quarta-feira, 10 de outubro de 2012

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Deu na mídia, mais precisamente no Estadão: “Serra bate pênalti e perde o sapato”. Taí uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade.
Constatação II (De uma dúvida crucial).
Se depois da tempestade vem a bonança, como se propala por aí, depois da desavença não deveria vir a benquerença e após a ofensa não seria o caso de vir a bença? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação III (De um pseudo-soneto).

                         Diálogos matrimoniais

Quando estava saindo achando que a mulher não se daria conta
Para jogar um truco com os amigos, como “ele sempre apronta”,
Ele foi flagrando em franca e indiscutível posição de impedimento
E, aí, sobreveio uma azeda discussão que se tornou um tormento.

-“Você nunca me leva ao cinema ou para dançar desde que casamos,
Coisa que sempre estava disposto antes de me levar para um motel”.
-“Você tem razão, mas isso foi há sessenta anos, quando noivamos
E o meu proceder era apenas uma antecipação de nossa lua-de-mel”.

“Agora eu já não sou um garoto, sou um velho mais ou menos caquético.
Que se eu te levar para um motel eu não vou mais me lembrar para quê
E quando isso me acontece e outras mais desse jaez eu fico apoplético*.

Logo a mim que nestes assuntos onde fui um catedrático, uma enciclopédia
Um sujeito que tinha orgulho do meu desempenho e para tal nem cobrava cachê
Por isso eu quero ir trucar para esquecer toda a minha desdita, minha tragédia”...

*Apoplético = 2 Derivação: sentido figurado. Vermelho de cólera; exaltado, irritado, furioso (Houaiss).

Constatação IV
Rico adentra em um recinto; pobre, irrompe.
Constatação V
Os políticos são tão ineptos e a maioria corrupta que eles não podem ser considerados injustamente apenas um zero à esquerda, eles devem ser considerados bem mais como, por exemplo, 0,0000000 à mencionada esquerda.
Constatação VI
E como filosofava aquele nosso conhecido conquistador, de há muito, já posto em liquidação, consequentemente depreciado, decadente, barato: “Para chutar uma bola e dar porrada, eu sou canhoto; para usar o mouse do computador, eu sou destro; ambidestro, para cortar as unhas das mãos e ‘multidestro’ para dar um amasso nas gatas”.
Constatação VII (Ah, esse nosso vernáculo)
Para ver neve na serra gaúcha e/ou catarinense a gente deve ir, no inverno, nos meses de Junho, Julho e Agosto que são os meses quentes pra isso.

Constatação VIII

“Pois é,
Seu Delegado,
Não me apraz
Lhe contar isso.
Ele me passou
O conto
Do vigário
Aquele
Ralé.
Cabra ordinário!
Mas eu pensei:
Estou
Passando ele
Pra trás.
Até achei
Que se o doutor
Visse
Aquele ar mortiço,
De tonto,
De burrice,
De atoleimado,
De “pamonhice”,
De atrasado,
De parvoíce,
De matutice,
De incapaz,
Até
O senhor,
Como disse,
Teria marchado
No papo dele.
Valha-me São Braz!”

Constatação IX

Deu na mídia, em janeiro, que a vice-diretora-gerente do FMI, Anne Krueger, declarou que "as autoridades brasileiras vêm gerenciando as expectativas muito bem. Elas têm mostrado até agora uma atitude responsável diante dos problemas". Este assim chamado escriba, durante toda a sua vida, sempre se preocupou, quando – raramente, diga-se de passagem – era elogiado. Não por modéstia ou humildade, mas dependendo de quem o elogiava. Analogamente, ficava muito contente em função de quem falava mal...

Constatação X

E como dizia aquele político venal, fazendo troça das acusações de ter misturado o dele com o da viúva: “Andam dizendo que eu agi filhadapu...mente, mas eles esquecem que para certas coisas tem que ter, não só vocação, como, principalmente, talento e, modéstia à parte, eu tenho”.

Constatação XI

Rico tem carma; classe média, sina; pobre, destino.

Constatação XII

Não se pode confundir pretexto com protesto, muito embora os homens, a partir do dia em que as mulheres entraram no mercado de trabalho fora de casa, sob qualquer pretexto, do tipo “onde está a toalha de banho”, “que fim levou minha gravata listrada”, “onde você guardou meu desodorante”, por que você não faz mais o meu prato preferido ?” se põem a fazer protesto do tipo “está casa está uma bagunça”, esquecendo que foi ele que pôs todas as coisas fora do lugar. A recíproca, para esses casos típicos de desordem, de bagunça não é necessariamente verdadeira.

Constatação XIII

Ora bolas!
Não é questão
Que já somos avoengos*
Nessa declaração
“Na minha juventude”.
Mas hoje em dia
Tudo e todos estão
Rengos,
Coxos,
Manquitolas
Com essa anomia**,
Com essa carência,
Essa ausência
De Educação
E Saúde,
Para os quais
Nunca, jamais,
Quem
Tem
O Poder
Não deveria
Descuidar,
Relaxar,
Desprezar.
Abandonar.
Fazer
Muxoxos,
Caretas,
Mutretas,
Velhaquetes***,
Gazetas
Falsetes
Com tal iniqüidade,
Seja agora,
Como na antigüidade,
Por esse Brasil afora
E pela eternidade,
Até o infinito.
Tenho dito!

