quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I (Medidas não convencionais de tempo).
Por ficar esperando a mulher se aprontar, ele impaciente, sabia quantos passos mediam todas as peças da casa, inclusive os banheiros e quantas baforadas de cachimbo ela demorava.
Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).
Ela fazia fita para iniciar um tratamento fitoterápico: “Reflita, ele conflita com as minhas convicções alopáticas e alopráticas, quero dizer alopradas”.
Constatação III (De conselhos úteis).
Prova documental de entrada e saída de um estacionamento onde o sujeito costuma deixar o carro pode servir de álibi. Isso se a mulher não se der conta e aceitar a ponderação ao ter chegado tarde em casa. Na realidade, tal não prova absolutamente nada. O maridão pode, depois, pegar um táxi e ir pro motel com uma gata. O táxi não deve ser pego no estacionamento e, em nenhuma hipótese, ser aquele com motorista velho conhecido da família. Afinal, ele pode ter vocação para chantagista ainda não revelada. De nada!
Constatação IV (De uma dúvida crucial).
A Justiça tarda, mas não falha?
Constatação V (Quadrinha para ser recitada em festa infantil).
A fada madrinha
É muito boazinha.
Ela me traz um presente
Quando ‘tô’ impaciente.
Constatação VI (De outra dúvida não necessariamente crucial).
O esporte radical foi inspirado em apresentações circenses?
Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).
É muito melhor vestir camisa de força do que pijama de madeira.
Constatação VIII
A vassoura de piaçaba também é um meio de transporte?
Constatação IX
Quando eu era criança eu olhava para o alto e nas nuvens vislumbrava rostos, árvores e animais; agora, com quase “oitentinha”, eu só olho para baixo, cuidando para não tropeçar...
Constatação X (Teoria da Relatividade para principiantes).
A Guerra dos Cem Anos, que não levou exatos cem anos parece ser a mais longa da História. Esta como qualquer outra, para os familiares dos soldados levou e, como sempre, as atuais levam uma infinidade de anos para acabar. Se é que acabam.
Constatação XI
E como dizia aquele machista: “Mulher não raciocina jamais; ela apenas intui, quando muito”.
Constatação XII
Depois da promessa,
O candidato
Riu a beça:
“Enganei mais um pato”.
Constatação XIII (Mais uma dúvida crucial. Perdão antecipadamente caros leitores).
Dizem que a oportunidade
É careca.
Será que ela tem vontade
De passar na sua oca cabecinha
Alguma loção ou, de galinha,
Meleca?
Constatação XIV
Dizem que errar é humano e perdoar é divino. Data vênia, como dizem nossos juristas, mas Rumorejando só acha divino para aquele – e só pra ele – que foi perdoado.
Constatação XV
A junta médica disse que o enfermo estava perdido. Perdidos estavam os médicos da junta. O assim chamado enfermo se curou com chás do tempo da vovó (dele) e, mais, sem o indefectível efeito colateral.
Constatação XVI
O bebê nasceu prematuramente. A sogra* não perdoou: “Também foi concebido prematuramente antes do casamento”.
*Não ficou claro se foi a sogra dele ou dela. Talvez as duas. Rumorejando se compromete a averiguar e, tão logo saiba, dar a conhecer aos seus prezados leitores.
Constatação XVII (Crise financeira mundial).
Num banco, que a gente trabalha,
O meu saldo
É nada mais
Que um ínfimo rescaldo,
Uma migalha
Como nos demais.
Constatação XVIII
O pobre do marido
Em tempo assaz periódico
Escuta a peroração dela,
Bastante aborrecido,
Ar acabrunhado,
Prostrado,
Abatido
Que a compra foi uma bagatela
Por um preço módico.
Coitado!
Constatação XIX
Ela me fez seu joguete,
Disse que eu era mixo
E me deixou no lodo
Depois quis me varrer,
Com o rodo,
Para debaixo do tapete
Como ela faz desaparecer
O lixo.
Constatação XX (Quadrinha de onze estrofes (undeciminha?) de dúvida crucial troglodita, digo poliglota).
Quando o meu Paraná perde
Um coitado
De um torcedor francês
Será
Que ficará,
Como eu, insone
E, talvez,
Dirá
Merde’?
Ou, se for educado,
Le mot de Cambronne?
Constatação XXI (E já que falamos no assunto...)
Recado ao Amigo Ernani Buchmann: Faz favor de dar uma mão – ou como se escrevia antigamente, na velha ortografia, u’a mão – ao nosso time Paraná. Tá feia a situação. Obrigado pela atenção.
