terça-feira, 4 de setembro de 2012

RUMOREJANDO


PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Rico é precavido; pobre, cabreiro.
Constatação II (Horário gratuito dos partidos para as próximas eleições. Vige!).
Conluio consensual
Contra considerável candidato
Concorrendo na capital*
Completamente casual
Considerado como cerebral?
Caspite!
Com característica colateral...
*Não ficou esclarecido em qual capital do nosso país. Se alguém tiver tão transcendental conhecimento, por favor, comentários no blog. Obrigado!
Constatação III
A Lei da oferta e da procura apresenta aspectos de condições matemáticas de ser diretamente proporcional. Senão vejamos: Quando a demanda decresce os preços acompanham a baixa; quando a demanda cresce os preços também crescem. No primeiro caso o freguês é o beneficiário; no segundo, é o vendedor. E neste caso o negócio é, para os pobres, inexeqüível; para os ricos, dá tudo na mesma...
Constatação IV
Não se pode confundir casado com cassado, muito embora o cara que é casado, em condições normais de pressão e temperatura, se vê, contrariamente às Declarações dos Direitos do Homem, cassado nas suas faculdades de ir e vir, principalmente ao futebol, tomar um chope com os amigos e outras “cositas más”. A recíproca neste impeditivo, restritivo e proibitivo caso não é verdadeira.
Constatação V
E também não se pode confundir, ainda que tenham a mesma fonética, o preço com opresso, muito embora quando se constata como o preço, que a partir dos últimos meses, filhadap...mente, foram elevados nas farmácias e supermercados a gente fica com o coração opresso. A recíproca não é necessariamente verdadeira porque se pode ficar com o coração opresso inclusive por outras razões, como por exemplo, ver a sogra chegar em nossa casa para passar o Natal e o Ano Novo, ou em outras épocas também.
Constatação VI (Texto dedicado ao meu amigo Rui Afonso Tomé, chimarãozeiro gaúcho-paranaense, de Pato Branco).
No fim da década de 80, circulou o número 2 da publicação LeitE QuentE (o número 1 havia saído três meses antes: “Nossa Linguagem. Paulo Leminski”), sob os auspícios da Prefeitura Municipal de Curitiba. Atualmente, a publicação não mais circula e aqui vai o nosso apelo ao Dante Mendonça para que use da sua influência – se é que tem alguma – junto a Maí Nascimento, uma das responsáveis pela publicação para a sua volta. No mencionado número 2, no artigo do saudoso Arthur Tramujas Neto, “Passe a cuia chê!” está lá escrito que “é coisa profundamente nossa a erva-mate, nativa, e por isso mesmo está lá na nossa bandeira estadual, ao lado da não menos nossa araucária”. Essa e outras referências de que o chimarrão é “bicho do Paraná” suscitaram elevados e apaixonados protestos dos gaúchos, que podem ser comparados com o movimento “O Petróleo é nosso”, quando da criação da Petrobrás, em tempos que o nacionalismo ainda imperava por esse país.
No dia 4 de abril de 2002, o jornal ‘Zero Hora’, de Porto Alegre, na sua coluna “O Rio Grande Pergunta”, publicou o seguinte texto, em resposta à pergunta: “Quais os nomes populares da erva-mate ?”, do leitor Fernando Lopes, também de Porto Alegre: “A erva-mate é popularmente conhecida como mate, chá-mate, chá-do-paraguai, chá-dos-jesuítas, chá-das-missões, mate-do-paraguai, chá-argentino, chá-do-Brasil, congonha, congonha-das-missões, congonheira, erva, mate-legítimo, mate-verdadeiro. Outras denominações populares de menor disseminação incluem erva-de-são-bartolomeu, orelha-de-burro, chá-do-paraná, congonha genuína, congonha-de-mato-grosso, congonha-mansa, congonha-verdadeira, erva-senhorita. As denominações indígenas para a erva-mate são caá, caá-caati, caá-emi, caá-ete, caá-meriduvi e caá-ti. A erva-mate está intimamente ligada ao gaúcho pelo chimarrão, sua tradicional bebida de todas as horas”. A resposta do jornal ‘Zero Hora’ é assaz didática. Este assim chamado escriba provecto, vetusto tomador de mate, confessa que desconhecia todos esses nomes e que nem no seu Novo Dicionário Aurélio, mais conhecido por Aurelião, encontrou todas essas referências. Mas o que chamou a atenção foram dois nomes: “chá-do-paraná” e erva-senhorita”. O primeiro, é a prova irretorquível, irreprochável, insofismável, imutável, contundente de que o artigo do saudoso Arthur Tramujas Neto é correto: o mate é nosso, do Paraná, que os gaúchos incorporaram como deles, por usucapião, ainda que a bebida seja também apreciada em Santa Catarina e Paraná e nos países fronteiriços Argentina e Uruguai e um pouco no Chile. E, cá entre nós, o fato em si não é de transcendental importância para o futuro da Humanidade, muito menos para gaúchos e paranaenses, pois como muito bem lembra o uruguaio Eduardo Galeano, em seu livro Memórias do Fogo - Los nacimientos, a “erva-mate desperta os adormecidos, corrige os preguiçosos e irmana as pessoas que não se conhecem”; quanto ao segundo, “erva-senhorita” – data venia, como diriam nossos juristas – algo tão deleitoso, tão adorável, tão prazeroso, tão saboroso teria fatalmente de estar ligado à condição feminina. Tenho dito!
Constatação VII
O prezado leitor já se deu conta de quantas sugestões os ex-ministros de presidentes anteriores aos subsequentes, deputados governistas etc. têm manifestado com relação ao que o novo governo deve fazer ? Tal fato, faz lembrar a história que deu origem ao “Ovo de Colombo”. O pessoal da época fez troça de que Colombo não poderia chegar aonde pretendia. Colombo perguntou se algum deles sabia pôr um ovo em pé. É claro que ninguém conseguiu. Aí, Colombo amassou um pouco um dos lados o que permitiu que o ovo ficasse em pé. –“Mas assim, nós também sabemos”, replicaram os trocistas.
–“E por que não o fizeram?”
Constatação VIII
Deu na mídia: "Brasil tem grandes áreas naturais preservadas, mas atividades predatórias ainda são intensas". Como os meus prezados leitores podem constatar a mídia anda sofrendo de falta de memória porque tem se esquecendo de acrescentar: Viva "nóis".
Constatação IX
Antes do Brasil ser Campeão do Mundo, o jornal uruguaio "El País" publicou que uma vidente argentina havia previsto que o Uruguai venceria aquela Copa que foi disputada na Coréia e no Japão. Entre outras previsões, a vidente se orgulhava de ter antecipado a ascensão e queda de Fernando de la Rúa na presidência argentina e da prisão do ex-presidente Carlos Menem. Com todo o respeito, Rumorejando achou que a vidente argentina devia se dedicar apenas à política. Afinal, futebol, como já diziam e ainda dizem desde os tempos imemoriais os entendidos, sempre foi, é e será uma "caixinha de surpresas".
Constatação X
Deu na mídia: "A Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério
da Fazenda divulgou recentemente um parecer recomendando ao Conselho de Acompanhamento de Defesa Econômica (Cade) punição a cinco empresas farmacêuticas por prática de cartel internacional no mercado de vitaminas". Rumorejando acha que o Cade deveria dar uma espiadela nos supermercados também. O que está acontecendo por aí é de arrepiar até os cabelos de careca...
Constatação XI
Rico é errabundo*; pobre é vagabundo.
*Errabundo = Errante (Houaiss)
Constatação XII (Futebolística vernacular).
Assim como passou a fazer parte do dicionário a palavra "imexível", proponho aos nossos filólogos a adoção da palavra "imarcável", que teria significado de que ou quem não se pode marcar, como, por exemplo, acontecia com Garrincha e tantos outros e que agora parece estar, eventualmente acontecendo com o jogador Neymar. Noutro extremo, acontecia com Djalma e Newton Santos o revés. Eram "impassáveis", no sentido de intransponíveis. Dificilmente algum atacante passava pela marcação deles. Fica, portanto, consignada a sugestão, ou, se quiserem aproveitar o embalo, as doutas e modestas sugestões.
Constatação XIII
Rico é soberbo; pobre, é xucro.
Constatação XIV (De um pseudo-soneto).
           
