quarta-feira, 25 de novembro de 2015

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Este assim chamado escriba vem manifestar o seu desapontamento, neste fim do mês de novembro, por não ter sido homenageado na data de 1º. do corrente mês, por ser o Dia de Todos os Santos. Além da decepção, o sentimento, também, de falta de respeito.
Constatação II (Sinal dos tempos).
O avião decolou
No horário estabelecido
O passageiro nem acreditou
E ficou confundido.
Constatação III (Triste realidade, sem bazófia).
Sai ano, entra ano e este assim chamado escriba continua não encontrando um adversário à altura no científico jogo de truco. Pena!
Constatação IV
Deixou-a num mutismo
Ela era adepta do cristianismo,
Ele do protestantismo;
Ela do impressionismo,
Ele do expressionismo;
Ela do modernismo,
Ele do tropicalismo;
Ela do romantismo,
Ele do concretismo;
Ela do pedestrianismo;
Ele do automobilismo.
Ela do socialismo,
Ele do capitalismo;
Anos mais tarde, o batismo
Do filho, nascido, no adventismo*.
E o educaram no conservadorismo.
Vige! Que caradurismo!
*Adventismo = Substantivo masculino.
1. Doutrina protestante dos adventistas, fundada nos E.U.A., em 1849, e que espera o cumprimento literal de algumas profecias numa segunda vinda de Jesus à Terra, visto não se haverem cumprido quando da primeira (Houaiss).
Constatação V (Teoria da Relatividade para principiantes*).
“Em vinte minutos tudo pode mudar”,
É o que afirma a Band News.
Em um minuto podem ficar nus
Os casais que querem se amar.
*Não ficou claro se os principiantes são da teoria de Albert Einstein ou de algum casal que vai se amar pela primeira vez. Quem souber, por favor, comentários no blog. Obrigado.
Constatação VI (Quadrinha, para ser recitada no fim do Campeonato Nacional, alegre e triste).
Meu Botafogo subiu
Meu Corinthians foi campeão
Meu Paraná não caiu
Meu candidato virou ladrão.
Constatação VII
Não é somente por ser vegetariano que este assim chamado escriba torce para o touro numa famigerada tourada. É pelo fato que há outras maneiras de passar o tempo. Se não houvesse espectadores, obviamente não haveria o espetáculo. A Humanidade é insolúvel!
Constatação VIII
Não se pode confundir médico com módico muito embora seja muito raro ver um médico ou um dentista que cobra um preço módico por uma consulta, cirurgia, exames de laboratório, etc. A recíproca é como é e tá democraticamente acabado. Tenho dito!
Constatação IX (Ah, esse nosso vernáculo).
O cabeça-de-vento falava pelos cotovelos e evidentemente metia os pés pelas mãos e a turma ficava só de olho nele. Vige!
Constatação X
Deu na mídia:Durante audiência nesta quinta-feira (19), o deputado Paulo Teixeira (PT) disse que a doação de R$ 190 mil da Engevix para sua campanha em 2014 foi ‘um engano’. De acordo com a prestação de contas de Teixeira, ele recebeu R$ 190 mil da Engevix em 2014, através do Diretório Nacional do partido”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que não adianta relatar certos fatos por que ninguém vai acreditar, como, por exemplo, a chegada tarde em casa, a visão de disco voador, o meu time Paraná vai ascender no Campeonato Nacional, juiz apitar pênalti contra o meu Corinthians e assim por diante. A propósito vale lembrar a Fábula Indigna do Millôr, já contada no blog, em Rumorejando, em 12 de março de 2010, baseada em um fato real que transcrevo a seguir:
                                  
                                 FÁBULA INDIGNA DO MILLÔR

Numa remota província chinesa, tão remota que até televisão ainda não havia chegado, vivia uma pacata, tranquila e feliz população. O que, diga-se de passagem, é perfeitamente compreensível, já que os apelos do consumismo, tão comuns na assim chamada mídia televisiva, por aquelas bandas, ainda não havia chegado. A maioria da população se dedicava a trabalhos artesanais, agricultura, pequeno comércio, prestação de serviços e coisas afins.