Constatação XXII
Chorava a carpideira,
Um choro bem sentido.
Parecia haver esquecido
De fechar a torneira
Constatação XXIII
E como ponderava o obcecado para a gata, naquela ocasião, renitente: “Sempre se pode ter a primeira vez, outra vez”.
Constatação XXIV (De diálogos conjugais).
Disse ela: “Você nunca concorda comigo. Aliás, você sempre está me contrariando”.
Disse ele: “Ah, desculpe. Desde que nós casamos, você nunca me disse que eu não poderia, jamais, ter opinião própria”.
Disse ela: “É isso aí. Até que enfim, depois de tantos anos de casados, você entendeu”.
Constatação XXV (Teoria da Relatividade perversa entre países litigantes).
O assassino de crianças de um país, dependendo do caso, poderá ser considerado o herói do outro.
Constatação XXVI
Copo vazio
De vinho
Me dá fastio
Me dá brotoeja
Só curável
Com carqueja
E muito provável
Com cerveja,
Onde, claro,
Não falte o raro
Colarinho.
Constatação XXVII
Não se pode confundir coligido (no sentido de acumulação), com corrigido, mesmo sendo pronunciado por chinês e japonês, muito embora tenha muito político que tem coligido patrimônio em valores tais que dobra triplica ou mais, em pouquíssimo tempo, conforme a mídia não só recentemente tem destacado, como também desde o descobrimento do Brasil e alhures, sem que tenha explicado convincentemente a fonte e não ter corrigido na sua – dele – declaração de imposto de renda. Vige!
Constatação XXVIII
O marido,
Pelo ciúme,
Ficou carcomido.
Sentiu o olor
Na mulher
Do perfume
Do seu sócio
“Mas logo o beócio!”*
Aí, melancólico
Rememorou
Que já tinha sido
Um grande amor
E de até bucólico,
Do tipo bem-me-quer
E que virou
Chinfrim.
E, tristemente, pensou:
“Coitado de mim!”
*Beócio = “que ou o que não possui conhecimentos suficientes em determinado domínio; ignorante”. (Houaiss).
Constatação XXIX (De uma dúvida crucial).
Por que será que há tantos acidentes em minas, na China? Será que um país com tão alta tecnologia, não poderia cuidar de seus mineiros? A explosão com muitas mortes e feridos tem sido uma constante em aparecer na mídia. Será que a China é como certos países em que à vida não se dá o devido valor?
Constatação XXX
Ela sofria
De um desvio:
Se punha a olhar
Para o mar
E dizia
Que era um rio.
Constatação XXXI (Poeminha dos tempos medievais).
O cavalo corcoveava
O cavaleiro, na sela,
Se sustentava,
Por aquelas arenas,
Para impressionar
A donzela
Com quem queria
Se casar
Mas ela, isso, não sabia.
Dele, mera ilusão?
Ou apenas,
Falta de comunicação?
Constatação XXXII
Foi juntar graveto,
No meio de um mato
Que não lhe pertencia
O que caracterizou um furto.
Pelo caminho mais curto,
Usou a hipotenusa,
Mas por um acesso cerrado,
Ao invés do cateto.
Rasgou a blusa,
Que não havia
Saído barato.
Proferiu
Um pequepê
Sonoro
O namorado
Riu
Do fato.
“Você ri e eu choro.
Não me venha!
Tá rindo de quê?
Preciso fazer um fogo
Pra fazer um prato
No forno
A lenha
Com azeite de dendê.
Se não quiser comer
Pode fazer a pista,
Pode já desaparecer
Da minha frente!
E não insista
Em permanecer
Seu corno,
Seu demagogo,
Seu impotente,
Seu transviado”.
Coitado!
Constatação XXXIII
O assim chamado meu lar
Está na direção
Do avião
Que vai aterrissar.
Como ele tá, ou não,
A fim de me acordar,
Na madrugada,
E eu não posso fazer nada
Ao perder
O sono,
Sem mais poder
Tirar
Uma reles pestana,
O que seria muito jus.
E por me sentir no abandono
Me ponho a ler
Meus gurus
Os Mário’s: Benedetti e Quintana.
Constatação XXXIV
Ela deu um espirro
Tão alto e profundo
Que ele acordou
Assustado,
Atordoado
Achou
Que era um rugido de leão
Com um tiro de canhão
E o fim do mundo.
Coitado!
Constatação XXXV
Levou um sopapo
E uma bronca da mulher:
“Não explicou
Nada
Esse batom,
Meio-tom
Marrom
Que a camisa manchou
Só papo.
