quarta-feira, 19 de novembro de 2014

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DEMAIORES.
Constatação I (De um pseudo-soneto).

         Solicitude

Ela chegou toda coruscante*
Parecia até raios tempestuosos
Era um mulherão supraexcitante
E tinha olhares pundonorosos.

Não faltaram olhares libidinosos
Não havia, no momento, outro jeito.
Ela não achou os olhares inescrupulosos.
E tampouco, para com ela, falta de respeito.

A vaidade nela, como em tantas, era inegável.
Ela estava se sentindo a rainha da cocada preta
Ou talvez de todas as cocadas, é mais provável.

De repente ela levou um baita escorregão
E ao cair se machucou as coxas e a paleta.
Naquela hora, sobrou massagista de plantão.

*Coruscante =Adjetivo de dois gêneros.
1. Que corusca; fulgurante, reluzente, cintilante (Aurélio).

Constatação II
Deu no facebook, extraído da Globo: “Mulheres tem orgasmos mais intensos quando o parceiro é rico”. Para quem se interessa por matemática, Rumorejando considera que o feliz duplo evento, no caso, é diretamente proporcional...
Constatação III
E como ponderava o obcecado: “A mão boba, de boba não tem nadinha de boba”.
Constatação IV
Na constatação anterior, “e como ponderava o obcecado” se colocarmos boba em evidência, fica boba(a mão+de+não tem nadinha). Elementar, meu povo!
Constatação V
Não se pode confundir refinaria com patifaria, muito embora até a nossa Repar – Refinaria Presidente Getúlio Vargas, aqui de Araucária – Paraná, também foi alvo de patifaria naquele velho esquema de sobrepreços que, em certos países entraram na moda desde as Capitanias Hereditárias e vieram vindo até nossos dias e pelo jeito devem ter batido o recorde mundial de longevidade pela permanência todo este tempo. Vige!
Constatação VI
Deu na mídia, mais precisamente no site do Estadão: “Diretoria vai ter de explicar como nunca detectou desvio bilionário”. “O resultado trimestral da Petrobrás deverá ser comandado por Almir Barbassa, diretor financeiro desde 2006. Ele tem a missão de justificar aos investidores como nunca detectou o desvio das cifras bilionárias da companhia”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando questiona, respeitosamente, onde estava o corpo técnico da Petrobrás que não reagiu ao esquema de desvio de recursos?
Constatação VII
Ela era tão dependente do marido, mas tão dependente e tão acostumada de estar na sua companhia, mas tão acostumada que, quando ele finou (Rico fina; classe média falece; pobre, morre), na missa de sétimo dia, ela chegou estranhar que ele ali também não estivesse. Vige!
Constatação VIII
Diante do sucesso da delação premiada, cogita-se, em alguns setores, que seja instituído um curso, sem necessidade de se prestar algum exame para poder participar e que o mesmo passe a constar de certos tipos de currículos escolares e de outros ramos funcionais...
Constatação IX
O suborno é igual à raiz quadrada do produto da propina multiplicado pela maracutaia. Senão vejamos: Nas razões e proporções matemáticas, a propina está para o suborno, assim como o suborno está para a maracutaia. Daí é só multiplicar cruzado e tirar o valor do suborno. Elementar, minha gente!
Constatação X
Tem cidadão,
Político, ou não,
Nobre ou da plebe
Que põe a mão
No jarro
E recebe,
Da população,
A pecha,
A denominação
De ladrão
E não se avexa.
E ainda tira sarro...
Constatação XI (De um fato, narrado por um Amigo, professor, leitor de Rumorejando).
“Eu ia tranquilo, num entardecer, pela rua, naquela hora praticamente deserta, quando, na minha frente, me surge um sujeito, razoavelmente vestido, para me dizer convicto, esta frase que em nosso país se tornou tão corriqueira: ‘Isto é um assalto’. E me informar e esclarecer: ‘Me dê o dinheiro, se não lhe mato’. “Levou os únicos dez reais, que havia no meu bolso. E eu tive muita vontade de aconselhar ao meu assaltante, ‘na próxima vez diga: se não, o mato’, mas me faltou coragem”.
Constatação XII
Em 2007, deu na mídia: “Estudo avalia que Brasil perde R$ 1,5 bi por ano com corrupção”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas se o montante foi passível de aferição, porque não se determinou quem levou toda aquela grana e através da Justiça, a toda velocidade, não se fez com que os corruptos providenciassem a respectiva devolução? Quem souber a resposta, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação XIII
Em 2014, mais precisamente agora, já deu na mídia: Atualmente a corrupção pulou para 69 bilhões que somados a outras parcelas vai a 1 trilhão o estrago. Vige!
Constatação XIV
Deu na mídia, no dia 27 de maio de 2007: “A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) estuda lei sobre transparência em órgãos públicos”. Data vênia, como diriam os nossos juristas, mas, ou a Abraji aderiu ao Realismo Fantástico, ou ao esoterismo, ou, ainda, passou a acreditar, em pleno século XXI, em Papai Noel. Em 2014, a transparência dos atos do governo continua opaca. Nem ao menos translúcida. Vige!
Constatação XV
Corrupção,
De quem governa,
Sempiterna*,
Cheia de razão
Com desmando
Jamais
Em senectude**,
Ou em funerais
Até considerada
Virtude.
Eternamente
Tolerada
Tão-somente.
Até quando?
*Sempiterno = “1. Que não teve principio nem há de ter fim; eterno 2. Que dura sempre; perpétuo, contínuo. 3. Antiquíssimo”.
**Senectude = “Decrepitude, senilidade, velhice” (Aurélio).
Constatação XVI
Os vigaristas, “mensaleiros”, falcatrueiros, “maracatuieiros” têm suas razões e esquemas que até o próprio diabo desconhece e, segundo alguns, tampouco imaginaria que houvesse...
Constatação XVII
Um deputado apresentou um projeto – de transcendental importância para o futuro da Humanidade, diga-se de passagem –, proibindo que se deem nomes próprios em animais domésticos. Não ficou claro se o deputado estava atendendo uma reivindicação dos animais...
Constatação XVIII (Modéstia à parte, é claro).
Não é do conhecimento deste assim chamado escriba se a coluna Rumorejando foi lida pelos autores e atores da novela Cobras & Lagartos. Tudo leva a crer que sim, já que o personagem Foguinho, interpretado pelo ator Lázaro Ramos, lá pelas tantas, enunciou: “Vida de rico não é o que a gente sonha; pobre, não pode sonhar”.
Constatação XIX
E como comentou o obcecado após a eleição de miss bumbum 2014: “Essa eleição foi bem mais interessante e apaixonante do que a de presidente da República. A de governadores, deputados e senadores, nem falar”.
Constatação XX
Há assuntos, como na Constatação XVII, que são tão importantes do que a discussão também de transcendental para o futuro da Humanidade, como àquela que se refere se Messi é melhor do que Cristiano Ronaldo ou vice-versa. Vige!
RICOS & POBRES
Constatação I
Rico faz alongamento na academia; pobre, quando se espreguiça.
Constatação II
Rico faz planejamento familiar; pobre, não tem grandes opções de lazer...
Constatação III
Rico mente para não se incomodar; pobre, pra contar vantagem.
Constatação IV
Rico sofre de hipoacusia*; pobre, de surdez (e político faz ouvidos moucos...).
*Hipoacusia = hipoacusia = “Patol. Diminuição do sentido da audição”. (Aurelião).
Constatação V
Rico fica enfermo; pobre, doente.
Constatação VI
Rico tem alento; pobre, bafo.
Constatação VII
Rico escreve; pobre, gatafunha*.
*Gatafunhar = “verbo transitivo direto e intransitivo. Fazer garatujas, rabiscos em; garatujar” (Houaiss).
Constatação VIII
Rico é patriota; pobre, é bairrista.
Constatação IX
Rico faz charminho; pobre, c. doce.
Constatação X
Rico é favorável à evangelização; pobre, à refeição.

