quarta-feira, 22 de outubro de 2014

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I
Não se pode confundir pereba com peroba até por que, mesmo que o sujeito tenha cara de pau e tal seja de peroba, dificilmente ele vai ter problema com pereba do tipo cupim, já que a peroba é madeira de lei e cupim dá em madeiras mais suscetíveis a esse inseto.
Constatação II
Quando o marido numa conversa, um tanto quanto azeda com a mulher ou a sogra se retira da conversa sem contestar a última observação de uma ou das duas na presença de terceiros que perguntam “Por que você não contestou a última observação feita por uma delas?” e você responde: “Não se deve cutucar a onça com vara curta”, afinal, qual é a tua indicação: Ao dito popular ou a que ou quem?
Constatação III
Não se pode confundir badala com balada, até por que se a mulher der uma escapada com as amigas para uma balada “só para dar uma olhadinha como é que é” e o assim chamado maridão se der conta dificilmente ela badala a mulher. Isso, evidentemente se ele não se preocupar com o fato.
Constatação IV (De conselhos úteis).
A experiência de Rumorejando que teve de providenciar as exéquias de parente próximo constatou que a burocracia do hospital, da Prefeitura Municipal, da funerária e do Cartório de Óbitos é de modo tal que recomenda aos seus prezados leitores para que não morram para não dar trabalho aos seus parentes que, fatalmente, terão de ir tratar dos trâmites legais. De nada!
Constatação V (De dúvidas cruciais).
Se “usineiro é herói nacional” e também os “ministros que ganham pouco em relação ao mercado da iniciativa privada”, quem ganha salário mínimo é vilão? E quem pagou o CPMF e não viu melhorias na Saúde, ainda na época do Dr. Jatene, o que veio a ser?
Constatação VI
Não se pode confundir mulher pelada com mulher peluda, muito embora se a mulher estiver pelada fica mais fácil discernir se ela é peluda ou não. A recíproca não é verdadeira, pois se a mulher não estiver pelada, você só poderá ficar sabendo se ela é peluda, ou não, pedindo que ela se dispa, ou por ouvir dizer, o que se caracteriza uma baita indiscrição de quem faz pedidos desse jaez, ou pergunta e /ou de alguém que conta, apontando ou não.
Constatação VII (De um trágico pseudo-soneto).

 Confissão honesta

Refiz as minhas contas
E cheguei à triste conclusão:
Ou os credores aguentam as pontas,
Ou acabo inadimplente na prisão.

Tenho muita testemunha,
Juro pela minha carcaça
Jamais fiz mumunha,
Mutreta ou trapaça.

Por isso peço uma moratória
Para todos os meus credores
E não se trata de mera oratória.

Pagarei até o último vintém.
Quitarei todos os valores
E eu juro: não é nhenhenhém.