E pior, furado!
Não sou uma qualquer.
Sou uma fada
E do bem.
Você quer
Ter um harém?”
Coitado!
Coitada!
Constatação XXXVI (Dúvida crucial via pseudo-haicai, em homenagem ao meu grande amigo Sergio Gugisch Moreira que sempre me pede tais tipos de dúvidas. Efetivamente, as dúvidas cruciais ou não são infinitas. A gente só não sabe se, à semelhança das paralelas, elas se encontram no infinito, ou próximo a ele...).
A inócua retórica
Dos políticos
É histórica?
Constatação XXXVII
Ela caprichou
E se produziu.
De nada adiantou.
Continuou com cara
De bugio
Misturada
Com nariz
De arara
Da cor de aniz.
Coitada!
Constatação XXXVIII
E como dizia a gatona, explicando a Teoria da Relatividade para as amigas principiantes* no assunto: “É muito melhor acordar nos braços do companheiro do que agarrada no travesseiro”.
*Não ficou claro se as amigas eram principiantes na Teoria da Relatividade ou em acordar nos braços de um eventual companheiro, ou, ainda, nos dois casos. Tão logo Rumorejando possa esclarecer tal fato de transcendental importância – não para a Humanidade, mas para elas – dará a conhecer aos seus gentis leitores. Obrigado pela compreensão.
Constatação XXXIX
O meu amigo Emilio Carlos Ribeiro Mattos apresentou, no facebook, a dica de “como remover um parafuso com a cabeça totalmente danificada”. Emilio, mano velho, é só possível você dar a dica para parafuso? Pra político, não?
Constatação XL
E como argumentava o estatístico, também, como tantos, obcecado, ao escutar pela enésima vez a negativa daquele mulherão, que gostava de usar termos do vernáculo empolados, de acompanhá-lo ao seu – dele – apartamento: “Você me parece que não entende meus anseios e passa a agir, como eu acertar na megassena, cuja probabilidade é pequeníssima, de que eu alcance o inalcançável?”
E ela: “De hoje em diante vou te passar a chamar de mister factótum* do universo, meu sátrapa** do meu coração”.
Coitado!
*Factótum =3.Irôn. Aquele que se julga ou se mostra capaz de tudo fazer, de tudo resolver. (Aurélio)
**Sátrapa = Substantivo masculino.
2. Fig. Homem poderoso, dominador; déspota.
3. Homem voluptuoso, indolente; sibarita (Aurélio).
Constatação LXI
Iniciou-se o ano, sob a ótica cronológica; sob a ótica de fato, segundo o que já está consagrado em nosso país, só após o carnaval...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Quando dois colegas não lá muito afeitos a fazer seus deveres resolvem estudar, juntos, a lição, para a prova, cuja data já foi marcada, suas – deles – pseudo-vontades se somam ou se anulam? Neste último caso, é o que se poderia chamar de juntar nada a coisa alguma?
Constatação II
E como se queixava para os amigos aquele português, narrador em seu país de jogos de futebol, ainda que houvesse vivido muito tempo no Brasil: “Aquela rapariga, de quem vocês estão a falar, nunca me deu o mínimo esférico”.
Constatação III
Com todo esse movimento do trânsito em Curitiba está na hora, ou melhor, até já passou da hora, de eliminar totalmente a reversão à esquerda. Como é sabido, a reversão à esquerda é tremendamente egoísta. Os carros que vêm atrás são obrigados a esperar caso o que vai reverter esteja esperando que passem todos os carros em sentido contrário. Com a sua eliminação, muitas ruas passariam a ter sentido único e radares instalados em pontos estratégicos, devidamente anunciados e difundidos da sua existência, mais lombadas eletrônicas ou não, evitariam os excessos de velocidade fatalmente advindos. A instalação de mais semáforos também seria necessária.
Constatação IV
Não se pode confundir repetiu com repeliu, muito embora nem sempre, em nosso país, quem repetiu a atitude de pôr a mão no jarro teve, por ele, a atitude considerada laudatória e toda condenação ele repeliu, peremptoriamente, achando inclusive de ter sido, mais uma vez, injustiçado. Vige!
Constatação V
E como se lamentava o septuagenário, quase octogenário: “As gatas para mim, hoje em dia, viraram substantivo abstrato fantasmagórico”. Coitado!
