quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Este assim chamado escriba, que está próximo da idade provecta de 80 anos, ao se queixar ao seu médico algum desconforto, dor ou desempenho, escuta, às vezes, como resposta, que são fatos inerentes “aos encantos da velhice”.
No livro O Fim do terceiro Reich, de autoria de Ian Kershaw, é relatado que, em fevereiro de 1945, portanto já no fim da guerra, quando os soldados alemães começaram a debandar, prevendo a derrota, foi solicitado a alta cúpula providências de “esquadrões de interceptação” para recolher soldados em retirada, enviando-os de volta ao “prazeroso cumprimento do dever”.
Comentários de Rumorejando: “Encantos da velhice”, o caral, digo, o baralho. Quanto o comentário dos soldados alemães, deve ter sido o mesmo. Só que no idioma lá deles...
Constatação II
E como apregoava aquela viciada em assistir também o BBB na televisão: “Quem não assiste o BBB16 é quase certo que não vai para o céu. Vai para o inferno. Eu já garanti o meu lugar”. Comentário de Rumorejando: “Vige!”
Constatação III
Ao gracejo
Ela respondeu,
Rapidamente,
Como um meteoro,
Com um sonoro
Bocejo,
Tão-somente.
Aí ele perdeu
O rebolado.
Coitado!
Constatação IV
Com relação ao seu pedido de aumento,
Alegando a vinda próxima de um rebento
E o substancial e exagerado aumento
Do aluguel do seu apartamento,
Tenho a informar o seguinte argumento,
Que se refere ao posicionamento
Do meu Departamento:
Ultimamente o seu comportamento
De incitar os colegas a um movimento
De paralisação por um momento
Ou os trabalhos de retardamento
Da entrega das partidas de cimento
Revelando descumprimento
Da política de nosso enriquecimento,
Obriga-me a recusar o seu intento.
Sinceramente lamento.
Sem mais para o momento,
Apresento meu respeitoso cumprimento.
Antônio dos Anjos Sarmento
Ex - Primeiro Sargento
Do 2º. Batalhão de Provimento.
Constatação V
Aquele edifício,
Onde habitava
Gente não pontifícia,
Parecia um dentifrício:
Numa batida da polícia,
Rolava nada de carícia,
Pois ela apertava
A caterva
Aí, saía muita erva.
Nada a ver com erva-mate
O que seria um disparate,
Pois tomar um simples chimarrão
Absolutamente não é infração.
Constatação VI (Ah, esse nosso vernáculo ou como ensinar o a, e, i, o, u versejando, preferencialmente, para adultos).
Por causa de um perjúrio
De um mau augúrio
O cartorário
Teve um delírio,
Condenatório,
O que foi um martírio,
Além de um mistério
Que seu itinerário
Para o purgatório
Antes passava pelo cemitério.
Constatação VII
Encheu o bandulho
Com uma macarronada
Antes de visitar
A namorada.
A barriga se pôs a fazer barulho,
A roncar
Bem na hora de beijar
A idolatrada
A tão amada
Que caiu na risada
O que fez o encanto
Esmorecer.
Ficou chateado.
Estava nas preliminares
Naquela sublime ação
Da bolinação
Que afasta até azares
E que deveria acontecer,
Ou que se supõe suceder
Em todos os lares.
Pra não enroscar,
Já tinha tirado
Até os anéis e colares.
Teve que recomeçar
Com novo canto,
Com novos cantares.
Coitado!
Constatação VIII (Uma historieta).
A família era constituída pela mãe, o pai e quatro filhos, duas meninas e dois meninos. Tinham o habito de comerem todos juntos, ao contrário do que vem acontecendo na maioria das famílias. Mas isso já é outra história ou historieta que absolutamente, agora, não vem ao caso. A mãe mandou fazer uma mesa sextavada. Assim, cada um dos componentes sentava num dos lados do hexágono, no seu lugar já consagrado. Um dia, a filha mais velha trouxe o namorado para jantar. Era o professor da academia de ginástica, do tipo dois metros de altura por dois metros de largura. Quando começaram a comer, depois de dar um jeito de encaixar o namorado na mesa, se deram conta que teriam, nas próximas vezes, tirar os outros três filhos para irem comer na cozinha. É que o namorado comia com os cotovelos formando 90º com o corpo. Coitado! Coitados!
Constatação IX (Teoria da Relatividade para principiantes).
É muito melhor ter os olhos de rato e o sorriso da Mona Lisa do que os olhos da Mona Lisa e o sorriso de rato.
Constatação X (Pergunta ao meu amigo, o professor Luiz Gonzaga Paul).
Por que palavras como período, bugio, vazio e tantas outras a letra ‘o’ tem o som de ‘u’?
Constatação XI (De diálogos tipo mea-culpa).
-“A minha mulher é uma santa!”
-“Por que? Ela faz milagres?”
-“Sim. Ela faz o milagre de me aturar”.
-“Ah!”
Constatação XII
O eterno cordato
Acaba virando
Um pato
De quando em quando?
Constatação XIII
“Sinergia”, explicava o obcecado para a sua mais recente conquista, “é dizer sim com toda a energia para as minhas benévolas propostas”.
Constatação XIV (De diálogos meio confusos e consequentemente pouco esclarecedores).
-“Ela tirou o corpinho. Revelou assim todo o seu antológico corpinho. Que eu cobri com o meu corpão”.
-“Cobriu o corpinho ou o corpinho?”
-“O corpinho”.
-“Ah, bom!”
Constatação XV
Era um político duplamente baixo: De altura e de propósitos.
Constatação XVI
E como poetava aquele filho para a sua – dele – intrometida mãe: “Não me impinja uma calipígia como é o caso da Ligia; não infrinja meu direito de escolha. Não seja bolha”.