Constatação VIII (De uma dúvida crucial).
Se você não está a fim
Lembre-se sempre de mim
Que eu também não estou
Pois vivo eternamente num dilema
E esse é meu eterno problema.
Eu nunca sei se fico ou se vou.
Constatação IX
Você se derrete,
Se liquefaz, se funde
E é um total desbunde*
Quando vê certa ‘periguete’?
*Desbunde = “1. ato ou efeito de ficar deslumbrado, extasiado com alguém ou algo;
2. pessoa ou coisa deslumbrante, que causa impacto; 3. estado de quem fica desconcertado, estupefato com algo imprevisto, inesperado” (Houaiss).
Constatação X (Igual a cunhado, sogra também não é parenta).
Desenhei um lindíssimo autorretrato
E mostrei pra família e pra sogra também
Ela fez o sinal da cruz, nada sensato,
Ao dizer que eu parecia uma alma do além.
Constatação XI (De uma quadrinha para ser recitada algures, preferencialmente onde existem pessoas crédulas).
A praia na maré-cheia
Me cobriu e toda a areia
Como não sou cabra-de-peia*
Agarrei à unha uma baleia.
*Cabra-de-peia = “Regionalismo: Paraíba. Individuo frouxo, moleirão, lento” (Houaiss).
Constatação XII (Razões e proporções matemáticas).
A Bela está para a Fera, assim como Roxane está para Cyrano de Bergerac, assim como Esmeralda está para Quasímodo e assim como nenhuma está para o autor de Rumorejando...
Constatação XIII
Não foi um mal-entendido:
Ela com aquele maxi vestido
Até os pés de tão comprido
Me deixou bastante aturdido,
Totalmente mordido, perdido.
“Você entrou na Liga de Moralização
De Costumes?”, perguntei ressentido.
“Isso, pra mim, é um pé-de-ouvido”.
E ela me fez a seguinte contestação:
“Quanto mais algo fica escondido
Mais você se sentirá reprimido.
Mas, depois, logo depois, derretido,
Quando eu tiver me despido”.
Diante dessa convincente argumentação
Deixei de ficar desenxabido
Me senti, renascido, restabelecido
E cheguei até às lágrimas, comovido.
Constatação XIV
Fiquei inadimplente
Com o Leão onipotente,
Onisciente
E onipresente
Consequentemente
Virei um indigente
Doente
Inapetente,
Impotente
Daí, assaz descontente.
Aí vai o meu protesto veemente
Tão-somente
Com essa extorsão incongruente,
Com esse sobre-excedente
Que incontinente
Deixa qualquer vivente
Nada contente
Sem alguma aplicação coerente
Que beneficie a toda a gente.
Constatação XV (Dupla quadrinha para ser recitada em reunião de pais e mestres de matemática).
A resolução
Daquela equação
Não foi possível
Por não ser factível
Já que a raiz quadrada
Deu negativa
E nisso até a tabuada
É totalmente evasiva.
Constatação XVI (Tripla quadrinha para ser recitada em reunião de pais e mestre de português).
O anacoluto*,
Primo distante
Da antanáclase,
Uma figura de retórica,
Teórica,
Ficou pu, digo, bruto,
Difícil de aplacar
Por ser considerado
Uma anáclase**,
Uma inflexão articular,
Pouco articulado.
Coitado!
*Anacoluto = n substantivo masculino
Rubrica: gramática.
Período iniciado por uma palavra ou locução, seguida de pausa, que tem como continuação uma oração em que essa palavra ou locução não se integra sintaticamente, embora esteja integrada pelo sentido; p.ex., no provérbio quem ama o feio, bonito lhe parece (que corresponde à frase canônica o feio parece bonito a quem o ama); anacolutia, frase quebrada (Houaiss).
**Antanáclase = Substantivo feminino.
1.E. Ling. Figura que consiste em usar palavras quase semelhantes no som, mas diferentes ou opostas no sentido (Aurélio).
Constatação XVII (De diálogo passível de mal-entendido).
-“Como vai?”
-“Vai se levando”.
Constatação XVIII
Não se pode confundir Furacão no Atlântico com o Furacão do Atlético, sendo que este tinha no ataque Viana, Rui, Neno, Jackson e Cireno. Já o nome de algum Furacão do Atlântico tem, por costume, nomes femininos. A recíproca não é verdadeira, pois, naquele tempo (expressão que indica que estamos ficando velhos), não se cogitava ainda do futebol disputado por mulheres.
Constatação XIX
E não se pode confundir maratona com Maradona, o jogador argentino, muito embora, no auge da sua carreira, era uma maratona tentar segurá-lo. A recíproca pode ser verdadeira ou não. Depende das condições da repimbóca da parafuseta. Elementar, minha gente.
Constatação XX
Foi por um triz
Que aquele resfriado,
Que ele sempre curou
Com pinga e limão,
Não afetou
A esternutação*
Do seu nariz
E não o transformou
Num chafariz,
Mas o deixou,
Na cama, estirado,
Prostrado.
Coitado!
Esternutação = “Espirro” (Aurélio).
Constatação XXI (Quadrinha para ser recitada, ao pé de ouvido de uma gata, num parque aquático, piscina, ou praia).
Nunca vi tão linda sereia*
Por quem eu me sinto cativo
Quem por ela não peleia
Não sente mais que tá vivo.
*Nome que os antigos davam às banhistas bonitas. Ver a canção Copacabana, onde lá pelas tantas: “Tuas areias/Teu céu tão lindo/Tuas sereias/Sempre sorrindo”.
Constatação XXII
Não se pode confundir tesouro com besouro, muito embora os dois tenham asa e cientifica e legalmente nenhum deles deveria/poderia voar. Quanto à recíproca, só é válida quando a besoura diz para o besouro: “Você é meu tesouro”.
Constatação XXIII (Quadrinha para, eventualmente, ser recitada por uma pessoa otimista, ou para fazer parte de um hino patriótico ou, ainda, estar inserida em parte de um jogral, mesmo diante de todas as crises que temos passado).
Remamos contra as correntes,
Mas não esmorecemos
Ainda ficamos contentes
Por não se tocar nos extremos.
Constatação XXIV (Como lembrança de Rumorejando do Amigo, lamentavelmente já falecido, Raphael Munhoz da Rocha, responsável pela coluna “Turfe”, do extinto jornal O Estado do Paraná).
Apostei no cavalo azarão
E levei um baita de um azar
Por falta de sorte e tradição
Ele chegou em último lugar.
Constatação XXV
Foi o marinheiro Popeye que levou uma espinafrada da Olívia Palito por estar palitando os dentes depois de comer a sua tradicional dose de espinafre?
Constatação XXVI
Lendo pela enésima vez a Bíblia do Caos do meu guru Millôr Fernandes, me convenço cada vez mais que ele foi – e ainda é – a pessoa mais inteligente deste nosso país. Tenho, com baita admiração e respeito, dito.
Constatação XXVII
Exemplo de uma das frases do Millôr Fernandes: “Não tenham dúvida – se os ricos pudessem inventar uma luz elétrica que só iluminasse os ricos, até hoje os pobres andariam no escuro”. Esta frase, pela similitude, lembra a do escritor Scholem Rabinovitch, mais conhecido pelo pseudônimo de Sholem Aleichem (A paz esteja convosco) que proferiu: “Se os ricos pudessem contratar alguém para morrer em seu lugar, os pobres teriam uma vida melhor”.
Constatação XXVIII
Mais uma do mestre Millôr: “Se o governo tem tanta preocupação com a estabilização da nossa moeda, porque condena os grandes patriotas que a colocam em segurança absoluta em contas numeradas na Suíça?”

RICOS & POBRES

Constatação I
Rico coleciona carros antigos; pobre, acumula agruras.
Constatação II
Rico resiste; pobre, suporta.
Constatação III
Rico é “guardião de virtudes”; pobre, empata f.
Constatação IV
Rico torce conscientemente para que o seu – dele – candidato ganhe as eleições; pobre também torce para o seu – dele – candidato, mas como ele fosse o seu time de futebol.
Constatação V
Rico é seguro com seu dinheiro; pobre, gasta o que não tem.
Constatação VI
Rico lê bastante; pobre, é analfabeto.
Colaborações do Amigo Leszek Celinski:
Constatação VII
Rico tem axila; pobre, sovaco.
Constatação VIII
Rico faz esteira; pobre, besteira.
Constatação IX
Rico faz mergulho aquático em Fernando de Noronha; pobre, mergulha no sono agitado e sonha.
Constatação X
Rico dorme em terciopelo; pobre tem pesadelo.

Site: www.rimasprimas.com.br

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