quarta-feira, 23 de abril de 2014

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
No livro 150 Sonetos & 1 Sonetão (Pseudos), que este assim chamado escriba lançou em dezembro de 2013, consta um pseudo-soneto que foi dedicado ao escritor colombiano, Prêmio Nobel de Literatura, Gabriel Garcia Márquez, recentemente falecido (e tanto fdp que não morre...) e que em sua homenagem, transcrevo a seguir:

                    A espera e a esperança*

A época, ele declarou à, então, gata que por ela sentiu
Um comboio de amor infinito, de muito afeto e de paixão.
Por ‘empréstimo’, levou seu economizado dinheiro e sumiu,
Deixando, como não poderia deixar de ser, a coitada na mão.

Ela, parecendo de Gabriel Garcia Márquez o personagem
Do livro O Amor nos tempos do cólera, o Florentino,
Que esperou mais de 53 anos pela Firmina, com coragem
Numa inimaginável fidelidade ao trampa**, àquele vivaldino.

Analogamente ao Firmino, foi um tempo muito largo
Onde ela ficou sofrendo uma imensa e terrível solidão
Que, evidentemente, deixa qualquer mortal muito amargo.

Eis que depois de tanto tempo e tanta espera ele quis voltar.
Ela achou que foi por sua causa e, claro, pra pedir perdão.
Qual o quê! Ele voltou pra mais um ‘empréstimo’ solicitar...

*Dedicado ao latino-americano, prêmio Nobel de Literatura, apodado Gabo.
**Trampa = Engano doloso; trapaça, velhacaria (Houaiss).

Constatação II (Relembrando Copas do Mundo anteriores [I]) Esta constatação e outras sobre futebol como homenagem a Luciano do Vale, recentemente falecido.
Leitura labial
Do Parreira,
No Fantástico,
Como se fosse banal.
Deixou-o, pu, digo
Contrafeito,
Bombástico,
Pouco amigo.
Que besteira,
Que desrespeito
De invadir
Sua privacidade
De infringir
Com tal iniquidade.
Constatação III
Absolutamente não é despeito, mas que jogo chato uma final, na base de pênaltis, dos campeonatos regionais deste ano de 2014. Cáspite!

Constatação IV (Relembrando Copa das Confederações, recente [I]).

A apatia de o time titular da seleção começou quando Mano Menezes era, então, o técnico da seleção. Na Copa das Confederações, já com o Felipão, a seleção venceu na final a Espanha por 3 X 0. Este assim chamado escriba que, ao contrário do seu hábito, assistiu a partida e, como recorrente, desde tempos idos, em constatações, inferiu que a Espanha entregou o jogo. Primeiro com o jogador espanhol, batendo aquele pênalti, quando o jogo estava 0 x 0, colocando, visivelmente, a bola para fora; depois o fraco empenho dos jogadores espanhóis e, finalmente, comentários, pouco divulgados na mídia brasileira, de que o presidente da Fifa havia pedido aos espanhóis que entregassem o jogo, face o momento político-social que o Brasil estava vivendo.
Constatação V
Com esse escândalo da Petrobrás e outros tantos que vêm pipocando constantemente em nosso país, envolvendo ministros, deputados, senadores, ex-diretores de órgãos públicos e até presidentes da República, com a provável instalação de CPI´s, vale lembrar que, há anos atrás, o jornal O Estado do Paraná, onde este assim chamado escriba colaborou cerca de 13 anos, publicou o seguinte: “Brasília (ABr) - O procurador da República Lucas Furtado fez uma representação ao Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a suspensão do pagamento aos deputados cassados ou que renunciaram ao mandato para fugir da cassação. A ação ainda depende de julgamento. No ano passado, o deputado Orlando Desconsi (PT-RS) também apresentou um projeto à Câmara proibindo a aposentadoria nesses casos”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando, sem utilizar estatísticas, curvas de tendência, gráficos, cálculo vetorial e infinitesimal, derivadas e integrais, máximos e mínimos achou que jamais em tempo algum a ação seria julgada e que o projeto do deputado gaúcho algum dia seria aprovado, com de fato não foi. Quanto as CPI´s, como é tradição, cá na nossa terra, ninguém tem mais dúvida como irá gastronomicamente acabar...
Constatação VI (Relembrando Copas do Mundo anteriores [II]).
Dizem que um atleta que disputa uma partida não deve dar atenção às provocações do adversário ou da torcida. A verdade é que determinados esportes, além da técnica e do talento, incorporaram a guerra de nervos e a violência de alguns. Basta lembrar o time de vôlei feminino de Cuba contra as rivais brasileiras.
Um dia após a vitória da Itália sobre a França a mídia questionou o que o jogador Materazzi deve ter dito para o Zidane que o fez perder a cabeça com a cabeçada? Talvez tal atitude tenha custado o campeonato para a França. Talvez. Mas até onde dá para aguentar uma provocação, uma tortura física e mental, uma opressão? Bertoldo Brecht disse: “Do rio que tudo leva se diz que é violento, mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. A sorte de Materazzi, um dos esteios da vitória italiana, foi que a cabeçada foi no seu peito. Tal revide, pelo correu na mídia, em face o que foi dito, até que foi, como diriam alguns, “light”...
Constatação VII (De uma dúvida não necessariamente crucial).
Se houvesse no Brasil uma casa de apostas, como existe em Londres e que, segundo o jornalista e escritor Marcelo Duarte, no seu ‘Blog do Curioso’, informa que é lá que se encontra a maior casa de apostas do mundo, será que eles aceitariam apostas nas quais o apostador jogaria que as CPI´s terminariam em pizza?
Constatação VIII
Deu na mídia, mais precisamente no site do Estadão, na página do repórter Fausto Macedo: “Polícia Federal vai abrir novos inquéritos da Lava Jato para investigar corrupção e fraudes em licitações. Investigadores querem identificar em quais órgãos públicos se infiltrou organização criminosa de doleiro e de ex-diretor da Petrobrás”. Comentário de um frequentador da Boca Maldita, cá em Curitiba: “Do jeito que o mundo está indo, em geral, e no Brasil, em particular logo, logo a mídia poderá noticiar só desgraças e barbaridades. E do jeito que a Polícia Federal tem trabalhado, as férias dos seus componentes devem ter sido suspensas para sempre”...