A família de Hu Teh Men não fugia a regra: o pai, já mencionado; a mãe, de solteira Moy Du Che e o filho Sych Shey Men trabalhavam numa lavoura de subsistência, suficiente para o sustento dos três. Sych Shey Men tinha elevada propensão para o estudo e o governo proporcionou a ele um curso de capacitação profissional em mecânica, sua vocação desde criança, o que ele fez com invulgar brilhantismo e desenvoltura. Posteriormente, concorrendo com muitos candidatos, Sych Shey Men ganhou uma bolsa de estudos para estudar em Paris, onde, anos após, seria disputada a final da Copa do Mundo de Futebol, cujo favorito não pegaria absolutamente nada, mas isso já é outra história...
O curso na França era de pequena duração, porém suficiente para Sych Shey Men descobrir as delicias do capitalismo, o que queria dizer um país do 1º. Mundo, tomar um bom vinho, visitar empresas ligadas ao ramo de sua especialidade e por aí afora.
Quando retornou de sua viagem, Sych Shey Men contou a seus amigos muitas peripécias: que havia passado em frente a um tal de Moulin Rouge; que havia visitado um museu chamado Louvre; que havia trens que viajavam debaixo da terra e funcionavam sempre no horário; que havia uma torre, de rara beleza, construída a mais de 100 anos em homenagem a uma tal de Queda da Bastilha, ocorrida há mais de 200, quando, então, cortaram a cabeça de uma porção de gente com uma máquina mecânica que funcionava muito bem, inventada por um cidadão, chamado Guilhotin e, o da torre, o guia havia dito que se chamava Gustav Eiffel. E o nosso amigo contou, também, que a cidade induz ao amor e que viajar desacompanhado ou não arrumar uma companheira por lá mesmo era terrivelmente fossético e que ele havia arrumado várias e que um dia aconteceu o seguinte: ele havia ido com uns amigos a uma cave - um lugar freqüentado pela juventude, cheio de neblina dos cigarros mata-ratos deles, achando que a guerra fria entre os “revisionistas soviéticos e os imperialistas americanos, inimigos da China” iria redundar na 3ª guerra mundial e, por essa razão, a vida tinha que ser vivida em toda a sua plenitude, em toda a sua existência. Tudo isso, também compunha uma filosofia, o Existencialismo, cujo mentor havia sido um tal de Jean Paul Sartre e até havia uma cantora que se chamava Julieta Greco e que ele assistira uma apresentação dela num tal de Bobino, o segundo mais importante lugar de espetáculos já que o Olympia ele só passara em frente. Bem, lá na cave adivinhem quem é que estava: nada mais, nada menos que a Brigite Bardot, aquela que é símbolo sexual e que tem uma folhinha, em que ela aparece totalmente nua lá na oficina mecânica onde eu vou começar a trabalhar. Quando o nome de Brigite Bardot foi pronunciado, todos os amigos soltaram, em uníssono, um oh de admiração que ecoou por todo o bairro, assustando toda a vizinhança.
“Mas, esperem, isso não foi nada”, contou Sych Shey Men. “Aí, eu fui tirar ela para dançar. Dança daqui, aperta de lá, a gente acabou dormindo junto no apartamento dela”.
Quando a patota escutou esse desfecho, fez-se aquele silêncio, característico de, quando se ouve uma mentira maior que a de pescador, quem se envergonha são as pessoas que a escutaram e não quem a contou. Depois, foi uma gargalhada geral que também ecoou pelo bairro, assustando, mais uma vez, toda a vizinhança. A gozação realmente foi geral e até teve um que disse: “Vai contar essa lá no Brasil”, país onde, coincidentemente, a turma costuma, diante de uma mentira escabrosa, dizer: Vai contar essa lá na China. Mas, isso, também, já é outra história...
MORAL: Existem certos fatos que, mesmo que sejam verdadeiros, não adianta contar, pois ninguém acredita.
Constatação XI
E já que se falou em enganos há certos comerciantes que sempre se enganam na apresentação das contas, no trôco, na adição das despesas. Coincidentemente, jamais em tempo algum em favor do freguês, Vige!