FÁBULA CONFABULADA (INDIGNA DO GURU MILLÔR).
Em Hong Kong, antiga colônia inglesa, hoje pertencente à República Popular da China, viviam dois casais muito amigos. Eles, She Mah Zel e Hey Zah Leh, sócios de uma empresa altamente rentável e elas, Seh Dah Che e Shtek Nud Nyk, amigas desde a infância que mantiveram a amizade depois de casadas. Os casais sempre estavam juntos, frequentando bons hotéis e restaurantes, não somente por gostarem do bom e do melhor, como também pelo relacionamento com altos executivos de multinacionais, herança dos
tradicionais colonizadores ingleses.
O relacionamento entre os casais pode-se afirmar era muito próximo. Tão próximo que um dia She Mah Zel convidou Seh Dah Che, a mulher de Hey Zah Leh, para irem a um motel. Claro que havia razão para isso, já que ele se sentiu encorajado, mercê dos olhares que ela lhe havia lançado. Claro, longe de outros olhares. Foram no carro dela. Com dissimulo – óculos escuros, peruca, pulôver gola rulê, desenrolado, tapando parte do rosto – ela manobrou o carro quando adentraram no motel. She Mah Zel, também usando óculos escuros, se apressou em fechar a porta da garagem para que ninguém os visse. Ficou a placa aparecendo porque a porta era daquela que não tapava tudo. Aí, ele colocou um papelão sobre a placa para escondê-la. Olhou para fora porque escutou um ronco conhecido. Era do carro de sua mulher, Shtek Nud Nyk. Espiou sem ser visto. Ela vinha com o seu sócio, Hey Zah Leh. “Filhos da mãe!”, disse – educadamente, é bom que se diga – para a parceira. “Minha mulher e teu marido tão chegando. Nunca imaginei que ela me pusesse um par de cornos”.
“Não faz mal. Não tem importância”, ela replicou serena e com elegância. “Tanto Hey Zah Leh, quanto você, sempre foram adeptos do swing, evidentemente, nos outros; das prevaricações, também, desde que nós, as ditas esposas, não participássemos e nos mantivéssemos castas e fiéis. E, efetivamente, nós duas é que nunca topamos os assédios, convites, alusões, cantadas e indiretas, embora todas essas nunca faltassem. Pelo menos, foi o que sempre a tua mulher me falou, o que coincide com o que me sucede. Agora, pelo jeito, nós duas mudamos de ideia. Tomara que eles fiquem numa boa, como eu espero que nós possamos também ficar”.
Moral I: Às vezes, há que se conformar em dançar conforme a música seja swing, foxtrote ou qualquer outro ritmo ainda que não seja do nosso gosto.
Moral II: A troca de casais, não necessariamente consentida, às vezes, pode parecer imoral ou que dê a pecha a todos, ou alguns dos participantes, de cornudos.
Moral III: Segundo boas almas, é muito bom ficar numa boa.


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