            Aí, não dá pé...

Foi um enigma, foi um mistério
Como ela, sem entrar no sério,
Botou o marido em submissão
Sem lhe dar sequer um safanão.

Antes ele freqüentava o submundo
Onde ele tinha vício nada fecundo.
Daí vivia pedindo dinheiro emprestado,
Fazendo na “mordida” cara de coitado.

Evidentemente que sempre se esquecia de pagar
E dos golpes que dava ria que chegava a sacolejar.
Aí, ela resolveu fazer greve de sexo como advertência.

Mesmo não suportando em abandonar o baralho
E tendo que retornar a triste “sina” do trabalho
Reformulou tudo para não ficar em abstinência.

Constatação XV (De outro pseudo-soneto).
      
        Gente fina é outra coisa

Ele era um mau-caráter, um linguareiro*
Que fazia fofoca em toda vizinhança,
Falando mal dos outros o dia inteiro,
Chegando as raias da desvairança**.

Os vizinhos fugiam dele como da peste
Não querendo ouvir tanto disparate
Achando ele um senhor cafajeste
Que só vivia a pisar no tomate.

Um dia uma vizinha perguntou:
O que num sobressalto o assustou
“Por que o senhor faz tanta intriga?”

Passado o choque ele se recompôs
E espalhou que ela tinha vários gigolôs
E, por isso, era sua irreconciliável inimiga.

*Aurélio: Adjetivo.
1.Que é falador, mexeriqueiro, maldizente, maledicente; de língua solta; solto de língua:
uma velhinha linguareira;
“afoutamente se pode afirmar que na Europa e na América a imprensa é superficial, linguareira e sectária.” (Eça de Queirós, Ecos de Paris, p. 204).
Substantivo masculino.
2.Indivíduo linguareiro:
“E fez ...., umas sobre outras, uma porção de perguntas, nas quais se reconhecia o linguareiro desocupado das ruas de Óbidos.” (José Veríssimo, Cenas da Vida Amazônica, p. 63.) [Sin. ger.: linguarão, linguaraz, linguarudo e (p. us.) linguarado.]
**Houaiss: Desvairança = Desvairamento
 substantivo masculino
ação ou efeito de desvairar; desvairança, desvaire, desvairo, desvariamento
1 qualidade do que é variado, sortido; variedade
2 estado de alucinação; desvario
3 condição ou comportamento de louco; loucura, delírio, desvario
4 falta de tino; disparate, insensatez, desvario
Constatação XVI
Colaboração do meu grande amigo, o advogado Djalma Filho: “Rico é esteta; pobre é fresco”.
E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br Site: www.rimasprimas.com.br 

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