Constatação XII (Teoria da Relatividade para principiantes idosos).
É muito melhor ter um ataque de priapismo do que um ataque de disfunção erétil.
Constatação XIII
Rumorejando recebeu, certa vez, mais precisamente em fins de 2008, do Amigo Leszek Celinski:
Aceite com juros, multa e correção monetária
Os votos que me enviou nesta época santuária,
Amigo Juca. Pois em minha e nossa faixa etária
Lembrar-se de algo ou alguém é ação temerária,
Incontida em seu frenesi, audaz, mas perdulária,
Qual pirotecnia festiva em sua glória temporária.
Assim, colega, companheiro desta vida sedentária
Receba meus bons augúrios para 2009... de forma solidária
E hilária.

RICOS & POBRES
Constatação I
Rico é opiniático; pobre dá palpites.
Constatação II
Rico tem agorafobia*; pobre, tem como único lazer passear na praça (e normalmente começa a chover quando está passeando).
*Agorafobia = “medo mórbido de se achar sozinho em grandes espaços abertos ou de atravessar lugares públicos; cenofobia”. (Houaiss).
Constatação III
Rico anda com um carro Volvo do ano; pobre a pé ou de ônibus, ou, no máximo, com uma traquitana*.
*Traquitana = * Substantivo feminino. 2. Pop. Carro mais ou menos desconjuntado; calhambeque (Houaiss).
Constatação IV
Rico forceja; classe média alta introduz; classe média, média insere; classe média baixa põe; pobre, mete.
Constatação V
Rico é algófobo*; pobre aceita até injeção na testa se for grátis.
*Algofobia = “medo mórbido das dores físicas ou morais”. (Houaiss).
Constatação VI
Rico tem sangue azul e fortuna; classe média é rastaquera*; pobre é pé de chinelo.
*Rastaquera = Substantivo de dois gêneros.
1. Pessoa recentemente enriquecida que não perde oportunidade para chamar a atenção, pelo luxo que ostenta e pelos gastos que faz (Houaiss).
Constatação VII
Rico da cambalhota na água da sua piscina de casa; pobre se vira como pode na água, no ar e na terra.
Constatação VIII
Rico é inventivo, pobre, é mentiroso.
Constatação IX
Rico é batófobo*; pobre quando vai ao parque quer andar de roda-gigante.
* Batofobia = “temor mórbido das profundezas (submarinas ou dos espaços aéreos)”. (Houaiss).
Constatação X (Colaboração do meu grande amigo Sérgio Antunes de Freitas, de Brasília).
 "Rico é combativo; pobre é briguento".


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Para fechar as contas do governo não é necessário ser presidente da República como a senhora Dilma Rousseff, ser economista como o Ministro da Fazenda, senhor Joaquim Levy ou deputado como o relator do Orçamento para 2016, o Sr. Ricardo Barros. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que qualquer pessoa que conheça as quatro operações de adição, subtração, multiplicação e divisão, até bastando apenas as duas primeiras, estará, através do aumento dos impostos, apta para executar o mencionado fechamento das fossas profundas, digo, das contas, ocasionadas pelas escorregadelas aos bolsinhos* ocorridas...
*Bolsinhos = Quantia destinadas a pequenos gastos pessoais (Aurélio).
Constatação II (Dúvida crucial).
Será que a atual primavera em Curitiba está hibernando?
Constatação III
Deu na mídia: “Brasil é ‘exemplo para o mundo’ no combate à pobreza, disse, certa vez, o jornal dos EUA”, The Christian Science Monitor. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas “exemplo para o mundo” Rumorejando acha um bocado de exagero, ainda que se reconheça que jamais se viu algum presidente da República no nosso país, alegar estar preocupado com a pobreza a não ser em época de eleições. Aliás, analisando os últimos 10 presidentes do Brasil, antes e a atual, se pergunta o que foi que eles fizeram e estão fazendo mesmo?
Constatação IV
E já que falamos no assunto, vale lembrar o uruguaio Eduardo Galeano, lamentavelmente já falecido, que disse o óbvio: “Ao invés de se construir mais cadeias há que se construírem escolas”.
