quarta-feira, 22 de maio de 2013

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Rico tem ergofobia*; pobre, é vagabundo.
*Ergofobia = substantivo feminino
Horror mórbido ao trabalho (Houaiss).
Constatação II
Do jeito que o meu Paraná vinha jogando não era mais o caso de perguntar contra quem seria o próximo jogo, mas, sim, para quem que ele iria perder na quarta-feira ou no sábado, podendo, o que dependesse da escala dos jogos, também vir a ser na quinta-feira ou no domingo. Pena. VIGE.
Constatação III
Este assim chamado escriba tem muitos amigos argentinos e evidentemente tem admiração por muitas coisas relacionadas a eles. Alguns exemplos: o nível de politização e escolaridade; as músicas do compositor Ariel Ramirez, mormente na sua antológica Misa Criolla; as milongas, recitativos do autor e compositor José Larralde; os tangos, principalmente os clássicos como La cumparsita, por exemplo; o atual cinema argentino que, juntamente com o nosso, apresenta filmes que não perdem em qualidade técnica, roteiro, argumento, etc. para os de qualquer outro país; Bariloche, é uma das belezas naturais dignas de serem visitadas, assim como as Cataratas del Iguazu, do lado argentino para, também, melhor apreciar a Garganta do Diabo do nosso lado. E assim poderia citar uma infinidade de exemplos a ver com los hermanos. E, claro: Amigos, amigos, futebol, a parte. Nada a ver...
Constatação IV
E como dizia o obcecado metido a poliglota: “Atrás de uma grande mulher sempre deve haver um grande homem. Na frente e no lado também. Tudo depende do que recomenda o Kama Sutra ou mais precisamente das positions e das positions”. (Nota de Rumorejando: O primeiro positions deve ser lido “posiciôn” porque o obcecado fez questão de nos explicar que estava se referindo ao “idioma de Corneille, Racine e Voltaire”; já, o segundo, deve ser lido “pozichon” porque causa do “british accent” (perdão, leitores, mas esse obcecado é o tipo do cara esnobe que usa uma profusão de termos em idioma estrangeiro, a fim de impressionar os incautos, ou melhor, as incautas).
Constatação V
Não se deve confundir quinhão com pinhão, até porque com esse desmatamento todo e particularmente da Araucária Angustifólia não sobrará pinhão para que alguém possa ter o seu quinhão. A recíproca para esses casos e para outros também é verdadeira já que com a distorção eterna da renda só os eleitos poderão ter o seu – deles – quinhão.
Constatação VI
Rico sofre de afronesia*; pobre, de loucura.
* Afronesia = substantivo feminino
Rubrica: psicologia.
Desequilíbrio das faculdades mentais, loucura, demência (Houaiss).
Constatação VII
Depois de escutar um Abismo de Rosas de autoria de Américo Jacobino e que se liga imediatamente a execução de Dilermando Reis e em seguida a Mulher Mangaba cantar a ‘Solteirinha da Pompéia’ corre-se o alto risco de ter um choque anafilático e partir desta para melhor ou, dependendo dos pecados cometidos para a pior onde será submetido a fervuras de azeite e entidades, portando tridentes, os estarão esperando e espetando. VIGE!
Constatação VIII (Quadrinha de uma dúvida crucial*).
Era a antipática donzela
Que vivia fazendo simpatia
Para arrumar um marido pra ela
Que se topasse iria entrar numa fria?
Constatação IX (De outra dúvida crucial*).
É só o time, cuja direção parecia uma zona, que acabou ficando na zona de rebaixamento ou há outros também que ficaram nessa incômoda situação? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação X (De uma terceira dúvida crucial*).
Começou a propaganda dos partidos políticos. Será que, por isso, Deus contabiliza para nós, simples mortais, obrigados a aguentar, como o pagamento de nossos eventuais pecadilhos, pecados e pecadaços?
*Pedimos escusas aos nossos leitores por apresentar somente essas três dúvidas cruciais. É que Rumorejando, sem querer dar a impressão que sabe tudo, ficou nessa semana sem tantas dúvidas. Obrigado pela compreensão.
Constatação XI
Rica faz ensaio sexy; classe média, ensaio sensual; pobre, ensaio pornográfico.
Constatação XII
E como dizia o outro obcecado, só que este já quase batendo nos setenta anos: “Viagra, efetivamente, tem me dado excelentes resultados. Só que me dá a impressão, na hora do bem-bom, que eu estou com certa parte do corpo em uso, emprestada de terceiros”.
Constatação XIII
A música lírica
Sempre me pareceu
Totalmente empírica,
Tão somente,
Pois quando
Sucedeu
Do fidalgo
Dar uma facada
Na donzela,
Incontinente,
Ela,
Coitada,
Se pôs a cantar
Como houvesse algo
A comemorar.
E o coitado,
Parecendo perdido,
Que havia sido
Por ela enganado,
Também cantando,
Passou a acompanhar,
Não destoando
E, pasmem,
Nem blasfemem
Sem
Desafinar.
Constatação XIV (Ah, esse nosso vernáculo).
A Ana com ingestão de anabolizante e com aquela anágua era um anafrodisíaco que quase me induziu a tomar um analgésico e vir a ser um anacoreta*.
*Anacoreta = Substantivo masculino.
1. Monge cristão ou eremita que vive em retiro, solitariamente, especialmente nos primeiros tempos do cristianismo
2. Derivação: sentido figurado.
Pessoa que escolhe viver recolhida, afastada do convívio social; monge (Houaiss).
Constatação XV (De ditados adaptados).
Em briga de marido e mulher
Não se deve meter qualquer talher
Mormente faca e garfo, pois poderá
Generalizar num salve-se-quem-puder
Num Deus-nos-acuda, ao Deus-dará.
Constatação XVI
A Dona cabra,
Lá, no rebanho,
Com voz macabra,
Deu um ultimátum
Ao maridão
Para tomar
Um banho
Para ficar
Oloroso,
Formoso,
Sem bodum,
Sem opilião*,
Sem fortum**
E para mastigar
Capim-cheiroso,
Caso contrário
Ela iria querer
Tomar
Outro itinerário
Se divorciar
Ainda no entardecer
Ou, no mais tardar,
Ao anoitecer
Fosse com céu estrelado
Ou nublado
Coitado!
*Opilião = Substantivo masculino
Rubrica: aracnologia. Regionalismo: Brasil.
Designação comum aos arácnidos da ordem dos opiliones, que se notabilizam pelo corpo oval e compacto, pelas patas extremamente finas e longas e pelo forte cheiro desagradável que exalam (Houaiss).
**Fortum = substantivo masculino
1. Cheiro intolerável de ranço; bafio.
2. Odor desagradável de alguns animais; bodum
3. Derivação: por extensão de sentido.
Qualquer cheiro nauseabundo (Houaiss).
Constatação XVII
Deu na mídia: “Toureiro fica ferido ao ser chifrado na França”. Nada a lamentar!

