quarta-feira, 9 de setembro de 2015

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I (Reminiscências de maus tempos I...).
Em 1975, em plena ditadura militar, a Fundação Cultural de Curitiba expôs mostra de cerâmicas e de fotografias da arquitetura russa. A inauguração contou com a presença do Adido Cultural da Embaixada da Rússia. Todos os presentes, ao cumprimentá-lo, eram fotografados por um cidadão com cara de poucos amigos... Um dos presentes, ao ver espocar um flash atrás do outro, comentou: -“Será que não vai dar complicação a gente ser fotografado em companhia de um russo, de um comunista?” -“Não se preocupe, alguém respondeu, o risco é de apenas 50%. A gente não sabe para quem o fotógrafo trabalha”...
Constatação II (Reminiscências de maus tempos II...)
No coquetel que se seguiu à exposição russa, relatada na constatação anterior, foi servida aos presentes uma vodca “da legítima”, daquelas que davam calor até no dedão do pé. Enquanto aproveitando a rara oportunidade, se degustava aquela escassa bebida (a globalização ainda não estava em vigência...), passou um garçom com uma bandeja de refrigerantes, contendo, inclusive, pasmem: a acqua nera del imperialismo ianque, Coca Cola!!!. O fato suscitou o comentário do mesmo cidadão que havia dito que a gente não sabia para quem o fotógrafo trabalhava e, com ar de condena, meneando a cabeça: “Bah! Já não se fazem mais russos como antigamente...”  
Constatação III (Reminiscências de maus tempos III...)
Um radioamador, tão logo obteve autorização do Ministério das Comunicações para começar a operar, não saía da frente do seu equipamento de transrecepção. Passava todo o tempo, inclusive nos intervalos do almoço e a noite em longos papos. A maioria, furados. A comida era engolida rapidamente para não perder algum eventual contato. Um dia, entusiasmado, mostrou à sua mulher uma fotografia  que um colega de um país distante havia mandado, onde o sujeito aparecia diante do seu – dele – sofisticado equipamento de rádio. A mulher, que andava aborrecida com a indiferença do marido, não se conteve: -“Agora, você, em retribuição, vai mandar uma tua em que você aparece só de calção?”...
Constatação IV (Reminiscências de não tão maus tempos).
Um professor de Cálculo Integral e Diferencial da Universidade Federal do Paraná, já falecido, anteriormente havia lecionado matemática no Colégio Estadual do Paraná. Tanto nesta época, como posteriormente, foi professor do seu filho. Certa vez, numa aula do 2° grau, pai e filho se tramaram numa discussão a respeito de uma questão matemática. O professor, face o adiantado da hora e alegando um impasse, se propôs a dirimir a dúvida na próxima aula. No dia aprazado, a turma do aluno aguarda no corredor a vinda do professor. Outras turmas também haviam se aproximado, tendo em vista a repercussão, curiosas pelo desfecho. Eis que o professor desponta no corredor com o livro de chamada debaixo do braço. À medida que se aproxima o rumorejo da turma diminui até o silêncio total. O professor acerca-se do filho e, diante de todos, aplica em cada bochecha dois sonoros beijos. Os que estavam mais próximos juram ter escutado: -“Não é que o filho da mãe tinha razão...”
Constatação V
Senador
Deputado
Governador
Prefeito
Vereador
Não têm mérito
Eles têm pretérito
Imperfeito
E, em princípio,
Particípio
Passado,
Ultrapassado.
Já, o presidente,
De pouca atividade
E pouco ativo,
Tem subjuntividade*
É presente
Do subjuntivo.
Coitado!
*Subjuntividade = “característica do que é subjuntivo; dependência, subordinação”. (Houaiss).
Constatação VI
Conversa entabulada entre dois políticos, ouvida em qualquer cidade do Brasil:
-“Na tua opinião, por que as mulheres se candidatam menos do que os homens para os diversos cargos, já que elas têm, inclusive, cotas garantidas para isso? Será por medo de perder?”
 –“Não. Em minha opinião – modesta, aliás – é porque elas são mais honestas do que nós homens, ou menos desonestas”.
-“Há bom, quer dizer, ah ruim, quer dizer...”
Constatação VII (Passível de mal-entendido).
A magnitude, dentre outras, numa performance é diretamente proporcional a amplitude da abertura das pernas. Me refiro, ou melhor, refiro-me a uma bailarina. E, claro, é inversamente proporcional à falta de talento.
Constatação VIII (Dúvida crucial).
Será que não existe alguém do staff do governo, familiar ou amigo com coragem suficiente para dizer, respeitosamente, é claro, ou assoprar no ouvido do presidente da República que esse cartão corporativo – respaldado com o tal do sigilo bancário – é uma excrescência? Quem souber que existe alguém, além da imprensa e da oposição, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação IX (O inverso da vice-versa).
[Para a Foquinha, Juju, João Raymundo, Preta Joana e Caxixó (In memoriam). Para a Gigi e o Pedro Salomão. Todos também com o sobrenome Zokner].
Os cães daquela casa eram tão dóceis, faziam tanta festa para quem nela entrasse que os donos é que tinham que fazer o papel de cães de guarda.
Constatação X
E como explicava, didaticamente, por carta, para o sobrinho o obcecado de origem portuguesa: -“É preciso reflectir para o facto de que você tem que, ao estar com uma rapariga, otimizar as atividades de contacto, as possíveis e correctas chumbregadas, dando-lhe prazeres mil”. Pois, pois?
Constatação XI
Disse, no telefone, a namorada do facínora pra ele. “Venha aqui em casa que eu estarei te esperando com o meu novo baby-doll preto que eu comprei hoje. Você vai ver o que eu vou fazer com você”. Respondeu o facínora pensativo: “Puxa! Foi a ameaça mais doce que eu já ouvi. As que eu escuto ou são da polícia ou dos meus comparsas”.
Constatação XII
Não se pode confundir liminar com eliminar, muito embora quando o governo – que nem sempre se preocupa com tanto desrespeito à vida, em nosso país – pretende, por exemplo, diminuir ou mesmo tentar eliminar os acidentes, proibindo a venda de bebidas alcoólicas nas estradas aparece uma ou outra liminar, ou projeto de lei na Câmara, derrubando a proibição. Pasmem! A pessoa não é obrigada a se submeter ao exame do bafômetro. Livre comércio? Democracia? Ou falta de respeito pela vida, como sempre? Quem souber as verdadeiras razões, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação XIII
O genro foi se queixar pra sogra que a filha dela o estava tratando mal. “Ela só briga comigo”. E a sogra: “O que você faz pra ela?” Sem responder, repetiu a mesma ladainha para o sogro que perguntou: “O que você não faz pra ela?”
Constatação XIV (Dúvida crucial via pseudo-haicai).
Todo fedelho
É um inequívoco
Pentelho?
Constatação XV (Teoria da Relatividade para principiantes).
É muito melhor ter aspas, escrito num documento pessoal, do que na testa.
Constatação XVI (Dúvida crucial).
Por que será que, em certos países, não se respeita a Lei do Silêncio e por que será que ninguém a controla para que seja respeitada? Quem souber a resposta, por favor, explicar as razões para este assim chamado escriba, através do blog http://rimasprimas.blogspot.com/ . Obrigado.
Constatação XVII (2 Poeminhas para ser recitado em certas confeitarias, botecos, etc, para os donos dos ditos).
1) Era um sonho
Tão sem recheio
No seu permeio,
Que até deixava
Que provocava
No consumidor
Um ar tristonho.

2) E era um pastel de vento
Tão inflado,
Tão pouco recheado
Que ao ser mordido,
Ao ser deglutido
Provocava no mesmo momento
Um baita resfriado.
Constatação XVIII (Quadrinha para ser recitada por um(a) nutricionista para seus pacientes).
A obesa quer emagrecer,
Mas, por dia, teima
Em comer
Porções de guloseima.
Constatação XIX
Na ópera, no texto,
O cara, ao levar
Uma facada,
E se por a cantar
Até uma toada.
Tal está fora do contexto,
Pois quem é agredido
Não canta,
Só se espanta,
E fica assaz desvalido.
Constatação XX
Não se pode confundir faiança (louça de barro esmaltado ou vidrado) com fiança, muito embora os dois estejam sujeitos a uma determinada quebra. A recíproca pode ser verdadeira desde que se compre uma faiança, tão sofisticada, tão rara, tão incrementada, a crédito, que o vendedor exija uma fiança.
Constatação XXI
Deu, certa vez, na mídia: “Itaú vê crédito forte apesar de juro”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas um dos maiores bancos do país, a semelhança dos demais, não fez alguma referência às filas em frente aos caixas e o chá de cadeira de quem quer falar com um dos gerentes. Pena.
Constatação XXII
Quando, numa viagem aérea, o avião começa a corcovear de maneira tal que se o sujeito demorar a atender o aviso luminoso de “apertar os cintos” que, fatalmente, se acenderá ele corre o risco de bater com os ‘chifres no teto’. Se os tiver, é claro... No caso de ser ateu, se aproximará de modo efemero da entidade que, segundo ele, se chama Deus... Passado o susto, ocorrido durante o trecho que originou a turbulência, ele volta a sua – dele – primitiva condição. Até a eventual próxima turbulência...
Constatação XXIII (De uma dúvida mais do que crucial).
Quando se constata as frequentes mudanças nos tipos de plugues e tomadas que vêm ocorrendo em nosso sofrido país, surge a questão: Quem autoriza tais mudanças? Seria a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas? Os fabricantes? A presidência da República? O Congresso? Quem souber a resposta, por favor, comunique a este assim chamado escriba, a fim de que se possa informar aos nossos prezados leitores. Obrigado.
Constatação XXIV
Tem gente que para ganhar uma discussão faz das tripas o coração, recorrendo a artifícios como a enrolação, o embuste*. Vige!
*Embuste = Substantivo masculino.
1. Mentira artificiosa; impostura (Aurélio).

RICOS & POBRES
Constatação I
Rico é fogoso; pobre, é tarado.
Constatação II
Rico que dirige um Volvo do ano jamais é multado; pobre, num, digamos, Corcel 80, é um infrator contumaz.
Constatação III
Rico é sinérgico*; pobre é individualista.
*Sinergia = Sociologia: “Coesão dos membros de um grupo ou coletividade em prol de um objetivo comum (Houaiss).
Constatação IV
Rico não condiz com certas atitudes; pobre, com nenhuma.
Constatação V
Rico tem até duas amantes; pobre é viúvo de mulher viva.

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