quarta-feira, 4 de junho de 2014

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I (De três histórias curtas).
1ª. História (Mercosulense).
Conforme Rumorejando já teve a oportunidade de assinalar, este assim chamado escriba tem admiração pelo povo argentino, pela sua cultura, pelo número de livrarias apenas em Buenos Aires que, segundo a lenda, ultrapassam ao total das do nosso país; da beleza de suas mulheres; do tango nem falar; do atual cinema argentino; do número de seus escritores (quem não se lembra do filme O carteiro e o poeta, baseado na obra do escritor Antonio Skármeta; da obra de Jorge Luis Borges, do Jogo da Amarelinha de Julio Cortazar, de Ernesto Sábato e assim por diante). A única diferença para com eles é com relação à rivalidade no futebol. Entrar na discussão se Pelé foi melhor que Maradona ou vice-versa é inócua hoje em dia, pois os dois tem algo em comum: dizer e fazer incongruências. Mas vamos aos fatos: Durante certa época, quando as condições financeiras permitiam, este já nominado escriba viajava em férias com a família para Canela, no Rio Grande do Sul. No Grande Hotel de Canela, onde a gente costumava ficar, certa vez, se hospedou uma família de ‘hermanos’, constituída pelo casal e quatro filhos varões. Chamava a atenção o comportamento educado dos ‘chicos’. E fizemos amizade com a família. O mais velho dos filhos, adolescente, contou que praticava rúgbi; no vôlei, onde participava também os familiares do dono do hotel para poder haver quórum de seis para cada lado, também se destacava. O segundo era considerado pelo pai o melhor jogador de tênis de mesa da simpática família. Um dia, fui desafiado para enfrentar o garoto numa partida de tênis de mesa, único esporte que relativamente me destaquei em toda a minha vida. O garoto, pré-adolescente, jogava, digamos, bem. Eis que no meio da partida, o pai do garoto exclama: “Avante Argentina”. Meus brios patrióticos ficaram exacerbados, já que aquele dito determinou a partida como um duelo entre o Brasil e a Argentina. Massacrei o garoto. Coitado!
2ª. História (Racismo).
Deu na mídia, mais precisamente no Estadão, no dia 21 de maio, próximo passado: “O segundo dia de treinos da seleção italiana, nesta quarta-feira, foi marcado por mais um caso de ofensas racistas, que teriam vindo do lado de fora do centro de treinamentos da federação italiana de futebol, em Coverciano, um pequeno município nos arredores de Florença. A vítima dos insultos foi o atacante Mario Balotelli, que é negro”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas este assim chamado escriba que é um brasileiro com ascendência judaica que desde a mais tenra idade até hoje, quase octogenário, sempre, ou melhor, nunca deixou de escutar referências desairosas com relação aos judeus, não estranha o que tem acontecido com os afrodescendentes estejam onde estiverem. No caso do jogador Balotelli, como ele, de ascendência africana e nascido num país da África, foi criado por uma judia a quem ele considera sua mãe e, por essa razão, se declarou judeu. Afinal, ele não tem somente uma razão, sob a ótica dos racistas, de ser agredido. Tem duas...
3ª. História (Aparentemente paradoxal).
Dois amigos de idade provecta, que há muito tempo não se viam, se encontraram e passaram a contar suas desditas inerentes a suas idades, evidentemente relacionadas com a saúde. Após cada um ter desfilado seu não pouco rosário de sintomas, remédios, médicos especialistas, alopatia, tratamentos por homeopatia, acupuntura, medicinas alternativas, ambos se manifestaram com relação à falta de memória. Aí, começou uma discussão quem tinha cometido maior número de gafes por causa do esquecimento que iam desde a não vinda de palavras durante uma conversa, até não reconhecimento de pessoas com não saber de quem se tratava ou, sabendo ou não, como se chamava. Trocar a chave de casa pela a do carro e vice-versa foi também mencionado por ambos. A conversa sobre o assunto já ia longe até que um disse: “Vamos ver quem se lembra de menos e consequentemente com maior perda da memória, devendo estar com uma pandemia dos neurônios?” “Não tenho dúvida que sou eu, contestou o outro. Quer apostar? Vamos ver quem ganha?” E apostaram. Difícil foi determinar quem havia ganhado. Finalmente um deles se deu por vencido. Foi a única vez, na face da terra de que quem perdeu, ganhou.
Constatação II
Não se pode confundir encriptar* com engripar que o dicionário Houaiss dá como:
“Provocar gripe em ou ficar gripado; gripar(-se)”, muito embora se o cara engripar e não se cuidar corre o risco de encriptar. Cruz credo!
*Encriptar = Colocar em cripta ou em túmulo; sepultar (Houaiss).
Constatação III
E como se justificava o conquistador barato: “Eu não tenho culpa de ser como eu sou. Eu me apaixono por elas, por atacado”.
Constatação IV
Será que os congressistas não aprovam leis do tipo que baixem a maioridade também é por razões de proteção aos parentes e amigos, nepotismo, enfim?
Constatação V