Constatação XVII
Não se deve confundir ritual com atual, muito embora, ficou, em certos países, um ritual nos três Poderes da República, no âmbito federal, estadual e municipal, inclusive de maneira desmedida no tempo atual, a corrupção, meter a mão no jarro, cobrar sobre preço em prestação de serviços para os governos, lavagem de dinheiro, propina e assim por diante. Basta ver as notícias diariamente onde se pode constatar que não há dia que não ocorram o acima mencionado. Até quando?
Constatação XVIII
E já que falamos no assunto, em certos países a corrupção, a violência, as faltas de investimentos na Educação e na Saúde passam a ser tratadas de modo extremamente trivial.
Não deixa de ser uma espécie de ‘Banalização do Mal’, expressão criada por Hannah Arendt (1906-1975), teórica política judia-alemã, em seu livro Eichmann em Jerusalém.
Constatação XIX
E ainda já que falamos sobre o assunto: Sugestão de slogan para o atual governo e alguns anteriores: Sorria, mesmo que você continue perdendo a tua cidadania e respectivos direitos...
Constatação XX
E já que falamos em slogan, o corruptor criou o seu: “A facilitação sobreviverá e continuará estoicamente”.
Constatação XXI
Ainda comentando sobre a corrupção e agregados: O que tem de governante catimbando –  mais do que jogador de futebol para não ser pego pela justiça e, na eventualidade de estar ameaçado de ser preso – não está escrito em gibi algum...
Constatação XXII
E como elucubrava aquele ancião, amante da matemática: “A disfunção erétil deveria ser inversamente proporcional à libido ou, se preferirem dizer de outra maneira, como, por exemplo, a ereção deveria ser diretamente proporcional à libido”.
Constatação XXIII (De uma dúvida não necessariamente crucial).
Quando um senhor idoso, sem ser rico, se mete com uma jovem, ele demonstra ser um otimista incorrigível?
Constatação XXIV (De mais uma dúvida crucial via pseudo-haicai).
Postura eminentemente destoante
É o cara de smoking ao invés de cinto
Amarrar as calças com um colorido barbante?
Constatação XXV
Algumas pessoas, pais e mães ameaçavam seus filhos, caso não obedecessem com o carro forte que assim era chamado, naquele tempo, o camburão. Eles achavam que era menos grave do que ameaçar com “o bicho-papão vem te pegar”. Talvez o estrago na criança fosse menor do que o bicho-papão. O trauma, nas duas opções deve ter ficado, mas o carro forte devia ter maior e melhor efeito por que era passível de ser visto. Já o bicho-papão... Vige!
Constatação XXVI
Vivia apreensivo.
A mulher, um dia,
Cortou a sua alegria,
Embora o seu empenho,
Face o seu pífio desempenho.
Chamou-o de morto-vivo,
Tendo acrescentado:
“Mais morto do que vivo”.
Coitado!
Constatação XXVII (De diálogos esclarecedores, embora inverossímeis).
Contou um obcecado velhinho para outro obcecado, também velhinho:
-“Aí ficamos uma semana na praia”.
-“Uma semana?! Puxa! E quantos felizes eventos por dia?”
-“Dois. Um de manhã e outro à noite”.
-“Barbaridade tchê! (Este velhinho era gaúcho). E foram todos os dias?”
-“Sim. Mas de vez em quando era uma vez e meia por dia”.
-“Uma vez e meia? Como assim?”
-“É que eu me esquecia de tomar o remédio”.
-“Ah bom! Quer dizer, ah ruim, quer dizer...”
Constatação XXVIII (Ah, esse nosso vernáculo).
Ele foi pilhado com uma pilha de pilhas de lanterna na mão. Que pilhantra, digo pilantra!
Constatação XXIX
Tenho um conhecido que, quando era pequeno, vinha, em companhia de sua mãe, na minha casa, a fim de que ela conversasse sobre assuntos culinários com a minha mulher. Ele, como acabava de ficar, diga-se, na moda usava dois brincos, um em cada orelha (poderia ser dois em uma orelha, como se vê por aí). A fim de enticar com o garoto, perguntei se havia aquele tipo de brinco para homem. Ele, na sua timidez, não soube o que responder. Aí, eu, num gesto altruísta, ensinei a ele as duas respostas inerentes a pergunta agressiva:
-“Olhe. Se você quer ser educado, você simplesmente responde: -“Não estes aqui foram os últimos”; se você quiser ser não tão educado, você responde, fazendo a seguinte pergunta: -“Por que? Você esta querendo dar para o seu?” Muitos anos mais tarde cumprimentei o ex-garoto que havia recentemente retornado da sua lua-de-mel. Na ocasião, contei a ele toda a história, relatada acima, citando da sua, na época, timidez. E ele, empostando a voz retrucou incontinente: “É mais agora eu não sou mais tímido”...

RICOS & POBRES
Constatação I
Rico é caloroso; pobre, nebuloso.
Constatação II
Rico ganha cafuné; pobre, pontapé.
Constatação III
Rico fica fulo de raiva; pobre p. da vida.
Constatação IV
Rico exerce uma chefia; pobre tem um surto de megalomania.
Constatação V
Rico gargalha; pobre, sorri amarelo.
Constatação VI
Rico é galanteador; pobre, mete os pés pelas mãos.
Constatação VII
Rico pragueja; pobre diz palavrão.
Constatação VIII
Rico joga em cassino de Las Vegas; pobre, joga truco no intervalo de meia-hora do almoço.
Constatação IX
Rico viaja para assistir Real Madri x Barcelona; pobre, vai assistir o meu Paraná.


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