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO GURU MILLÔR). 
                                                                                                                                                                                                                            
Um chinês chamado Zing Hen, economista, morador de Hong Kong sempre ao discutir com seus clientes da sua Assessoria Empresarial levava em conta o custo/benefício, já que Hong Kong, que foi devolvido pelos ingleses, o que não foi mais que obrigação, ainda que negaceando, é um país capitalista e os chineses não trataram de mudar por terem inferido que o capitalismo está mais facilmente para certas delícias do que o comunismo lá deles. Na sua consultoria trabalhava uma secretária, divorciada, Gue Zang Hen, sua parente por achego, pois havia casado com um seu primo de segundo grau, que de tão gostosona que era até mancava... Ela jamais havia concordado com os assédios dele, alegando que ele era um homem casado, muito embora ela, que havia se divorciado não fazia muito tempo se esforçava nos seus rechaços porque ninguém é de ferro... Ele, depois de certo tempo, recebeu um telefonema no seu celular onde ela o convidou para vir ao seu apartamento para explicar o tal custo/benefício, já que estava cursando administração de empresas e não tinha entendido bem a explicação do professor que já havia marcado uma prova sobre o assunto. Na realidade, ela não precisava de explicações porque os chineses são um povo inteligente – quiçá um dos mais inteligentes do nosso sofrido e maculado planeta –, pois havia perfeitamente compreendido as explicações do professor. Bem, como soe acontecer nesses hierárquicos casos, acabaram sendo amantes e as fugidas que ele dava para o apartamento dela eram muito rápidas e só aos sábados, quando ele tinha as melhores condições de apresentar um álibi para a sua – dele – mulher.
Um dia, ela pediu para levá-la a um motel. Ela queria que ele a levasse para um motel de alto luxo, cuja propaganda mostrava na televisão o quão luxuoso ele era inclusive com cascatas nos apartamentos. Ele vivia despistando, ludibriando, dando desculpas, segundo ela esfarrapadas, mas na realidade com medo de ser visto já que era muito conhecido na praça não só pela vida social que levava, mas também pelos inúmeros clientes que possuía. Em verdade, ele sabia que o tempo de permanência no motel teria de ser efêmero, para logo voltar para casa e dessa maneira teria que abrir mão da banheira para duas pessoas com banho de espuma como se via em décadas passadas nos filmes antigos americanos e que a televisão mostrava em horários da madrugada por causa das crianças; dos chuveiros individuais ainda que contíguos, a fim de que cada um pudesse regular a temperatura da água independente do outro; dos filmes, digamos, eróticos, do almoço de primeira linha que estava incluído no preço, dos espelhos espalhados por toda a parte e que permitia ser visto por todos os ângulos que se olhasse e outras vantagens e benesses mais. Evidentemente, ele, não só pelo receio de ser visto, como também pelo custo/benefício, já que o preço daquele motel, com todas aquelas prazerosas ofertas, era, como se diz por aí, um tanto quanto salgado... Um belo dia ela o reptou, dizendo peremptoriamente: “Ou você me leva ou não quero mais nada com você”. Evidentemente, diante dessa chantagem, até então não revelada, ele com pesar – não muito –, é bom que se diga, acabou levando. Também é de bom alvitre que se diga que ele, ao ver ela se superando no seu – dela – desempenho e toda aquela sua – também dela – felicidade, absolutamente, não se arrependeu...
Moral: Nem sempre ter que ir a um motel depende do nosso alvedrio, do nosso bom talante. Tampouco do custo/benefício. Às vezes, pela ameaça de greve...

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
Site: www.rimasprimas.com.br

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