Constatação V
Ela tinha voz de soprano
Ele, de baixo.
Os dois, incluso,
Já cantaram
No HSBC, no coral,
Nas proximidades do Natal.
Casaram
Em dois altares
E logo, depois de um ano,
Ele confuso
Parecia faltar um parafuso.
Ela o achava obtuso.
Se separaram
Também por falta de programa,
De matéria-prima
Para os assuntos,
Na TV, falados.
E mais, a cama
Era de dois andares
E eles não dormiam juntos:
Ele dormia em cima;
Ela embaixo.
Coitados!
Constatação VI
A intensa desigualdade
No social e na Economia
Redunda em iniquidade,
Irmã gêmea da patifaria.
Constatação VII (Quadrinha de idade provecta).
Fui me exercitar na Academia Rabelo
Porque não se deve ficar estático.
Me deu câimbra nos olhos e no cabelo
E uma dor na unha e no nervo simpático.
Constatação VIII (Quadrinha desconsolada).
Joguei na megassena
Um punhado de dinheiro
De mim mesmo fiquei com pena
Só peguei um resfriado por inteiro.
Constatação IX (Quadrinha meio catártica).
Revi conceitos antigos
E cheguei a seguinte conclusão
Só tenho uma plêiade de inimigos:
Nove, zeros à esquerda e um bundão.
Constatação X
Foi o obcecado corvo
Que abordou a corva
Na curva: “Eu lhe estorvo?”
Constatação XI (Dúvida também crucial).
Marcha o pelotão.
Quem está de passo errado
Está no contrapé ou na contramão?
Constatação XII (Dúvida crucial assustadora).
Deu certa vez na mídia: “O São Paulo F. C. comprou Washington”. Será que o presidente Bush veio incluído no pacote?
Constatação XIII
E já que falamos nessa “otoridade”, ninguém havia se dado conta que para o lançamento de um simples sapato iria fazer tanto sucesso na população mundial de quase sete bilhões de pessoas...
Constatação XIV (Participação)
Participo, a quem interessar possa, que o meu time, o Paraná, ao ganhar de 1 a 0 do América de Minas Gerais, não corre mais risco para cair para a Terceirona. Outrossim e outro não, participo, também, que há 10 anos, aproximadamente, é a única alegria que o time me vem proporcionando. Sem mais para o momento sou Atos. Amos e Obos pela atenção. Respeitosamente. Juca.
Constatação XV (Dúvida crucial paradoxalmente quase certa).
Só jogar sapato nas ditas “otoridades” é um sonho de todas as gentes?
Constatação XVI
Ela se viu diante de uma charada:
Se desse, ficaria sem nada
Se não, ficaria com o mico na mão
Sem perspectiva de uma solução*.
*Rumorejando está averiguando exatamente o que ela estava a fim de dar. Tão logo saibamos, imediatamente daremos ciência aos nossos prezados leitores. Aguardem, pois.
Constatação XVII
Será que a máquina de calcular é neta da régua de cálculo e bisneta do ábaco?
Constatação XVIII
E já que falamos no assunto, prezado leitor, nunca esqueça e/ou vale lembrar que corrente de ar pelas costas e sogra pela frente faz muito mal à saúde.
Constatação XIX
Na Ucrânia o povo anda jogando políticos nas latas de lixo. Com toda a certeza, se lá como em certas cidades, existe a separação entre lixo que não é lixo e lixo que efetivamente é, Rumorejando acha, data vênia, é claro, que os políticos devem estar sendo jogados no lixo que efetivamente é...
Constatação XX (Dúvida não necessariamente crucial).
Uma péssima conduta
E/ou uma má permuta
Enseja palavrões,
Em profusão, aos montões
Nada batuta?
Constatação XXI
O candidato político joga flores a torto e a direito: Na época de eleições pra granjear votos junto aos potenciais eleitores; em outras épocas, em si mesmo.
Constatação XXII
E como elucubrava aquele cidadão de idade provecta com voz chorosa: “Mesmo quem tem o riso fácil, não acha graça na sua própria debacle”.
Constatação XXIII
E como elucubrava aquele outro cidadão de idade provecta com voz de timbre baixo: “Quando a gente fica velho adoece com facilidade e se cura com dificuldade”.
Constatação XXIV
E como elucubrava um terceiro cidadão de idade provecta que havia recém saído de um hospital e que já havia completado as bodas de ouro: “Quando a gente é liberado de uma hospitalização é por que recebeu alta. Quando eu terminei o serviço militar, eu recebi baixa; quando eu casei, recebi, durante mais de cinquenta anos, altas e baixas.
Constatação XXV
O Brasil para proibir a famigerada Farra do Boi, a Briga de Galo, de Canário de tirar animais do seu habitat demorou muito tempo. Falta, agora, proibir a prática da corrupção que já está demorando desde o seu descobrimento no ano de 1500... Vige!...
Constatação XXVI (Destrutibilidade).
E já que falamos no assunto, vale lembrar que, quando Saint Hilaire andou pelo nosso país, no começo do século XIX, cunhou a frase: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”. Mutatis mutandis, como diriam nossos latinistas, ou o Brasil acaba com a corrupção ou a corrupção acaba com o Brasil. A Petrobrás, quase que estão conseguindo...
Constatação XXVII
E já que falamos em Saint Hilaire, ele, como botânico, tratou de repassar para a França os resultados que os nativos obtinham com a, digamos, fitoterapia e também o repasse de mudas da nossa flora, sem dúvida numa espécie de afano, o que convenhamos para um religioso ou para qualquer mortal não ornava nem um pouco... Vige!
Constatação XXVIII
Deu na mídia: “Perfume com cheiro de hambúrguer vira sensação nos EUA”. Data vênia, como diria nossos juristas, gosto não se discute, mas isso já é ser viciado em hamburguer. Sem dúvida, merecem ir para o Guiness Book de Recordes. De mau gosto, é claro...
Constatação XXIX
Estacionou o carro no motel
Prenuncio de felicidade a granel
Que se vive perseguindo sem quartel
Não no sentido de sargento ou coronel,
Mas para passar uma espécie de lua-de-mel
Sem casamento com grinalda e véu.
Constatação XXX
Será que os fantasmas quando vêem os vivos eles acham que estão vendo fantasmas?
Constatação XXXI
A chave de certos corações empedernidos
Estão em lugares incertos e não sabidos
Totalmente ocultos, furtivos e escondidos,
Esperando, talvez, por chaveiros destemidos
Que disponham de ferramental bem compridos
Passíveis de abrir até ferrolhos bem prevenidos.
Constatação XXXII
Foi o elefante
Que advertiu a manada:
“Não se aproximem, nenhum instante,
Da Dumba, minha namorada”?
Constatação XXXIII
E foi o cavalo,
Embevecido,
Que disse pra namorada,
Que ficou extasiada:
“Quando você rincha
No meu ouvido
Meu ego incha
E eu, comovido,
Me abalo,
Suspiro e me calo”.
Constatação XXXIV
A carne é fraca quando a tesão é forte. Portanto, inversamente proporcional; quando a tesão é fraca, a venda de farmacos é forte. Também inversamente proporcional; quando a carne é forte a venda de farmacos é fraca. Portanto ainda inversamente proporcional.
Quando a carne é forte e a venda de farmacos também é que existe um surto de alguma doença pela região. Diretamente proporcional, portanto...
Constatação XXXV
Vamos mais cedo pra cama?
Ele pelo telefone a convidou
Tenho que manter a minha fama
Que até hoje nunca se abalou.

Eis que ele fica perplexo
Com o que ela contestou:
“Você vive pensando em sexo
Só quando eu não estou”.

“Ledo engano, minha querida
Você está se esquecendo:
Na última vez deu uma dormida,
Quando eu estava me aquecendo”.

“Teu aquecimento de mais de uma hora
Não chegou nem um pouco a adiantar
Daí você se desculpou: vamos embora
Que o frio curitibano tá de rachar”.
Constatação XXXVI
Aí, o esquartejador explicou para os seus atentos alunos: “Essa história de que o corpo humano se divide em cabeça, tronco e membros é pura balela”.