*Avoengo = adjetivo - que procede, que se herda ou se obtém dos avós ou antepassados; avito. Ex.:
substantivo masculino (sXIII) - avô; antepassado (freq. us. no pl.) Ex.: traços herdados de remoto a. (Houaiss).
**Anomia = substantivo feminino
1. ausência de lei ou de regra, desvio das leis naturais; anarquia, desorganização
1.1 Rubrica: teologia. Desobediência à lei divina
2. (sXIX) Rubrica: neurologia. Impossibilidade de nomear ou recordar os nomes dos objetos, embora o paciente os perceba e os compreenda; afasia anômica, afasia nominal.
3. (sXX) Rubrica: sociologia. Estado da sociedade em que desaparecem os padrões normativos de conduta e de crença e o indivíduo, em conflito íntimo, encontra dificuldade para conformar-se às contraditórias exigências das normas sociais.
4. (sXX) Rubrica: psicologia social. Desorganização pessoal que resulta numa individualidade desorientada, desvinculada do padrão do grupo social (Houaiss).
 ***Velhaquete = adjetivo e substantivo masculino .
1. Que ou o que é um tanto velhaco.

2. Que ou o que é velhaco, mas finge ser ingênuo (Houaiss).

 

Constatação XIV

Deu na mídia: “A top Gisele Bündchen doou R$ 100 mil para a campanha Fome Zero. O valor que chegará ao programa da fome deve cair para R$ 50 mil, por causa de deduções”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando gostaria de saber que diabo de deduções são essas. Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação XV (Ah, esse nosso obcecado e nosso vernáculo).
Nas horas vagas e também fora delas eu sou convocado, ainda que não seja bombeiro, para apagar o fogo das donzelas. Não se trata que eu esteja me vangloriando, sendo um cara fátuo* e tampouco o fogo delas é fogo-fátuo**. Ao contrário: parece ser o fogo eterno...

*Fátuo = adjetivo
1. Muito estulto e com alta opinião de si próprio; vaidoso e oco; presunçoso
2. Que é tolo, insensato
3. Que permanece por pouco tempo; que é fugaz, transitório (Houaiss).
**Fogo-fátuo = “Fogo-fátuo é um fenômeno que ocorre sobre a superfície de lagos, pântanos ou até mesmo em cemitérios. Quando um corpo orgânico entra em decomposição, ocorre uma liberação de gás metano (CH4). Se em algum local houver condições de concentração do metano, o gás começará a concentrar, e se o clima estiver relativamente quente, ocorrerá uma explosão espontânea.
Essa explosão resulta em uma chama azulada de 2 a 3 metros de altura com um barulho característico. Geralmente, quando uma pessoa se depara com o fogo-fátuo, se assusta e sai correndo, fazendo com que o ar se desloque, dando a impressão de que o fogo está a perseguindo.
O fogo-fátuo pode ser um causador de incêndios nas matas. O fenômeno também pode ser facilmente confundido por pessoas místicas, como algo sobrenatural. A lenda do boitatá, por exemplo, foi baseada no fenômeno, onde os índios criam que o fogo da explosão era, na verdade, um monstro”. (Google).
Constatação XVI (De uma dúvida crucial).
Onde será que ficou o ideal das pessoas, além de querer ganhar dinheiro a qualquer preço? Quem souber e puder informar, por favor, comunicar através do blog. Obrigado.
Constatação XVII
Rico recupera, em um SPA, os parcos esforços físicos despendidos; pobre, do jeito que der.

FÁBULA INDIGNA DO GURU MILLÔR

Em uma aldeia de pescadores de Wukan, no sul da China, vivia uma família, constituída pelo pai, Roh Gyn Khe, pela mãe Myt Man Dlen e por uma filha Chu Leh Men. Esta com a idade de 18 anos de uma beleza digna de concorrer em países do Ocidente que se dedicam a tais “besteiras”, como dizem os habitantes masculinos daquele país. A família também vivia da pesca que era a grande fonte de renda dos habitantes do lugar.
Por mais incrível que possa parecer, a mãe Myt Man Dlen, que já fora uma mulher muito bonita, não se conformando com as transformações que ocorrem com o passar do tempo sentia pela filha certa inveja, daquela que corrói o corpo, a alma e o espírito, ainda que não demonstrasse perante as amigas. Algumas delas, que já haviam recorrido a certos institutos de beleza, através de uma ‘recauchutagem geral’, como por exemplo: botox, lipoaspiração, silicone nos seios e na “poupança”, cílios artificiais, lente de cor nos olhos, dentes como os dos atores de novelas que chegavam desde um longínquo país, chamado Brasil, que eles pronunciavam Blazil e que já não eram tão recatadas como uma novela chamada A escrava Isaura, que fora a primeira que importaram do tal longínquo país, ainda no tempo que a China não havia liberado do seu controle a economia concomitantemente à apresentação de fatos, coisas e pessoas do Ocidente para, segundo eles, não perverter a juventude chinesa. Mas voltando a Myt Man Dlen, ela conseguiu convencer o marido em fazer apenas uma operação, a fim de não comprometer o parco rendimento que a família auferia, com uma operação de colocar silicone na “poupança” que ela achava não suficientemente arrebitada como a de outros povos da África, do “Blazil” e de outros mais. Lamentavelmente a medicina chinesa, mais dedicada a ‘coisas’ mais sérias, ainda não tinha se especializado em tais tipos de operações plásticas e o objetivo colimado com a operação foi um fracasso total. Igualmente a frustração da paciente. Coitada!
Moral:
Nem sempre o que abunda não prejudica.


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