Constatação VI
Não se pode confundir blindar com brindar, muito embora o que tem de político blindando, na base do corporativismo, inclusive para não vir a ser também acusado por estar envolvido em falcatrua, fraude ou, digamos não resistir a tentação e/ou fraqueza em ficar rico por qualquer meio... Enfim, há gente que, quando consegue defender o fraudador tal representa que ele está a brindar o amigo e colega. Quaisquer semelhanças com fatos, coisas e pessoas em determinados países não é coincidência. É apenas o uso da prática consagrada desde os tempos imemoriais.
Constatação VII
Não se pode confundir toada, que o dicionário Aurélio dá, entre outros, como5. Mús. Qualquer cantiga de melodia simples e monótona, texto curto, sentimental ou brejeiro, de estrofe e refrão; melopeia” com tabuada, muito embora quando a gente era obrigado a decorar a tabuada e quando era cobrado por pai, mãe ou professora a gente ia repetindo a do 2 até a do 9 como se fosse uma toada. E ai de quem não soubesse. Vige!
Constatação VIII (Subsídio para os musicólogos, e, particularmente, para o meu grande Amigo Hélio Rodriguez).
Indubitavelmente, a música Três lágrimas, de autoria de Ary Barroso – que este assim chamado escriba prefere cantada pelo “Cabloquinho querido”, Silvio Caldas, ainda que as interpretações de Orlando Silva e Maysa são muito bonitas – absolutamente não foi inspirada em carpideiras...
Constatação IX
E como comentava o anatomista com os amigos a sua – dele – desventura amorosa:
“Aí ela fez trabalhar o adutor magno, aquele que se insere na tuberosidade da região glútea e o músculo tibial posterior, aquele que faz a inversão do pé e funciona na extensão e adução dele. Daí, como eu tive uma emoção forte, vendo aquela maravilha ali, oferecida e a minha inteira disposição na posição decúbito dorsal, acionando o músculo adutor das pernas, vejam, depois de muito tempo de insistência para ela ir comigo a um motel, me sucedeu a desgraça tão temida: tive um ataque de brochura que os ricos chamam de disfunção erétil o que ocasionou nela uma gargalhada estrondosa que ela não conseguia estancar, que deve ter doído até o Risório de Santorini, o músculo do riso, além da região abdominal. Quando ela se refez, ela enunciou aquela frase terrível que não consola nem ajuda alguém: “Não ligue querido, isso acontece”.
“Broxar é um imoralismo trágico e a tragédia estará sempre presente em nossas vidas”. Coitado! De mim!
Constatação X
O inverno já passou. A primavera, em Curitiba, também. Nas duas estações, o sol raramente se dignava a aparecer. Agora está chegando o verão. Quais serão as intenções do verão e, posteriormente do outono? Quem souber, por favor, correspondência para o e-mail de Rumorejando. Obrigado.
Constatação XI
E já que se anda falando tanto em crise, vale lembrar que o selvagem capitalismo é um castelo de cartas de um baralho de pôquer; o utópico socialismo é um castelo de cartas de um baralho de truco. Coincidentemente, nos dois jogos se blefa...
Constatação XII
E não se pode confundir comprava com comprova, até porque não havia necessidade, no passado, de que o que se comprava não fosse fresco, portanto não precisava de data de validade e coisas desse jaez que se supõe que comprova a frescura do produto. Bons tempos aqueles...
Constatação XIII (De ponderações úteis. De nada!)
Quando as sábias, joões-de-barro e outros pássaros fazem ninho em algum local da tua casa, pode ter certeza que – contrariando a opinião dos teus inimigos – você não é um fdp. O fdp, ou melhor, os fdp’s são eles.
Constatação XIV (Dúvida crucial).
Como é que o estudante veterano que dá, nos calouros, um trote selvagem passou no vestibular já que ele é um perfeito ou imperfeito idiota? Quem souber a resposta, por favor, correio eletrônico para Rumorejando.
Constatação XV
A cinquentona
Na cama se virava
Como uma criança.
Ficava brincalhona
E até se comportava
Com destemperança.
Constatação XVI (Teoria da Relatividade para principiantes).
É muito melhor, meu caro, ir pro motel no carro da gata do que no carro de um taxista já que sai caro. Dependendo do caso a gata também pode acabar saindo mais caro do que muito carro...
Constatação XVII (“Poesia” zoológica).
A caravana seguia
Pelo causticante deserto
No alto, como guia,
Um sol no céu aberto
Os homens e os camelos
Iam calados,
Estes com os pêlos
Que pareciam terciopelos;
Aqueles, ensimesmados.
Pareciam tristes
Mesmo se num oásis parassem
E contassem
Alguns chistes.
Apenas um camelo
Parecia
Ir com desvelo.