Não se pode confundir alcunhado que o dicionário Aurélio dá como “Substantivo feminino. 1. Cognome geralmente depreciativo que se pôs em alguém, e pelo qual fica sendo conhecido, tirado de alguma particularidade física ou moral; apelidado” com ao cunhado embora, a fonética seja praticamente a mesma, quem empresta dinheiro ao cunhado, jogador inveterado, por instâncias da mulher “por que ele está precisando comprar leite para as crianças”, corre o risco de ser alcunhado de trouxa, de burro, de ingênuo e de outros epítetos desse jaez. Caso “empreste” novamente, sem ter recebido um centavo dos empréstimos anteriores, será aquinhoado pela mulher, pelo menos, com o fim da greve de sexo e, talvez, até com um sorriso de agradecimento. Vige!
Constatação VI
E como elucubrava o obcecado na roda de amigos, querendo mostrar sapiência: “A vantagem de ser misógino ao de ser andrógino é que o misógino, segundo o Aurelião, tem ‘desprezo ou aversão às mulheres inclusive com repulsa mórbida ao contato sexual com elas’. Já o andrógino é relativamente menos grave, pois o mesmo dicionário dá como ‘de aparência ou modos indefinidos, entre masculino e feminino, ou que tem traços marcantes do sexo oposto ao seu’. Vige!”.
Constatação VII
Quando um avião atravessa uma zona de turbulência o número do aumento de crentes em D´us aumenta ainda mais. Substancialmente. Pelo menos, durante aquele trecho. É o que se poderia dizer: Exemplo de diretamente proporcional.
Constatação VIII (Coisa que precisa ser inventada).
Modo de acabar com o colonialismo de qualquer espécie a nível mundial, inclusive o colonialismo do “coronel” (colonialismo e coronelismo, portanto) da família de José Sarney no Maranhão.
Constatação IX (Homenagem ao meu grande Amigo Renato Emilio Coimbra, ex-colega do Banco de Desenvolvimento do Paraná S.A. – BADEP, lamentavelmente já falecido, numa colaboração antiga ao Rumorejando).
“O caipira foi tomar chimarrão com o compadre. Sentados em banquinhos no terreiro a cuia corria e a prosa animada. Um cachorro do compadre, terrivelmente magro perambulava por perto. Envergonhado, o compadre disse:
-“Compadre, não sei o que devo dar para esse cachorro engordar”.
- “Compadre, mecê já experimentou dar comida para ele?”
E depois ensinou uma simpatia infalível para engordar qualquer animal de
estimação:
“Quando mecê for dá comida pra ele, "aquilo que sobrar", mecê espalha no
lombo dele. Em dois meis ele está redondinho de gordo”...
Constatação X (Homenagem ao meu grande Amigo, o mano Milton Cavalcanti, infelizmente também já falecido, autor da foto deste assim chamado escriba que consta na capa do meu livro Rimas Primas & Outras Constatações).
Juca, no dia 1º. de janeiro de 2006 Rumorejando publicou o seguinte:
“Constatação X (Para ser recitado apenas por paranista em festinha escolar ou não).
“Se o meu Paraná
– Que melhor não há,
Nem nunca haverá
Aqui, ali ou acolá –,
Depois de muito apanhar,
Continuar a ganhar
Eu vou comemorar
Em todo lugar.
CONTESTAÇÃO
“No sexto verso
da estrofe única
da Constatação X
desta edição do Rumorejando
há um equívoco
assaz comprometedor.
o que bem mostra
a parcialidade do autor!
O seguimento lógico
do raciocínio exposto
no quinto verso:
"Depois de muito apanhar",
jamais poderia ser
"Continuar a ganhar".
Seria, quando muito,
"Começar a ganhar",
o que na verdade,
é muito difícil acreditar
até mesmo, vejam só,
para um histórico CAF
de bandeira e carteirinha,
que refugando até hoje
tanto o CORI como o CAP
bem poderia torcer
para esse enganador -
insidioso, fajuto e falaz -
timeco que, algum dia,
ousou apresentar-se
como opção alternativa
aos corações feridos
dos bravos torcedores
do sempre glorioso
Clube Atlético Ferroviário,
campeão de trinta e sete,
trinta e oito e quarenta e quatro,
depois, quarenta e oito,
e mais tarde cinquenta e cinquenta e três
- o campeão do centenário -
e finalmente sessenta e cinco
e sessenta e seis, até que
interesses, até hoje inexplicados,
liquidaram sua história.
Constata-se, portanto,
que não dá para torcer,
nem comemorar,
em todo lugar,
nem em qualquer lugar,
nem em nenhum lugar,
para esse Paraná,
que por aí está,
e nos ilude e enrola,
com codilhos e logros,
que não podemos mais suportar.
Que o poeta Juca
não mais nos desafie
rumorejando
aos nossos ouvidos
mesmo que em leitura silenciosa,
suas "pequenas constatações"
e não mais nos fale
em Paraná, clube de futebol.
Sobre o Paraná,
este grande estado,
que, imitando o Brasil,
continua crescendo
a despeito dos governos,
esperamos suas lúcidas,
bem humoradas e
judicious analyzes”.
Constatação XI
O cúmulo de estar mal das ideias e totalmente esquecido é o sujeito ir para um motel com uma gata e, além de esquecer para quê, chegar a casa e num ato falho, revelar, sem querer, é claro, comentar com a legítima aonde esteve. Claro, também o cúmulo da gafe, da burrice, da asneira, do azar...

RICOS & POBRES
Constatação I
Rico tem compleição débil; pobre, sofre de raquitismo.
Constatação II
Rico se acostuma; pobre, vicia.
Constatação III
Rico assiste ao filme Cria cuervos; pobre, cria maus hábitos.
Constatação IV
Rico abraça; pobre, engalfinha-se.

Site: www.rimasprimas.com.br

Nenhum comentário: