quarta-feira, 3 de agosto de 2016

RUMOREJANDO

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.
Constatação I
Algumas das músicas que sensibilizaram este locutor que vos fala, digo, digita:
Argentina: La cumparsita.
Bolivia: El Pica Flor.
Brasil: Naquela mesa.
Espanha: Concerto de Aranjues.
Estados Unidos: What a wonderful world.
França: Feuilles mortes.
Grécia: Zorba, o grego.
Israel: Irushalaim shel Zaav.
Italia: Dio como ti amo.
Paraguai: India.
Portugal: Vila morena.
Peru: El condor passa.
Uruguai: Compadre Miguel.
Constatação II
Ainda que não seja ele que não pague a luz, pois ele se ressarcirá com a corrupção, o último desonesto que, por favor, apague a luz por razõesw nã de economia, mas pelos pouco que ficarem.
Constatação III
Nos dias 3 e 4 da agosto foi programado o terceiro livro deste  assim chamado escriba, intitulado REFLEXÕES & DIGRESSÕES, constituído por 2 volumes. Na contracapa do volume I Segue referências  de HENRIQUE MOROZOWICZ, também conhecido por HENRIQUE DE CURITBA.

Henrique Morozowicz, professor e compositor musical, também chamado Henrique de Curitiba, transformou em uma ópera buffa um texto de minha autoria que havia sido publicado no jornal O Estado do Paraná na coluna, que mantive por 13 anos, intitulada Rumorejando.

Quando da sua apresentação em primeira audição, na Capela do Santa Maria, em Curitiba, por iniciativa dos irmãos de Henrique,  Milena e Norton Morozowicz, com a intenção de homenageá-lo já que – logo em seguida a sua criação Henrique veio a falecer – este assim chamado escriba esteve presente. Chamado a dirigir algumas palavras foi possível externar o quanto era importante ser parceiro de Henrique, fato que jamais havia imaginado. Reproduzo abaixo o texto do Henrique, contando um pouco dessa efêmera parceria.
                                                                                                           Juca.

CONSTATAÇÃO FATAL

A inspiração para esta música veio da leitura de um texto humorístico, em forma de versos, do conhecido jornalista José Zokner, publicado na sua coluna "Rumorejando", do jornal "O Estado do Paraná", num dos domingos do mês de agosto. Imediatamente, recortei e guardei aqueles versos para usa-los numa obra vocal, pois eles me soaram como uma letra feita de encomenda para uma ária de opera buffa.[...]
Usei o texto original quase em sua totalidade, deixando de lado apenas umas poucas linhas, o que não alterou o sentido geral da criação literária. Usando um misto de recitativo e arieta, com uma introdução e uma coda, dividi a obra em 4 partes principais, que se sucedem sem interrupção. Como é usual, repeti, num ou noutro lugar, uma palavra ou frase, buscando o equilíbrio formal da música ou um maior efeito expressivo. Dei-lhe ainda o título de "Constatação Fatal" para sua melhor caracterização. Certamente, ela pode ser cantada por barítono ou baixo desde que sua personalidade vocal seja apropriada para expressão de humor.
                                                                 Henrique

. Na contracapa do volume II foi pubicad0 e Conto/CrônIca 0 VELHO E O CÃO que transcrevo a seguir:
                                      O VELHO E O CÃO
Cabisbaixo, desceu do ônibus. Caminhou em direção a casa. Havia sido dispensado do emprego. O Departamento de Pessoal alegou contenção de despesas. Ele sabia que era pela inconstância da sua assiduidade. Tudo, por causa de sua saúde frágil que o mantinha por dias na cama. Já estava aposentado. No entanto, o emprego de distribuir cartão de controle, na entrada e na saída de um supermercado, ajudava a melhorar o que recebia do Instituto de Aposentadoria. Ainda que houvesse contribuído para se aposentar com oito salários mínimos, nunca conseguiu entender porque recebia menos de dois. Um cachorro se pôs a segui-lo. Parou. O cachorro também, olhando para ele com olhos meigos e sacudindo o rabo. Era um cachorro velho. “Velho não tem vez”, pensou. Provavelmente tinha recentemente sido posto na rua pelos seus donos, porque não estava muito magro. Época de férias aumenta o número de cachorros abandonados. Ficou enternecido. Ponderou: “Pelo menos tem quem demonstre apreço por mim”. Vivia sozinho. A mulher, de há muito, já partira, segundo o padre que dera a extrema unção, para junto de Deus. Os filhos, um casal, se dedicavam as suas próprias famílias. Ultimamente, esquecendo ou não se lembrando dele. Salvo em uma ou outra rara ocasião, através de um cartão postal. Ambos viviam fora do país. Haviam partido para a Nova Zelândia. Como outros tantos 160.000 jovens, no último ano, emigraram. Em busca de emprego. Aqui, nem pensar. A filha limpava casas e ganhava razoavelmente bem. Seu marido passeava cachorros. Tinham um garoto de um ano que achava ser parecido com ele. Pena que não pudesse carregá-lo no colo. Mais tarde, brincariam juntos. O filho lavava carros; a mulher trabalhava de atendente numa loja de fotografias. Todos tinham curso superior. Intimamente, ainda que, sentindo aquele aperto no coração por estar longe dos filhos, estava satisfeito que estivessem longe da violência e da corrupção que grassava no país. Olhou novamente para o cachorro que não desgrudava os olhos dele. Lera em algum lugar: quem vive sozinho é muito recomendável ter um bicho de estimação. Rememorou que quando menino quis um cachorro, mas a mãe não permitiu porque achava que ia sujar a casa
Quando adolescente ele estudava e a mãe teve que ir trabalhar fora porque o pai abandonara a família e sumira para sempre. Adorava o pai, mas, por não perdoá-lo, nunca se preocupou em procurá-lo. Naquela vez, também não daria para ter um cachorro porque ele não ia querer que o cachorro ficasse só.
Quando casou, foi morar em um pequeno apartamento alugado e quem ficou de síndico não permitia nem cães, nem gatos nos apartamentos.
Quando foram morar numa casa, o casal trabalhava fora, E, como os filhos estudavam em tempo integral, tampouco daria para deixar em casa um cachorro, sozinho, sem atenção. Lembrou-se de uma canção de um uruguaio que dizia: “Claro que quis querer, mas não pôde poder”.
Com a aposentadoria daria para os dois viverem. Ele e o cachorro. Morava numa espécie de meia-água, nos fundos de um terreno que havia adquirido por preço compatível com seus ganhos. Construíra uma casinha de madeira nos fundos, para algum dia construir, na frente, uma de alvenaria. Os filhos, que estudaram em faculdade particular, por não lograrem classificação na faculdade estatal, haviam consumido grande parte do dinheiro para a casa de alvenaria. A outra parte fora consumida com a doença da mulher e com ele próprio numa operação de ponte safena. Nos dois casos, o Plano de Saúde não cobriu em sua totalidade e havia os remédios cada vez mais caros. Fazia, como tantos, sua fé na Quina, jogando nos bolões. Além de aumentar a chance, pensava que ganhar uma bolada, sozinho, correria o risco de ser sequestrado. Uma vez, havia sido abordado, não longe do banco onde eram creditados a sua aposentadoria e o salário, por dois sujeitos. Eles, demonstrando total ignorância, tentavam passar-lhe o conto do bilhete premiado. Sem dúvida, dois artistas pela representação de ingenuidade e no falar manso. Alegara uma desculpa e tratara de despistá-los. Nunca quis fazer queixa à polícia com medo de represália. E, também, por achar que não ia levar a nada. Se aqueles tipos queriam o pouco dinheiro dele, imagine uma bolada. Chegaram, ele e o cachorro, no portão de casa. Chamou “vem” para o cachorro entrar. Foi seguido na mesma hora. Falou em voz alta: “Vou preparar algo para nós comermos. Vou te dar uma carninha que guardei para minha janta e fazer uma polenta pra nós. E vou preparar uma cama para você descansar”. Encheu um recipiente com água que o cachorro bebeu por inteiro. Deu vazão a sua ternura acumulada. Afagou sua cabeça; o cão lambeu a sua mão. Falou com muita convicção: “Como nos contos infantis, mano velho, de ora em diante, seremos felizes para sempre”...
DÚVIDAS CRUCIAIS
Dúvida I
Será que no amistoso
Dúvida II
Quando alguns times pagam em dia o salário dos jogadores
Dúvida III
Será que já não passou da hora da Anvisa interferir na fabricação do pãozinho francês e outros mais? O que tem de produto químico não está em enciclopédia algum. Vige!
Dúvida IV
Será que no amistoso de Brasil versus Japão saiu do corpo o espírito do Dunga e interferiu no andamento do desempenho da nossa seleção no segundo tempo?
Dúvida V
Quando alguns times de futebol pagam em dia os seus jogadores quer dizer que o dito de Ben Gurion estava correto quando ele proferiu que quem não acredita em milagres não é realista?
Dúvida VI
Será que houve muita gente que começou um regime para emagrecer no primeiro dia de agosto? Afinal de contas, não é sempre que o dia primeiro cai numa segunda feira...
Dúvida VII
A observação do governador do Rio de Janeiro, quando os australianos reclamaram das condições em que encontraram as acomodações onde iriam ficar alojados nas Olimpíadas de que eles precisavam de canguru, demostra que ele cara brilhante, atilado, bem-educado e por aí afora?
Dúvida VIII
Será que, em certos países, para fazer parte de certos governos é imprescindível ter maus antecedentes, inclusive de prova de ser corrupto?


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