Ele sabia
Que a namorada,
Que ele chamava
De Dona Maria,
O esperava
E mergulhado
No seu pensamento
No seu amor devotado
E no compromisso
De um próximo casamento,
Já autorizado pelos pais,
Quase deu uma topada
E também por isso
Ele, ao contrário dos demais,
No coração uma melodia,
Ele sorria
O sorriso da alegria.
Constatação XVIII (Eternamente repetitivo e atualmente, mais do que nunca presente).
Não causou perplexidade
A inércia dos governantes
Por sua falta de vontade.
Todos, depois de eleitos,
Com aqueles defeitos
Inclusive pedantes.
Constatação XIX (Dúvida crucial. Quem souber, por favor, cartas por correio eletrônico. Obrigado).
O radio ouvinte
E o telespectador
Ouvem propaganda,
Durante a programação
Às vezes até vinte
Na maioria balela,
Anda que anda,
Tipo novela
Esta e, às vezes àquela,
Com sofrimento e dor
Até a exaustão.
Esse elo
De ligação
Não é um flagelo?
Constatação XX
O nado do alóptero*
Parecia um helicóptero
Ou invés
Do revés?
*Alóptero = que não possui as nadadeiras em posição fixa (diz-se de peixe) (Houaiss).
Constatação XXI
E como dizia aquele obcecado herege: “Quem peca vai para o inferno; quem não, vive num”.
Constatação XXII
E como dizia aquele policial: “Perseguir uma ideia é muito mais fácil do que perseguir um facínora”.
Constatação XXIII (De cenas domiciliares).
O cão,
Sonolento,
Rosnava
De modo insano,
Molestando,
Incomodando
O bichano,
Pachorrento,
Que ronronava
Sob o fogão.
Constatação XXIV (Dúvida crucial).
Não tem solução é uma frase que somente denota pessimismo ou ela pode vir a ser otimista?
Constatação XXV
Triângulo escaleno amoroso é quando João ama Maria que ama Pedro que, por sua vez tá de olho no João?
Constatação XXVI
Foi a saracura
Que disse pro saracuro:        
“Se esse teu comportamento,
Que para mim é um tormento,
Persiste, perdura
Eu já te curo!”
Constatação XXVII
E já que falamos algures no assunto, até os cães ladram de tristeza em ver o que está acontecendo em nosso país com a caravana de fraudadores, corruptos e corruptores passando incólumes.
Constatação XXVIII
E, ainda sem sair do assunto: Do jeito que a corrupção está grassando em nosso país – cada vez surge novo caso – logo, logo vai ter gente sugerindo que o político, não necessariamente só ele, que mais se destacar em tal famigerada matéria de fraude se candidate a ganhar um prêmio, da mesma importância de um Prêmio Nobel. Vige!
Constatação XXIX (Nada a ver com o futebol feminino).
É raro, mas existem. Certas mulheres são como jogadores de futebol. Elas driblam, chutam e... passam.
Constatação XXX (Sugestão de um modelo de recibo para maus pagadores).

R E C I B O

Recebi do Sr. João dos Anzóis, neste final de ano, a importância de R$ 100,00 (cem reais), concernente à devolução de um empréstimo, que já era considerado perdido, em face da demora da respectiva devolução.
Por ser verdade, firmo, eufórico, jubiloso, feliz o presente recibo na presença de duas testemunhas.
Curitiba, 27 de dezembro de 2015.
          (Seguem-se as três assinaturas, em duas vias).
Feliz próximo ano, crianças! E, claro, os subsequentes também!

DÚVIDAS CRUCIAIS VIA PSEUDO-HAICAI (Para o meu grande Amigo e leitor Sergio Gugisch Moreira).
Constatação I
A velhice inexorável
É, em quase tudo,
Palpável?
Constatação II
Exemplo de cortina de fumaça
É o cara dissimular que tá no fogo
Por ter tomado muita cachaça?
Constatação III
É muito desumano
Não importa quem
Entrar pelo cano?
Constatação IV
É inócuo tentar
A burrice
Otimizar?
Constatação V
Chorava a carpideira,
Derramando tantas lágrimas
Que até parecia uma torneira?
Constatação VI
Um segredo, na memória, eu lacro,
Mas tem gente que usa de engodo.
De longe, dá pra ver que é simulacro?
Constatação VII
“É tão suave a noite”,
Dizia o masoquista,
“Quando ela brande o açoite”?
Constatação VIII
O brilhantismo,
A intensidade do orgasmo
Parecia um paroxismo?
Constatação IX
Será que rezar
Para o país melhorar
Vai adiantar?