo, que o então presidente da República, FHC, sem dúvida, deve desconhecer pela demonstração, naquele pequeno sorvo que deu no dia que recebeu, no Palácio do Planalto, após o penta, o gaúcho Felipe Scollari e seus “familiares”. Afinal, S. Excia. é paulista e o chimarrão é um costume mais tradicional no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. (Em Mato Grosso, devido ao calor, costumam-se, como os paraguaios, tomar o tereré, que, ao invés de água quente é com água fria ou gelada). Vamos, pois, aos mandamentos que recomendo a quem de direito e que tratam do assunto:
IV – Não deixes um mate pela metade”.
“Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco da cuia vazia (o grifo é de Rumorejando). A propósito, leia logo o mandamento seguinte”.
V – Não te envergonhes do ronco no fim do mate”.
“Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba ‘roncar’, não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar um mal-educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para a Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado”.
Constatação XX
O banqueiro
Usa a persuasão
Até a sedução
Pra tomar
Dum pobretão,
Infeliz
Como eu
O meu
Suado
Dinheiro.
Ele diz
Que ganhou
No trabalho,
Sofrido,
Duro,
No árduo malho,
Cobrando
Um juro
Escorchado,
Sem sentido,
Deixando
Este 'luminar'
Alucinado,
Compungido,
Com o peito
Sofrido
E que nunca levou
Jeito
De malandrim.
Coitado...
De mim!
Constatação XXI
Deu na mídia: “Atraso escolar no País ainda é grande. Embora o número de alunos que concluem o ensino fundamental e o médio no País está aumentando a cada ano. Todavia uma parcela significativa dos estudantes ainda está atrasada em relação à série ideal. Isso pode ser percebido a partir de dados Censo Escolar de 2011 divulgados pelo Ministério da Educação e Cultura”. O MEC esqueceu-se de acrescentar na divulgação dos seu dados o: Viva “nóis”.
Constatação XXII (Com conselho útil).
Não se pode confundir coalhada com chacoalhada, até porque para obter uma coalhada faz-se mister, é imprescindível, é condição "sine qua non" deixar o leite, ao qual, eventualmente se adiciona um coalho, em repouso. Portanto, nada de chacoalhada, viu?!
Constatação XXIII (Via pseudo-haicai).
Assim como eu, o meu almanaque
Do Biotônico Fontoura, já faz
Parte dum museu, dum bricabraque.
Constatação XXIV
Rico assiste o desfile da vida; pobre, a vida passar.
Constatação XXV
Eu nunca sei, quando o político prega uma mentira se é para me convencer, ou para se convencer, ou ambos.
Constatação XXVI
E como ponderava o obcecado, evidentemente super ultra convencido: “Eu sigo rigorosamente os Dez Mandamentos. Apenas um, me é difícil, para não dizer impossível, seguir”.
Constatação XXVII
Não se pode confundir trabalha com tralha, muito embora quem trabalha, ganhando um salário mínimo só consegue juntar tralha e olhe lá...
Constatação XXVIII
Quando tudo
Entre eu e a Jurema
Tão bem marchava
E eu me achava
O maior sortudo
Do mundo,
Eis que,
De repente,
Me acontece:
O meu peito arfante
Até me assustava
De tanta dor.
Pobretão,
Me vi carente,
Com um dilema
Profundo
E pior,
Sem solução
Sem que eu soubesse
O porquê,
Ela perfumada,
Trajada,
Calçada
Na linha Dior,
Após um amor
Duradouro,
Um anelo,
Pôs uma aldrava
Claro, de ouro
No seu pétreo coração
E ainda me chamou,
Me vituperou
De pé-de-chinelo.
Constatação XXIX
Rico é manirroto (“Que é grande gastador, esbanjador, perdulário”); pobre, é oneômano (“Que tem desejo mórbido, impulsivo de fazer compras, de adquirir coisas”). (Aurelião).
Constatação XXX (De um infortúnio).
Foi com uma letra ruim,
Com muito garrancho,
Talvez escrita na coxa
Ou pela sua forte emoção,
Que ela se despediu de mim,
Me deixando pendurado no gancho
Com uma baita duma congoxa *
Com um esfacelado coração.
* Congoxa = “Angústia, aflição”.

DÚVIDAS CRUCIAIS VIA PSEUDO-HAICAIS.

Dúvida I
Será que é num rio, cascata ou fonte
Que o multicolorido arco-íris começa
Pra terminar, ali, junto ao horizonte ?
Dúvida II
Será que lá no remoto infinito
Também não se combate a dengue,
Causado por um ínfimo mosquito ?
Dúvida III
Foi na alcova da espelunca
Que o velhinho disse pra ela:
"É agora ou nunca!" ?
Dúvida IV
Quem não se der conta
Em quem estiver votando
Terá prejuízo de grande monta ?
Dúvida V
Ela(e) teve um trabalho insano
Pra levar ele(a) para o altar
De acordo com seu plano ?
Dúvida VI
Lá na hípica
O cavalo ganhador
Tinha sido alvo de filípica* ?
*Filípica = Fig. Sátira acerba.
Dúvida VII
Ele passou a contabescer*
Achando que, sem ela,
Não poderia mais viver ?
*Contabescer = “Definhar, consumir-se”.
Dúvida VIII
Ela ficou pálida, gridelim*
Quando sentiu a barra
Que ficaria sem mim ?
*Gridelim = “De cor semelhante à flor do linho”.
Dúvida IX
Fez muitas cavilações*
A gatona quando falava
Do desempenho dos machões ?
*Cavilação = “Ironia maliciosa”.

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