RICOS & POBRES
Constatação I
Rico seduz no shopping romanticamente; pobre, assedia no metrô acintosamente.
Constatação II
Rico pesquisa; pobre, plagia.
Constatação III
Rico é dono de si mesmo; pobre, é escravo.
Constatação IV
Rico participa de degustação; pobre, de salivação.
Constatação V
Rico vive eufórico; pobre, vive azedo.
Constatação VI
Rico se locomove de um lugar para outro, curtindo férias, viagens, conhecimento de lugares turísticos novos; pobre, é estático.
Constatação VII
Rico acorda a hora que quer; pobre, é obrigado a assistir o raiar do dia.
Constatação VIII
Rico toma a iniciativa; pobre participa de uma penúltima etapa.
Constatação IX
Rico tem proporção harmoniosa; pobre, tem dentadura 1001.
Constatação X
Rico tem constituição atlética; pobre, sofre de raquitismo.

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO GURU MILLÔR).

Numa província chinesa vivia uma família chinesa. O que parece perfeitamente normal e natural. O pai Mah Leh Zan; a mãe, Ha Voy Leh e o filho Nuh Kym Shoyn. Ainda moravam com a família as consogras Fah Dus Teh e Par She Veh. Esta fez questão de mudar o nome que anteriormente era com erre para Pas Kuz Tzve, a fim de que a letra erre, tão comum no Ocidente e que não existe no alfabeto chinês, consta-se do seu nome. Puro esnobismo. Mah Leh Zan, o pai, tinha um alto cargo no governo; a mãe era uma espécie de gerente num grande supermercado. Desnecessário se torna dizer que as consogras se odiavam entre si, também o genro e a nora. No entanto, bastava que uma elogia-se um dos cônjuges para que, pasmem, a outra imediatamente passasse a discordar, ainda que fosse o seu filho ou filha, sangue do seu sangue, como se costuma dizer por aí. Daí, as discussões intermináveis, com agressões verbais recíprocas de fazer até um elefante ficar ruborizado no nariz, digo, na tromba.
Quando o neto de ambas, Nuh Kym Shoin, se preparava para sair, fosse para o colégio, ou para desfrutar um lazer com os amigos e colegas, lá vinha nova querela entre as avós com relação ao tamanho do cabelo, da trança, cor da roupa; se fosse para visitar alguma namorada, a linhagem da escolhida tinha que ser de determinada dinastia, os pais deveriam ter boa capacidade financeira, o grau de instrução, comportamento social ser elevado, o que, é bom que se diga, não era o caso de ambas, e por aí afora... Mas isso, agora, não vem para o caso.
Por outro lado (qual lado?), Mah Leh Zan, tratava muito mal os seus subordinados. As chamadas de atenção, com ou sem razão, tradicionalmente eram ditas de maneira rude e grosseira. Ainda que fosse subserviente aos seus superiores. É o que se chama, no decadente capitalismo do Ocidente, às voltas com a globalização, se agarrar com unhas e dentes ao seu cargo, mesmo que se tenha de pisar e atropelar quem se atravesse no seu caminho. O que também já é outra história.
Ha Voy Leh, então era a megera personificada. Os seus subordinados apelidaram-na de “Bruxa”, dizendo que só faltava sair voando com alguma vassoura das muitas que havia no supermercado. Efetivamente, ela era tão má, que até daria para compará-la com as vilãs das novelas de um país que ficava do outro lado do mundo, chamado Brasil. Mas isso já é outra história, o que, no momento, também não vem para o caso.
Um dia, estavam todos sentados à mesa, comemorando o aniversário do rapaz. Aí, como soe acontecer em reuniões familiares, iniciou-se uma briga de todos contra todos e todos gritando com todos, ao mesmo tempo, cada vez mais alto, cada qual querendo impor sua presumível abalizada opinião. Ninguém se dispunha a obtemperar. A gritaria foi tal que os vizinhos assustados chamaram a polícia e todos tiveram que se explicar ao delegado que também não era digno de trabalhar no corpo diplomático e que proferiu, como os demais, palavras impróprias e impropérios, inclusive ameaçando meter todos na cadeia para esfriar os ânimos.
Moral I: A prática de dizer coisas desagradáveis entre as pessoas das famílias, ou não, independe do seu nível econômico, social e hierárquico.
Moral II: Vige!

Site: www.rimasprimas.com.br

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