quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I (Ficção?)
Ela achou
Ridículo
E falou:
-“Mas isso
É um cubículo,
Um cortiço,
Uma insalubridade.
Vou ter um chilique”,
Quando ele anunciou
Que havia comprado
Uma apalacetado
De mil
Metros quadrados,
No bairro mais chique
Da cidade.
-“Não somos flagelados.
Só havia
Tão pequenos?
Só para economizar
Um centilião?”
Eu queria,
Pelo menos,
Algum de milhão”.
-“Mas somos só
Nós dois.
E, depois,
Quem vai limpar
Todo o pó?”,
Ele tentou
Argumentar.
-“Isso é de somenos
Importância.
É problema meu
E não teu.
Sobra,
Em abundância,
Mão-de-obra
Muito barata
No Brasil
Sem falar
Em negociata.
Você não é deputado?”
Coitado!
Coitado???!!!
Constatação II (De uma dúvida crucial).
Afinal, a Câmara e o Senado, além de ser um ótimo investimento para quem lá chega, são órgãos de prestação de serviços, de comércio ou, pelos elevados valores dos salários e não salariais, de indústria? Talvez do setor primário com a máxima de que se adubando bem, preferencialmente com matéria orgânica natural, dá para fazer uma boa coleta? Quem souber, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação III
Não se pode confundir erótico com exótico, muito embora com esses novos tempos que quase todo mundo virou erótico, com essa generalização toda, quem não o é, leva a pecha de exótico, quando não de caótico e até mesmo de neurótico, ou de ter, na cabeça, um problema virótico. Inclusive, em alguns locais, em condição normal de pressão e temperatura, de despótico. A recíproca não é necessariamente verdadeira. Tem muito cara exótico que jamais sentiu um pingo de erotismo. Coitado!
Constatação IV (De uma quadrinha com uma dúvida não necessariamente crucial).
Será que aquele certo senador,
Em quem votei em toda eleição,
Não vem tendo a má impressão
De que enganou este pobre eleitor?
Constatação V (De uma dúvida crucial).
Com o resultado
Votivo
Do eleitorado,
Resulta
Improdutivo
Se ele exulta
Quando determinado
Candidato,
Com ou sem
Espalhafato,
É sufragado,
Ou ninguém
Votou no coitado?
Constatação VI
O cara de pau,
Pintoso,
Se chegou
Todo meloso,
Todo pomposo,
Todo empertigado
Pra gata
E perguntou:
“Ó anjo
Não mau
Tá a fim
De mim?”
“Eu não esbanjo
Meu latim,
Falando
Com chinfrim”,
Ela contestou,
Ameaçando
Chamar
O namorado
Que de tão alto
E forte
Até parecia
Quadrado.
“Sendo assim,
Eu vou me mandar
Hoje, estou
Sem sorte
No meu desempenho”.
E, num salto,
Se escafedeu,
Desapareceu,
Como num desenho
Animado.
Coitado!
Constatação VII (Deve também curtir tourada, farra do boi, etc.)
Deu na mídia numa determinada época, antes de estarem rastreando contas do ilustre cidadão em paraísos fiscais: “O contrato do publicitário Duda Mendonça com a Presidência da República não será renovado”. Data vênia, como diriam nossos juristas, já deveria ser interrompido quando o publicitário foi preso numa rinha de briga de galos. Gente fina! Vige!
Constatação VIII
Em face de ajuda de sair de uma eventual fossa, através de suas músicas, este assim chamado escriba presta sua homenagem, ainda que tardia (até parece o dístico da bandeira dos Inconfidentes “Libertas Quæ Sera Tamen”), a Johannes Chrysostomus Wolfgangus Theophilus Mozart, que depois mudaria seu quarto nome para Amadeus, pelo seu ducentésimo quinquagésimo sétimo aniversário de nascimento, transcorrido no dia 27 de fevereiro deste ano de 2013, da nossa era. Obrigado Mestre!
Constatação IX (De outra dúvida crucial).
Será que quando o mar está revolto é porque os habitantes marinhos estão saracoteando? Os especialistas em oceanografia e afins que puderem nos dar uma resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação X (Teoria da relatividade de mensalãosistas).
Mais vale receber parcelas mensais de, pelo menos, R$ 30 mil, milhares ou milhões e ser apontado na rua, ou alhures, por tal motivo, do que auferir somente o considerado, por eles mesmos, mísero salário de deputado e, de igual maneira, continuar a ser apontado na rua, ou alhures.
Constatação XI (De razões e proporções matemáticas).
A dispensa de um técnico de futebol está para o nível das seguidas derrotas do time que ele comanda, assim como a CPI’s estão para as pizzas. Aí, para tirar o valor de algum dos, digamos, fatores, basta multiplicar cruzado e deixar àquele que se quer no primeiro membro. Tomando como exemplo a CPI ela será igual ao técnico de futebol multiplicado pelas pizzas e dividido pelas derrotas. Elementar meu povo.
Constatação XII (Com mais uma pequenina dúvida crucial, lá, no final).
A mulher descobriu que o marido tinha uma amante. Coisa detetivesca: Não é que ela encontrou no lixo que não é lixo algo escrito, mas que estava rasgado em mil pedacinhos. Ela, pacientemente, montou as partes, obtendo a carta na sua íntegra. E, com declarações ardentes de amor vivido, pela, segundo ela, da “sirigaita”, com o, anteriormente, assim chamado maridão. E, pior, reiterando agradecimento do presente de um anel de brilhantes. Ele, inadvertidamente – segundo suas próprias declarações aos amigos –, havia esquecido que o passatempo da legitima era montar “puzzle”. A coluna não obteve informações sobre o desfecho, mas que o pau comeu solto foi o que todos os vizinhos, assaz assustados, comentaram no dia seguinte. Coitado! (Coitado?). Coitadas! (Coitadas ou Coitada?).
Constatação XIII (De uma quadrinha para ser declamada se assim o eventual declamador desejar e, evidentemente, desde que tenha ouvintes).
Quando o galo se punha a cantar,
Na madrugada, me fazendo acordar,
E por achar que ele nunca ia parar,
Tive que me pôr carneiros a contar.
Constatação XIV (De uma pergunta inocente).
Escutar o horário político
Não te dá uma baita vontade
De jogar algo granítico*
Ao ouvir tanta iniquidade?
*Não ficou claro se na televisão ou em quem estava falando. Quem souber, por favor, comentários no blog. Rumorejando agradece penhoradamente.
Constatação XV
Este assim chamado escriba realizou dia 9, próximo passado, o lançamento do seu segundo livro, intitulado 150 Sonetos & 1 Sonetão (Pseudos), na Livraria Cultura, cá em Curitiba. Cabe assinalar a presença, dentre muitos que lá compareceram, a vinda, de Belo Horizonte, de um casal, Marina da Silva e o seu – dela – maridão Gil, específica e especialmente para o evento. Também a presença virtual da filha do assim cognominado autor, graças às instâncias de Soraya Sugayama com seu aparato eletrônico. O assim apodado Juca, sensibilizado, agradece a presença de todos e aproveita o ensejo para augurar aos presentes e ausentes ao mencionado evento um Feliz Natal.
RICOS & POBRES
Constatação I
Rico é ousado; pobre, assanhado.
Constatação II
Rico tem desejos; pobre, tara.
Constatação III
Rico vai ao futebol nas cadeiras numeradas; pobre, fica com dor nas cadeiras de sentar no cimento duro da geral.
Constatação IV
Rica toma(va) Regulador Xavier; pobre não regula bem.
Constatação V
Rico lidera; pobre é maria-vai-com-as-outras.
Constatação VI
Rico passa as férias em Orlando; pobre, arrumando o barraco.
Constatação VII
Rico conclama; pobre faz baderna.
Constatação VIII
Rico pede licença; pobre, é na base do empurra-empurra.
Constatação IX
Rico é cercado de bem-querer; pobre só leva bordoada.
Constatação X
Rico usa palavras com o diminuitivo “inho”, como carinho e outros; pobre só se exprime com palavrões.
FÁBULA CONFABULADA, INDIGNA DO GURU MILLÔR.
Numa pequenina província chinesa, bem pra lá do fim do mundo, como diz certa canção de certo país, este do outro lado do mundo, vivia uma família, constituída pelo pai Zan Vah Leh, pela mãe Sheyn Dah Leh, pela filha Mah Sha Leh e pela sogra de Zan Vah Leh, Fah Loy Rhe Neh Shef. Evidentemente que a sogra, como sói acontecer, azucrinava, atazanava, aperreava, apoquentava, arreliava, atormentava e outras “avas” a vida do genro. Afinal sogra é sogra seja na China, em Balsa Nova ou na Cochinchina. Por outro lado (qual lado?), ela tratava bem todas as pessoas que viviam ao seu redor. Preparava sopinhas especiais para as vizinhas se, porventura, estas não se encontravam bem de saúde; emprestava dinheiro para os que necessitavam sem cobrar nem um li, a moeda chinesa, de juros, por tempo extenso que os economistas chamam de longo prazo; promovia chás beneficentes que efetivamente beneficiavam os beneficiados, permitindo, com o capital inicial, começar algum negócio tipo fundo de quintal, já que a abertura chinesa permitia algumas iniciativas, semelhantes aos países capitalistas, ainda que o esquema sempre fosse atacado pelos mais ortodoxos, o que nesse momento não vem para o caso, pois já é outra história.
As importunações, as perturbações, as moléstias de Fah Loy Rhe Neh Shef faziam muito mal a Zan Vah Leh que engolia calado tudo. Ele sabia que a sogra gozava de bom conceito em todas as partes e também não queria envolver os demais membros da família com quem vivia muito bem.
Quis o destino, ou seja, lá o que for, que Fah Loy Rhe Neh Shef teve uma síncope e veio a falecer. A província inteira compareceu as exéquias (Rico tem exéquias; pobre, enterro. Mas isso já é outra história que nesse momento também não vem para o caso). O prefeito falou em um memorial numa das praças em homenagem à inesquecível falecida (rico falece; pobre, estica as canelas) pelo infausto acontecimento e os vereadores se prontificaram aprovar um voto de pesar – que Zan Vah Leh achava que deveria ser de repúdio, mas isso agora não vem para o caso –, para que ficasse registrada nos anais daquela casa a inesquecível figura da assim chamada, por muitos, notável senhora como efetivamente veio a acontecer.
Por sua vez, Zan Vah Leh havia ficado tão destrambelhado por tudo que a sogra lhe havia aprontado que tinha terríveis pesadelos, acordava gritando e alagado em suores frios, quentes e tépidos. Aí, se viu obrigado a fazer psicanálise. Felizmente, na China, o seguro social cobria tais gastos, pois se fossem em certos países do decadente Ocidente ele precisaria um caminhão com toneladas de dinheiro. Mas isso já é outra história.
Moral: Nem sempre, quando uma pessoa é considerada inesquecível quer dizer que se refere somente pelo bem que ela eventualmente realizou.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br
Site: www.rimsprimas.com.br

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