Constatação XXXVII
A aprovação da aposentadoria dos deputados por eles mesmos deveria constar nos compêndios de moral e ética. E o corporativismo para não cassar um colega que, comprovadamente, pôs a mão no jarro, também. E novamente viva “nóis”!
Constatação XXXVIII
Entrou em litígio
Com a namorada
Alegou desprestígio.
Coitada!
Coitada?
RICOS & POBRES
Constatação I
Rico é cremnófobo*; pobre vive apoiado no vazio.
*Cremnofobia = “medo mórbido de precipícios, em geral seguido de vertigem”. (Houaiss).
Constatação II
Rico é capaz; pobre, ineficaz.
Constatação III
Rico é incorruptível; pobre é vendido.
Constatação IV
Rico é lépido; pobre é lento.
Constatação V
Rico tem medo de ser assaltado e se assusta com a própria sombra; pobre sofre de fofobia*.
*Fofobia = “medo dos próprios medos”. (Houaiss).
Constatação VI
Rico tá concernido no Sistema; pobre, tá por fora.
Constatação VII
Rico ofega; pobre, bufa.
Constatação VIII
Rico é cintilante; pobre é apagado.
Constatação IX
Rico é aerófobo*; pobre vive na corrente de ar.
*Aerofobia = “horror mórbido ao ar livre e às correntes de ar”. (Houaiss).
Constatação X
Rico sofre de claustrofobia; pobre, basta ficar só com a sogra para se apavorar.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
E como dizia aquele professor de português: “A acção para a adopção da nova ortografia, nos países de língua portuguesa é óptima”.
Constatação II
Não se pode confundir patrimonialismo que é “a falta de distinção entre patrimônio público e privado” com patriotismo, até por que por falta de patriotismo, acrescido de honestidade sujeita a chuvas e trovoadas quando o caso vai para Justiça de certos países, faz o fato ser caracterizado por evidente patrimonialismo. A recíproca é mais que verdadeira, mormente em certos países que utilizam os paraísos fiscais...
Constatação III
Deu na mídia, mais precisamente no site do Estadão: “Itaú Unibanco tem lucro líquido de R$ 5,945 bilhões no terceiro trimestre deste ano”. “[...] De janeiro a setembro, o lucro líquido do Itaú foi a R$ 17,662 bilhões”.  Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando, sem sentir inveja de quem quer que seja, acha que a distorção de renda em nosso país é pura questão de retórica (Rico usa de retórica; pobre, enrola). Dúvida crucial: Alguém acredita que algum dia haverá mudança nas condições para que os ricos paguem alíquotas do imposto de renda maior do que a classe média paga? Se há, Rumorejando ofertará um par de asas iguais as dos anjos...
Constatação IV
Diz a sabedoria popular de “Quem não tem padrinho, morre pagão”. Saiu dia 3 de novembro próximo passado no Estadão: “Conselho de Ética facilita escolha de relator pró-Cunha”. “Dilma encaminhará a Renan defesa das contas”. O jornal dos Mesquita deve ter esquecido de acrescentar nas duas notícias ‘Viva nóis’... Ah, Rumorejando ia esquecendo: “E viva também o corporativismo”... Mormente o dos de bom caráter...
Constatação V (De uma dívida crucial).
Será que o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística têm dados estatísticos, por extrato social, do que se roubou e se rouba, em nosso país? Quem souber a resposta, por favor, informar a Rumorejando, a fim de que se possa mensurar e comparar quantas escolas, hospitais dariam para se fazer com os montantes levantados e informar aos nossos prezados leitores. Obrigado pela atenção.
Constatação VI (Elementar, ainda que meio confusa).
Quem estuda cálculo infinitesimal e integral se vê as voltas com a expressão y =f(x), que se lê como y é igual a uma função de x. Feito esta assertiva, passamos a seguinte digressão: Os escoteiros têm como norma fazer pelo menos uma boa ação todos os dias. Os judeus religiosos têm algo semelhante que se chama mitzve (mandamento; boa ação). A única diferença é que o calendário judaico é lunar, portanto tem 354 dias do ano, que é corrigido através de uma espécie de mês bissexto. Assim, as boas ações dos judeus são em menor número do que dos escoteiros. Como se pode constatar, certas funções são dependentes do tipo de calendário que se utiliza. Portanto y, no caso, número de boas ações será também função do sol, da lua e, claro, da boa vontade dos simples e complexos mortais. Vige!
Constatação VII
E como dizia a Da. Tatua para o seu maridão, o respeitoso senhor Tatu: “É fogo morar aqui no porão da caverna. Vê se arruma um lugar melhor para a gente morar”. Coitada!
Constatação VIII
Já não existe mais a história de que futebol se ganha no campo, jogando. Há a guerra de nervos; buzinaço na madrugada no hotel onde estão hospedados os adversários para atrapalhar o sono deles; machucar o adversário que é a estrela do time; provocar o adversário com palavras para que a reação faça com que ele seja expulso. Comprar juiz e por aí afora; De racismo, nem falar. Pena!
Constatação IX
Rumorejando está preparando a edição de novos livros que provavelmente deverão ser publicado em 2016. Vale lembrar que o primeiro livro foi ilustrado pelo amigo Claudio Seto, infelizmente já falecido, intitulado Rimas Primas & Outras Constatações. Quando já havíamos conversado sobre a possibilidade dele vir a ilustrar um eventual novo livro, como efetivamente foi possível lançar (150 Sonetos e 1 Sonetão), Claudio Seto veio a falecer. Se o terceiro e demais for realmente publicado, será, mais uma vez, com a respectiva homenagem a este grande e inesquecível artista.
Constatação X (Diálogo entre sogra e genro. Vige!).
-“Você poderia agora me levar no supermercado?
-“Agora eu não posso porque estou ocupado. Mais tarde, eu lhe levo”.
-“Mas eu quero ir agora”.
-“Agora eu já lhe disse que não posso”.
-“Poder, você pode. Mas você não quer porque você me odeia”.
-“Por favor, pare com esse papo. Na verdade, não morro de amores pela senhora, mas não a odeio. Agora, se ficar insistindo, acabo odiando”.
-“Tá bom, então, quer dizer, tá ruim, quer dizer... tá ruim mesmo”.
Constatação XI
Nos Estados Unidos ele era conservador. Não que pertencesse ou fosse simpático ao partido republicano. É que trabalhava numa fábrica de conservas. Apenas isso.
Constatação XII
O grande Amigo Roberto Muggiati lançou, há poucos anos, cá na terra, seu último livro Improvisando Soluções – o jazz como exemplo para alcançar sucesso. O Muggiati foi colega desde os tempos do ginásio e, na época, já fazia editorial para a Gazeta do Povo, suscitando a admiração dos colegas e professores.
Constatação XIII (Quadrinha para ser recitada para a maioria dos políticos).
Com o salário que vocês se acostumaram de faturar
Daria para construir hospitais e salvar muitas vidas.
Mas, além de não se importarem, querem mais ganhar.
E acham que as fortunas que auferem são justas e devidas.
Constatação XIV (Quadrinha para ser recitada em festinha infantil de menina, onde menino não participa).
Eu, minhas amiguinhas com as bonecas
Fomos brincar de fazer visitas e tomar chá.
Só que não havia para todas nós canecas.
Tivemos que tomar de latinha guaraná.
Constatação XV
Não se pode confundir omitir com mentir, muito embora omitir não deixa de ser uma forma de mentir, o que alguém poderá contestar, alegando que a omissão da verdade não tem nada a ver com mentir. Entretanto, em época de eleições, o que é dado a ver é as duas formas dos políticos utilizarem.
Constatação XVI (De uma dúvida crucial, via pseudo-haicai).
O vivaldino
Sempre se faz
Ser um cara fino?
Constatação XVII (De outra dúvida crucial, via pseudo-haicai).
A castidade
Provoca
Ansiedade?
Constatação XVIII
E como se vangloriava para a amiga aquela amazona que já havia ganhado vários prêmios com seu cavalo:
Que destreza!
Domei o meu marido.
Rédea curta.
Na verdade,
Com um pouco de açoite,
Porém com piedade
Mas sem dar moleza.
Ficou uma beleza!
Dócil e querido
Ele não se furta
Em me obedecer
E cumpre toda noite
Com o seu dever*...
*Não ficou muito claro qual o dever do coitado do marido. Segundo fontes não reveladas, parece que se trata de lavar a louça do jantar. Rumorejando está providenciando a imprescindível averiguação. Tão logo tenha a efetiva resposta, dará a conhecer aos seus prezados leitores. Aguardem, pois...
Constatação XIX (De mais uma dúvida crucial via pseudo-haicai).
O basofo*
Tem m. na cabeça
Como estofo?
*Basofo = “Regionalismo: Guiné-Bissau, Cabo Verde”. “Que se preocupa com sua apresentação, com seu trajar; vaidoso e também fanfarrão”. (Houaiss).
Constatação XX (Tempos de crise).
Deu a maior barafunda
Quando o marido passou-lhe a mão,
Como costumava fazer amiúde,
Alegando simples questão de saúde
Ela, a mulher, ficou meditabunda
Ele estranhou
E perguntou:
“Ao invés de estar se alegrando
Você deve estar pensando
Como vamos pagar a prestação?”
Constatação XXI (Diálogos conjugais meio repetitivos).
-“Eu trouxe uma broa fresca pra você”.
-“Você sabe que eu gosto de broa dormida”.
-“Não seja fresca e coma a broa fresca. Broa dormida pode estar com pesadelo na hora e pode afetar a tua digestão”.
Constatação XXII
No livro do escritor Israel Yoshua  Singer – mentor e irmão do mais moço Isaac Bashevis Singer, este ganhador, em 1978, do Prêmio Nobel de Literatura –, intitulado De um mundo que não mais existe, ainda inédito no Brasil, ele escreve sobre sua vida e de seus familiares. Nesta sua biografia, relata, na sua infância, o quanto ele almejava a liberdade de correr pelos campos, nadar, juntamente com as demais crianças no rio Vístula, ou brincar as brincadeiras de criança. No entanto, seu pai que era rabino e queria que ele também viesse a ser, obrigando que ele fosse estudar a Torá.
Hoje em dia, gostariam que os filhos estudassem, desde cedo para, mais tarde, enfrentar o famigerado vestibular, logrando aprovação nas universidades federais, onde o ensino é grátis. Se não for possível, jogador de futebol, dependendo do talento, é uma das profissões altamente renumeradas. E, desde cedo, muitos pais matriculam seus filhos em escolinhas de futebol. Sinal dos tempos...
Constatação XXIII
E já que falamos no assunto, deu na mídia: “Dunga revela que não tem medo de pressão na seleção”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando, como tantos, tem medo do valente indômito, destemido Dunga no comando da dita cuja.
Constatação XXIV (Quadrinha de sete [septinha?] em homenagem a um dos municípios paranaense um tanto quanto surrealista).
Sentado diante do mar,
Embevecido pelo fluxo
E refluxo
Da maré,
Esqueceu-se de levar
A cachorra pra passear
A pé,
De disco voador,
De caminhão,
De furgão
Ou de vapor,
Ali, em Marechal Mallet.

RICOS & POBRES
Constatação I
Rico sofre de ginecofobia*; pobre, apanha da cara-metade.
* “Medo doentio à mulher; ginofobia” (Houaiss).
Constatação II
Rico vaticina; pobre, roga praga.
Constatação III
Rico acorda cedo; pobre perde a hora.
Constatação IV
Rico nada na academia; pobre rema no seco.
Constatação V
Rico trabalha só em um expediente; pobre faz hora extra.
Constatação VI
Rico pratica o fisiculturismo; pobre tem que fazer fisioterapia.
Constatação VII
Rico tem boas recordações da infância; pobre, recorda o seu trabalho infantil.
Constatação VIII
Rico é janota; pobre se veste com camiseta, calça brim coringa e sandália de dedo.
Constatação IX
Rico, em São Paulo, torce para o São Paulo; pobre, para o Corinthians.
Constatação X
Rico, em Curitiba, torce para o Atlético ou Coritiba; pobre, para o Paraná.
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